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Tuesday, July 28, 2009

Notas de Galhos

Existe um corredor nas entranhas da loucura, próximo do patamar da eclosão, onde cada Ser mergulha suas vestes na pele retorcida. Até se ouve o despir das sensações no recanto do arrepio com a viagem nublada como plano de fundo. A entoação perfilada na mão dos desconhecidos pode provocar a fuga dos pincéis para o resguardo labiríntico da tela. O estado invisível é transparente à nota, sucumbe e dá ao esboço o monumento da versatilidade. Por isso cada momento das pétalas cabe aos galhos o destilar do néctar.
Abraçai sempre as vossas essências...

Galeria de Manoel Soares de A. Neto - Pássaro nos Galhos

Saturday, July 11, 2009

Pó Virgem

O virgem pó encontra-se espalhado pelas cortinas do tempo, aberto aos dedos que fazem ranhuras com sabor a esboços. Da bancada desta dança o corpo desfaz-se num banquete esculpido com o ardor, melodias de portas a ranger, estrado a escoar os murmúrios da essência. Mais perto do inalcançável o cometa deixa rastos de fogo, salpicos de pós, grãos da simplicidade aberta ao rascunho do coração, pureza da qual a mordedura de sorrisos canta o virgem pó.

Galeria de Sandro Andretta

Tuesday, April 17, 2007

Velas Molhadas

Dos marmelos apodrecidos
Sangra o espanto do espantalho...
O cesto é colocado junto ao alho
Perguntando à alergia pelos esquecidos...

Volta ao sarcófago de telas
A revirar a camisa molhada;
Torna o sumo a chuvada,
A Alma, os cursos sem velas...

No aberto pântano o peregrino prega...
Prega sua essência aos pecadores sem moradia...

Saturday, September 30, 2006

Para ti...

Para ti Duende:


Em cada sulco que irás traçar na tua calçada faz a água escorrer em cada pedaço da tua Alma, forte e contagiante, num perfume que rasgue tua pele e se funde dentro de ti. Que o odor da palma da tua mão faça transpirar os pingos da tua vida e que plantes cada orvalho no teu coração, e não te esqueças de fazer florir cada pigmento. As Essências que flutuarão no teu peito moldarão o teu suspiro, para que possas sorrir em cada pé que o teu manto se estender. Que a chuva miudinha te sirva de telhado, em que as estrelas brilham com a intensidade dum brilho incessante.
No meio dum castelo cheio de grãos de areia semeia potes de felicidade, sorrisos contagiantes, misturas de cores, levitações de desejos e silhuetas de serpentinas. A tua respiração sirva de alento, de refúgio, de serenidade, de vontade, de tempo em estar, tudo isto para as pessoas que te Amam. Nas flores do jardim do teu castelo faz florir essas Almas de Essências, abraçando cada uma delas no teu ninho de prazer, num dragão que lance chamas de paixão.


Tuesday, September 19, 2006

O que é Amar?

  • Sentir as pétalas descair na pele, e levantá-las com um sopro...
  • Andar em remoinhos de licor, e estar sempre a extrair essências...
  • Tocar o céu com uma mão, e na outra a terra...
  • Abrir portões de flores para enternecer o frasco...
  • É ter cordas que vibram numa montanha...
  • É prolongar o nível imperfeito de desaguar no mar...
  • Mencionar os fragmentos na palma da mão, enquanto as quatro são acariciadas...

Tinha mais algumas definições, mas quis que fossem somente 7...


Friday, September 08, 2006

Duende

Abraço tua Alma num voo
Olhando para a Lua pousada na asa.
Caminho pelos dedos das penas
Tocando o pousio da tua mão.
Atravesso a silhueta das velas
Ao contemplar-te nos meus braços.
Sim..Olho para a Lua...
Sim...Olho para ti...
Quero-te enrolada
No ardor do frasco
Derramando pétalas de essência...
Perfume da ternura de laços...

Tuesday, August 29, 2006

Pincéis

Montaram uma grande fogueira
Para embalar o tempo
No sopro mágico das escamas...

Abriram valas de lava
Onde esconderam
As chamas de pincéis...

Penetraram odores
Suculentos de perfumes
A olhar as montanhas...

Mas esqueceram de perguntar:
Quem é a pessoa que toca
No suspiro da essência?

Wednesday, August 23, 2006

Cortesã

Nas labaredas, a chama irrompe
Sem o destino do tacto...
O frasco de essência
Quebrado no nevoeiro
Perfuma o rendilhado espelho...
Reflectem odores de fogo gelado...

E assim a incógnita cortesã
Que borda o riacho,
Que devorado aglomera-se
Dentro da Alma,
Voa nas suas asas...

