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Wednesday, September 01, 2010

Type O Negative - Peter Steele

A cor púrpura dos céus escolhe os seus obreiros através das gotas. Elas caem, esventradas no esfaqueamento da escuridão, mudadas de cavernas para os altares dos precipícios. Resta a permuta caótica a despedaçar os momentos fulminantes para que sejam acolhidas, ou recolhidas na melodia do fogo.
O dia 14 de Abril de 2010 ficou marcado pela cristalização de Peter Steele, membro da banda Type O Negative. Os sopros dos assobios regaram os infernos até ecoarem com estrondo nas faíscas dos trovões. Momentos de pausas intrinsecamente ligado ao contágio da Alma com os Seres profundos, os demónios insanos. A terra rasgada chamou a si a energia do caixão, forças que as correntes enlaçaram o pó e num som penetrado consomem a combustão da insanidade da absorção. Pesadelos acariciados durante a vida, abraçados na morte; trilho mutilado aos remoinhos de infiltrações, ao contágio gemido da voz poderosa da retenção liberta. Viajar no desconhecido, na alucinação provocadora das trevas sufocantes, torna as extremidades um abismo de palavras, deslizante tempo a pingar o sentimento.
Lembra-me como se fosse hoje, Junho de 2007, em que sulquei em direcção à cidade maldita (Lisboa) para ver o concerto dos Type O Negative no Coliseu dos Recreios. Embriaguei os passos para ser amaldiçoado, ser penetrado até escutar a sedução das notas, uma a uma a pôr-me nu perante o esfaqueamento da cortina da loucura. Dilacerar o fumo num tempo ilimitado; embalsamar a eternidade num fogo áspero de desejo, num prazer oscilante de assombrações, queridas e abrigadas numa absorção de tempestades. O patamar intimamente ligado ao visionamento aglomera a construção fortificada da união dos sentidos, rendilhada forma de nevoeiro, espelhado reflexo da metamorfose.
Por vezes não se consegue explicar a fusão da sintonia, a máquina gritante de suspiros, os lábios de sangue deliciados com as folhas eróticas duma carícia a resvalar; permanece o sangramento desse mês, permanecerá além da morte... Sulco salpicos de pétalas na tua mão, o orvalho da corrente a sufocar o fôlego oscilatório de pingares nos meus lábios, no meu peito, Impregnar, Invadir, Respirar. A voz imortalizada de Peter Steele a pregar o coração na dança do Ser, um Lobo Demoníaco.
P.S.: A minha homenagem a Peter Steele, não no tempo devido mas no tempo injustificado da memória. Que o fogo o acolha num calor de furacões, na serenidade de pulsações inatingíveis, ondulações de abismos, pecados fúnebres de sedução, tentações da alienação...
Assombrações da altura:
http://pesnus.blogspot.com/2007_06_01_archive.html


Peter Steele

"Loving you
Loving you,
Love loving you
Was like loving the dead.

Was like fucking the dead."

Sunday, June 24, 2007

Type O Negative VII

Tenho os lábios nus, cantos de pétalas adormecidos no algodão. A chuva lava os poros sem cessar, as nuvens embalam a pele, viajo. Pés, mãos, maestro, rego o mar...

Type O Negative
Album:"October Rust"(1996)
Música:My Girlfiend's Girlfriend

Sunday, June 17, 2007

Type O Negative V

Rachadas de chuva brotam na face a espernear o vento, agreste como a leveza. Noutro segundo tudo se modifica, e aí bate clarões de luzes virando do avesso o esfrangalhado relevo ao toque dos gritos sublimes de espanto que chegam num surpreendente pintalgar. Dançar no Outono para espalhar a vida de retenção, trespassando o fogo da lareira. O traje do santo sepultado espanta os náufragos das velas dormentes, regar silhuetas dos braços ondulantes, ao cavar lágrimas do rejuvenescimento...” a bed of autumn leaves”


Type O Negative
Album:"World Coming Down" (1999)
Música:Hallow's Eve

Saturday, June 09, 2007

Type O Negative I

O fúnebre olhar envolve-se na neblina. Nada do olvidar pode dormir sobre estrados de madeira para não apodrecer sobre a miragem. O caixão aberto com pétalas esquecidas rasga os patamares de cada perfume. Quebrar o sufoco chama os feitiços dum corpo nu, fracção do riso das lágrimas, recanto aleatório do forno da Alma. Perfurar o orvalho da noite, mistura de Lua, profundezas de lobos, dimensões com cortinas de verniz. As cinzas põem o vestido do fogo num sopro de desejo...” Dye em black.”


Type O Negative
Album: "Bloody Kisses" (1993)
Música: Black No. 1