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Tuesday, September 28, 2010

Sopro do Apocalipse

O sopro da existência progride no passo fumegante dos fogos, dos olhos rasgados do tempo para a calvície das planícies. Quando existem pingos constroem-se monumentos, dos quais as cavernas se encontram no patamar sombrio da solidão. Embrenhar uma mistura de paixão no fúnebre vaguear dos isolados estreitos faz a ligação destes abismos.
Há o primórdio a assombrar o caixão, e de lá sai a essência pura, um resguardo mais que temporário mas que precisa de certas pétalas para chegar ao eterno. De certos vendavais da memória o Ser treme, aflige as suas sepulturas até o sufoco espremer um licor. O licor eterno de sorver do cálice a imaginação, cativar o mórbido olhar do apocalipse, enroscar o ardor. E sem a lucidez, o Ser cego espia a insanidade, rasga toque a toque a sobrevivência.
Não há fio que ligue qualquer frase, nem palavra que se pode conectar, porventura o piscar de olho embala o último secreto, enigma esboçado no perfil do rosto da folha, nervuras, veias enfrascadas no Luar. A navalha cravada na cruz solta o grito do prazer... Inexplicável à corrente.

Wednesday, November 18, 2009

Cavaleiros do Fogo

Os cavaleiros do fogo sentem os corredores dos odores. Colocam as folhas no balanço das notas do vento, onde pernoitam o massacre do pó. Na agitação das filhas a existência das masmorras sussurra a malvadez da mistura, grades de escadas arqueadas para saltitar na Lua do Outono dedilham as chamas com a linha a desequilibrar o orvalho; os momentos das crinas libertadas ao fogo fazem com que as folhas estejam no tom despido, Outono de veias que a emoção circunda a imóvel perdição da nudez das árvores.

Imagem retirada da net

Tuesday, January 08, 2008

A Marcha...

A Alma que arde perturbada voa na pele ardente. Geme descontrolada entre os pingos até a essência se transformar num suspiro penetrante. Aí desfolhado pelas correntes desorientadas, o ninho navega num naufrágio sufocante, enquanto que a cortina de fogo debruçada sobre filamentos se orienta ao sopro da paixão que rasga as ondas. A gota atravessa o mel até o seio saciar a sede...Perturbação inquieta do temporal, subida ao inferno desejado. O corpo nu dilacerado pelo vento das teias ouve mãos...Ouve no fundo do profundo a marcha da meia noite.

Wednesday, August 08, 2007

Chuva Tremida

Arrebatam o fogo aos céus na busca das insaciáveis fogueiras. Colocadas nas sepulturas as cinzas deitadas ao vento espreitam casas assombradas, penetram como chuva tremida, rasgam trovões ao salto do tempo escondido.

Friday, July 27, 2007

Salpicar o Fogo

Saia debruçada no altar...
Cortina curta moldada no voar...
Baralho da fogueira em nevoeiro...

Por dentro das gotas o grito
Salpica o orvalho do fogo...
Gemido entretido...
Vestido retido...

A transparente brasa
Rejubila o calor...

Tuesday, May 29, 2007

Cavalo de Fogo

Nos confins do céu nublado o condenado é expulso do território. Avançar sobre as fontes espalhadas com os pés no bolso. Rara moldura não conseguirá morder o horizonte, nem do vento ouvirá tremer os lábios, nem da cauda se ouvirá o ranger. Da lava incandescente o corpo diluir-se-á para o fumo o envolver e o levar nas catacumbas da memória. O fogo arde no Demónio.

Wednesday, February 21, 2007

Troncos de Fogo

Campas de marionetas
Inflamam os troncos espalhados;
Mascarados pelos fogos desesperados
Ouço a dor dos cometas.

Da serpentina cravada
Sobra o coração prisioneiro;
Atarracar o pé à calçada
O corrimão sai pioneiro.

A luz da noite nasce na sombra...


Sunday, February 04, 2007

Brutal Cal

Capítulo brutal.
Inacabado ao suspiro.

