Showing posts with label Altar. Show all posts
Showing posts with label Altar. Show all posts

Thursday, May 25, 2006

Grãos de Areia

Um fio de rio da areia espreguiçada a descair nos dedos levantados ao alto, é o que este anoitecer me faz acariciar. No altar mora a espuma desconhecida sulcando miragens de castelos feitos por crianças. Estremecidos nas conchas o vento não pára de bater, a rasgar as curvas destorcidas, a pulsar de emoção. Os grãos de areia são arranhados pelos dedos frágeis que caem, e se afundam na humidade do vaivém das águas do mar.
Risco no céu dourado, cores espalhadas no horizonte, na Rua da meditação, na inocência quebrada, no licor que derrete em céu de mar. Envergonhado pela timidez dos contactos, o rosto volta às profundidades do areal. Arranco grão atrás de grão, escavo tão fundo que deixo de ver a minha mão. Remexo docemente em solo duro, repousando o resto do corpo de lado, estendido, para o castelo. Fico com as cicatrizes, somente com elas, agarrando o meu peito do ardor duma gargalhada. Atordoados frutos da minha mão que se inclinam neste altar, escorre nos cabelos, nas costas, para dentro de mim...Fogo agreste...
Permaneço no esplendor das coisas mais simples, nos actos que em si são mais puros. Roubo a imagem à natureza, ou apenas um pequeno empresto, não o sei. Sei somente que dos frutos do fruto não pode não florir a semente. Só irá nascer um novo amanhecer, e depois um anoitecer. Esse é um dos ciclos das mãos. Não posso tocar em toda a areia, só ela é que pode tocar toda em mim.

Tuesday, May 16, 2006

Altar

No altar dos Himalaias...

Não sei se há flores em canteiros despidos...
Não sei se o perfume das asas chega aos céus...
Não sei se as lágrimas da chuva são vitrais...

Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...

Não sei se os olhos estão cegos...
Não sei se há vontade em mim...
Não sei se há força feita de aço...

Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...

Tuesday, April 25, 2006

Amargura

Nada, Nada, Nada...
Retiro, Tiro, Atiro...
Casulo derretido num ramo perdido,
Na palha seca deposito aranhas...

Vazio, Vazio, Vazio...
Fio, Rio, Pio...
Sonho do altar de chagas,
Mergulhado em banho oco...

o som da luz não esconde a fera da solidão, nem o rosto as cicatrizes do alimento das veias, das folhas secas... na moldura rasgada do vento abre-se o portão do desassossego, as imagens de pétalas choverão os espinhos de amargura... as águas de sangue serão folhagem de lágrimas de ventre esmaltado, acorrentados em infinidades mórbidas, aos horizontes de lagoas dos pântanos malditos do AMOR...
rasga, penetra, sulca, arde...

Tuesday, March 28, 2006

....River....

Cego estou...Triste de sentir...Vermelho de amargura...Olhos escondidos...Altar de velas...Corrida sem destino...Não sei nada...Sei alguma coisa...O rio, mais um rio, aquele rio, o outro rio...Só quero um rio....