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Wednesday, March 04, 2009

Antonin Artaud


"Não se deve deixar que as resistências de uns, a incredulidade de outros e sobretudo o medo das reacções do público nos façam renunciar À ideia que tivemos, nem nos impeçam de extrair o máximo dela. "

"Se existe ainda alguma coisa infernal e verdadeiramente maldita nestes tempos, é o deter-se artisticamente sobre as formas, em vez de agir como os suplicados que são levados ao fogo e que abençoam suas fogueiras. "

"Tudo treme, geme, como se fosse uma vitrina anormalmente abarrotada. Uma paisagem que presente a tempestade chegar; objectos, músicas, fazendas, trajes perdidos, sombras de cavalos selvagens passam no ar como meteoros longínquos, como o raio sobre o horizonte repleto de miragens, como o vento que se inclina, veemente, aos rés do solo num clarão precursor da chuva e dos seres."



"E no entanto, com a sua violência absurda, seu olhar perdido e seu quase indisfarçável furor, ele nos transporta par além do bem e do mal, até um deserto onde a sede do sangue nos queima."

Morre em Ivry, no dia 4 de Março de 1948, Antonin Artaud


Friday, December 05, 2008

Feit

Quando a manta chega junto das estrelas do inferno, importa sentir o permanecer dos uivos incessantes, mergulhos de palpitações vibrantes. Não é qualquer Ser, não é qualquer folha de fumo da natureza, nem o raio fulminante que do acordar do alvorecer sabe o seu ardente gemer; será somente a virgem das purezas loucas a permanecer na cinta da vitrina recolocando pós no socalco dos remoinhos.

Espalhadas vertigens são trilhos dos viajantes...
Colheita de pó feita pelo véu...
Colheita de sementes feito pelas folhas...
Espalhado odor mistura a Alma...

“A vida é queimar perguntas” Antonin Artaud

Wednesday, December 03, 2008

Feiti

Captar o labirinto a desfolhar a visão dos lagos pingados. O momento estagnado de prazer acolhe os fios debruçados, suspiro frustrado de raios humedecidos a reflectir. Desdobrar o tempo, retalhar o pó, florescer o calor emanado pela terra. Transpiram curvas na envolvência dos troncos cruzados, nuvens embaladas pelo toque entreaberto da chuva. Os ninhos de janelas são contagiados no encantamento das folhas caídas, coloridas de gemidos acastanhados amarelados.
Mistura destas cores difundem-se manipuladas por um feitiço do inferno. Os Seres abraçam perversões ligadas à natureza, repetindo a sequência até à eternidade se tornar o apogeu do fogo.
“Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu, ou inventou senão para sair do inferno” Antonin Artaud