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Tuesday, October 21, 2008

Navegação

Abocanhai o inferno
Para serem vossos pastos.
Ide à procura da incurável
Questão da existência.
Se alguém não
For bem-vindo no trapézio,
Soltai forcas estranguladoras.
Ninguém irá gemer de reticências...

Estas pontes julgadas,
Fontes cheias de amarguras,
Brotarão...
Pedirão súplicas de agonia
Ao vento,
Gritarão pelas Almas abandonadas...
Sementeiras do ninho escondido
Esquartejarão a navegação.

Tuesday, October 16, 2007

Cruz

Gigantes estão na metamorfose da fluidez. Olhos que olham o sangue, escorre na face, uma ternura rasgada a provar a doce loucura da dor. Seguem onde o fundo alcança o devaneio das profundezas. Um beijo eloquente a regar a tempestade despida. A cruz corta a pele, entrando nas veias até que o som se desperdice no vento. Abanar a eternidade com a palma das mãos, com a face do inalcançável.
Os galhos são infiéis quando as folhas não descarrilam nos galhos.

Friday, September 21, 2007

Queda do Vento

A queda da trovoada ou o vento esculpido no olhos?! A explosão gera inundações de gotas, a soprar o além desgovernado pelas saliências do suspiro. Na própria divagação o ar surge nublado. Risco que tocam, rasgos acautelados...Repouso ao palpitar da meditação, a prender correntes de encruzilhadas. O tempo, o vento, o alento.

Monday, March 05, 2007

Pequenas Maravilhas

  • Adormecer no colo da Lua.
  • Chuva miudinha a resvalar no rosto.
  • Escorrer os pés nas ruas silenciosas.
  • Incendiar as brasas.
  • Ouvir os ramos despidos num cemitério.
  • Tocar a fogueira com o olhar.
  • Vento a orvalhar o cabelo.

Sunday, February 11, 2007

Riso do Rio

Vento graceja no cabelo
Num rasto das notas pingadas

Um som silencioso de relâmpagos;
Uma serenidade de prisioneiros libertos;
Um violento sopro para solidificar geadas;

Sinal da ausência pendurado nos soluços…

Rio do riso pergunta pela onda…
Riso do rio pergunta pela dona…


Wednesday, January 10, 2007

Manto de Pétalas

O vento voa nos ramos sem folhas, aberto ao tactear desconhecido, a desflorar o aroma do perfume que rola pela pele. Das manhãs submersas o rio contagia as escadas ao debruçar pelos cabelos à espera do fogo do Inverno. Aquelas chamas envolvem o cobertor do tempo, um abraço de pigmentos dourados salpica o orvalho gelado, cristaliza na mão para ficar colorido no coração. Derrete os dias a crescer, a rasgarem aberturas de espaços e num sorriso leve sai segmentos de flores em terras de feiticeiros. Pegadas alternam ao sabor do caminho e dançam na maresia da espuma. Mais um ano, mais uma flor a crescer.

Thursday, December 28, 2006

Vapor

Ouço o barulho do vapor
Sentado...
De leve dou cambalhotas,
Balouço – Dormito a olhar...
Silêncio contínuo a trovejar
Selado como pólen, colorido como pétalas...
Apenas transparente – Silencio...
E corre a semente no pousio
E corre o vento no sabor da espuma
E dorme a corrente do rio
E dorme o advento da pluma

Monday, December 11, 2006

Tocam os sinos

Transbordar a revisitar o convento
Para devorar derrocadas caídas
Os sinos tocam; 3 dias faltam...
Sagrados talismãs, histéricas romãs...
O nevoeiro toca o fumo,
Abraço de vento, orgulho sem assento
Retornar aos sorrisos...
Retornar aos jazigos...
Derrubar assombrações, cobrir maldições...
Encher os corações...

Veste o negro doce demónio...
A tua Alma é grandiosa...

Thursday, November 16, 2006

Gritos

Olhei para trás, e o que vi atrás de mim? As cinzas do meu olhar ou as peugadas da minha sombra? Talvez somente o deslizar duma nota musical. Aquele som de cabelos molhados, longos, firmes, pousados na neblina duma distância limitada pelo pó que se levanta. Bracejo as mãos no ar, virando, contornando a espessura desta intensidade, densidade de grãos, aglomerados de poeira das vivências que devoro na sombra dos cabelos. Não deixo cair o sopro do vento, pego nele com as letras do esquecimento e faço a minha tela de sedimentos soltos. Por isso olho para trás, para dar mordidelas sanguinárias, como se estivesse a degolar minha Alma, e no momento de sugar o vazio preencho-me de nevoeiro. Volto ao período das trevas num cavalo de tinta negra... Isto é o meu mundo, que foi feito para ser devorado pelos suspiros de gritos.

Saturday, September 23, 2006

Pétalas

No imaginário das cortinas,
Intervalos de tempo borbulham
Em misturas de vento selvagem...

No desejo das colinas
Cai os braços molhados
Em que o céu serve como manto...

Palavras de sentimento
Num perfume dum frasco escondido,
Para a magia não tocar
A cicatriz esfumada...

Em cima da lápide choverá pétalas...Minhas...

Sunday, July 23, 2006

Poção (23)

Mergulho nos ramos
Que ardem no corpo...
Estilhaço os dedos dedilhados
Da Alma fervente...
Os espelhos coloridos de bolhas
A queimar o vento...

Sabes como obter uma estrela de chuva?

A poção do tempo
Na mistura de aguaceiros...
Um rasgo de leveza
No olhar enfeitiçado...
O fogo das mãos
Na permuta das brasas...

