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Tuesday, December 14, 2010

Parabéns!

As folhas Outonais fazem parte do coração, beleza intimamente ligada ao partilhar dos odores do Ser. Quanto maior for o manto, mais as profundezas se esculpem com ardor. A provocação da natureza seduz o fluxo interior, torna-o a invasão da essência, uma pétala criada para descobrir o mistério tatuado. A cordilheira das cores é fumo que envolve os galhos despidos, da mesma maneira que cada Ser se perturba e se sacia dos enigmas. É preciso dançar, dançar com a harmonia e deixar os bancos vazios para eles sentirem a energia da liberdade.
Agora que cheguei à velhice tenho que continuar a aprender com as folhas, e fazer delas o fogo para queimar o tempo.
PARABÉNS DARKVIOLET!

Tuesday, November 30, 2010

Licor Mágico

No Universo do Outono existe o odor único que se implanta dentro do Ser e o absorve em tempestades incomparáveis. O fluxo a vaguear, sublime respirar; sustentação das raízes nas veias, o sentido insaciável de permanecer. Cada repousar, cada movimento, cada olhar; a contemplação do fogo a espalhar-se em recortados segmentos de folhas. Sente-se o brotar da terra, da humidade perturbada, dos galhos a ficarem nus, uma mistura que preenche o Ser até à exaustão. E de vez em quando o assobio dos pássaros recoloca a virtude no devido lugar.
Talvez um dia consiga uma foto dalgum pássaro junto dum cogumelo, a pintar a magia dum licor enfeitiçado, num estado delicado.

Monday, November 15, 2010

Nirvana

O tempo pergunta ao vento sobre o seu inquieto sussurro. Não se pode dizer que seja um murmúrio audível, um rodopio enlaçado na profundeza dum sotaque, mas um qualquer olhar perturbaria o equilíbrio fúnebre, por isso a dança é feita de forma inquieta. Esconder os mais íntimos pormenores é um estado incalculável. Talvez a prisão dos sentidos seja a libertação, um reino do qual os fogos se incendeiam sem perguntar o seu molde de saciar. Se a lima resgata a rudeza, a suavidade alcança a metamorfose, o Ser desaba fundindo a proximidade num fio invisível. Cor tricotada da evolução fica submersa, longe do apocalipse, longe da própria reconstrução.
Quando as folhas encaixam carruagens de cor, a sua pauta desfila a função do chamamento. Ecoar o toque cego da torre é insanidade, subir nela é embriaguez, entrar nela é êxtase. E se for de lá que se pode entranhar o reino então o silêncio é o piar dos banquetes, o altar primeiro do sentido. A explosão é o carvão dos vales, inferno silencioso do labirinto das árvores, terra nas chamas do Outono. O sabor faz parte da memória, resguardado ou apenas entranhado. Não se sabe o âmago dos feitiços que o sussurro provoca, mas o que isso importa?
Palácio de Cristal - Porto

Thursday, September 23, 2010

Outono Lunar

Tenho a folha do orvalho na minha mão. Sinto o castanho a entranhar as danças neste toque subtil que entretêm, formas belas dos pingos que a natureza oferece num cálice. O vinho balançar numa mistura contagiante faz escorrer o resto do licor das brumas para o limiar das faíscas suaves, enquadradas no equilíbrio. Telas tecidas na forma abrupta do assobio, tão lentamente embriagante que desperta os patamares de vitrais.
Eclipses de nuvens brotam em salpicos, tudo à vista ganha uma magia meditativa da Alma, voos tão penetrantes que a Lua torna o seu ardor um ninho de chamas. A flutuação chama pelos elementos dos feitiços: os cogumelos, os castanheiros, os riachos, as gotas, o manto de folhas incandescentes, a dança do vento, o sussurro dos pássaros, o escutar do murmúrio que os galhos orvalhados polvilham o manto, o odor intrínseco do próprio Ser…
Sensibilidade do figo que balança no perfume da figueira tem o zumbido dum fantasma, percorre o Ser na permuta de adormecer nas suas profundezas Outonais.

