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Saturday, November 14, 2009

Esqueleto

Onde se encontra o interior da Alma dum esqueleto?
A resposta está nos corredores inalcançáveis que a embriaguez das tempestades colhe, por isso os pincéis do tempo fazem parte do devaneio das criaturas demoníacas que sabem onde penetram, e de lá rabiscam os seus sulcos de intimidades.

Algures na cidade do Porto

Saturday, May 02, 2009

Silhueta

Esbocei um riso melancólico na face do enigma, um desalinhamento obscuro de pés calcados de pincéis dóceis. Levantou-se a poeira dentro dos olhos, rabisco envolto na camada mais pura do subsolo, as silhuetas gemem, as notas badalam a Alma numa percussão perfumada…

Wednesday, January 14, 2009

Criança Com rosto

A visão distante cobre as articulações do esboço, nada respira no véu molhado. A aflição prisioneira da escrita, sentinela da memória, conversa interminável a perturbar o passo do fogo; são os retalhos que a letra vive como desconhecido; são os retalhos da Alma a conviver com o Ser. A dança embriagada das árvores faz recuar as margens, folha a folha, o nu da natureza a embaraçar a solidão. Explode o inferno das sensações, fôlego comprimido, onde os olhares sumarentos se degolam com prazer. Perdido, sou o vagabundo do caixão das gotas, lareira.
A ver: A Infância de Ivan de Tarkovsky

Sunday, December 21, 2008

Invisibilidade do Visível

Marcas profundas onde se sente o inalar oscilatório da vitrina, captar da sensação para escandalizar o suspiro vibrante. Além do invisível a matéria encontra-se estagnada, sombra que remexe as profundezas, descobre o limiar das invocações a culminar a decapitação. No visível a Alma devora energias deliciosas, pondo corredores anárquicos na flutuação do inferno, inacabadas belezas que seguem a lógica de sugar cruzes para chegar ao rubro.
Recortes a desmembrar o Ser, a pô-lo na virgem disposição para consumar os actos do filamento. Início rega o estremecer do fim, quando o visível provém do invisível, débil linha, cruel segregar da existência; o trajecto alimenta-se da vivência única do cântico, desmontar o tempo, ou refugiar o fragmentar no desmontado tempo. Esta sequência prolongar-se-á com infinitas porções, do qual cada Ser provará partes visíveis e invisíveis, fará metamorfoses de qualquer parte, não distinguirá qual parte está. Deambulará.

Saturday, November 22, 2008

Solidão

Ia ficar com uma mão livre quando estagnei o corpo no céu. Meio atrapalhado rocei os olhos um no outro, deixei cair as mãos numa lufada de frescura. O entrelaço gemido arregaçou a sua preguiça, roçando o horizonte, resvalando o destino. Não entendi se a imaginação das folhas estaladiças penetrou ou não o véu do meu rosto, sei que as frescas luzes se misturaram como raios oblíquos, a desdobrar as brisas nubladas, cruzando a rouca solidão do caminhar nu das árvores.
Acolhi dos rudes desertos a força das subtilezas, salpicado da vegetação formado pelas correntes. O desaguar do labirinto foi-me pintado no cume das melodias. Cortei a retalhada tela, a formar folha atrás de folha, conjunto de levezas. Entretida Alma tocou a face, desconcertante nota de Outono na semente do milho...

Friday, October 24, 2008

Brutal Essência

Percorrer o roteiro das velharias à velocidade de múltiplos odores. Cada recanto repartido na lembrança das Almas, compilações feitos a um ritmo especial onde rasgos e rédeas não tem lugar. As sensações explodem para o visitante embriagado, o pedinte dos azulejos que intimamente se deslumbra com o saltitar do pormenor, acorda na esquina ao tilintar o sonho. Desajeitada beleza incorpora no rosto a busca infindável...

Monday, October 20, 2008

Grito Oco

Quem mata o morto
Se não sabe crucificar o horto?

O agitado momento, esculpido,
Paranóia, simples movimento,
Empalidece o turvado aroma...

Caos desconcentrado relaxa
Envolto no hesitar.
Ingere-se o nevoeiro
Dentro dos lábios,
Gelado!

Perturbado sobre estacas
A carroça chia desenfreadamente...

Uivar desmesurado duma Alma!

Tuesday, October 07, 2008

Colheita

Havia masmorras para loucos quando o tempo era feito de pó. Grades colocadas no céu para não deixar os deuses se aproximarem das insanidades, nem dos banquetes destes seres, nem da colheita destilada das suas Almas.

Friday, October 03, 2008

Mergulhar no Suspiro

O corpo está banhado no próprio corpo. Um mergulho para devastar as raízes, tornando a envolvência um perfume prateado transparente. Danço num suspiro, na gravidez da minha Alma, ardentemente, sem receio.

