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Friday, October 03, 2008

Mergulhar no Suspiro

O corpo está banhado no próprio corpo. Um mergulho para devastar as raízes, tornando a envolvência um perfume prateado transparente. Danço num suspiro, na gravidez da minha Alma, ardentemente, sem receio.

Saturday, May 19, 2007

Garrafa

Um abraço duma bebida que se encontra na garrafa no incondicional segredo resguardado da ténue brisa. O vidro mostra a transparência. O líquido molda o brilho da sua criação, e a suavidade de quem o quer beber fica suspenso ao saber o que irá acontecer depois de o deglutir. Não deixa de ser verdade que algo que toca o suspiro, voa sobre os glaciares. Encontrar cada recanto para deslizar e observar os rasgos no caminho. Sentir!

Friday, January 26, 2007

Deslizar

Deslizar dentro da terra
Num fresco mergulho.
O Gigante enevoado pergunta ao suspiro:
Donde a água desbota?
Transforma-se o sumo em veias...
Rende-se a madrugada às escavações...
A melodia enche os patamares da memória
Revestindo fios de água
Cobrindo de lama os desejos...

Adormeço despido nos braços
Das cavernas...
Repouso impaciente no espelho...

(Fotos dos subterrâneos do Porto. Entre outras coisas servia para abastecimento de água)

Thursday, January 18, 2007

O Velho

Atravessar o vestido
No arco da flecha vidrada
A noite retém o suspiro.
Donde vens velho?!

O Bosque melódico além...
A Capela de pedra que vêm...
Junto ao tronco da dor
Esvoaçado pelo mar,
Dormes tranquilo.
Compasso sem tino nem passo.
O pensamento tem asas negras?!


Unido pelo silêncio do vento
Tua Alma encostada
Faminta ou devorada
Não encontra repouso.
Roda nos socalcos do rio
A loucura virgem sem pio.
Bebes de ti?!

Abandonado ou resguardado
Penetras a palma da mão
A montanha do aconchego
Chega sem florir...

Friday, January 12, 2007

Trovões Gelados

Da lâmina regada soltam gritos...
Dos dedos enterrados cai chuva...
Do pensamento aberto pintam toques...
Das pétalas olvidadas o vaso acarinha...

Abençoai as torres colocadas em redor
Do corpo crucificado...
Abençoai a lágrima das flores
A regar licores...

Seguro o pólen dentro da Alma
A ramificar, a derramar, a esventrar,
O canto de castelos enevoados...

Amparo trovões gelados
De quentes encostos bravios
Submerso nos feitiços de suspiros

Friday, January 05, 2007

Uivo

Fazem tertúlias em mesas redondas...
Para Arder os olhos nos encontros
À espera de mãos cruzadas
A abraçar o sossego...
A roda das cabeças com tormentos
Chega a saltitar na invertida imagem, miragem...
Demorar o suspiro alimenta o peito enigmático
E da meiguice fico isento,
Voando resguardado num assento.

Num uivo de Lobo que esperneia
Cheio de brandura na colmeia
Forma-se visões com fissura de teia

Monday, December 04, 2006

Regar

Num suspiro aflito
Quebro sobre as pernas;
Erguido nas falésias
Penduro os olhos secos.
Cada pedaço rasgado
É devorado pelas cinzas,
Amigas dum desassossego,
Cúmplices do cálice eterno...
Derreto na leveza duma nota,
Fico esculpido no meu rosto,
Prateado na sombra da Lua,
Dentro dela, sufocado nela,
Ardo sem cessar,
Sem regar a lágrima...

Saturday, September 23, 2006

Braços de Cabelos

"Um sol vai-se afogando,
Deixando o mar envolto na escuridão
e imensidão dum céu estrelado.

A brisa da noite acorda.
E com ela as ondas ganham
seu ritmo e abraçam as rochas
com a força tão desejada.

Sento-me a teu lado e,
camuflados pela negrura que nos
rodeia, abraçamo-nos contemplando
a beleza e misticidade do nosso
mundo."

M.


VOAR NOS BRAÇOS DO TEMPO


No teu mar ondulado
Os cabelos perfumam as crinas do prazer...
Em cada socalco odores de Outono
Transformam as folhas em arco-íris...

Pintados em telas com cavalos que voam...
Pintados nos caminhos de fogos...

Sorri em cada canto da Lua...
Sorri em cada voo que fizeres...
Sorri com uma força duma gargalhada...

Arrepios de cores no teu rosto,
Na vista despida do orvalho
Canta as notas dum suspiro alegre...

Voa nas ondas do cabelo...
Saboreia as estrelas...
Dança nas mãos do tempo...

Monday, September 11, 2006

Templo

Sou uma jangada
Que corre para este.
Num alivio destemperado
Regresso ao templo,
Do tempo, que contempla
O último uivo parado.
A fogueira esconde-se
No nascer do sol,
Plantado num cabide
Nas profundezas rudes
Da cor espalhada.
Atiço com serpentinas a jangada
Colocada debaixo da palma da mão...Suspiro...

Thursday, August 31, 2006

Navegar

Navego nas paredes do esquecimento,
Em laços mudos
Na vitrina do sótão...
Escapa-me a lua num funil,
Tão fino de fumo que borbulho
Na solidão da beleza...

Dou gritos...ninguém me ouve...
Dou suspiros...ninguém os abraça...

Ouço unicamente a partitura
Do meu ser...
São sons fortes de trovões
Que rasgam os seres que me querem sentir...

E os que não me tocam, sentem?...

Tuesday, August 29, 2006

Pincéis

Montaram uma grande fogueira
Para embalar o tempo
No sopro mágico das escamas...

Abriram valas de lava
Onde esconderam
As chamas de pincéis...

Penetraram odores
Suculentos de perfumes
A olhar as montanhas...

Mas esqueceram de perguntar:
Quem é a pessoa que toca
No suspiro da essência?

Sunday, August 06, 2006

Lembrar os últimos suspiros são caixões abertos na sepultura. Fragmentos de cor e de Alma.

Tuesday, July 04, 2006

Tecto

Olhei para o tecto,
Rasguei a lâmpada das luzes
E num suspiro engoli-me na transparência...

Monday, April 03, 2006

Calafrio

Rasgo a pele da manhã
Entrelaçado num suspiro,
Levanto os ossos pendurados
Deixo a poeira voar pelas veias...

O sol arde na transpiração,
No fogo húmido de esperar,
Expectativa da tarde,
Das horas, um toque, um retoque...

Medo, calafrio, estremeço...
Arrepio de febre...
Espinha dócil
De olhar o mel...Amo...

Tuesday, March 07, 2006

Suspiro

Preta vestida, despida,
Pinga a fúria do mar,
Penteia-se nas ondulações
As mãos traçadas, suspiro...

Intensidade de murmúrios,
Desejo ardente a percorrer,
A pele suspensa,
Calor no gelo, suspiro...

Mãos que sussurram,
Brechas a brotar energia,
Línguas enlaçadas,
Lábios agrestes, suspiro...

Túmulo que ressuscita
Em subtis toques gelados.
Admira-se as subtilezas
Misterioso vento, suspiro...

Sobe o prazer,
Derrete-se o som,
Trovão de correntes,
Sentir a intimidade, suspiro...