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Wednesday, August 26, 2009

Vinho

A adega das chávenas olha o corredor das tábuas estaladiças. Sente-se no meio do orvalho o sentido tremido do licor, saliente na lareira do piano pingos de tempestade andam soltos, num destino com a misericórdia das asas flutuantes. Sem pestanejar o vento soletra a cegueira nas janelas dos livros, quadrados envidraçados de vitrais, véus em mantos roxos a levitar nas células. Embriagado o odor esperneia na madeira, enquanto o néctar tem sabor das ampulhetas dos demónios.

Foto daqui

Thursday, April 06, 2006

Wine, Lips,...

Os lábios que contornam a doçura do sabor. Sempre a mistura do último paladar que foge por entre neblinas, e se esconde no altar da clemência. Formosura do altar que define as arestas, toques de pureza. Quando os lábios encaixam no impregnar das serpentes, a alma aquece no fervilhar de brasas e envolve o espírito na suavidade do néctar dos deuses. O enrolar da doçura que escorre a dedilhar as entranhas.

Monday, February 27, 2006

Cordilheira

As florestas de árvores delgadas,
Copa enlaçada no luar,
Néctares de raízes enforcadas,
Armadilhadas para amar...

Cordas de galhos enfeitados,
Na saliva de esperar,
Caminhos de sulcos atados,
Compenetrados em cada mar...

Corpos de trapos rasgados,
Não consigo navegar,
Felicidade nos baús fechados,
Dispersos remos a lacrimejar...