Enquanto a paisagem se desdobra é possível observar o passageiro diurno da folha solta. O pormenor é o seu ponto de fuga, marca atingível pela metamorfose num corrupio de depressões. Afunda-se o que é envolvida pela crença, limiar da fronteira para o redor desabar no dedo afiado que rasga o passado de forma imperdoável. Não há freiras para suster este apocalipse, só o ciclo esboçado no ar pelo terço o consegue fazer saciar o desespero interior que reina no Ser. Existe sempre o resguardo na solidão para aninhar a tenda de silêncios, um caos urbano da fé e da desordem. As duas juntas salpicam o poço até chegar ao momento do adeus em fúria.
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Saturday, October 23, 2010
Monday, July 20, 2009
Sina
O fumo enlaçado no mistério da fusão do mar com o sentido embriagante da carroça das ilusões, aquela que viaja no rodopio de montes na incessante labareda de saborear o momento sublime das sinas. Quando o destino perde o trilho da mão, vira o mundo para a fonte envenenada em que o Amor contagia a lucidez impura. Todas as masmorras têm o seu lugar, no ângulo latente da harmonia e a salvaguardar a definição mais obediente do palpitar transparente; este som rasga a Alma mesmo sem saber o toque da visão. Os condimentos da escravatura não deveriam ser plantadas em Seres que desenham as silhuetas com a sensualidade dos pincéis de vento, assim acontece com Silêncio.
Baseado na leitura da Obra de Didier Comés, Silêncio – 1- A Iniciação e 2- A Vingança.
Baseado na leitura da Obra de Didier Comés, Silêncio – 1- A Iniciação e 2- A Vingança.
Foto da capa do livro, A Iniciação de Didier Comés, tirada da net
Monday, July 21, 2008
Silêncio Nu
A repetição do silêncio obscuro, cujas sensações salpicam os movimentos, atinge a sonoridade do repasto da cripta. Desfiados os momentos de fogo, as ardentes chamas, a pausa do suspiro, a jaula enforcada; pluviosidade dos sinos acorda as fortalezas. Das muralhas o deslizamento das cortinas despidas, clama pela timidez. Olhar fugidio, remoinho nu.
O funeral veste-se de um negro roxo...Envolve-se a atmosfera dentro dum atalho labiríntico até do alto do inferno descair a solidão....A capela, a igreja, a catedral. Balanço das maldições saborosas.
O funeral veste-se de um negro roxo...Envolve-se a atmosfera dentro dum atalho labiríntico até do alto do inferno descair a solidão....A capela, a igreja, a catedral. Balanço das maldições saborosas.
Monday, July 07, 2008
Silêncio
O silêncio é lento, tão vagaroso que da sua ingratidão tem receio. Infiltra-se no submundo de si próprio, âncora de mutações submersas em labirintos faz parte das divagações. As flutuações das arrecadações com terrenos contagiosos encontram-se povoados…
Wednesday, July 11, 2007
Silêncio do Trovão
Força...forca...Força...
Aberto poço da escuridão...
Contagem do declínio...
Desfalecimento...falecimento...
Rega...Chuva...Pluma...
Risco...Rasgo...
Silêncio...
Turbilhão do vulcão...
Rebordo sinfónico...
Imaginação...Vastidão..
Encosto...Entreposto...
Colosso de ossos...
Arrecadação sem arrumação...
Trovejar...
Aberto poço da escuridão...
Contagem do declínio...
Desfalecimento...falecimento...
Rega...Chuva...Pluma...
Risco...Rasgo...
Silêncio...
Turbilhão do vulcão...
Rebordo sinfónico...
Imaginação...Vastidão..
Encosto...Entreposto...
Colosso de ossos...
Arrecadação sem arrumação...
Trovejar...
Friday, March 30, 2007
Ultimado
Encontro raios...
Encontro a insanidade...
Decorar as vestes, desperta os feitiços.
Gota calcada no linho...
Gota sem interesse no vinho...
Adormecer por dentro; por fora a velejar.
Galopar a deslocação sobre o mar
Salienta a vivência acorrentada...
Exilado, o receio fica na prisão.
O carrinho, o silêncio...
Enganado pelas arestas, o beijo fica imóvel.
Rasgo a viagem,
A flexibilidade ocorre sem naturalidade....
Amargurado na imobilidade...
As imagens ficam ausentes...
Parto de mim, sem partir de mim...
Ultimado...
Encontro a insanidade...
Decorar as vestes, desperta os feitiços.
Gota calcada no linho...
Gota sem interesse no vinho...
Adormecer por dentro; por fora a velejar.
Galopar a deslocação sobre o mar
Salienta a vivência acorrentada...