Thursday, July 31, 2008

Fole da Alma

São cortes da Alma decorada
Dentro da superfície rendilhada.
Jamais o som se ouviu tão trovejante
A escorrer para o altar verdejante.
Momentos secos, ventos ocos,
Viagens…

Pulsa diversificado o batimento
Estrondoso…
Arranca o alçapão o movimento
Estrondoso…
Eco espalha-se no vertimento
Estrondoso…

Gemem os portões do desconhecido
Num sufoco ávido do palpitar retido

Fole germinado, coração…
Sopro retalhado, escuridão…
Brilho enfeitado, mão…

Voa
Além
Voa
Para Além

Dentro
Da saudade
Vontade

In N.A.

Thursday, May 01, 2008

Janela

São portas de janelas, aquelas que cobrem o veludo. Perceptível à transparência o massacre das sensações torna-se uma masmorra, uma cor destilada sobre a cruz. A voz que alimenta a insanidade ecoa em profundezas, rasga a Alma, deixando imperturbado o calor da pele. Ténue sopro enlouquece a porta de janelas.

Wednesday, April 23, 2008

Rendilhado

Chovem rostos perdidos no altar do rio. Agua pura da essência gelada, agua vestida de cigana, agua rendilhada de invocações. Transparência guiada pela Lua, fugitiva no esconderijo, provocada pelos devoradores de serpentes que degolam as veias. Assim o segundo passa a ser eternidade, assim as secretas visões das florestas abandonadas são esfaqueadas pelo silêncio.
O esqueleto constrói muralhas intransponíveis ao olhar. Sensações negras são despidas no olhar da Alma, cobertas dum orvalho de chamas rasgadas nos luares. Murmúrio estrondoso.

Tuesday, March 18, 2008

Calor

Calor da escrita...
Servente dos desejos, o cego rosto
Cobre o guarda chuva;
Da chuva muda
O decaimento das rochas estremece...
Densa as cicatrizes resvalam
O dedilhar do ar puro,
Da varanda despida,
Do telhado molhado.
Mar além da imaginação,
Povoa o segredo da paixão.
Enroscar o pergaminho de teias.
Calor da Alma...

Saturday, March 08, 2008

Flecha Ardente

Ramificar a semente
Sobre a fonte das asas,
(Escurecer...)

Alienado dentro do casulo.
Encontram-se patamares de suspiros
(Ferver...)

Que embalam retalhos de odores
À volta da fogueira.
(Arder...)

O sangue flutua no abraço...
Na chama...
Na Flecha...
Na Alma...



Friday, February 08, 2008

Miragem da Alma

As notas dedilhadas no silêncio com a Alma pousada no resguardo da parede, rasgam os portões sem ouvidos aninhando-se à possuidora melancolia das miragens. Transbordam os olhos do infinito para as mãos abraçadas. Viagem que o espelho esquece, viragem que o tempo humedece.A solidão ondula em cicatrizes sem o passado aconchegante, nem o futuro talhante. Momento de paz infernal tornado reflexo da própria matéria que se devora.
(Entre as teias duma plateia feminina)

Monday, November 19, 2007

Santo

Montes de estrelas ondulam no manto.
Fontes de telas mergulham no santo.

Sabor dedilhado com frescura.
Odor orvalhado com pintura.

Vou até ti...
Até ao fundo...
Profundo de mim...

Ciente do coração que cobre a felicidade,
Rasgo a sedução na Alma,
E tilinto a magia num sossego regato.

Rio imaculado da gentil pureza...

Sunday, April 01, 2007

Amo-te Lua...

Torci a Alma
Causando a ruptura,
Tropeçando na fractura…

Do tecto cai teias…
Moídas a pentear as veias…

Abano as tranças erguidas…
A força das asas bate.
A saia enrola-se nos olhos;
Os poros sulcam as marés;
Enquanto os dedos aninham-se
Nas pétalas da Lua…

Amo-te!



















Pequeno questionário:
http://home.att.net/~slugbutter/evil/
Resultado: Pure Evil

Wednesday, February 28, 2007

Olvidar

Abro-te as portas do inferno
Na letra dum devaneio...

Impregnado na escravatura
Ignoro os gemidos.
Somente devoro tua Alma.

Pinto o caixão num medalhão
A fervilhar o sangue do veneno
Irradiado na escuridão...

Rasgo o nevoeiro do licor
Onde o ostracismo mergulha...
Vês a face do vazio;
Não sentes nenhuma metamorfose,
Nem profundidade, nem fuga...

Encontro-me dilacerado
A olvidar a navalha.
Ela não perguntará por ti...

Friday, February 02, 2007

Cristalizar o Voo

Um ano de Luas
Onde a sensação mergulha
Embrulhada nos feitiços...

Restolho permanece nas geadas
Dobrado em silhuetas
Para criar ventanias vazias

Mão enrola a Alma
Inconsciente pé
O Paciente desassossego

Coração de bolhas
Acarinha a montanha...
A neve, a fantasia...
Escamas de folhas
Rasgam o que a mão amanha...
Leve, a magia...

Asas do Dragão...
Cristalizo o Demónio...
Voar...