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Saturday, February 28, 2009

duma Mãe para um Filho

À espera do suspiro dos teus sorrisos encontro a felicidade dos trilhos. Cresces nos meus braços com a energia dum guerreiro, escutas o céu a trovejar das minhas carícias, enrolas-te nos braços ao ardor das chamas da vida. Desenvolvo para ti o regaço das pétalas com a doçura dos cravados espinhos, manto do qual irás desaguar naufrágios de descobertas. Em cada esquina os remos de silhuetas terão mais força, serão bandeiras de cores para a visita embriagada. Anel dedilhado do fantasma, retrato do além terá o frio para olvidar. Que importa meu Ser, quando te tenho a ti? Que importa a viagem, se em ti encontro a paz? Que importa a loucura, se o meu dar a ti é puro?
Desejo o rasgo da alegria, cada ruído imerso na paixão pelo teu crescimento ao meu lado. O brotar na essência das tuas inspirações faça-me de mim um Ser de mãos dadas com as teias das reticências floridas, do teu lado. A navegação destemida, olhar felpuda das insónias recompensada pelo vibrar constante de sentir a tua felicidade. Gemes comigo como no interior de mim rejubilaste de prazer. Dou-te a mão, dou-te mais que a mão…

Friday, May 18, 2007

Sagradas Mãos

Os instantes são flechas do mergulho sagrado, reflexo da paisagem misturado ao orvalho do paladar, um sumo que ao vento faz eclodir a memória. A sensação povoa espaços desconhecidos como o calor atormenta a pele que ferve. São cavidades na porta, percorridas no tacto do devaneio. O terror das mãos apreendidas dança no espasmo da lentidão.


Tuesday, May 15, 2007

Tinta

Os sons encontram-se adormecidos, escondidos pela evaporação sentida. O recorte do jornal semeia letras, toques suaves para os olvidados se maquilharem ao sabor das fogueiras. Não questiono do que é feito das melodias, somente sei que estão algures pousados a serem engolidos pelos restos duma chuva miudinha. Muito parecido ao estado que encontro a minha mão na textura regada do planalto. Letras pingadas no esquecimento. É isso que o céu faz resvalar no pincel da tinta…

Friday, February 09, 2007

Alçapão Latente

Pés Erguidos
Ardente
Poente
Latente

Mãos Esculpidas
Sótão
Escuridão
Alçapão

As correntes escapam ao esquecimento; mãos ou pés têm sempre um dom de enriquecer o espírito. Ouvir o som da ave a sobrevoar outros mares, os toques do silêncio a chilrear as harmonias em momentos únicos, são banhos húmidos de prazer. Livres voam os anjos por não saberem tocar... Porventura não valerá a questão?...

Sunday, February 04, 2007

Brutal Cal

Capítulo brutal.
Inacabado ao suspiro.

Por dentro do silêncio
A massacrar os lábios da nudez
Desfilo nos húmidos pedaços.
Num rasgo do desfiladeiro
Ofusco o som cercado…

Na cela da solidão
Ergo a invisibilidade
Da transparência de fogo
Até ao portão de grades vendadas…

Subo nos pés da geada
A gemer de prazer…
Estremeço com espinhos cravados.
Do mal fatal dou uma foda aos sentidos…

Escorrego no meu cabelo estendido na mão
Onde cresço ao sabor da Bruma.

Tuesday, January 23, 2007

Surdas Mãos

Encosto pedaços tremidos da colmeia
Em eternos enterros precoces
Teço a teia na escuridão
Enquanto sequestro a surda palavra

Momentos únicos à margem
Segmentos rondam a viagem
As velas da noite assombram o tormento

Imaginei o esqueleto das pétalas
na nota duma nuvem
Salpiquei pedras nos rabiscos
duma folha de carvão
Pintei pontes em grutas
Nasci na âncora dum filamento

Sopra o esboço das lagoas
Esvoaça a cor sem mãos


Friday, January 05, 2007

Uivo

Fazem tertúlias em mesas redondas...
Para Arder os olhos nos encontros
À espera de mãos cruzadas
A abraçar o sossego...
A roda das cabeças com tormentos
Chega a saltitar na invertida imagem, miragem...
Demorar o suspiro alimenta o peito enigmático
E da meiguice fico isento,
Voando resguardado num assento.

Num uivo de Lobo que esperneia
Cheio de brandura na colmeia
Forma-se visões com fissura de teia

Wednesday, January 03, 2007

Passos

Os passos na rua flutuam ao som da miragem de compassos, fecho os olhos para abraçar o nevoeiro, abro a pele para evaporar. Sinto-me a gemer neste espaço de leveza, dispo a silhueta das bolhas e sigo os galhos nus do Inverno...Mão fria dançante...

Thursday, December 21, 2006

Picos

Mãos frias
Minha Alma requer...
Geladas de pedra,
Riscadas, rasgadas...

O deslize ausente,
Ciclo permanente,
Sufoco fervente...

A afeição mergulhada
Pelas montanhas fundido,
Os pirilampos brincam
Na ponta dos dedos...