Exilado, o receio fica na prisão.
O carrinho, o silêncio...
Enganado pelas arestas, o beijo fica imóvel.
Rasgo a viagem,
A flexibilidade ocorre sem naturalidade....
Amargurado na imobilidade...
As imagens ficam ausentes...
Parto de mim, sem partir de mim...
Ultimado...
Monday, March 26, 2007
O romance do baloiço...
Girar as correntes em torno do reflexo pendular soa a silêncio provocado pelos galhos nus do som do Inverno. Baloiço a tormenta do corpo num ritmo incendiário, na falha de não ouvir os raios lunares para riscarem a Alma – tropeço no vazio. Segurar as rédeas do soluço faz recuar o eco até às infinitas estrelas suspensas. Movimentos oscilatórios da invencibilidade tornam os sentimentos cordilheiras de barcos a navegar no pêndulo. Danço nas mãos, no imaginário duma criança a brincar num baloiço... O romance...
Saturday, March 03, 2007
Thursday, January 18, 2007
O Velho
Atravessar o vestido
No arco da flecha vidrada
A noite retém o suspiro.
Donde vens velho?!
O Bosque melódico além...
A Capela de pedra que vêm...
Junto ao tronco da dor
Esvoaçado pelo mar,
Dormes tranquilo.
Compasso sem tino nem passo.
O pensamento tem asas negras?!
Unido pelo silêncio do vento
Tua Alma encostada
Faminta ou devorada
Não encontra repouso.
Roda nos socalcos do rio
A loucura virgem sem pio.
Bebes de ti?!
Abandonado ou resguardado
Penetras a palma da mão
A montanha do aconchego
Chega sem florir...
No arco da flecha vidrada
A noite retém o suspiro.
Donde vens velho?!
O Bosque melódico além...
A Capela de pedra que vêm...
Junto ao tronco da dor
Esvoaçado pelo mar,
Dormes tranquilo.
Compasso sem tino nem passo.
O pensamento tem asas negras?!
Unido pelo silêncio do vento
Tua Alma encostada
Faminta ou devorada
Não encontra repouso.
Roda nos socalcos do rio
A loucura virgem sem pio.
Bebes de ti?!
Abandonado ou resguardado
Penetras a palma da mão
A montanha do aconchego
Chega sem florir...
Thursday, December 28, 2006
Vapor
Ouço o barulho do vapor
Sentado...
De leve dou cambalhotas,
Balouço – Dormito a olhar...
Silêncio contínuo a trovejar
Selado como pólen, colorido como pétalas...
Apenas transparente – Silencio...
E corre a semente no pousio
E corre o vento no sabor da espuma
E dorme a corrente do rio
E dorme o advento da pluma
Sentado...
De leve dou cambalhotas,
Balouço – Dormito a olhar...
Silêncio contínuo a trovejar
Selado como pólen, colorido como pétalas...
Apenas transparente – Silencio...
E corre a semente no pousio
E corre o vento no sabor da espuma
E dorme a corrente do rio
E dorme o advento da pluma
Wednesday, December 20, 2006
Orgulho (Parte II)
Não há tempo... Parabéns ao tempo!
A vela arde entre o silêncio e o vazio, enterrada nas campas cheias de flores. Nuns olhos escondidos na terra, o calor desfila nesses dois meios, a prolongar sons que se vão repetindo. Não posso criar lava no tremor do tempo, não tenho tanta magia entre os frios dedos. Esses terrenos sem glória, no perfume nefasto do orgulho, os pés pisam e rebolam nas nuvens de fumo que sai por entre os meus lábios. Faz frio; não dentro de mim.
Os ramos secos são belos, mais verdejantes que o ser humano. Os galhos partem-se e já não se ouve o estalar desses membros, as folhas não estão presentes e ninguém quer saber, os troncos são grossos e os círculos estão torcidos. Olho para a palma da mão, sinto a doçura; olho para a árvore, sinto a vida a pulsar. Só no entrelaçado das vertigens, somente a aspirar minha voz, somente a cortejar meus poros. Tudo funciona assim quando ele quer vencer.
A vela arde entre o silêncio e o vazio, enterrada nas campas cheias de flores. Nuns olhos escondidos na terra, o calor desfila nesses dois meios, a prolongar sons que se vão repetindo. Não posso criar lava no tremor do tempo, não tenho tanta magia entre os frios dedos. Esses terrenos sem glória, no perfume nefasto do orgulho, os pés pisam e rebolam nas nuvens de fumo que sai por entre os meus lábios. Faz frio; não dentro de mim.