Por dentro do silêncio
A massacrar os lábios da nudez
Desfilo nos húmidos pedaços.
Num rasgo do desfiladeiro
Ofusco o som cercado…

Na cela da solidão
Ergo a invisibilidade
Da transparência de fogo
Até ao portão de grades vendadas…

Subo nos pés da geada
A gemer de prazer…
Estremeço com espinhos cravados.
Do mal fatal dou uma foda aos sentidos…

Escorrego no meu cabelo estendido na mão
Onde cresço ao sabor da Bruma.

Wednesday, December 13, 2006

Descida ao Céu


Por caminhos de pedras, a água escorre por dentro dos musgos, rasgadas nas folhas outonais o vento leva aos muros as cascatas voadoras. Abre-se os bicos das aves, e os cantos dos charcos, dilui-se as cores, corre-se para o fogo com vestes de telhados de ramos.
Percorro só este caminho estreito, selvagem na delícia da pedra encharcada, agreste na silva que decota minha pele. Os pés encolhem-se no entrelaçado da vegetação, pintalgando o rosto de entranhas para suavizar a descida ao céu. Formam-se remoinhos no meu altar, descascado em ternura pelos odores das valas abertas. O esplendor do único sentimento rasga a Alma, cortejando espinhos de verdura, naturais como vitrais onde desaguam sorrisos. Ninguém chapinha nestes cordéis, enfiados nos filamentos de labirintos. Cego das asas que se seguram, levanto voo...

Monday, November 27, 2006

Esfera

Arranco os palhaços da guilhotina
Aguçando lâminas de sangue

Da música, na nota, no som trocado
Mutila-se o espaço...
Da blasfémia do olhar dá-se
Vida à cor...
Da viagem de serpentinas acorda-se
Para os momentos

Pinto as esferas de fogo
Em livros de crucifixos

Friday, October 13, 2006

Poemas Esquecidos De Outubro

Suavidade

A lua afunda-se na manhã submersa
Sem o tempo a pautar o toque,
Com sopros a acariciar
O esqueleto indestrutível da suavidade...

Porventura meus olhos fecham-se
Na elegância suprema de voar,
Distraio a mordidela,
Arranco no destino da palma da mão.

O bosque cheio de charcos
Perfumado num espelho olvidado...

My eyes are bleeding,
You are in my eyes...

......................
Chuva de Licor

De Alma corrente,
Deus de lábios com rios
Molda nas mãos os fios,
Escorre pela mente
O grito contido da semente...
A chuva de Licor;
Impiedosa e Cruel...

.....................
Tatuagem de Lua

Tenho a noite no meu berço
Embalado nas estrelas de fogo,
Morte árdua e dançante...
Vestes negras acorrentadas ao céu
Pingam a coragem do olhar,
Dum momento de lucidez colectiva
À ruptura que na moldura dura,
Tem na escultura o grande pendura...
Sempre com a mão tatuada
De prata dourada...

...........................
Punhal de Vida

Ó esqueleto sem ossos, que olhas do tecto
O tédio da atracção por máscaras,
Vazio da indiferença, atado em amarras

Se tocas dormente, vermelho teus olhos ficam...
Se chamas ocas queimam, teus braços seguram...
Se folhas caem, tuas vestes pintam...

Então, de que forma são tuas asas?
De mel embaciado, ou de gelo embalsamado?
És mórbido, louco insano!...Confundes as Ruínas.

Fogem de ti, da mesma maneira que se atam na cruz.
Sopram veemente por fogueiras secas, de luz
Nua a escapar nos canais ensanguentados.

Misantropo um dia te chamaram,
Num estranho orifício d desejo,
Assustaram-se com o jazigo ou um beijo!

Ceifas cada rosto, perfuras os seios,
Deixas o punhal dilacerar sem devaneios
E, sem remorsos perguntas quem és...

São longas tuas garras, afiadas sem espessura,
Negras, que um carrasco limou,
Enquanto na atmosfera caía a água pura.