Wednesday, November 25, 2009

Danças de Outono

Dançai folhas dentro da ventania onde estais abertas às sensações. A serenidade rompe em furacões de entrelaçados olhares para escutar os galhos a despirem-se. O orvalho do frio deixa seu manto espelhar-se, a brincar com as cores, a aquecer os últimos refugiados. Existe na mistura o contágio de ouvir os raios romperem entre as nuvens, flagelar a natureza, e saírem num descanso mórbido de preguiça. Todo o Outono se levanta, cantando múltiplas sintonias que a ampulheta não esquece.

Imagem retirada da internet

Wednesday, November 18, 2009

Cavaleiros do Fogo

Os cavaleiros do fogo sentem os corredores dos odores. Colocam as folhas no balanço das notas do vento, onde pernoitam o massacre do pó. Na agitação das filhas a existência das masmorras sussurra a malvadez da mistura, grades de escadas arqueadas para saltitar na Lua do Outono dedilham as chamas com a linha a desequilibrar o orvalho; os momentos das crinas libertadas ao fogo fazem com que as folhas estejam no tom despido, Outono de veias que a emoção circunda a imóvel perdição da nudez das árvores.

Imagem retirada da net

Tuesday, November 10, 2009

Puro Vento

A Alma é rasgada no Outono, no corredor empolgante das ventanias. As folhas virgens abrem-se à mistura fervente, o manto enlaçado das telas gemem, a vida brota em faíscas saboreadas pelos loucos insanos. Na ferrugem dos castanheiros o nome do vento desdobra o horizonte, das costas inflamadas ao dorso orvalhado, ao instante sentido no posterior anterior momento.
Dança o toque das madeiras assombradas nos dedos embebidos de licores, cada sulco de tempo é misturado naqueles que perante a fonte sabem escutar, entranhar as gotas do fluxo, visões alucinantes dos Seres inquietantes com o transbordo da leveza.
A pontiaguda inocência é a Alma rasgada, ouçam.


Algures em Portugal

Tuesday, September 22, 2009

Ferve Outono

Sopro das folhas despidas corre no manto das mais belas cores. Dentro delas existe os fumos dos remoinhos a fazerem danças, badalam os sinos arrepiados na cordilheira, onde a rudeza dos seus vultos amaciam o gemido da leveza. Nos rasgos do Outono ferve sempre o odor enlaçado dos sons virgens, a água penetrante rega o último sumo das frutas, enquanto o licor das pétalas geme dentro dos troncos nublados de orvalhos a sua vontade de enlouquecer por entre cogumelos a esventrar o molhado saltitar dos pássaros.
Esta essência estremece o vento até ele sulcar rabiscos da ribeira por entre colinas desconhecidas aos olhos, mas entranhadas aos sentidos. Na mistura aponta-se para as estrelas para elas deixarem cair seus filamentos no perfume da Alma, no caos das silhuetas.

Monday, June 01, 2009

Galhos de Outono

A gratidão do deambular pernoita nas fábricas reconstruídas das brincadeiras eternas, alcançar a rapidez das fontes abençoadas numa corrente brutal a alcançar os sabores. O refúgio da viagem são os balões entretidos, o sopro dos cânticos são os galhos dançantes.
O Pequenote orvalha sorrisos no infinito do dia, espírito de Outono.

Saturday, November 22, 2008

Solidão

Ia ficar com uma mão livre quando estagnei o corpo no céu. Meio atrapalhado rocei os olhos um no outro, deixei cair as mãos numa lufada de frescura. O entrelaço gemido arregaçou a sua preguiça, roçando o horizonte, resvalando o destino. Não entendi se a imaginação das folhas estaladiças penetrou ou não o véu do meu rosto, sei que as frescas luzes se misturaram como raios oblíquos, a desdobrar as brisas nubladas, cruzando a rouca solidão do caminhar nu das árvores.
Acolhi dos rudes desertos a força das subtilezas, salpicado da vegetação formado pelas correntes. O desaguar do labirinto foi-me pintado no cume das melodias. Cortei a retalhada tela, a formar folha atrás de folha, conjunto de levezas. Entretida Alma tocou a face, desconcertante nota de Outono na semente do milho...

Tuesday, September 30, 2008

Cinzas

Olhos colocados sobre o dorso,
Olhos envoltos num poema;
Sentado o pó reintegra-se em imagem submersa
Dançando efémeras paródias;
Espalha-se na mão,
Povoando círculos.
Embriaga toques infinitos
Nas profundezas,
Sem que do altar vislumbre
O acordar do destilar.

