Showing posts with label Ossos. Show all posts
Showing posts with label Ossos. Show all posts

Friday, August 31, 2007

Reflexo Helicoidal...

Viram ossadas dentro do caixão, armadura de prata coberta de pétalas orvalhadas. O reflexo benzia a madeira estalada, vento escondido da poeira, idade sem pulso. Chega o instante obscuro a pernoitar nas planícies, o tactear dos ferros doces da masmorra. O laço feito de ossos enrosca-se ao perfume do andamento helicoidal. Um batimento, um ciclone de vapores...

Saturday, October 28, 2006

Friday, October 13, 2006

Poemas Esquecidos De Outubro

Suavidade

A lua afunda-se na manhã submersa
Sem o tempo a pautar o toque,
Com sopros a acariciar
O esqueleto indestrutível da suavidade...

Porventura meus olhos fecham-se
Na elegância suprema de voar,
Distraio a mordidela,
Arranco no destino da palma da mão.

O bosque cheio de charcos
Perfumado num espelho olvidado...

My eyes are bleeding,
You are in my eyes...

......................
Chuva de Licor

De Alma corrente,
Deus de lábios com rios
Molda nas mãos os fios,
Escorre pela mente
O grito contido da semente...
A chuva de Licor;
Impiedosa e Cruel...

.....................
Tatuagem de Lua

Tenho a noite no meu berço
Embalado nas estrelas de fogo,
Morte árdua e dançante...
Vestes negras acorrentadas ao céu
Pingam a coragem do olhar,
Dum momento de lucidez colectiva
À ruptura que na moldura dura,
Tem na escultura o grande pendura...
Sempre com a mão tatuada
De prata dourada...

...........................
Punhal de Vida

Ó esqueleto sem ossos, que olhas do tecto
O tédio da atracção por máscaras,
Vazio da indiferença, atado em amarras

Se tocas dormente, vermelho teus olhos ficam...
Se chamas ocas queimam, teus braços seguram...
Se folhas caem, tuas vestes pintam...

Então, de que forma são tuas asas?
De mel embaciado, ou de gelo embalsamado?
És mórbido, louco insano!...Confundes as Ruínas.

Fogem de ti, da mesma maneira que se atam na cruz.
Sopram veemente por fogueiras secas, de luz
Nua a escapar nos canais ensanguentados.

Misantropo um dia te chamaram,
Num estranho orifício d desejo,
Assustaram-se com o jazigo ou um beijo!

Ceifas cada rosto, perfuras os seios,
Deixas o punhal dilacerar sem devaneios
E, sem remorsos perguntas quem és...

São longas tuas garras, afiadas sem espessura,
Negras, que um carrasco limou,
Enquanto na atmosfera caía a água pura.

São os traços, cicatrizes ou arestas floridas?
Sangram na mão? Loucura? Apenas sopros
Pálidos do olhos fascinados nos corpos.

Da Alma que cuidas na morte, sentes o odor
De lágrimas que se esfumam no assassínio da dor.
Chamas a ti a noite eterna dos corvos...Sangue!

Always red in your dress...undressed
“Loving you is like loving the Dead” – Type O Negative

Saturday, July 22, 2006

Desfile

Hesitei perante a perspectiva da eternidade. O desfile íngreme a tingir estes penhascos, rabiscam o corpo calcinado, em que prendo as amarras soltas. Tenho um ponto, um rosto tão tosco, osso...O sotaque embebido na poltrona do destino. Sou uma névoa de transparências que umas vezes se ouve, e outras não.

Tuesday, May 23, 2006

Flutuar

Fixo o olhar nas palavras,
No rosto torcido da saudade...
Longe dos cabelos perfumados,
Encosto-me ao fogo...

O silêncio flutua,
Não posso olhar o vazio,
Não posso tocar o beijo,
Escolho a escuridão da Lua...

Sei da lei que serei rei...
Dum pó de sangue,
Da água com perfis de escravidão.
Pescoço com osso...

Monday, May 15, 2006

Novelo

Desmorona o castelo
De fantasmas com estandartes...

Sopra a desmesurada cratera do coração
Afunilada na vertigem,
Ouvindo o palpitar do rastejar
Nos escombros vibrantes da imagem,
Decepo os ossos a tocar
Cordas ocas de emoção...

Visionar pedaços de arte
Peço um novelo...

Thursday, April 20, 2006

Gripe, Gripado...

Atordoado numa faísca de chuva,
Cinzeiros de fogo abrem artérias,
O cérebro congelado fura,
Infectado de dores de cabeça...

O corpo a cair num pesadelo
De visões, alucinações...
Matéria de veias desarticuladas
Aconchegadas à chuva...

Quebradiços ossos que flutuam
Regelo, aqueço, evaporo...
Mergulho no desespero
Num estado de embriaguez...

Monday, April 03, 2006

Calafrio

Rasgo a pele da manhã
Entrelaçado num suspiro,
Levanto os ossos pendurados
Deixo a poeira voar pelas veias...

O sol arde na transpiração,
No fogo húmido de esperar,
Expectativa da tarde,
Das horas, um toque, um retoque...

Medo, calafrio, estremeço...
Arrepio de febre...
Espinha dócil
De olhar o mel...Amo...

Wednesday, March 15, 2006

Doce Os(s)o

Fogo de tronco, formoso
Silhuetas dum sorriso, harmonioso
Gestos de língua, amoroso
Brandura de olhar, delicioso
Rasgos de pétalas, melindroso
Caveira de demónio, fogoso
Cativante penumbra, oloroso
Impregnado em aroma, cheiroso
Devastar o destino, impetuoso
Amar na solidão, silencioso

Lua desfolhada, majestoso
Coração arrancado à alma, doloroso
Absorver a lâmina da paixão, caloroso
Sufocado no prazer, carinhoso
Embriagado em néctares, viscoso
Tacto projectado em ti, gostoso
Escultura de danças, cavernoso
Descair a voz no mel, afectuoso
Cor brilhante de diamante, pingoso
Corpos de torrente em rios banhados, caudaloso

Junção da união, prodigioso
Sangue de seiva que perfuma, poderoso
Brincar na delicadeza, cremoso, esplendoroso...

Friday, February 10, 2006

Vielas

Linhas de chamas que ardem
nas aguas do destino,
Longas ruas do alto, do alto,
sobem desconhecido na dor.

Vielas que se penetram
nas aguas que camuflam o perfume,
estreito de celas, a banhar os olhos
dos ossos que roçam no ardor...

Nevoeiro de pétalas estendidas nas mãos
O corpo sacrificado,
a alma esmagada,
o cheiro impregnado no amor.