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Thursday, September 23, 2010

Outono Lunar

Tenho a folha do orvalho na minha mão. Sinto o castanho a entranhar as danças neste toque subtil que entretêm, formas belas dos pingos que a natureza oferece num cálice. O vinho balançar numa mistura contagiante faz escorrer o resto do licor das brumas para o limiar das faíscas suaves, enquadradas no equilíbrio. Telas tecidas na forma abrupta do assobio, tão lentamente embriagante que desperta os patamares de vitrais.
Eclipses de nuvens brotam em salpicos, tudo à vista ganha uma magia meditativa da Alma, voos tão penetrantes que a Lua torna o seu ardor um ninho de chamas. A flutuação chama pelos elementos dos feitiços: os cogumelos, os castanheiros, os riachos, as gotas, o manto de folhas incandescentes, a dança do vento, o sussurro dos pássaros, o escutar do murmúrio que os galhos orvalhados polvilham o manto, o odor intrínseco do próprio Ser…
Sensibilidade do figo que balança no perfume da figueira tem o zumbido dum fantasma, percorre o Ser na permuta de adormecer nas suas profundezas Outonais.

Wednesday, August 25, 2010

Baloiço de Luar

Envolta na pulseira de prata seu odor transpira o zumbido das sensações. Timidamente a magia ecoa com estrondo, imagem da contemplação das pegadas uivantes. O cair do som a eternizar a estreita insanidade do labirinto desperto, enquanto a ponte devora o suculento desejo de baloiçar no infinito, e a viela no seu gradiente de sombras veste a nudez com um véu. Cada momento despido geme no reflexo, um sentido pousado nas asas encurvadas dos Altares.
Ardes num pigmento de poços mágicos
Cintilas edificada no teu mausoléu
Cada sombra do teu brilho geme
Cada fissura da tua face sente

O toque dum olhar lunar faz faíscas
Nas cavernas de lava…

Thursday, June 17, 2010

Crónicas duma viagem III


Rio Sena - Paris
Resta esperar o silêncio acolhedor da noite enquanto os fantasmas se desfazem em transparências e se encaminham para o leito do seu devaneio. A escuridão encaminha o cego para o Altar por entre labirintos que se tornam difíceis de desmembrar ao olhar, enquanto as correntes embriagadas se juntam no fogo das encruzilhadas, a catapultar os filamentos, a elaborar sopros e mais sopros vindos do cálice.
Nos ardores despidos consegue-se interiorizar a nudez e Ela está sempre presente para construir o espaço mágico. Ela destila fragmentos de gemidos para ocupar o seu trono, na majestosa Catedral. Gárgulas a cavalgar, vestir a profundeza de florestas embalsamadas no manto da cerimónia.

Catedral de Notre Dame - Paris

Monday, November 02, 2009

Lágrimas Lunares

A terra queimada pela sombra rejuvenesce os vales selvagens das montanhas escarpadas, curvas delineadas em vertigens apocalípticas no vértice do império das noites lunares. Turbilhão de mantos a uivar gritos velozes, trepam pelas silhuetas das danças até ao sussurro dedilhado da metamorfose, violações incessantes ao compasso da Lágrima entranhada.

Wednesday, August 05, 2009

Lua Purificadora

Descalços meus pés mergulham nos sabores da Lua, na purificação aberta dessa silhueta que arde em fogo, não parando de dançar nas chamas do desconhecido. Cada fissura penetra o eco deslumbrante das mãos atadas no cordão virgem de alcançar o inatingível espírito, voar dentro da Alma, na inconstância de absorver o que de mais íntimo sai das pétalas. Trecho da melodia que a Lua faz acompanhar suas notas, a amante de muitos prazeres eternos.

Imagem retirada da net - Autoria desconhecida

Tuesday, July 07, 2009

Tristeza da Lua

A mudança da imagem estagnada olha o ponto crítico sentado na escada das sensações. Cumprimenta-se a viagem com as pernas a retroceder, apesar da distância dos espelhos devorar o mistério. Cada abertura nublada pinta o reflexo; cada acto de respirar minimiza o esquecimento; ou, se a ousadia o permitir, a levitação chega ao ponto do não retorno. O chilrear perpétuo alcança os contornos iluminados ao mesmo tempo, naquela fracção pingada do orvalho, a sossegada sombra pendura-se no horizonte fugidio surpreendendo a torre da memória.
O palco da tristeza está apresentado. Agora a Lua acolherá a sobrevivência do Ser na sua imaculada vontade de absorver os pigmentos, o propagar dos recônditos fumos.

Galeria de Paul il Ramingo

Saturday, May 09, 2009


Donde está a Lua?

Thursday, April 09, 2009

TRISTESSE DE LA LUNE

TRISTESSE DE LA LUNE

Ce soir, la lune rêve avec plus de paresse;
Ainsi qu'une beauté, sur de nombreux coussins,
Qui d'une main distraite et légère caresse,
Avant de s'endormir, le contour de ses seins,


Sur le dos satiné des molles avalanches,
Mourante, elle se livre aux longues pâmoisons,
Et promène ses yeux sur les visions blanches
Qui montent dans l'azur comme des floraisons.


