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Tuesday, November 11, 2008

L

Um encontro...
Uma pausa...

Sino que toca num compasso apressado, fugidio, não sabe as horas. Toca perplexas as agitações que abriga reconciliando o segundo com o infinito a atear as fronteiras da ressurreição. As freiras sepultadas aleatoriamente no caixão do Amor escutam murmúrios, enquanto o som puro dilacera os vales assombrados. Talvez no profundo do badalar desejam o rasgar intempestivo, o néctar flamejante do desassossego que se apodera do perdão, segmentos da maldição.
Embaraçado no esconderijo cada louco sabe o sentido do orvalho. O que raramente sabe é o porquê da maldição cair dentro da sua Alma, seja ele parte da fantasia ou a própria magia, com trajecto elaborado de silhuetas integra miragens, violinos a deflagrar notas floreais. Do suspiro de sentir fica assolado, sem solução óbvia para guardar o baú das divagações.

Tormento...
Maldição...

Sunday, November 09, 2008

Lo

Juntar cores no altar do desconhecido, juntar círculos enfeitiçados, juntar a poção de sementes prateadas, e num vértice do sentimento cavalgar o horizonte na mão da mutação. Tarefa quando efectuado por um louco requer a dança dos sentidos, ritmado sem busca de algo despropositado à corrente. Ao haver melodia recolhe-se o coração para a expansão, acolhe-se a compreensão para a fuga. Noites de luzes a rodopiar os braços, a esgaravatar o último fôlego dos dedos, contágio da Lua com a escuridão a declarar a revolução das estrelas com os mares. A dádiva dada pelos loucos a quem deseja se impregnar com uma vontade pura...

Dançai...

Friday, November 07, 2008

Lou

Desejar dançar num planalto com tulipas negras imaginárias a descarrilar pétalas nas estrelas. Este trajecto atormenta qualquer louco.
Prever terramotos no céu quando o ninho está aprisionado dentro da cave descampada. Este trajecto recolhe qualquer louco.
Imperceptível dedução condicionada ao espaço submerso, definido pela fronteira do tempo despedaçado. Este trajecto acalenta qualquer louco.
Gradeamento frequentado por círculos de demónios ávidos de sangue, acolhendo a serenidade do caos com luzes de arco-íris. Este trajecto relaxa qualquer louco.
Saltitar no refúgio do sentimento aglomerando pós de sementeira quando faz a colheita com o sopro do fogo. Este trajecto germina qualquer louco.

Refugiados os loucos fortalecem amizade com o trajecto...

Tuesday, November 04, 2008

Louc

A consciência inerente ao abstracto é um factor condicionante, mas mesmo assim perfura a consciência para se tornar inconsciente. Crente no seu voo recorda a idade da sanidade em que povoado de clausuras conseguia ser para além do seu manto, um criador ardente. Quando chega o seu sopro artificial, o refúgio de palpitações enriquece o esplendor do altar de pétalas. Aureola trajada de abismos questionam os troncos mudos. Muito provavelmente estarão inflamados com a magia das cartas.
Com naipes floreados, números de notas esculpidas, arestas de chamas, o transbordar torna-se nítido ao nevoeiro, e dalguma luz que abraça o louco. Cartas de Outono, gemido de gotas.

Sunday, November 02, 2008

Loucu

Quando estagnado no horizonte nublado, circunda os remoinhos, rebola nas folhas, e quando chega a chuva sorri com as palavras do olhar. Pinta telas com a imaginação de outros loucos, utópicos nas paisagens resplandecentes.
Quando colocado na luz decadente do mundo, belo e imponente, partições que se juntam no patamar de poços deslumbrantes, ofusca o gelo revolucionando peripécias de artes decantadas.
Sente ambas de uma forma imaculada. Saltita arrepios no corredor das visões da cegueira, nas visões da infinidade. De repente no manicómio a sua escravatura transforma-se num vento áspero de delicadezas, imperceptíveis aos seus irmãos, muito menos aos “iluminados”.


Wednesday, October 29, 2008

Loucur

O tronco desramado é a imaginação dum louco. Num deserto consegue encontrar a floresta mais densa, num lago mistura divagações para encontrar o silêncio, num grito retalha falésias de suspiros. Faz da ruptura uma energia que bebe sofregamente na concentração fértil das obscenidades.
O ritual aglomerado pela matriz alcançável do riacho infinito faz com que o veludo cobre somente a cicatriz da mão. Nessa viagem os dedos dançam no vento formando gotas de licor. Aí o louco sentencia os lábios no eterno resplandecer da fissura. Bebe desenfreadamente abrindo o fôlego à sua imensidão...

Saturday, October 25, 2008

Loucura

O sopro de feitiços é a ilusão para um louco. Sempre vestido com as folhas só sabe encontrar razão no sentimento, naquela força da solidão. Nem hesita perante os olhos descaídos, nem a revolta das feridas que marcam a sua Alma. Procurará o alimento da imaginação para ser feliz. O louco não habitará ruas povoadas de pessoas, o seu lugar será num labirinto de divagações subtis, percebidas somente pelas grutas vulcânicas do desalinhamento. A forma de estar não é para ser entendida, o ruído dos pés são as mãos, as mãos são ramos das ossadas, sangue de gemidos, irracionalidades para os mortais. Dorme entre as brumas, a buscar o desabrochar das carroças, risco de profundidades superficiais aos ouvidos. O assobiar desse trilho é música de fantasmas, ameaça das sanidades, provocada pelo cordão de cabelos negros. Manchas amordaçadas dos loucos são criações de liberdade, frequentadas por obscenas vontades que ao aproximarem dos puros eles fugirão. Difícil aguentar tal devaneio. Nisso os “iluminados” não desejam ser contaminados por eles, por não pertencerem a tal caminho, nem aos balões de exageros de divindades e demónios que penetram suas mentes. Resta a eles sepultarem um punhal de desejos em si próprios, correntes de chamas provocadoras e devorar florestas com serpentes.
Como podem os loucos entenderem o beijo quando não sabem beijar? Eles não beijam, Amam intensamente as vertigens, incompreendidos sopram a ilusão para dentro da própria Alma.

Wednesday, May 09, 2007

Loucura

A minha rouquidão amedronta os desprevenidos, enquanto que o calor devasta as ruas, e os pés socalcam as brasas que não pertencem a ninguém. Gira em torno dos raios solares o mundo de muitos seres humanos. Entretanto a maioria das pessoas olham-me com espanto. Uso o meu cachecol à volta do pescoço...Alguém está louco...

Tuesday, April 04, 2006

M.A.D.

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