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Tuesday, November 30, 2010

Licor Mágico

No Universo do Outono existe o odor único que se implanta dentro do Ser e o absorve em tempestades incomparáveis. O fluxo a vaguear, sublime respirar; sustentação das raízes nas veias, o sentido insaciável de permanecer. Cada repousar, cada movimento, cada olhar; a contemplação do fogo a espalhar-se em recortados segmentos de folhas. Sente-se o brotar da terra, da humidade perturbada, dos galhos a ficarem nus, uma mistura que preenche o Ser até à exaustão. E de vez em quando o assobio dos pássaros recoloca a virtude no devido lugar.
Talvez um dia consiga uma foto dalgum pássaro junto dum cogumelo, a pintar a magia dum licor enfeitiçado, num estado delicado.

Wednesday, April 25, 2007

O milagre...

A busca do santuário encontra o repouso nos lagos, e os ecos nas grutas profundas das montanhas. A silhueta da Lua encanta os caminhantes, as telas das notas bailam no ouvido onde as verdejantes árvores incorporam a magia. O tempo passa devagar, tocando o pormenor de sentir cada instante. A melodia dos cabelos dourados entreabre o desejo pela criança. O prazer devora a sua beleza num contágio entre a natureza e os Homens, um cântico vindo da Alma.

A Twlwyth é um estado mais avançado:D

(O milagre é transformar o céu em chuva dourada para quebrar o feitiço de retornares a casa com o gesso)

Friday, February 02, 2007

Cristalizar o Voo

Um ano de Luas
Onde a sensação mergulha
Embrulhada nos feitiços...

Restolho permanece nas geadas
Dobrado em silhuetas
Para criar ventanias vazias

Mão enrola a Alma
Inconsciente pé
O Paciente desassossego

Coração de bolhas
Acarinha a montanha...
A neve, a fantasia...
Escamas de folhas
Rasgam o que a mão amanha...
Leve, a magia...

Asas do Dragão...
Cristalizo o Demónio...
Voar...

Wednesday, December 13, 2006

Pincéis



Montam cores à volta da roda,
Gira a hora sem pressa de ir embora...
Círculos dos atalhos de fogo cercam o orvalho,
Montados em sopros de pincéis,
Empedrados em chamas,
Num toque de sentidos escondidos...
Milagre oculto, fonte aberta, secreta...
Regaço abrigado, poços de mistérios,
Soalho dobrado estala na esquina...
Sons, visões, feitiços...
O espaço amplo da magia.

Friday, November 24, 2006

Frasco

Andais ao relento
De vaso em vaso...
Rebentais nas cinzas
Mortas de felicidade...
Procurais povoar pétalas
Nos círculos do tempo...
Caminhais com pés descalços
Em imaculados frascos...
Atravessais memórias enfrascadas
A perguntar os ouvidos esquecidos...
Tocais faces escondidas
Nas magias nubladas...

As viagens cobertas de sonhos,
Dos licores seguem perfumados,
A trotear essências internas...

Wednesday, October 25, 2006

Poemas Esquecidos De Outubro II

Galhos

Ocultas a montanha coroada
Onde barcos divinos provam o vinho;
Pegas o frágil colo enrolado em linho
E os murmúrios da água abandonada...

São matrizes cruzadas, de dedos afiados...
Funis perturbados com o silêncio oco
Dum sorriso de asas, que fazem voar como louco
Os imortais ecos de galhos crucificados...

Os espíritos param nos altares
No mar, no ar, suspeitam das folhas
Em cada canto, dando tons às entranhas
Para perfumar, perfurar, os ramos encantadores...

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Mutilação

Chamaram a polícia...
Querem-me prender estes canalhas.
Têm os bastões hirtos, com a saliva a exaltar-se;
Nem os fantasmas dos pesadelos
Contidos nas grades os faz desaparecer
Na sua própria humilhação...
Bando de fornicadores
Que mutilam os órgãos dos anjos
Rindo-se das cicatrizes alheias
Para mostrar as fezes...
Os seus odores mesquinhos
Declamam a ocupação
Dos seres supremos...
Mantenham-se nessa ilusão
Seus cobardes.
Venham-me prender
Que ides ficar sem pele,
E aí sabereis como
Provar a vossa pútrida carne...

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Sei

Não sei de que cores pintaram as nuvens
Talvez de Lilás...
Talvez de Negro profundo...
Não sei onde está magia das mãos
Talvez em pó espalhado...
Talvez em cinzas perfumado...
Não sei como fizeram os socalcos
Talvez com miragens...
Talvez com mera ilusão...

