Monday, July 30, 2007
Wednesday, February 07, 2007
7Unhas Negras7
Quando se sente o corpo a gelar
A Alma entra em combustão
Agreste sem cessar no meio dos trovões
À espera de ir num sopro do vento árido
De ir num olhar
De correr nas luzes espalhadas
Longe...
Abre-se por dentro os cabos esticados
Uns atrás dos outros
A tentar falar por entre linhas esquecidas
...Fogo de água cai no esboço...
...Uma tela...
...Unhas pintadas de negro...
Saturday, December 16, 2006
Sopro
Gelado, quebrado, vidrado...
Bálsamo de tentações a fumar na bruma.
Torcido, entretido, esquecido...
Armazenar pigmentos nos raios lunares.
Retornais às lanças de círculos, aos pesadelos
Da busca incontornável do pó...
Sentis a vontade ao cair das tentações,
E aí levantais o sopro das falésias...
A minha saliva arde…
E entretanto faço tapetes projectados nas sombras
Num Crucifixo de gelo dissolvido...
Thursday, November 02, 2006
Últimos Poemas Esquecidos De Outubro III
Sacrificaram a intensidade de tragédias
E nas palavras dispersas, rasgaram o vento
No meio de trovões, punindo os dias
Que se perderam num sopro, num alento...
Da noite deflagram fogueiras esqueléticas,
Areias quentes sentidas na moribunda sombra
A enroscar, a contorcer, a esquartejar, esquizofrénicas
Nuvens que se escondem na penumbra.
Os picos singelos vestidos de mancha quebrada
Furam pelo tempo, fardados...Aí ouve-se
Algo....O alisar contraído do vidente...
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Constrangido
Os bordéis são vossas tocas.
Encheis de álcool os excrementos
Em volta de remoinhos,
Engolindo falsos risos.
Do beber trocais
Para do nada fugir,
Para um baú oco com remos ir.
Até que incendiais o fogo,
Humilhais a indiferença
E no Outono tudo vai ver a lareira,
Sem saber onde ela está...
Descalçais a superfície da casca,
Mordendo num toque fugitivo
Ou num abcesso ridículo do olhar...
Fico constrangido dentro da futilidade
Estando felizes, sossego...frio e gelado...
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Ancião Abandonado
Andais a sepultar flores
Em cima das campas que não são vossas;
Acasalais nas fendas das dores
A perdoar humilhações nossas;
Amaldiçoais arder nos vitrais
Por dentro de Almas seladas;
Purificais trocas em poços infernais
Pela memória das badaladas...
Cadáveres gigantes engolirão as cruzes
Do pó empilhado, a seduzir
O ancião abandonado.
Nada restará além da dança das colinas,
Na lembrança esquecida das unhas mutiladas...
Thursday, August 17, 2006
Espreguiçar
Na pele do destino...
Estão cobertos de espuma
A circunscrever o futuro das florestas...
Abertos ou rasgados, voam no alto
Dos montes,
Velas acesas...
Viagem do puro prazer
Da Alma cigana...
Perceber a minha linguagem é árduo...
Pingar no meu orvalho é doloroso...
Mas eu vou...
Voarei nas desconhecidas queimaduras do gelo
Que não ousam penetrar...
Irei lá ao fundo
Onde a chama de mim serenará...
Uma questão do sopro se espreguiçar...
Friday, July 28, 2006
Convés
Degolados na madeira...aldeia...
Cheiro de anestesia
A sacrificar o fumo...
Abana o vento gélido,
No ardor árduo da saliva,
Na transparência oca, molhada nas vestes,
Ardida na devastação
Do odor do mar...
Sou eu a olhar no convés,
A sentir as penas no meu cabelo...
Tuesday, June 27, 2006
Gelo Espalhado
A fraqueza dos caminhos cai nas pedaladas do tempo. Roma ali tão perto e a roda aqui a florescer de escurecimento. Por onde se vira e rodopia, existe as chuvas de pedras que caem no uivo surdo da paisagem. Há certos momentos que os sons do silêncio, dos rasgos sem sentido, das palavras que não saem, dos gestos esquecidos nas asas depenadas, que gira em torno de obstáculos de vitrais fumados...Gelo espalhado pelo mar num barco desgovernado a bolhar, um olhar cada vez mais embalsamado, a montar tendas fragmentadas...Não há remos nesta transpiração, apenas um sono de barbas que não arranha as ilhas desertas. Todos os dias são dias iguais, sem mistura, sem o dom de haver fogos de artifícios. Puxo os cordéis de espuma, liberto fósseis e as velas rompem-se na brisa. Como é possível haver do monte de roma uma onda de telhados estagnados?...E do outro lado fazer a sobrevivência um corte, uma ajuda de fogo nos dedos da mão...A força da dança escondida no meu bolso a centenas de quilómetros de onde uma das minhas saudades fica parado nas penas a esvoaçar...Não consigo...Talvez...Tenho as mãos em gelo.
Matéria de sono adormecido, em que nas trepadeiras arrancadas não consigo olhar para o tecto. As questões de genes que pecam pelas deformações das cores e do seu substrato. O corpo pintado de ferrugem perfuma os pés paralisados a adocicar os paralelos do caminho. Não sei como os galhos conseguem fazer descair os remos das letras simples. Sei somente que os cabelos estão secos da inocência amaldiçoada.
Friday, May 05, 2006
Anoitece no amanhecer
As raízes torrencialmente levantam o inferno...
O beco vazio separa-se
Linhas rectas sem aflição...
Pergunto donde estou...
Pergunto para onde vou...
Pergunto o que sou...
Pergunto à resposta...
Amanhece na terra do gelo
As árvores pingam do céu...
O corredor de chamas funde-se
Nos labirintos do sofrimento...
Wednesday, February 22, 2006
Gelo Nu
Desassossegada pétala que pinga,
Moldes de nus estendidos
Nesta fresca manhã...
Som árduo do silêncio
Na semente da paixão,
As mãos roçam no ar
Enquanto só, fica o coração.
Sufocado em ti desabrocho,
Orvalhar, molhar, ficar,
Resplandecer nos banhos
Gelo nu, palpito...