A lareira de véus
Aquece a ossada...
Sussurro...Sussurro...Sussurro...

Wednesday, October 25, 2006

Poemas Esquecidos De Outubro II

Galhos

Ocultas a montanha coroada
Onde barcos divinos provam o vinho;
Pegas o frágil colo enrolado em linho
E os murmúrios da água abandonada...

São matrizes cruzadas, de dedos afiados...
Funis perturbados com o silêncio oco
Dum sorriso de asas, que fazem voar como louco
Os imortais ecos de galhos crucificados...

Os espíritos param nos altares
No mar, no ar, suspeitam das folhas
Em cada canto, dando tons às entranhas
Para perfumar, perfurar, os ramos encantadores...

...........................................

Mutilação

Chamaram a polícia...
Querem-me prender estes canalhas.
Têm os bastões hirtos, com a saliva a exaltar-se;
Nem os fantasmas dos pesadelos
Contidos nas grades os faz desaparecer
Na sua própria humilhação...
Bando de fornicadores
Que mutilam os órgãos dos anjos
Rindo-se das cicatrizes alheias
Para mostrar as fezes...
Os seus odores mesquinhos
Declamam a ocupação
Dos seres supremos...
Mantenham-se nessa ilusão
Seus cobardes.
Venham-me prender
Que ides ficar sem pele,
E aí sabereis como
Provar a vossa pútrida carne...

................................................

Sei

Não sei de que cores pintaram as nuvens
Talvez de Lilás...
Talvez de Negro profundo...
Não sei onde está magia das mãos
Talvez em pó espalhado...
Talvez em cinzas perfumado...
Não sei como fizeram os socalcos
Talvez com miragens...
Talvez com mera ilusão...

Semearam pontes...
Armadilharam sem destino as trevas...
Plantaram desejos de maldições...
Acenderam marés-cheias de sons...
E no fim perguntaram num sufoco de letras:
-Ainda pensas em voar?...

Friday, October 13, 2006

Poemas Esquecidos De Outubro

Suavidade

A lua afunda-se na manhã submersa
Sem o tempo a pautar o toque,
Com sopros a acariciar
O esqueleto indestrutível da suavidade...

Porventura meus olhos fecham-se
Na elegância suprema de voar,
Distraio a mordidela,
Arranco no destino da palma da mão.

O bosque cheio de charcos
Perfumado num espelho olvidado...

My eyes are bleeding,
You are in my eyes...

......................
Chuva de Licor

De Alma corrente,
Deus de lábios com rios
Molda nas mãos os fios,
Escorre pela mente
O grito contido da semente...
A chuva de Licor;
Impiedosa e Cruel...

.....................
Tatuagem de Lua

Tenho a noite no meu berço
Embalado nas estrelas de fogo,
Morte árdua e dançante...
Vestes negras acorrentadas ao céu
Pingam a coragem do olhar,
Dum momento de lucidez colectiva
À ruptura que na moldura dura,
Tem na escultura o grande pendura...
Sempre com a mão tatuada
De prata dourada...

...........................
Punhal de Vida

Ó esqueleto sem ossos, que olhas do tecto
O tédio da atracção por máscaras,
Vazio da indiferença, atado em amarras

Se tocas dormente, vermelho teus olhos ficam...
Se chamas ocas queimam, teus braços seguram...
Se folhas caem, tuas vestes pintam...

Então, de que forma são tuas asas?
De mel embaciado, ou de gelo embalsamado?
És mórbido, louco insano!...Confundes as Ruínas.

Fogem de ti, da mesma maneira que se atam na cruz.
Sopram veemente por fogueiras secas, de luz
Nua a escapar nos canais ensanguentados.

Misantropo um dia te chamaram,
Num estranho orifício d desejo,
Assustaram-se com o jazigo ou um beijo!

Ceifas cada rosto, perfuras os seios,
Deixas o punhal dilacerar sem devaneios
E, sem remorsos perguntas quem és...

São longas tuas garras, afiadas sem espessura,
Negras, que um carrasco limou,
Enquanto na atmosfera caía a água pura.

São os traços, cicatrizes ou arestas floridas?
Sangram na mão? Loucura? Apenas sopros
Pálidos do olhos fascinados nos corpos.

Da Alma que cuidas na morte, sentes o odor
De lágrimas que se esfumam no assassínio da dor.
Chamas a ti a noite eterna dos corvos...Sangue!

Always red in your dress...undressed
“Loving you is like loving the Dead” – Type O Negative

Monday, September 11, 2006

Templo

Sou uma jangada
Que corre para este.
Num alivio destemperado
Regresso ao templo,
Do tempo, que contempla
O último uivo parado.
A fogueira esconde-se
No nascer do sol,
Plantado num cabide
Nas profundezas rudes
Da cor espalhada.
Atiço com serpentinas a jangada
Colocada debaixo da palma da mão...Suspiro...