Uma lenda dedilhada em velas
A naufragar nos sentimentos...
Forte, moldada na lápide de fogo...

Thursday, July 06, 2006

Sei do não sei

Não sei correr sem folhas...
Não sei voar sem cordas...
Não sei borbulhar sem levitar...
Não sei fazer Amor sem mãos...
Não sei dançar com ritmo...
Não sei olvidar os dedos...
Não sei estranhar minha roupa...
Não sei descer sem saltitar...
Não sei como fazer um abraço...
Sei da dor da ausência...
Sei do rio da essência...
Sei da solidão perdida...
Sei do licor perfumado...
Sei ouvir as viagens de sons...
Sei de dedilhar poções de voos...

“Jamais interrompa os cursos das águas”

Sei que sei, que o que sei provém do não sei, e para ser sentido pelo que sei tenho que virar as costas ao sei e fluir pelo não sei...O não sei do sei, o sei da essência...isolado ou atormentado?

Wednesday, June 28, 2006

Dança Pureza

Tenho o seio de janelas,
Abertas no rio de pétalas,
No suspiro do cansaço,
A esfregar o punhal de lâminas...
Viro o rosto de encontro
aos vitrais de chamas,
E abro o coração ao resvalar
Da pureza...
As minhas letras voam
Nas florestas negras da minha solidão...
Dança Demónio...

Saturday, June 10, 2006

Das poucas pessoas que me leêm, comentam, não cometam, fica o meu agradecimento, mas não tenho a intensidade da escrita que desejo e quero. Por múltiplas razões isso acontece, por isso irei publicar coisas minhas com muito menor fluência ( se publicar). Eu sei que deve ser um alívio não ver tantas "asneiras escritas" para algumas pessoas, mas são sentimentos puros por isso pode fazer confusão para essas pessoas. Quanto ao blog não irei apagar como as maiorias das pessoas da blogosfera fazem quando acham que devem terminar ou reduzir os posts, porque acredito que devemos sempre dar o que somos.
Abraço a todos/as!

Monday, May 22, 2006

Abismo

As masmorras dos pés que marcham roçam na minha pele. Estou morto de vontade de sugar a terra, o odor da cor, a doçura das pétalas, o rosto desfolhado. Se na mistura das grades houvesse um espelho de sangue que perfurasse cada pegada, a imagem iria ser espalhada sem destino.
Estou convencido que só se quer provar um pouco, apenas para sentir a abstracção doutro ser. O tempo afunila a sua espessura sem deixar entrar na verdadeira essência. E na Alma os sentidos mantém-se intactos, para dedilhar as arestas, não da pureza, mas dos cantos do abismo que fazem viagens. Quando não se pega em troncos que da sua casca moram cataratas é porque simplesmente tudo são cinzas, ou o chorar da água não foi feito para desabar em nenhum poço…Enfim…

Sunday, April 09, 2006

Reluz

Rio de uivos
Mascarado ao espelho
Enfeitiçado no reflexo
Rara pureza de Amar
Beliscar o sagrado
Na essência esquelética
Serrar o licor de perfis

O mesmo momento
Tomar o meu sopro
Na corrente debruçada
A recortar os filamentos
O mesmo momento
Roda de suspiros
Pregos a trespassar a fonte

Verte o esplendor...
Transpirar virado...
Atado, castrado...
Afunilado na cripta...

Reluz

Thursday, March 30, 2006

Baloiço

A eternidade do baloiço
MOla estendida a pingar,
TEnho na alma os pedaços, morangos...

FIco no perfume da sela,
LImPo o dorso do olhar,
A turva pálpebra descai...

Ninho de trevos
Ouvindo a suavidade...

AR dedilhado
COlorido numa manta...

Incendiar as flores,
RIndo no prazer do sorriso,
Sentindo o baloiço a saltitar...

Thursday, March 09, 2006

Desassossegado sossego

A paisagem desbota,
Licor de mulher conforta,
Bela capela de mármore,
Rotundas de fornos...

Cactos que adoçam os néctares,
Arrebatar o olhar, culminar o prazer,
Almas de fogo a pautar o sol,
Conchas a fervilharem de meiguice...

Embalamos as luzes de sombras
No entardecer do vento,
No acordar dos raios,
Ladeiras de desassossego, sossegado, acaricia-se, delicia-se...

Robustez de afectos na melancolia do desejo,
Corpos derretem-se no afecto, a pele...
Dissolver o perfume de frascos comprimidos,
Encher a essência de aromas...

Roçar a sensibilidade,
Nas emoções de amar,
Na profundeza abraçados,
Geme o tempo...gememos...