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Saturday, January 03, 2009

Espelho

A paisagem acoplada ao rosto, aos olhos desfolhados, lábios seduzidos pelas chamas, carícia volumosa a levitar; reflexo forma suas linhas de fogo nos espelhos da miragem. Sempre a germinar, a imagem infiltrar-se nas subtilezas do inverso, a florescer os espinhos cravados da contemplação do destino. Este sangue esvoaçante trilha o fogo do momento, instantes permanentes do qual o peregrino devora o instante.
A viagem desencadeia a ceia impregnada da sorte. Cada instante pinga o estilhaçar do horizonte, desaguar do licor da fonte, dum cântico a envolver o estremecer, adormecer.

Saturday, November 03, 2007

Sábado

Sábado de manhã,

O rádio invade as embriagantes masmorras do demónio. Contos de árabes, harmonias de letras antigas ou o sopro da melodia das velas roxas. Ouço os galhos a ficarem mumificados ao dedilhar do fogo, propagando num suspiro toda a alma inflamada. Cânticos suspensos nos raios de sol que entram, que penetram com ardor a Lua esboçado no ar.
A Alma nua reflecte o espelho. A chama ardente tilinta o demónio.