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Tuesday, April 17, 2007

Velas Molhadas

Dos marmelos apodrecidos
Sangra o espanto do espantalho...
O cesto é colocado junto ao alho
Perguntando à alergia pelos esquecidos...

Volta ao sarcófago de telas
A revirar a camisa molhada;
Torna o sumo a chuvada,
A Alma, os cursos sem velas...

No aberto pântano o peregrino prega...
Prega sua essência aos pecadores sem moradia...

Tuesday, June 27, 2006

Gelo Espalhado

A fraqueza dos caminhos cai nas pedaladas do tempo. Roma ali tão perto e a roda aqui a florescer de escurecimento. Por onde se vira e rodopia, existe as chuvas de pedras que caem no uivo surdo da paisagem. Há certos momentos que os sons do silêncio, dos rasgos sem sentido, das palavras que não saem, dos gestos esquecidos nas asas depenadas, que gira em torno de obstáculos de vitrais fumados...Gelo espalhado pelo mar num barco desgovernado a bolhar, um olhar cada vez mais embalsamado, a montar tendas fragmentadas...Não há remos nesta transpiração, apenas um sono de barbas que não arranha as ilhas desertas. Todos os dias são dias iguais, sem mistura, sem o dom de haver fogos de artifícios. Puxo os cordéis de espuma, liberto fósseis e as velas rompem-se na brisa. Como é possível haver do monte de roma uma onda de telhados estagnados?...E do outro lado fazer a sobrevivência um corte, uma ajuda de fogo nos dedos da mão...A força da dança escondida no meu bolso a centenas de quilómetros de onde uma das minhas saudades fica parado nas penas a esvoaçar...Não consigo...Talvez...Tenho as mãos em gelo.
Matéria de sono adormecido, em que nas trepadeiras arrancadas não consigo olhar para o tecto. As questões de genes que pecam pelas deformações das cores e do seu substrato. O corpo pintado de ferrugem perfuma os pés paralisados a adocicar os paralelos do caminho. Não sei como os galhos conseguem fazer descair os remos das letras simples. Sei somente que os cabelos estão secos da inocência amaldiçoada.

Monday, June 19, 2006

Plim...

Pluveja nesta viagem,
Troveja na margem,
Pedaços de miragem em rostos escondidos.
São assim os olhos queimados...

Serras de fogo enjauladas,
Mergulho nas memórias regadas.
Debaixo do solo, a escuridão descalça.
São as cicatrizes do Oriente...

Sons fúnebres ardem
Em olhos estagnados, vazios...fogem...
Corridas em precipícios de aromas.
São as silhuetas do Chile...

Do Alto para o alto do mármore
A essência perfumada das flores.
Rabisco o banco da formosura.
São o dedilhar das mãos puras...

Menina de sorriso tímido
Toca-me as cordas do violino...
A agitação do coração embala-me.
São poções de subtilezas...

Vagueio pelas ruelas brilhantes
Em misturas embriagadas de fome.
Restos de ossadas que tilintam.
São galhos da cidade maldita...

Preencho o poço dos Prazeres
Na mulher de sorriso largo,
Esbocei um corvo no jazigo.
São pisadas de fogo sublime...

Flutuo as veias no abismo,
O céu rasga-se de trovões
Por estar a violar esta terra...
São estrelas de velas...

Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!

O doce inferno dum trovão
Da chuva molhada...

Friday, May 12, 2006

Hurricane Moon

Dentro das tempestades cai a chuva,
Dentro do fogo rebolam as brasas,
Salpicos inflamados de murmúrios
Num uivo de luz...

Estranhas fontes que serenam
O derramar da cera de pétalas...
O perfume imerso, trémulo...
Os gritos fazem ranger as velas...

Carvão, sedução...
Transpira o ar de prata...
Cadência do céu a olhar
Espaço a enfeitiçar...

Thursday, May 04, 2006

Sopro

Como queria ficar cego para me ver...
Como queria ficar surdo para me ouvir...
Como queria ficar sem mão para me poder tocar....
Como queria ficar sem olfacto para me poder cheirar...
Como queria ficar sem língua para me poder Amar...

Corpo nu, Alma nua...
Cicatrizes de dor...
Esmagar o meu rosto...
Pesadelos de alucinações...


Os meus sonhos vão-se realizar...
Não! Não! Não! Não! Não!
No som das migalhas enroladas...
Não! Não! Não! Não! Não!
As lâminas afiadas cortarão as velas de sangue...
Não! Não! Não! Não! Não!
Sobre o olhar vazio das maldições...
Não! Não! Não! Não! Não!
Na jaula pernoito a sentir o declínio...
Sopro! Sopro! Sopro! Sopro! Sopro!

Sunday, April 16, 2006

Archote

Na terra demente
Muralhas rasgam o afunilar,
Derreter o penetrar fervente,
Esculturar na moldura da fúria...

Carris arrancam do forno
A fervilhar no mesmo Amar,
Ocultar ao lavrar o dar
Mostrar a natureza pura...

Cavar a lendária câmara
Da silhueta da tua vela…
Archotes de gelo,
Paus encravados a iluminar…

Tuesday, April 04, 2006

Cera que arde

O céu escuro de demónios vão,
O vento abrasador de faíscas,
Taciturno resplandecer da combustão
No dorso a cintilar de facas...

São velas que queimam o túmulo,
Cera que ilumina o coração,
Círculos que penetra a paixão,
Chama que fortifica o abalo...

Nos braços, esboço o teu sorriso...
Nos fossos da memória, esculpo-me...
Gravo ao natural o sentimento
Imortalizar a essência da pureza...

Alvoroço do tempero a gravitar...

Tuesday, March 28, 2006

....River....

Cego estou...Triste de sentir...Vermelho de amargura...Olhos escondidos...Altar de velas...Corrida sem destino...Não sei nada...Sei alguma coisa...O rio, mais um rio, aquele rio, o outro rio...Só quero um rio....