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Wednesday, January 10, 2007

Manto de Pétalas

O vento voa nos ramos sem folhas, aberto ao tactear desconhecido, a desflorar o aroma do perfume que rola pela pele. Das manhãs submersas o rio contagia as escadas ao debruçar pelos cabelos à espera do fogo do Inverno. Aquelas chamas envolvem o cobertor do tempo, um abraço de pigmentos dourados salpica o orvalho gelado, cristaliza na mão para ficar colorido no coração. Derrete os dias a crescer, a rasgarem aberturas de espaços e num sorriso leve sai segmentos de flores em terras de feiticeiros. Pegadas alternam ao sabor do caminho e dançam na maresia da espuma. Mais um ano, mais uma flor a crescer.

Monday, August 07, 2006

Números

Na cor de estar tudo indefinido só tenho que seguir o que está correcto. Somente o sonho que é meu, a ambição de voar com asas de papel para entrar em chamas, o caminho da sorte... Sei o que sinto, mas já mais nada interessa nesse campo. Faço o mais belo poema de Amor e assim vou marchando para o abismo do sentimento. Tentarei cumprir a última etapa que tenho para fazer. Espalharei as últimas cinzas neste jardim, com as forças de tempestades, com as minhas mãos de asas...E aí serei, e sentirei a flor de arcos. Interessa sentir o futuro nas suas dimensões floridas.
10 - 23 - 32 - 35 - 40 - 47
1- 19 - 27 -28- 41 - 43


Wednesday, April 05, 2006

Flores do Campo

Hoje acordo e vejo a chuva cair. Sonho que o dia vai ser diferente do outro, tento modificá-lo para melhor estar escrito nele, numa abertura que caiba, num espaço que esteja confortável. Fabrico os cordéis do que sou, somente sabendo que os raios de sol estarão a sair das nuvens. Os fios das linhas penetram cada espaço do espaço que contém. Penso nalgumas silhuetas, e escrevo. São confusões mentais de que apenas a pedra tumular pode ecoar. Reflexos da pedra que não me atraem, por ser apenas reflexos. Os reflexos nada me dizem, eu nada digo. Digo coisas para mim, que para mim fazem sentido, por vezes. São palavras ocas que ecoam. A única coisa que me confunde no meio disto tudo, é que são sentimentos que vem de dentro da alma e não podem ser compreendidos pelas flores do campo.

Wednesday, March 01, 2006

Praça do Chile

Singela chuva que caía nas águas mil,
Brotava dos céus, dos túmulos,
Cada flor espalhava sua cor,
O rio banhava minha vista...

Toque de ouvir a melodia, soou...
Na igreja o som espalhou,
A voz doce entrou,
Logo me cativou...

Praça do Chile, força da natureza,
À espera meus ossos ficaram,
Sentados no banco, cheirar, pingaram,
Escorria a chuva, embriagada de leveza...

Saco vermelho de paixão a olhar,
Para fora dos subterrâneos,
Avistei o amor,
Enrolei o peito...

Pequena feiticeira,
Olhos de camaleão,
Café da saudade,da esquina,
Palavras de néctares trocadas, começou...

Monday, February 20, 2006

Flor de licor!

Pontas soltas, desprendidas,
Cheiro de forte, embriaga,
Corto as letras aos montes.
Brandura de cristalizar as veias.

Recolher o aroma em flor de licor!