Wednesday, July 19, 2006

Trovão

Peguei numa cadeira e sentei-me no canto da janela. A noite já ia alta, mas o sono não vinha. Sinto-me a desfalecer sem ebulição, um arder de sentimentos suspensos nos relâmpagos que aconchegam meu olhar. Refugio-me nas chamas do céu que teimam em querer explodir na palma das mãos, e resvalar nas chamas dum tempo ardente. Estou no meio do trovão que cai das nuvens e que dá luz neste sossego atormentado da minha Alma. Pego neste fogo e gelo-me de cicatrizes...
Acorda demónio, ou adormece no leito de espinhos, ou penetra tua Alma com galhos vestidos de tremores...

Wednesday, July 05, 2006

Intruso

O telhado de violinos tocam nas línguas,
A mão de estaca banha o fogo,
As cinzas de pedra furam falésias...
Sou um intruso não convidado.

Pego fogo ao reflexo dos meus pés
Para rasgar as escamas sem profundidade...
Pego no tempo caótico
E fabrico a insanidade de poemas.

O livro irracional
Dos balões,
Do intruso
Não convidado...

Thursday, June 29, 2006

Palma da Mão

Vou dizer adeus
Sem partir...
Estender a mão no luar
E enrolar a coroa erguida,
Para depois deixar orvalhar
A minha Alma perdida.
Vou pegar em pétalas
E sorrir...
Prender um suspiro de olhar,
Riscando a palma da mão
No coração...

Monday, June 19, 2006

Plim...

Pluveja nesta viagem,
Troveja na margem,
Pedaços de miragem em rostos escondidos.
São assim os olhos queimados...

Serras de fogo enjauladas,
Mergulho nas memórias regadas.
Debaixo do solo, a escuridão descalça.
São as cicatrizes do Oriente...

Sons fúnebres ardem
Em olhos estagnados, vazios...fogem...
Corridas em precipícios de aromas.
São as silhuetas do Chile...

Do Alto para o alto do mármore
A essência perfumada das flores.
Rabisco o banco da formosura.
São o dedilhar das mãos puras...

Menina de sorriso tímido
Toca-me as cordas do violino...
A agitação do coração embala-me.
São poções de subtilezas...

Vagueio pelas ruelas brilhantes
Em misturas embriagadas de fome.
Restos de ossadas que tilintam.
São galhos da cidade maldita...

Preencho o poço dos Prazeres
Na mulher de sorriso largo,
Esbocei um corvo no jazigo.
São pisadas de fogo sublime...

Flutuo as veias no abismo,
O céu rasga-se de trovões
Por estar a violar esta terra...
São estrelas de velas...

Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!

O doce inferno dum trovão
Da chuva molhada...

Tuesday, May 30, 2006

Saliva

As gotas de sangue estão penduradas,
Dentro da saudade desmedida...
Puxo a espada de pincel
Para dilatar a compressão...
Fervo os cogumelos destemperados
Que cortam esta anestesia...

Separo a seiva desta poção mágica...
As fendas da saliva que bebem a nostalgia...
Apenas olho minhas mãos...

Monday, May 29, 2006

...

Morreram as minhas meninas...
Secaram neste calor...
Nas mãos da chuva, a ilusão caiu...
Nada dura ao meu olhar...
O rosto desabou no chão
Neste inferno...
As palavras não definem minha dor...

Thursday, May 25, 2006

Grãos de Areia

Um fio de rio da areia espreguiçada a descair nos dedos levantados ao alto, é o que este anoitecer me faz acariciar. No altar mora a espuma desconhecida sulcando miragens de castelos feitos por crianças. Estremecidos nas conchas o vento não pára de bater, a rasgar as curvas destorcidas, a pulsar de emoção. Os grãos de areia são arranhados pelos dedos frágeis que caem, e se afundam na humidade do vaivém das águas do mar.
Risco no céu dourado, cores espalhadas no horizonte, na Rua da meditação, na inocência quebrada, no licor que derrete em céu de mar. Envergonhado pela timidez dos contactos, o rosto volta às profundidades do areal. Arranco grão atrás de grão, escavo tão fundo que deixo de ver a minha mão. Remexo docemente em solo duro, repousando o resto do corpo de lado, estendido, para o castelo. Fico com as cicatrizes, somente com elas, agarrando o meu peito do ardor duma gargalhada. Atordoados frutos da minha mão que se inclinam neste altar, escorre nos cabelos, nas costas, para dentro de mim...Fogo agreste...
Permaneço no esplendor das coisas mais simples, nos actos que em si são mais puros. Roubo a imagem à natureza, ou apenas um pequeno empresto, não o sei. Sei somente que dos frutos do fruto não pode não florir a semente. Só irá nascer um novo amanhecer, e depois um anoitecer. Esse é um dos ciclos das mãos. Não posso tocar em toda a areia, só ela é que pode tocar toda em mim.

Wednesday, May 10, 2006

Cruzes

Violentos olhos que pingam
Na avalanche de rochas...
Escurece o dourado
Dos pés que voam...

Cicatrizes de fogo,
Cruzes enterradas,
Papéis de tinta
A esvanecer os sons...

O tilintar de mãos frias...