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Friday, November 30, 2007

Toques Embriagados

O desconhecido vento povoa a pele. Aqui ou ali, arcos de velas feitos em embrulhos de lareiras rasgam tímidos toques. Compasso de palavras, mordomias do desejo, ardentes pedaços que passam dum tempo descuidado para o rendilhar da chuva que não cai.
Será a beleza da mulher o canto do sopro do Outono? Será a ventania a esperança das rajadas devastadoras? Será a ponte o áspero gemido da inquietação?
Estreitas divagações do coração ancorado na mão.

Wednesday, May 17, 2006

Hospício

Enigma do santo canto
Que mergulhado se encontra cortado.
Palpitar do ser plantado
Num hospício dum recanto.

Só, olhos tristes embebidos...
Pó, voz rouca em tecidos...
Dó, dos pés esquecidos...
Mó, ceifa de sons retidos...

Friday, April 28, 2006

Agora

Despenhei o rochedo na mão,
Atropelei a janela do alçapão,
Furei de espanto o olhar,
Rasguei os dedos de mágoas...

Deixei o vento soprar,
Moldei as folhas de licor,
Toquei as cordas desafinadas,
Fiquei preso no coração...

Penetrei, Penetrei-me...
Agora dedilho os olhos do mar...
Agora a mim me tenho...
Agora...Agora...Agora...Embora...

Sunday, April 09, 2006

União

Longe do fim, da penumbra...
Negros passos a esvoaçar.
Adormecer na fenda.
Dormentes vozes cegam
Os vasos quebrados, gelados...

União da Separação
Num compasso dedilhado
Fumado nas neblinas
Rasgado na lembrança
Separação da União

Coração manchado
No morcego encarnado
Incriminar o amaldiçoado
Abater o eco suado
Alma sacrificada, crucificada...

Noite de fogo...
Lua enrola-me...

Wednesday, April 05, 2006

Pedaços

Cada chuva invade a Alma no suspiro quente da memória. Não posso estar onde quero, posso somente estar no passado. Crio ramos onde o tronco já está, sinto falta daquilo que sou, moldo o futuro. A pureza de ser estranha-se, o ser contrário apaixona-se. Expressão da leveza, de arrancar o coração dos bens materiais, soa a não existir. Prefiro este soar, este bater forte, este molhar de silhuetas. A solidão faz parte dos cantos do quarto, da cama donde caiem lágrimas, do tecido de vida. Tudo se mistura para albergar emoções. Já não consigo viver sem elas, nem sentido faz viver com elas. Cultiva-se a terra arável, da dança molhada da ausência...Amo...

Monday, March 20, 2006

Coração amaldiçoado

O sentido desconhecido
Do vazio retido,
Nas margens aprisionado
Face de saudade cavado,
Coração amaldiçoado
Pela imagem silenciado,
Mumificar recortes
Doentio mundo de cortes...

Transparente alma de tulipas,
Magia fatal, ruela de esboço,
Inundações no navio encalhado,
Tempo mutilado na eternidade esventrado,
Petrificado nos vitrais do amor
Dizimado na pureza de estar,
Nunca mais serei, aquilo que quero ser...

Monday, February 27, 2006

Rasgar a Alma

Arranca meu coração
Destes linhos encarnados,
Desfaz os pedaços de sangue
Na união...

Apodera-te do que de mim não sai
Que lavra na agitação,
Que rasga a alma
Na cor da paixão.

Debruça a pele de fogo,
Corta o licor da ausência,
As chamas do Dragão virão
Nas escamas da mão.

Invade as veias,
Enraíza-te nos meus lábios,
Percorre o pé,
Caminhemos juntos...