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Monday, April 06, 2009

Coimbra VII

Cavalgar os carris, enroscar o desamparado apito. O insensato momento abandonado, cadastrado na miniatura do apocalipse, desesperada sala aberta da natureza, corpo dormente encaminhado pela proporcional vertigem. A esperança olvida-se da ingenuidade, a sombra escorre risos de loucura no capa do respeito. Espelho de azulejos germina nos lagos, retalhos encontrados aos soluços do intempestivo inferno, da incoerente ambígua poética. Desagua o murmurar nos cabelos afiados, nos olhos reluzentes.
A mulher relembra o esquecimento da flor, o rio da encosta, cachecol de flor… Trago o abraço.

Tuesday, March 31, 2009

Coimbra VI

Roteiros de números desregulados na veste negra duma saudade, a jarra isolada da madrugada. Sorrisos das lentes captam as silhuetas das gotas, dos perfis que regozijam com a memória do país, a infiltração do compasso regado com a ampulheta das germinações. O nexo chega perto da irregularidade dos pés caçadores das mãos, do rosto esbugalhado de labirintos esculpidos no puro caminhar. O nó calça a memória na nota despida, a timidez aprisionada na sepultura das escritas, romance abraçado pela linha da espada, mão da paixão.

Monday, March 23, 2009

Coimbra V

Havia desassossego no leito da Alma, cana infiltrada em cearas desbravadas com o sopro dos gigantes. Lençóis pintados com o sabor da tela de frutas, rostos acolhidos na suavidade de melhorias sentidas, uma eleição desejada de silêncio. Gritos espessados de correrias, viagem ilimitada do tempo nivelada pelo coberto lenço encapuçado. Não paro quieto no agitar das lamentações, entrelaço os raios assustadores e debruço o abismo no paraíso, voo acima das copas, rasgo as curvas no limite das flechas. Notas flutuantes de ardor. Ilhas de raízes a regarem os sentidos dos dúbios momentos.

Thursday, March 19, 2009

Coimbra IV

Mágoa sentida na espessura da face chega perto das pétalas orvalhadas. Corpo presente na densidade espessa das cancelas sussurra trilhos colocados na muralha ardente da pele. Cabeças roladas na água de suspiros, cortadas em lamentos proporcionais ao gemido de um gemido. Brota um funil para o sossego da melodia das rochas sinfónicas, cálice energético a desaguar no repouso, ferver o centro da respiração, bruma de luares a amanhecer a agitação permanente da nota rendida ao reencontro. Labirinto esculpido, coração formado no pulsar da mão…

Sunday, March 15, 2009

Coimbra III

Caminhos torturantes de calor chegam perto dos banquetes dos lagos, víboras sem capuz montadas em carroças de viagens enlaçadas. O xaile das linhas controversas enrosca-se nas apertadas vielas, santuário das fontes a chorar decapitados golpes. A esperança montada nos arcos das cantigas. A sombra comporta-se como luz, penetra descaídas plataformas, soletra a respiração na nota imaginária do rendilhado, voa além do som imaginário.

Tuesday, March 10, 2009

Coimbra II

Recortes rendilhados, agarrados aos suspiros das esquinas sobrevoam a cidade, a dor dilacerada acomoda-se ao vento tocando a sinfonia dos pés. Ritual acariciado com brandura, dança a borbulhar envolvendo pedidos de verdejantes galhos, assim os pedaços da Primavera envolvem o Ser. Rasgo que sobe nos olhos, deixa a marca sublime das folhagens em alergia, doce toque cantado com o ardor dos pés. Janelas de vielas espalham mistura na dança dos olhos, remoinho a tremer a luz.

Saturday, March 07, 2009

Coimbra I

A natureza saboreia o rio com a corrente a desaguar nas pontes. Fluidez rasgada com a Alma a chegar perto das fracturas, das calmas casas a espreitar os raios solares, da leveza da encosta virada para o céu. Calmo o manto deixa esvoaçar as aves no seu pousio, regando as tímidas cores. Toque a vislumbrar o horizonte, o descampado corredor recolhido aberto ao transbordar profundo do infinito.