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Wednesday, March 12, 2008

Beleza de Sangue

A beleza irregular questiona o movimento da caridade.
- Acordas o suspiro da Alma com essências perfumadas?
- As paredes estão escritas com sangue.

Wednesday, February 28, 2007

Olvidar

Abro-te as portas do inferno
Na letra dum devaneio...

Impregnado na escravatura
Ignoro os gemidos.
Somente devoro tua Alma.

Pinto o caixão num medalhão
A fervilhar o sangue do veneno
Irradiado na escuridão...

Rasgo o nevoeiro do licor
Onde o ostracismo mergulha...
Vês a face do vazio;
Não sentes nenhuma metamorfose,
Nem profundidade, nem fuga...

Encontro-me dilacerado
A olvidar a navalha.
Ela não perguntará por ti...

Tuesday, May 30, 2006

Saliva

As gotas de sangue estão penduradas,
Dentro da saudade desmedida...
Puxo a espada de pincel
Para dilatar a compressão...
Fervo os cogumelos destemperados
Que cortam esta anestesia...

Separo a seiva desta poção mágica...
As fendas da saliva que bebem a nostalgia...
Apenas olho minhas mãos...

Monday, May 29, 2006

Futilidades

Onde estou não há vulcões,
Somente um coração a olhar
O pé cheio de erupções...
Sangra o sangue do mar...

Corre as lágrimas de licor
Pelas pedras do mármore,
A eternidade de dor
No manto do Altar-Mor...

Febre do sonho acabou
No canto da febre...
"Por Agora" não dou
O que não reabre...

Há esboços muito frágeis...
Só digo futilidades, mas são minhas...

Tuesday, May 23, 2006

Flutuar

Fixo o olhar nas palavras,
No rosto torcido da saudade...
Longe dos cabelos perfumados,
Encosto-me ao fogo...

O silêncio flutua,
Não posso olhar o vazio,
Não posso tocar o beijo,
Escolho a escuridão da Lua...

Sei da lei que serei rei...
Dum pó de sangue,
Da água com perfis de escravidão.
Pescoço com osso...

Friday, May 12, 2006

Planície

Os horizontes penteiam-se de pastagens
Para o véu de sangue cobrir os pés...
Galopo sem vista, coberto de viagens
Rasgando a suavidade dos pés...

Frio gelado da memória a dançar
Em pingos de pedra no chão,
Em vazios de vastidão...

Ancorar nos ferimentos que virão
Martelo o descascar da pele
Dilacero a Alma das planícies...

Friday, March 31, 2006

Tela

Acordei pintado
Na falésia da memória...
A árvore com galhos sulcados
As raízes de vermelho vivo...

Sangue de lágrimas na terra,
A germinação de arco-íris...
As pedras moldadas
Em céus dobrados...

Cores que pingam
No paladar de cheiros...
Fantasio nas minhas mãos
O trevo de quatro folhas...

Monday, February 20, 2006

Inverno

São santos os sepulcros
Gemidos rasgados, reflexos compenetrados.

No Inverno da alma,
Na solidão dos areais
Rochedos de punhais.

Pálpebras a rufarem de sentimentos
A ecoar no sangue gritante
Ao lado da claridade, gigante.

Estranho remoinho, escadas condenadas
À sorte infeliz da cela infernal
Arde o abismo fatal!

Faminto o queixo debruçado
Imerso nas paisagens de sonhos
Formam-se motins a esgrimar os olhos.

São túmulos que tropeçam no cérebro
Amadureço, colhendo o desespero...