Quand parfois sur ce globe, en sa langueur oisive,
Elle laisse filer une larme furtive,
Un poète pieux, ennemi du sommeil,

Dans le creux de sa main prend cette larme pâle,
Aux reflets irisés comme un fragment d'opale,
Et la met dans son coeur loin des yeux du soleil.

Les Fleurs du Mal - Charles Baudelaire

Wednesday, March 11, 2009

Navegar Lunar

Corpo dormente enfrascado…
Alma de cânticos…
Luar abraçado num suspiro.

A Gota flutuante navega!

Monday, February 09, 2009

Sunday, January 11, 2009

Infinito

Propagar o infinito ao compasso da bruma.
Orar nos labirintos do sangue.
Suspirar da escrita no esboço da Lua.
Encadear a energia ao pingar do rosto.
Fluir prateado.

Friday, December 12, 2008

Sonata à Lua

Permanente.
Rainha do altar.

Regar a cantoria!
Embebedam-se as Luas com gemidos de água.

Regar o desfolhar!
Ancoras a palpitarem.
Tocar o adormecer!
Serenidade do caos a relatar o dedilhar.

Alterar a sonoridade!
Recoloco a subtileza da dança na mão.

O retrato do incêndio
Percorre a vastidão
De encontro aos violinos.
Segue-se no corredor da escuridão
A abrir os hinos.
Das notas flutuantes
Só as inundações são senhoras!
Aconcheguemo-nos...

Thursday, November 13, 2008

Caverna Lunar

Lendário viajante
Entrelaças as crinas nos dedos
Rompendo a chama incandescente

O orvalho da Alma
Transborda correntes de fogo
Dentro da caverna

A intensidade brilhante do esplendor...
Escuridão...

Monday, October 13, 2008

Lua Amedrontada

Recorro à chuva para me secar...
Desboto as cheias para puder navegar...

Invoco as folhas fracturadas das castanhas,
Atrapalho o vento no seu trilho...

Acordo o deslumbramento da mão,
Adormeço ao chegar da virtude...

Infiltrações do sossego....
Tormentos das asas...
Evasão dúbia das certezas...

Sunday, August 17, 2008

Imperfeição

Mergulho de Lua profana a tristeza.
Os pingos perfuram o espírito
Ao sabor dançante do veneno...
Embalos que devastam a noite,
Sepultando o sorriso dos olhos,
Alimentando a imensidão,
Saciando a imperfeição,
Correndo pelo trilho da solidão.
Repletos corpos, vazias Almas...

Mãos escrevem a resposta!
Pés rabiscam a pergunta!
Vaguear incessante do ser submerso...

Friday, July 18, 2008

Olhar de Lua

Tempo que passa, foge desgovernado.
Arrepiado, flutuando na memória:
Escapa sem o olhar...
Escapa sem ver o mar...
Escapa sem o tocar...

A Lua emaranha-se em silhuetas,
Num pedaço "agridoce"
De estrelas cintilantes, ampulhetas.

O Perfume das pétalas descairá
Sobre a inundação do Ser.
Remoinhos de vibrações
Enchendo poções.

Thursday, June 19, 2008

Difusa Lua

Raramente a Lua olha no espelho de mim. O reflexo do permanecer geme num esconderijo que não aguento; um aflito vazio de coisas cheias. São cadeiras esfumadas do desejo encontrado, tocado nos encontros não celebrados. Pego no interior duma divagação, quente ardor do enlouquecido, pauta vaga de notas opacas de transparência. Escrevo para não escutar o silêncio. Escrevo para o requinte dos meus lábios.
Irei embora sem perguntar às janelas a causa de estarem fechadas. Partirei sem o tempo ter masturbado com a vontade as chamas. As cordas repletas da força das exclamações. A chuva de fumo descai no vento. Anoiteço no desespero...
Existe a folha em branco, olhos cruzados de sensações, fogo guardado do talento mágico. Múltiplas acções encontradas na imaginação, no puro vinho que escorre num corpo mutilado. As ideias mergulham a respingar nas paredes dum poço cheio de silvas. És a criação da fuga, a culminar um excerto. Transplante da Alma, transplante do Corpo. Um voar destinado a “melodiar” as orações. A hora difusa da fé...

Monday, May 19, 2008

Wolves


O som da madrugada
mistura-se com o som
povoado das luzes.
Descai a melancolia no rosto...

Sunday, April 20, 2008

Licor de Lua


A energia do teu manto...
O poder da tua silhueta...
Teu corpo nu sobre meus espinhos
Penetram o destilar do teu cálice...

Resguardo o perfume da pétala do teu olhar...
Preencho-me na perseguição do teu licor...