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Tuesday, January 23, 2007

Surdas Mãos

Encosto pedaços tremidos da colmeia
Em eternos enterros precoces
Teço a teia na escuridão
Enquanto sequestro a surda palavra

Momentos únicos à margem
Segmentos rondam a viagem
As velas da noite assombram o tormento

Imaginei o esqueleto das pétalas
na nota duma nuvem
Salpiquei pedras nos rabiscos
duma folha de carvão
Pintei pontes em grutas
Nasci na âncora dum filamento

Sopra o esboço das lagoas
Esvoaça a cor sem mãos


Friday, January 05, 2007

Uivo

Fazem tertúlias em mesas redondas...
Para Arder os olhos nos encontros
À espera de mãos cruzadas
A abraçar o sossego...
A roda das cabeças com tormentos
Chega a saltitar na invertida imagem, miragem...
Demorar o suspiro alimenta o peito enigmático
E da meiguice fico isento,
Voando resguardado num assento.

Num uivo de Lobo que esperneia
Cheio de brandura na colmeia
Forma-se visões com fissura de teia

Sunday, July 30, 2006

Dó sem Pó

Longe do uivo da minha pele
Borbulho o fantasma da Alma
Rasgando cada cicatriz feita em cruz,
Polindo o cálice da Lua
Na língua do vampiro...
Objectos, Sons, Miragens...
A sombra do esquecimento
Nas escadarias dos violinos ,
Pego na tatuagem de pó
E engulo a saliva sem dó .
Devoro a degolar-me
A teia do reflexo
Dentro de labirintos de folhas secas,
Fora do paradoxo do abismo infernal
O olhar fica distante, escondido...

Sunday, April 02, 2006

Teia

O meu colo de saudade
Banho a solidão dos momentos...
Teia de vida, sopro de sombras...
Corpo molhado, desfolhado, desflorado...

Cruel aspecto, delicioso...
Tentação de fundas paragens...

Desejos infinitos da essência,
Da dança de fogo,
Rebentos de viagens...
Na berma da pureza, fortaleza, leveza...


Gesto

Nas enseadas da magia
Teço teias do meu leito,
A voz vegetal
Encarnado no doce animal,
Risco pautado no peito
Feitiço de alegoria...

Hipnotizar as palavras agitadas,
O degrau da luz do patamar pintado,
Alma que na vertigem segura os lábios,
Limite do infinito, prazer suspenso no gesto...Amo...