Sabes como funciona uma ampulheta?

Acreditar, Acreditar, Acreditar...
Que tudo desce no meio da vidraça...
Dois ou Três...Ou ambos juntos...

Friday, July 14, 2006

Misturo

Não mudei. Não tenho por onde mudar.
(Até tenho os lábios abertos)
Sento-me na cadeira
E observo como o pó se espalha debaixo dela.
(O abismo tem dentes afiados)
Rodopio os olhos de encontro à carpete
Rasgando as cores
(Tintas de fumo)
O chão cheios de pincéis Pedem a mão
(Penetro o vento)
Duas cores vêm à memória...Duas...
(Misturo o céu)...

Friday, May 26, 2006

Tinta

Este calor está a dar cabo de mim. Não consigo reflectir, o raciocínio dilui-se no ar seco, o pó levanta-se sem que o vento sopre. Estar afogado em espirros constantes, num som que faz eco, uma reprodução que rasga os ouvidos. Uma tela que sai do labirinto, para que na escuridão se afogue em sentimentos. Sai das mãos a essência, a tinta, o pó...Que venha a noite para subir as emoções das sensações suaves.

Thursday, May 25, 2006

Grãos de Areia

Um fio de rio da areia espreguiçada a descair nos dedos levantados ao alto, é o que este anoitecer me faz acariciar. No altar mora a espuma desconhecida sulcando miragens de castelos feitos por crianças. Estremecidos nas conchas o vento não pára de bater, a rasgar as curvas destorcidas, a pulsar de emoção. Os grãos de areia são arranhados pelos dedos frágeis que caem, e se afundam na humidade do vaivém das águas do mar.
Risco no céu dourado, cores espalhadas no horizonte, na Rua da meditação, na inocência quebrada, no licor que derrete em céu de mar. Envergonhado pela timidez dos contactos, o rosto volta às profundidades do areal. Arranco grão atrás de grão, escavo tão fundo que deixo de ver a minha mão. Remexo docemente em solo duro, repousando o resto do corpo de lado, estendido, para o castelo. Fico com as cicatrizes, somente com elas, agarrando o meu peito do ardor duma gargalhada. Atordoados frutos da minha mão que se inclinam neste altar, escorre nos cabelos, nas costas, para dentro de mim...Fogo agreste...
Permaneço no esplendor das coisas mais simples, nos actos que em si são mais puros. Roubo a imagem à natureza, ou apenas um pequeno empresto, não o sei. Sei somente que dos frutos do fruto não pode não florir a semente. Só irá nascer um novo amanhecer, e depois um anoitecer. Esse é um dos ciclos das mãos. Não posso tocar em toda a areia, só ela é que pode tocar toda em mim.

Friday, April 28, 2006

Agora

Despenhei o rochedo na mão,
Atropelei a janela do alçapão,
Furei de espanto o olhar,
Rasguei os dedos de mágoas...

Deixei o vento soprar,
Moldei as folhas de licor,
Toquei as cordas desafinadas,
Fiquei preso no coração...

Penetrei, Penetrei-me...
Agora dedilho os olhos do mar...
Agora a mim me tenho...
Agora...Agora...Agora...Embora...

Tuesday, April 04, 2006

Cera que arde

O céu escuro de demónios vão,
O vento abrasador de faíscas,
Taciturno resplandecer da combustão
No dorso a cintilar de facas...

São velas que queimam o túmulo,
Cera que ilumina o coração,
Círculos que penetra a paixão,
Chama que fortifica o abalo...

Nos braços, esboço o teu sorriso...
Nos fossos da memória, esculpo-me...
Gravo ao natural o sentimento
Imortalizar a essência da pureza...

Alvoroço do tempero a gravitar...

Thursday, March 09, 2006

Desassossegado sossego

A paisagem desbota,
Licor de mulher conforta,
Bela capela de mármore,
Rotundas de fornos...

Cactos que adoçam os néctares,
Arrebatar o olhar, culminar o prazer,
Almas de fogo a pautar o sol,
Conchas a fervilharem de meiguice...

Embalamos as luzes de sombras
No entardecer do vento,
No acordar dos raios,
Ladeiras de desassossego, sossegado, acaricia-se, delicia-se...

Robustez de afectos na melancolia do desejo,
Corpos derretem-se no afecto, a pele...
Dissolver o perfume de frascos comprimidos,
Encher a essência de aromas...

Roçar a sensibilidade,
Nas emoções de amar,
Na profundeza abraçados,
Geme o tempo...gememos...

Friday, March 03, 2006

Vento, Bento..

Azulejos de história,
No azul dourado de linhas,
Descair na memória,
No domingo, do coração vinhas...

Portão entreaberto de desejo,
Lábios desconectados do lugar,
Possuídos minhas silhuetas vejo,
Suavidade arrebatadora...

Subida íngrime para o éden,
Delícias voluptuosas, franzina,
Descida no vento
Para derramar no mar...

Pingar da chuva nos acolhe,
Mais uma vez, outra vez,
Revoltar o sentimento
Contido, absorvido, retido...

Entre lábios pingados,
Entre mãos densas,
Entre o lume,
Entre nós....

Thursday, February 16, 2006

Abismo

Absorver o rio que corre para dois lados, que corre com sentido, que corre no sabor do vento.

Monday, December 12, 2005

Ventos

...Ondas dispersas....
...subindo em rodopio...
...cantos de águas...
...fogo a arder...
...braços estendidos...
...na melancolia de esperança...
...cortante de espelhos...
...na mistura....