É Outono no coração do concerto,
E escuto a cinza...

Monday, September 22, 2008

Outono

Deambula a chuva sobre a terra orvalhada, e sobre o céu morram cantos que desfalecem na forma de gotas. O chapinhar sobre as rigidas folhas faz a melodia arquear uma brisa. Acolhedor festival Outonal rejubila o desassossego...

Friday, November 30, 2007

Toques Embriagados

O desconhecido vento povoa a pele. Aqui ou ali, arcos de velas feitos em embrulhos de lareiras rasgam tímidos toques. Compasso de palavras, mordomias do desejo, ardentes pedaços que passam dum tempo descuidado para o rendilhar da chuva que não cai.
Será a beleza da mulher o canto do sopro do Outono? Será a ventania a esperança das rajadas devastadoras? Será a ponte o áspero gemido da inquietação?
Estreitas divagações do coração ancorado na mão.

Monday, November 12, 2007

Castanhas

Piu! Piu!
Manto acastanhado que cobre meu peito num monte esboçado no olhar. A manifestação das folhas abraça o odor, enquanto o esqueleto impregnado rasga a moldura do ventre. Os ouriços furam a carne para proteger sua semente, a terra seca faz chover cogumelos mortos, a temperatura aquece a Alma em tons espalhados, e o nu embriagado escorre de paixão sobre as mãos.

Carvalhos, castanheiros, pinheiros...

Dedilho as castanhas ao entardecer das sombras. Guardo amostras na suavidade do toque para formar pequenas gotas de salpicos da ribeira. Explosões de desejos Outonais...

Carvalhos, castanheiros, pinheiros...

Nota: Fotos de DarkViolet.

Monday, November 05, 2007

Segunda

Tarde de Segunda,

Abri os olhos para entreter a dança das folhas, enquanto repouso a comer ao ar livre. Sinto a brisa quente do Outono com o silêncio abrasador da pele a arder. A sombra respira o vértice de saciar a sede. Pinga o vento na viagem das cores. Aroma que contagia o eterno horizonte.

Monday, October 08, 2007

Galhos

Vestem-se segundo o sabor dos gestos
Os Galhos;
Labirinto de encruzilhadas, de portas.
As ventanias secretas misturam
Os Galhos;
Gemidos de carícias estalam os rios
Os Galhos;
Mistérios das nuvens, rosto entristecido,
Os Galhos;
Arrepiam cambalhotas de desejos
A desfrutar a leveza das guilhotinas...
Cortes do cru aberto, nus,
Os Galhos;
Recordar a lembrança, a loucura de trepar,
O chuvisco ao orvalhar
Sinfonias de trevas adormecidas,
Os Galhos;
Deter um movimento puro
A sepultar a terra ferida.
Os Galhos;
Anel de pétalas a cantarolar a suavidade
Os Galhos.

O frenesim arrebenta ao despido olhar.

Tuesday, October 02, 2007

Lago Penetrante

Assombrado pelo lago, o rasgo penetrante chega perto da escuridão, repousar no suspiro, calor. Deambula sobre a pele num gesto que faz gemer o coração. O debruçar ecoa na vastidão das árvores, intervalo onde pinga o desejo. Ouvir as cortinas estendidas na mão com o licor a verter subterrâneos, destroços de relíquias. Dedos fogem entre dedos, fixa a troca do ardor liberto.
Folhas fazem o manto do Outono...

Saturday, September 22, 2007

Desabrochar

Treme a terra no sítio aclamado pelo silêncio. O ronronar das trovoadas despedaça as folhas tornando os galhos um sabor nu. Despido a vislumbrar o orvalho, cortinas do tempo crescem dentro do manto. Não falta muito para os cogumelos desabrocharem. Até os esconderijos mais elaborados se tornam um licor derretido. O agigantar da essência da natureza.

Friday, September 21, 2007

Outono

As folhas irão começar a descair...
Silhuetas do Outono...

Tuesday, September 04, 2007

Resguardo


As folhas secas cobrem o chão,
estalam como madeira.
O aroma do Outono aproxima-se,
resguardado dentro da concha.