No percurso dos meus pés encontrei umas fotos espalhadas no passeio. Cativou-me o aspecto preto e branco da imagem. Algumas viradas ao contrárias, umas direitas, todas com aspecto de serem de longe. Disseco o tempo a observá-las sem as apanhar. O toque pode amedrontar e fazê-las retornar ao seu proprietário. Reviro os olhos em volta para observar se alguém está próximo enquanto no meu pensamento se figura a ideia que as fotos foram abandonadas, ou esquecidas, ou quiseram fugir. Parecem ter vida mesmo estando imóveis no meio do chão. Aninho-me junto delas, penetro os odores de outras paisagens. Misturas quentes de africa, rostos e tendas, árvores e rios. Não que seja um continente que me atrai, mas algo no meu coração fica crucificado.