São os traços, cicatrizes ou arestas floridas?
Sangram na mão? Loucura? Apenas sopros
Pálidos do olhos fascinados nos corpos.

Da Alma que cuidas na morte, sentes o odor
De lágrimas que se esfumam no assassínio da dor.
Chamas a ti a noite eterna dos corvos...Sangue!

Always red in your dress...undressed
“Loving you is like loving the Dead” – Type O Negative

Thursday, September 07, 2006

DarkViolet

Brilho no capuz do teu rosto
Para pronunciar o sabor dos teus lábios
Num momento que descai nas veias,
Num balanço para trovejar crinas...
Oscilações de saliva
A mergulhar em ondas de fogo,
Minha Alma espessa
Desfila nos teus pigmentos.
Lanças escorregadias dos olhos do mar
Nas conchas belas da tua pele...
Adormeço nas cavidades...
No luar transbordo em ti...
A pingar...

Wednesday, August 23, 2006

Cortesã

Nas labaredas, a chama irrompe
Sem o destino do tacto...
O frasco de essência
Quebrado no nevoeiro
Perfuma o rendilhado espelho...
Reflectem odores de fogo gelado...

E assim a incógnita cortesã
Que borda o riacho,
Que devorado aglomera-se
Dentro da Alma,
Voa nas suas asas...

Uma lenda dedilhada em velas
A naufragar nos sentimentos...
Forte, moldada na lápide de fogo...

Tuesday, June 27, 2006

Gelo Espalhado

A fraqueza dos caminhos cai nas pedaladas do tempo. Roma ali tão perto e a roda aqui a florescer de escurecimento. Por onde se vira e rodopia, existe as chuvas de pedras que caem no uivo surdo da paisagem. Há certos momentos que os sons do silêncio, dos rasgos sem sentido, das palavras que não saem, dos gestos esquecidos nas asas depenadas, que gira em torno de obstáculos de vitrais fumados...Gelo espalhado pelo mar num barco desgovernado a bolhar, um olhar cada vez mais embalsamado, a montar tendas fragmentadas...Não há remos nesta transpiração, apenas um sono de barbas que não arranha as ilhas desertas. Todos os dias são dias iguais, sem mistura, sem o dom de haver fogos de artifícios. Puxo os cordéis de espuma, liberto fósseis e as velas rompem-se na brisa. Como é possível haver do monte de roma uma onda de telhados estagnados?...E do outro lado fazer a sobrevivência um corte, uma ajuda de fogo nos dedos da mão...A força da dança escondida no meu bolso a centenas de quilómetros de onde uma das minhas saudades fica parado nas penas a esvoaçar...Não consigo...Talvez...Tenho as mãos em gelo.
Matéria de sono adormecido, em que nas trepadeiras arrancadas não consigo olhar para o tecto. As questões de genes que pecam pelas deformações das cores e do seu substrato. O corpo pintado de ferrugem perfuma os pés paralisados a adocicar os paralelos do caminho. Não sei como os galhos conseguem fazer descair os remos das letras simples. Sei somente que os cabelos estão secos da inocência amaldiçoada.

Monday, June 19, 2006

Plim...

Pluveja nesta viagem,
Troveja na margem,
Pedaços de miragem em rostos escondidos.
São assim os olhos queimados...

Serras de fogo enjauladas,
Mergulho nas memórias regadas.
Debaixo do solo, a escuridão descalça.
São as cicatrizes do Oriente...

Sons fúnebres ardem
Em olhos estagnados, vazios...fogem...
Corridas em precipícios de aromas.
São as silhuetas do Chile...

Do Alto para o alto do mármore
A essência perfumada das flores.
Rabisco o banco da formosura.
São o dedilhar das mãos puras...

Menina de sorriso tímido
Toca-me as cordas do violino...
A agitação do coração embala-me.
São poções de subtilezas...

Vagueio pelas ruelas brilhantes
Em misturas embriagadas de fome.
Restos de ossadas que tilintam.
São galhos da cidade maldita...