Semearam pontes...
Armadilharam sem destino as trevas...
Plantaram desejos de maldições...
Acenderam marés-cheias de sons...
E no fim perguntaram num sufoco de letras:
-Ainda pensas em voar?...

Saturday, September 23, 2006

Pétalas

No imaginário das cortinas,
Intervalos de tempo borbulham
Em misturas de vento selvagem...

No desejo das colinas
Cai os braços molhados
Em que o céu serve como manto...

Palavras de sentimento
Num perfume dum frasco escondido,
Para a magia não tocar
A cicatriz esfumada...

Em cima da lápide choverá pétalas...Minhas...

Sunday, July 23, 2006

Poção (23)

Mergulho nos ramos
Que ardem no corpo...
Estilhaço os dedos dedilhados
Da Alma fervente...
Os espelhos coloridos de bolhas
A queimar o vento...

Sabes como obter uma estrela de chuva?

A poção do tempo
Na mistura de aguaceiros...
Um rasgo de leveza
No olhar enfeitiçado...
O fogo das mãos
Na permuta das brasas...

Sabes como funciona uma ampulheta?

Acreditar, Acreditar, Acreditar...
Que tudo desce no meio da vidraça...
Dois ou Três...Ou ambos juntos...

Sunday, July 02, 2006

Cavalos Voadores

Não sei...Sei...
Somente há esperança
Em determindas linhas.
Os contornos da visão esquecida,
Um sorriso embriagado,a magia de trovões,
E a chuva miudinha do sentimento...
Sei...Não sei...
Pego no punhal, e solto-me dos sons muídos,
Perfurando a lareira de estacas...
Coragem de ir ás montanhas geladas...
Quero para poder viver...Quero o calor da vida...
As velas sacrificadas
irão fazer chover relâmpagos...
Sei...Sei...
Estou isolado nos cavalos voadores...

Friday, June 23, 2006

Choveu...

As trepadeiras voaram
Pelas cores das escadarias que penetraram...
Dedilharam a magia do Santo
Em pedaços de janelas que estão sem canto...

Sim...O céu trovejava antes da minha chegada....
Sim...Quando retive a imagem começou a chover...

Na campa isso voltará a acontecer...

Sunday, April 09, 2006

Gota

Cristais fundem-se no ar
A norte da bruma celeste,
Grito de força a rasgar
A morte da melancolia agreste...

Peitos de véus penetra
O ardor fúnebre do olhar,
Deambulando nas notas de jazigos...
Penduro as asas de sangue
Na lâmina da escuridão...
A magia roça o abismo
Coberto de escamas a arderem

Piedade enterrada no pó
Retalhar o tormento
Molestar as veias de pó
Pingar o alimento

Sede...Escorre...
Uma última gota...

Sunday, April 02, 2006

Gesto

Nas enseadas da magia
Teço teias do meu leito,
A voz vegetal
Encarnado no doce animal,
Risco pautado no peito
Feitiço de alegoria...

Hipnotizar as palavras agitadas,
O degrau da luz do patamar pintado,
Alma que na vertigem segura os lábios,
Limite do infinito, prazer suspenso no gesto...Amo...

Thursday, March 30, 2006

Baloiço

A eternidade do baloiço
MOla estendida a pingar,
TEnho na alma os pedaços, morangos...

FIco no perfume da sela,
LImPo o dorso do olhar,
A turva pálpebra descai...

Ninho de trevos
Ouvindo a suavidade...

AR dedilhado
COlorido numa manta...

Incendiar as flores,
RIndo no prazer do sorriso,
Sentindo o baloiço a saltitar...

Tuesday, March 14, 2006

Trovões de lua

Asas que voam nos céus,
Peitos de oceanos a ouvirem
O calor acesso de silhuetas,
Lentas noites de pegadas picantes...

Inflamam as curvas dos trovões,
Firmamento de pétalas de sangue,
A culminar o deleite da exaltação,
Na magia a escaldar...

Forte perfume que palpita
Em luz que contagia demónios,
Feitiço de duende,
Sangram na lua dormente...

Wednesday, December 14, 2005

Mais um...

Anos passam...glórias das sementes germinadas...
Povos que fortalecem suas escamas
Correntes que salpicam o musgo

Pega-se no orvalho e na mistura do tempo, condensa-se as tempestades...