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Wednesday, April 23, 2008

Rendilhado

Chovem rostos perdidos no altar do rio. Agua pura da essência gelada, agua vestida de cigana, agua rendilhada de invocações. Transparência guiada pela Lua, fugitiva no esconderijo, provocada pelos devoradores de serpentes que degolam as veias. Assim o segundo passa a ser eternidade, assim as secretas visões das florestas abandonadas são esfaqueadas pelo silêncio.
O esqueleto constrói muralhas intransponíveis ao olhar. Sensações negras são despidas no olhar da Alma, cobertas dum orvalho de chamas rasgadas nos luares. Murmúrio estrondoso.

Wednesday, May 23, 2007

Maestro

O pescoço do tempo faz chover os seus pergaminhos queimados. As folhas do esqueleto seguem no trilho, instável na pulverização, contorcido no pólen espalhado no ar. O dia choveu tremido com a “neve” a misturar-se no meio das gotas. O ser transportou-se para a paragem sem passagem possível e na noite os caracóis saíram para o caminho. Senti os meus pés a esmagar o inverso do gigante. Tento voar neste labirinto, ao desgaste do medo, ao acasalamento de sémen. “ O Maestro rege a orquestra sem partitura”.

Tuesday, May 23, 2006

AAiii

Hoje acordei a sofrer
Com uma lágrima nos lábios,
Torci o corpo nos lençóis
E abracei a pele nua de rios...

Deixei o vento entrar
No canto das costas,
Só um pouco, porque
Não queria humedecer...

Queria escorrer a lágrima
Para o fundo do poço,
Entrar na minha escuridão,
Penetrar-me neste gemido...

Thursday, March 02, 2006

Rio Tejo

Espreguiçar no tempo restante,
Vastas águas fogem na aragem,
Escorregar o fumo periclitante,
Deambular os sinos encostados à margem...

Vontade de ficar suspenso,
Permanecer nas ondulações desajeitado,
Preto vestido, espírito tenso...
Resistir ao perfume amontoado...

De pé em pé sumir na galé,
Na espera gritante sinto as águas,
Vestes não se querem separar sem fé,
Os lábios escapam-se nas mágoas...

Ostentar as ossadas a uivar,
Gritam os patamares,
A noite aproxima-se a exaltar
Aromas que sobem nos calcanhares...

Vinte e três,
Dois mais três, cinco versos serão,
A lua sobe, sobe,
Cheia, a perfumar as almas...

Friday, February 17, 2006

Amo-te

Amo-te na saudade.........................................linhas
Amo-te nas folhas secas.................................cores
Amo-te pela quente pele................................inferno
Amo-te nas ondas do mar..............................tacto
Amo-te nos nossos sorrisos...........................nus
Amo-te nas danças.........................................melodia
Amo-te entrelaçado nos dedos.....................perfis
Amo-te nas telas.............................................harmonia
Amo-te pela noite............................................fogo
Amo-te na paixão............................................doces
Amo-te nos carinhos........................................intenso
Amo-te no olhar................................................gémeos
Amo-te por entre teus lábios..........................reversibilidade
Amo-te na escuridão da luz.............................essência
Amo-te impregnado.........................................odor
Amo-te na lua prateada...................................espelho
Amo-te em tanto te querer.............................calor
Amo-te no rio a beijar......................................corrente
Amo-te em cada S. João..................................cemitério
Amo-te no túmulo de ossos.............................viagens
Amo-te na rosa vermelha, na tulipa negra....cheiro
Amo-te 23 versos nas montanhas do Chile...encontro

Amo...Amo...Amo...Amo...Amo...Amo...Amo...
Sozinho!!!
Amo-te
(O maior pecado de todos: Amar)