Showing posts with label Existência. Show all posts
Showing posts with label Existência. Show all posts

Tuesday, September 28, 2010

Sopro do Apocalipse

O sopro da existência progride no passo fumegante dos fogos, dos olhos rasgados do tempo para a calvície das planícies. Quando existem pingos constroem-se monumentos, dos quais as cavernas se encontram no patamar sombrio da solidão. Embrenhar uma mistura de paixão no fúnebre vaguear dos isolados estreitos faz a ligação destes abismos.
Há o primórdio a assombrar o caixão, e de lá sai a essência pura, um resguardo mais que temporário mas que precisa de certas pétalas para chegar ao eterno. De certos vendavais da memória o Ser treme, aflige as suas sepulturas até o sufoco espremer um licor. O licor eterno de sorver do cálice a imaginação, cativar o mórbido olhar do apocalipse, enroscar o ardor. E sem a lucidez, o Ser cego espia a insanidade, rasga toque a toque a sobrevivência.
Não há fio que ligue qualquer frase, nem palavra que se pode conectar, porventura o piscar de olho embala o último secreto, enigma esboçado no perfil do rosto da folha, nervuras, veias enfrascadas no Luar. A navalha cravada na cruz solta o grito do prazer... Inexplicável à corrente.

Tuesday, January 27, 2009

Existência

“Dizemos muitas verdades mas elas contradizem-se umas às outras.” Fernando Pessoa – O Privilégio dos Caminhos

Puseram um caixão à beira da falésia, encostado no ventre do abismo infernal da existência. O paralelo mental risca o mapa, ardido no tempo intemporal prolonga-se o Ser até aos contornos dos fragmentos. Se forem as letras ou a capacidade experimental, o instinto sobrevive nele próprio ao complementar o estado selvagem, agrupar a vitalidade do pormenor descaído. Estilhaços ouvem-se no vazio como ecos de linhas de comboio, imparáveis na sede do orvalho, inflexíveis na nudez. Ir na direcção do rosto adormecido, sonho do qual a bebida serve ao infinito a loucura do não transbordo. Há quem orienta, indicando a vertigem do caminho correcto, mas todos o julgam ser uma companhia e não a verdadeira essência. A extensão cega de olhar o umbigo… O chamamento de ir além da fronteira do espaço, será o acolhimento, o verter para escutar o rasgar.

“Só que é melhor uma vida amarga do que… uma vida apagada, tristonha.” Andrei Tarkovsky – Stalker


* Baseado no filme Stalker de Andrei Tarkovsky