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Monday, July 21, 2008

Silêncio Nu

A repetição do silêncio obscuro, cujas sensações salpicam os movimentos, atinge a sonoridade do repasto da cripta. Desfiados os momentos de fogo, as ardentes chamas, a pausa do suspiro, a jaula enforcada; pluviosidade dos sinos acorda as fortalezas. Das muralhas o deslizamento das cortinas despidas, clama pela timidez. Olhar fugidio, remoinho nu.

O funeral veste-se de um negro roxo...Envolve-se a atmosfera dentro dum atalho labiríntico até do alto do inferno descair a solidão....A capela, a igreja, a catedral. Balanço das maldições saborosas.


Saturday, March 10, 2007

Ribeira

Tenho o peito ao vento quente que me atiça a suavidade. As folhas começam a sair, as flores das camélias estão com as cores na direcção dos raios, o crescimento ocorre. O sol entra forte no fim do Inverno, e tudo gira em torno dos sons épicos. O movimento do nu fascina o olhar. Tenho que encontrar uma ribeira para me banhar e colocar a melodia a fervilhar…Uma ferida selvagem num espaço desconhecido…É isso que vou procurar…

Monday, June 05, 2006

Violino

Fecho o lenço ao lençol,
Como a flauta faz ao vento...
Dos rabiscos encravados na pele,
Ponho a música do alento...

Nos grãos de areia montado,
Seguro os pés tristes, colados...
O nu descalço das notas de sereia,
Inundam o mar de sangue...

A brisa melancólica dum violino...

Friday, May 19, 2006

Engoli

Sento-me aqui, sento-me ali...
Aqui não sinto...
Porventura estarei ali...
Engoli o que li...
Perdi as margens de ti...
Dilema do covil
Escondido do meu ser senil...
Dispo-me ali, dispo-me aqui...
Vi...Vi...Vi...Venho-me...

Thursday, May 04, 2006

Sopro

Como queria ficar cego para me ver...
Como queria ficar surdo para me ouvir...
Como queria ficar sem mão para me poder tocar....
Como queria ficar sem olfacto para me poder cheirar...
Como queria ficar sem língua para me poder Amar...

Corpo nu, Alma nua...
Cicatrizes de dor...
Esmagar o meu rosto...
Pesadelos de alucinações...


Os meus sonhos vão-se realizar...
Não! Não! Não! Não! Não!
No som das migalhas enroladas...
Não! Não! Não! Não! Não!
As lâminas afiadas cortarão as velas de sangue...
Não! Não! Não! Não! Não!
Sobre o olhar vazio das maldições...
Não! Não! Não! Não! Não!
Na jaula pernoito a sentir o declínio...
Sopro! Sopro! Sopro! Sopro! Sopro!

Wednesday, February 22, 2006

Gelo Nu

Flores que trespassam o orvalho
Desassossegada pétala que pinga,
Moldes de nus estendidos
Nesta fresca manhã...

Som árduo do silêncio
Na semente da paixão,
As mãos roçam no ar
Enquanto só, fica o coração.

Sufocado em ti desabrocho,
Orvalhar, molhar, ficar,
Resplandecer nos banhos
Gelo nu, palpito...