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Sunday, June 28, 2009

Mosaico de Salpicos

Mosaico aberto na ventania da chuva, cortinas espalhadas no momento taciturno. Resplandece as gotas no Verão, brilhando nos cabelos arrepiados do escorregar sombrio, toque moldado da respiração. As cores dedilhadas, espelhos penetrantes a rasgar a sentinela dos pincéis. Todos os salpicos intercalam a pintura numa levitação eterna.

Alan Jaras - Light Photography

Sunday, March 15, 2009

Coimbra III

Caminhos torturantes de calor chegam perto dos banquetes dos lagos, víboras sem capuz montadas em carroças de viagens enlaçadas. O xaile das linhas controversas enrosca-se nas apertadas vielas, santuário das fontes a chorar decapitados golpes. A esperança montada nos arcos das cantigas. A sombra comporta-se como luz, penetra descaídas plataformas, soletra a respiração na nota imaginária do rendilhado, voa além do som imaginário.

Saturday, March 01, 2008

Punição de Voar

Será proibição de sentir?
Será aniquilação de sorrir?
Letras cunhadas a mistério
Para misturar o perfumado nevoeiro...

Desfiar
Numa valsa
O aroma escrito;
A chama do fundir
Rebola na reflexão,
Num declínio,
Numa evaporação,
Num círculo rasgado no coração...

Desprotegida luz...
Desamparada escuridão....
Raios cavalgantes...
Voar!

Tuesday, September 04, 2007

Pronúncia Descuidada

Acalento o sossego inquieto junto ao palpitar, um rasgo de murmúrios que bailam ao anoitecer. Coloco a cadeira na varanda, sento o corpo nas escadas de pedra, a noite cai bruscamente como a temperatura que me envolve. Os rabiscos no papel, iluminados pela luz da sala, voam excitados numa pronúncia descuidada. Aprendo a soltar as letras, elas que fazem os números, eles que compõem a sinfonia; as notas, a folha, o corpo quase nu. Despidos os sons, a embriaguez de licores desce sobre a pele...refresco ou doidice...

Sunday, May 27, 2007

Guardador da Luz

A tatuagem que baila no gesto da noite pergunta pelo guardador da luz. Onde está suspenso a corda da vibração pintada pelo vento?
A loucura ceifa a matriz da multidão mecanizada. Sem perguntas, sem respostas, sem a imposição de tais inquisições. O que resta no lameiro onde a chuva não pára de respingar?
Nem na mais densa floresta as questões incomodam o cinzento borbulhar da actualidade. Recreios nus sem velas…

Friday, July 07, 2006

Flechas...

O portão abriu, deixei-te entrar...
O portão fechou, deixei-te sair...

Quente drama coberto com lama...
Oculto frio que gela o rio...
As flechas mutilam o coração
Como o véu cobre o caixão...

A roupa de ossos...

Sim...estou a falar da Escuridão e da Luz...

Tuesday, July 04, 2006

Tecto

Olhei para o tecto,
Rasguei a lâmpada das luzes
E num suspiro engoli-me na transparência...

Tuesday, June 20, 2006

A viagem...

Aberto entre mundos desconhecidos, as asas moldam os papéis queimados. Até o cheiro das cinzas se penetram por essas fendas buscando o leve sentir do tempo. É como se o ruído de polir transparências, fosse uma forma de celebrar a roda do moinho. Todos os pedaços que fogem em salpicos unem-se em sítios separados da Alma. Sei que não posso fazer muito perante um abismo tão profundo, mas sei que em mim existe espaço para que cada cicatriz se incorpore na escuridão da luz. Por mais que o som seja oco, por mais que os olhos não sentem, por mais que os pés não caminham pelo sítio certo, existe prazeres para serem descobertos no meio dum grão de areia.

Wednesday, May 24, 2006

Salpicar

Força de saltar para dentro das asas ganha forma. Um encosto que adormece nesse leve batimento, a salpicar a coloração do demónio. Vejo o céu aberto nesta epidemia de pétalas, como uma ponte a transbordar de luzes. São brincos a brilhar neste arco, num cair de setas envenenadas, estremeço no vento a voar com as penas do desassossego. Só, sempre só...

Tuesday, April 25, 2006

Amargura

Nada, Nada, Nada...
Retiro, Tiro, Atiro...
Casulo derretido num ramo perdido,
Na palha seca deposito aranhas...

Vazio, Vazio, Vazio...
Fio, Rio, Pio...
Sonho do altar de chagas,
Mergulhado em banho oco...

o som da luz não esconde a fera da solidão, nem o rosto as cicatrizes do alimento das veias, das folhas secas... na moldura rasgada do vento abre-se o portão do desassossego, as imagens de pétalas choverão os espinhos de amargura... as águas de sangue serão folhagem de lágrimas de ventre esmaltado, acorrentados em infinidades mórbidas, aos horizontes de lagoas dos pântanos malditos do AMOR...
rasga, penetra, sulca, arde...

Monday, April 03, 2006

AVITAL - ZOHAR

Avital- "pai do orvalho"
Zohar - Luz
Se na manhã das serpentes, o sopro é mais forte do que as ossadas, perguntamos ao orvalho donde vem a força?
AVITAL- A força provêm da chuva que molha e fortifica a cor. O sangue que corre do AMOR, veia de vida, que pinga a resplandecer teu ombro...
Se na noite o corvo dedilha teu manto, perfumando o cálice do destino na escuridão, perguntamos à luz donde vêm a força?
ZOHAR- Vem da magia que se esconde em ti, e que na intensidade ilumina o AMOR, que faz pingar o arco-íris do trevo...
A luz orvalhada...

Monday, March 13, 2006

Searas



Searas douradas flutuam no sol escaldante...

Monday, October 03, 2005

Butterfly

( Eric McCulley )
A cor a desprender dos lábios soltos, das asas arqueadas num arco-íris fumegante. De certeza que se pode ouvir as palavras soltas do tempo, da maresia, das folhas cheias de sentidos, dos ocos troncos nas falésias...Mas qual o sentido de tanta metamorfose?! A transfiguração apenas acontece em harmonia dos ramos que sobem para os céus... A evolução de riscos que marcam, de silhuetas embebidas em círculos, num nu que se afigura na luz. Avistar os arcos da lentidão estonteante.