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Sunday, March 18, 2007

Cogumelos

Por dentro das roupas secas encontra-se a pele molhada a chamar o fervilhar tremido dos socalcos coloridos. O gesto tranquilo eleva a melodia à superstição do ser iletrado ao simples isolamento do mato. Na terra utópica, escondida na teoria do longínquo, a sabedoria toca os pormenores erguendo a subtileza à magia do sorriso. Há seres que são transpostos para dias que aquecem, enquanto a minha mente pinta outros órgãos. A geometria corteja os cogumelos num passo a perguntar onde se encontra o compasso.

Thursday, March 01, 2007

Doce Demónio

Agora és livre doce Demónio. As correntes da sensibilidade estão cheias de ferrugem e os sentimentos encontram-se afundados em poços sem fundos. Assim não tens que te preocupar em embelezar pérolas de melodias. Soa que isso te sufoca, não é?!­Deixa essa tua realidade de lado, não é isso que as pessoas querem encontrar, muito menos aquilo que poderão fantasiar num mundo de ilusões. As metáforas são difíceis de descodificar, o labirinto sem entroncamentos, o perfume com essências que deambulam com o vento onde encontram ruelas demasiado afuniladas. Os inexplicáveis contornos sentimentais que flúem na rapidez dos segundos são o massacre da memória, por isso és livre neste mundo “civilizado”. Vai dilacerar a tua Alma...

Sunday, December 17, 2006

Melodia

Harmonia de janelas partidas,
Alegria das velas coloridas...

Abri um poço, oco, a neve cai...
Quente pintada, adocicada, maltratada...
Das folhas, secas, galhos nus...
O mar castanho na erva fica,
Montando o manto, cobrindo o espanto...

A melodia ria, enquanto ela dormia.
O dia despia, da noite fugia...
Ó santa e impura inquisição, ainda queimais corpos?!

Thursday, November 23, 2006

Fantasias

Dobradas no dorso do céu...
Rasgadas em paisagens regadas...
As lanças nubladas florescem pecaminosas...

Ruínas de arpões encapuçados...
Repelentes olhos, armação de pó...
Garras dum caixão de perfume...

Fantasias, antiguidades, cor de ventos...
Camadas sobre mundos escondidos...
Suavidades em terramotos...

O som olvida a memória
De braço limado no véu...
A leveza fugidia...

Friday, November 17, 2006

Seduz

Na madrugada, o vapor da espuma toca nos pedaços de cordas a beliscar viagens de fogo que aquecem as velas do prazer. Escavar perfumes entre ramos, incendiar aberturas de chamas, resvalar nos labirintos do ardor. A suavidade da delicadeza penetra os mantos de rugas, abrindo espaços de luta, carregando mar fervorosos, esculpindo sombras de cores. Voar em teimosos ruídos que sulcam tortuosos lamentos, feitos e enlaçados em sorrisos. Veias de fendas feridas, o simples saborear dum sopro, o alento desdobrado em trovões, o imaginário da realidade saltitante. Reconhecer os ligamentos num cheiro, no fim do medo. O suor pestaneja numa melodia!

Tuesday, November 14, 2006

Pêndulo

Acolheram no seio a palavra, a comédia dos sons propagou-se no ar e, entretanto no meio da balbúrdia das folhas que se espalham, existe no berço da árvore a forma duma cadeira que as raízes esboçam. Cravado no tempo as cicatrizes da casca enrugam-se, enroscam-se, as letras tornam-se impotentes e no vento que ondula em torno do tronco que penetra os sentidos, as linhas, a água, tudo escorre para o charco. O pêndulo da pintura abstracta não provoca milagres no meu sorriso. “ Como é possível haver caos no vazio?”. Embalo a ribeira dos sonhos com o olhar, deixando amadurecer a pele das pernas dentro da água estagnada. Repouso nestes segundos do dia, em que o Outono canta melodias, em que as arvores deixam cair suas folhas, em que o meu corpo se deixa aninhar ao sabor da água.

Thursday, February 23, 2006

Dedos

Silhuetas de dedos,
Danças que contemplam os céus,
Esqueletos numa forte melodia
Agregam-se envolvidos no odor.

As almas roçam de dor
Amplo querer, adormecido,
Embebido no esmagamento,
Nos traços da memória.

Leveza, Subtileza, Beleza...
Chuva forte nesta brisa,
Coração que ambiciona entornar-se na dança...
Maldito seja meu ser, por em prisão ter ficado.

Saturday, February 11, 2006

Thursday, October 27, 2005

Há toda a memória

Há livros nos pés,
Há cordas enraizadas na alma,
Há melodias de costumes,
Há troncos de suavidade.

Toda a calma,
Toda a vontade na pelugem,
Toda a raiva de rasgar a pele,
Toda a ternura desfolhada.

Memória de pingar o orvalho na veia do recanto do olho...