Preencho o poço dos Prazeres
Na mulher de sorriso largo,
Esbocei um corvo no jazigo.
São pisadas de fogo sublime...

Flutuo as veias no abismo,
O céu rasga-se de trovões
Por estar a violar esta terra...
São estrelas de velas...

Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!

O doce inferno dum trovão
Da chuva molhada...

Thursday, May 25, 2006

Grãos de Areia

Um fio de rio da areia espreguiçada a descair nos dedos levantados ao alto, é o que este anoitecer me faz acariciar. No altar mora a espuma desconhecida sulcando miragens de castelos feitos por crianças. Estremecidos nas conchas o vento não pára de bater, a rasgar as curvas destorcidas, a pulsar de emoção. Os grãos de areia são arranhados pelos dedos frágeis que caem, e se afundam na humidade do vaivém das águas do mar.
Risco no céu dourado, cores espalhadas no horizonte, na Rua da meditação, na inocência quebrada, no licor que derrete em céu de mar. Envergonhado pela timidez dos contactos, o rosto volta às profundidades do areal. Arranco grão atrás de grão, escavo tão fundo que deixo de ver a minha mão. Remexo docemente em solo duro, repousando o resto do corpo de lado, estendido, para o castelo. Fico com as cicatrizes, somente com elas, agarrando o meu peito do ardor duma gargalhada. Atordoados frutos da minha mão que se inclinam neste altar, escorre nos cabelos, nas costas, para dentro de mim...Fogo agreste...
Permaneço no esplendor das coisas mais simples, nos actos que em si são mais puros. Roubo a imagem à natureza, ou apenas um pequeno empresto, não o sei. Sei somente que dos frutos do fruto não pode não florir a semente. Só irá nascer um novo amanhecer, e depois um anoitecer. Esse é um dos ciclos das mãos. Não posso tocar em toda a areia, só ela é que pode tocar toda em mim.

Friday, May 12, 2006

Hurricane Moon

Dentro das tempestades cai a chuva,
Dentro do fogo rebolam as brasas,
Salpicos inflamados de murmúrios
Num uivo de luz...

Estranhas fontes que serenam
O derramar da cera de pétalas...
O perfume imerso, trémulo...
Os gritos fazem ranger as velas...

Carvão, sedução...
Transpira o ar de prata...
Cadência do céu a olhar
Espaço a enfeitiçar...

Monday, April 03, 2006

Calafrio

Rasgo a pele da manhã
Entrelaçado num suspiro,
Levanto os ossos pendurados
Deixo a poeira voar pelas veias...

O sol arde na transpiração,
No fogo húmido de esperar,
Expectativa da tarde,
Das horas, um toque, um retoque...

Medo, calafrio, estremeço...
Arrepio de febre...
Espinha dócil
De olhar o mel...Amo...

Tuesday, January 17, 2006

Corpo

Em meu corpo dorme as tempestades, fugas de sonhos que sobem no sol
Sobem no desejo, fogem no canto do meu desejo
Tudo a minha volta me quer na areia sufocado

Sou a alma encarnada nos pedaços de deuses
Sou vertigem dum homem com fogo entre a minha boca

Meus lábios sugam o prazer do teu corpo nos remoinhos das pétalas
Sobes na minha carcaça, eu deixo-te
Tu és minha no meu tronco esbelto
Meus olhos abrem teu horizonte em espuma de flores
Cada folha meu braço transborda

Sou o teu desejo, estou na tua vida, sou aquilo que nunca serei
Sou sangue que fervilha no pólen do cálice
Sou nada perante tudo

Tudo em mim saboreia a vitória, o pingar das nuvens

Sou aquilo que nunca serei...
Sou aquilo que nunca serei...
Sou aquilo que nunca serei....

Monday, December 12, 2005

Ventos

...Ondas dispersas....
...subindo em rodopio...
...cantos de águas...
...fogo a arder...
...braços estendidos...
...na melancolia de esperança...
...cortante de espelhos...
...na mistura....