Existe sempre um estado em que as Almas Gémeas se encontram e de lá mergulham num sopro infinito para a caverna das sensações. A busca interminável poderia acabar aqui, neste fosso que junta e separa, mas o que faz é brilhar o esplendor de se unirem é de saber que estão perto, de poderem sempre acariciar quando os sentidos deixarem de existir. O choque das águas revolta os demónios das profundezas mas deixa no seu manto uma água cristalina, escavações dedilhadas ao sabor de delicadezas. Quando os olhos saltitam cria-se uma corda que une estas tuas terras, as germina num apocalipse de virtudes, a Santa Teresa e Bonifácio.
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Friday, March 11, 2011
Saturday, March 05, 2011
Saorge - França
Pinto ao fundo as montanhas de neve, nas minhas costas é o recolho das brasas. As casas penetram o céu nas escarpas da encosta, sendo uma donzela a tecer a silhueta num pincel. Estão juntas a roçarem os sentimentos esventrados. Pele nua em tecidos banhados. A serpente moldada toca os brincos coloridos, solta os sinos para uivar para a eternidade dos sons. Os fios de cabelo deslizam como doces pedras no dorso da água, regando o meu seio, deixando o perfume das folhas nos Altares. Quando se escuta o sussurro dos murmúrios o coração bate e resvala para o tricotar da dança privada da natureza, um bater estremecido na delicadeza retardada de enlaçar o fragmento perdido, a pérola de entranhar.
Tuesday, March 01, 2011
Avignon - França
A ponte que acaba no rio, que se afunda no abismo, recolhe as queimaduras do inferno. Ponho as folhas secas que sobram da arca no cabelo, consagro a moldura de um boneco de neve e espeto-lhe a navalha de sangue nos seus pecados. Escore o sangue cheio de veneno para suavizar a sede do poder dos cegos. Cavo uma sepultura de neve, enterro-me num repouso ardente. Permaneço o peregrino de unhas negras que germina no frio da Alma ancorada ao trilho amaldiçoado dos galhos dispersos. Lapidar o corpo perante o destino, banquete estendido para jamais ser extinto pelos homens.
Wednesday, February 09, 2011
Paris - França
O mistério aglomera-se em sepulturas nos recantos mais escondidos. Fujo pelas saliências, abro crateras, violo o silêncio para sentir o mais íntimo sossegar da solidão. Gosto de ser embalado pelos devaneios do tempo, longe do caos que morra aqui ao lado. A luz verdadeira da pedra ardente, do osso de marfim, dos fios de cabelo que cria perfis de demónios na minha mente. A escrita rasga as fundaras num salpico vulcânico, afundando o inferno, naufragando a pauta no meu rosto, no retrato de fogo.
Solenemente estremeço ao entregar-me, ao absorver a lentidão do pousio. A face do meu rosto beija-me até ao limite do impensável. Resta dilacerar o EU no cântico da nudez demoníaca.
Solenemente estremeço ao entregar-me, ao absorver a lentidão do pousio. A face do meu rosto beija-me até ao limite do impensável. Resta dilacerar o EU no cântico da nudez demoníaca.
Friday, February 04, 2011
Monte de Saint-Michel - França
Muitas vezes dá vontade em ficar enclausurado numa ilha. A peregrinação de ficar isolado, suster a respiração do mar na crença de soprar o infinito. O monte eleva-se agasalhado ao céu, impregnado ao inferno, onde os ecos se afundam, onde se pode refugiar os medos. Trilhos enrolados preenchem o ninho dando ofertas aos recantos mais escondidos, o cálice embriagado. Deixo brotar a semente do meu corpo no manto da união entre o céu e o mar.
Sunday, January 30, 2011
Loire - França
Nos castelos existem espíritos de outros tempos que sentem as masmorras como um estado ceifado da Alma. Apodera-se o Ser até êxtases de pigmentos presentes a viajar pelo passado, a serpentear as labaredas da caça. Cai o interior fúnebre no regaço de restaurar o Ser na sua intimidade. Aprecio os salpicos da virgindade em cada ranhura que existe, escuto o vento majestoso assobiar nas teias mostrando o espelho das funduras, um palmo de repouso. Consigo construir nos meus dedos as torres que chegam ao céu, e fazem dos seus espaços o rio de sangue que derrama a esperança de enlouquecer. Fortaleza contaminada pelo veneno do renascimento.
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