Os ramos secos são belos, mais verdejantes que o ser humano. Os galhos partem-se e já não se ouve o estalar desses membros, as folhas não estão presentes e ninguém quer saber, os troncos são grossos e os círculos estão torcidos. Olho para a palma da mão, sinto a doçura; olho para a árvore, sinto a vida a pulsar. Só no entrelaçado das vertigens, somente a aspirar minha voz, somente a cortejar meus poros. Tudo funciona assim quando ele quer vencer.
Não há tempo. Parabéns ao tempo!
Monday, June 26, 2006
Cinzas perfumadas
O silêncio silencia a mente
Num olhar decadente...
Arranquei em busca de cordas
Para segurar o toque materno,
Encontrei o suor sem aventura...
Se no sol árido
Minha Alma se esfumasse
Já estaria com as cinzas perfumadas...
Num olhar decadente...
Arranquei em busca de cordas
Para segurar o toque materno,
Encontrei o suor sem aventura...
Se no sol árido
Minha Alma se esfumasse
Já estaria com as cinzas perfumadas...
Tuesday, May 23, 2006
Flutuar
Fixo o olhar nas palavras,
No rosto torcido da saudade...
Longe dos cabelos perfumados,
Encosto-me ao fogo...
O silêncio flutua,
Não posso olhar o vazio,
Não posso tocar o beijo,
Escolho a escuridão da Lua...
Sei da lei que serei rei...
Dum pó de sangue,
Da água com perfis de escravidão.
Pescoço com osso...
No rosto torcido da saudade...
Longe dos cabelos perfumados,
Encosto-me ao fogo...
O silêncio flutua,
Não posso olhar o vazio,
Não posso tocar o beijo,
Escolho a escuridão da Lua...
Sei da lei que serei rei...
Dum pó de sangue,
Da água com perfis de escravidão.
Pescoço com osso...
Thursday, May 18, 2006
Madeira
Poços de madeira são as mulheres.
Incham os olhos de espanto...
Rasgam e raramente penetram...
Sangram ouvindo o silêncio...
Não tenho nada para oferecer
Daquilo que verdadeiramente querem...
Apenas deixo escurecer
A ausência da viagem...
Tudo é mera ilusão...
Incham os olhos de espanto...
Rasgam e raramente penetram...
Sangram ouvindo o silêncio...
Não tenho nada para oferecer
Daquilo que verdadeiramente querem...
Apenas deixo escurecer
A ausência da viagem...
Tudo é mera ilusão...
Tuesday, March 21, 2006
Página branca
Encontrei minha página em branco no canto da cama. No esqueleto das pontas entreabri as reticências, rasguei as sombras, e olhei cada milímetro de espaço que molhava os lençóis. Vislumbrei o cavalo de dorso doce na miragem da folha em branco. Lacrimejei, de gota em gota à espera de ouvir o casco a levar-me pelo horizonte de silhuetas, a dobrar as crinas chicoteando o destino. O som de longe fugia para o fundo da cama, num cruel abismo. Uns passos largos de folhas em branco...
Wednesday, February 22, 2006
Gelo Nu
Flores que trespassam o orvalho
Desassossegada pétala que pinga,
Moldes de nus estendidos
Nesta fresca manhã...
Som árduo do silêncio
Na semente da paixão,
As mãos roçam no ar
Enquanto só, fica o coração.
Sufocado em ti desabrocho,
Orvalhar, molhar, ficar,
Resplandecer nos banhos
Gelo nu, palpito...
Desassossegada pétala que pinga,
Moldes de nus estendidos
Nesta fresca manhã...
Som árduo do silêncio
Na semente da paixão,
As mãos roçam no ar
Enquanto só, fica o coração.
Sufocado em ti desabrocho,
Orvalhar, molhar, ficar,
Resplandecer nos banhos
Gelo nu, palpito...
Monday, February 20, 2006
Estreito Amar
Presenteio-te com a minha alma,
Ofereço-te a minha nudez,
Ornamentos despidos varrem o frio
Noites que outrora brilhavam.
Silêncio magro na plumagem
Evado as covas dos riachos,
Irónico sentido de amar
Na névoa exilado.
Estreitos e imponentes ossos
Muralhas que encharcam o ventre
Tenho a vida em ti,
Como o caminhar enterrado em mim.
Ofereço-te a minha nudez,
Ornamentos despidos varrem o frio
Noites que outrora brilhavam.
Silêncio magro na plumagem
Evado as covas dos riachos,
Irónico sentido de amar
Na névoa exilado.
Estreitos e imponentes ossos
Muralhas que encharcam o ventre
Tenho a vida em ti,
Como o caminhar enterrado em mim.
Saturday, February 11, 2006
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