Sunday, August 17, 2008

Imperfeição

Mergulho de Lua profana a tristeza.
Os pingos perfuram o espírito
Ao sabor dançante do veneno...
Embalos que devastam a noite,
Sepultando o sorriso dos olhos,
Alimentando a imensidão,
Saciando a imperfeição,
Correndo pelo trilho da solidão.
Repletos corpos, vazias Almas...

Mãos escrevem a resposta!
Pés rabiscam a pergunta!
Vaguear incessante do ser submerso...

Thursday, August 14, 2008

Planalto Melancólico IV

O espairecer das aves chega ao planalto. O voo penetrante ilumina as sombras, rasgando o vento ao pedalar da sobrevivência, o sol ardente bate ao compasso do tempo esmagado pelas correntes. Estrondos anjos bailam na dor do canto melancólico, como se a vontade dependesse unicamente da saudade, dum sopro de notas sobre as folhas, do acolher sussurrante dos odores. Disperso Outono...

Saturday, August 09, 2008

Planalto Melancólico III

Existe sobre o planalto corpos espalhados, desconhecidos e ardentes pelo desejo que a vista alcança. Gigantes com mãos viajantes, anões do lar inflamado aconchegados, delicadas mãos resplandecentes em ambas as partes. Ouço os vazios nas ruelas, apertadas com o odor que escapa das cozinhas das casas, fumo dos céus a manjar a refeição embriagada. O repouso dança no ar, atribulado a pingar de saudade, sereno em oscilações perturbadoras. Progredir envolto num caminhar de fogo.

Wednesday, August 06, 2008

Tempo Infernal

A madrugada acorda divertida...
Um sopro de gemidos...
Umas letras esvoaçantes...

Gigantes a palpitarem sobre as pétalas estendidas...
Teias de veludo...
Aberturas da escuridão...

A dançante descoberta das asas...
A cor espalhada...
Alma vibrante...

Silhueta a temperar o tempo,
Ao ouvir o abismo infernal....
Longe...
Perto...

Monday, August 04, 2008

Planalto Melancólico II

O sentido do gemido repercute-se nas folhas da figueira, junto da porta à espera dos primeiros passos da manhã. Seu fruto sensual abre desejos de saborear a queimadura dum resvalar prolongado. A colecção da mistura das folhas, com pétalas diversas cria o ramo de borboleta. Festejar a natureza no jardim que circunda a casa, tirando o que a natureza possui para o recanto da Alma fervente.


Friday, August 01, 2008

Planalto Melancólico I

A pedra corre desmesuradamente através dos filamentos das ruelas. Pintado sobre o planalto as casas pingam, o vento rasga com delicadeza os cantos, e o calor entra com suavidade nas sombras. Um desmembrar tocante cobre o rosto, agora. Um corte de Alma impregnado, sempre. Escrever as fragmentações do chamamento cria um desalinhamento na pele, águas profundas a brotar uma melancolia bordada na tela. Construção suprema do sossego...

Thursday, July 31, 2008

Fole da Alma

São cortes da Alma decorada
Dentro da superfície rendilhada.
Jamais o som se ouviu tão trovejante
A escorrer para o altar verdejante.
Momentos secos, ventos ocos,
Viagens…

Pulsa diversificado o batimento
Estrondoso…
Arranca o alçapão o movimento
Estrondoso…
Eco espalha-se no vertimento
Estrondoso…

Gemem os portões do desconhecido
Num sufoco ávido do palpitar retido

Fole germinado, coração…
Sopro retalhado, escuridão…
Brilho enfeitado, mão…

Voa
Além
Voa
Para Além

Dentro
Da saudade
Vontade

In N.A.

Tuesday, July 29, 2008

Nostalgia

Anda a nostalgia a bater nos pés. Subo ruas, desço ruas, aninho a escuridão dos passeios nocturnos. Sinto os grilos a uivar com a doçura dos locais conhecidos. O mapa do céu verte horizontes do qual serve de manto ao meu corpo. Pedaços a pingar sobre a pele…

Monday, July 28, 2008

Castelo de Velas

As mãos amanhecem,
Dormentes sobre as folhas;
Propagam castelos...
Propagam a surdez dos mortos...

Saturday, July 26, 2008

Algures

Frescura do fresco monte
Enrola-se dentro da semente;
Ardor do bosque ardente
Reflecte-se dentro do vulcão,
Geme a rendilhada mão
Algures entre poente e nascente…

Monday, July 21, 2008

Silêncio Nu

A repetição do silêncio obscuro, cujas sensações salpicam os movimentos, atinge a sonoridade do repasto da cripta. Desfiados os momentos de fogo, as ardentes chamas, a pausa do suspiro, a jaula enforcada; pluviosidade dos sinos acorda as fortalezas. Das muralhas o deslizamento das cortinas despidas, clama pela timidez. Olhar fugidio, remoinho nu.

O funeral veste-se de um negro roxo...Envolve-se a atmosfera dentro dum atalho labiríntico até do alto do inferno descair a solidão....A capela, a igreja, a catedral. Balanço das maldições saborosas.


Friday, July 18, 2008

Olhar de Lua

Tempo que passa, foge desgovernado.
Arrepiado, flutuando na memória:
Escapa sem o olhar...
Escapa sem ver o mar...
Escapa sem o tocar...

A Lua emaranha-se em silhuetas,
Num pedaço "agridoce"
De estrelas cintilantes, ampulhetas.

O Perfume das pétalas descairá
Sobre a inundação do Ser.
Remoinhos de vibrações
Enchendo poções.

Monday, July 14, 2008

Inquirição

“ Artigo 19º

Passemos ao seguinte artigo

Artigo Décimo Vigésimo”

Colapso cerebral aproxima-se... Stop

“Pois...Pois...Pois”...As galinhas uivam...Stop

Momento de alucinação estagnada é decapitado... Stop

A bicicleta não tem travões....
Cuidado...
A bicicleta é minha....
Oferecida a mim por mim, para mim...
Stop... Stop...Stop...

Thursday, July 10, 2008

Lanças de Raios

Vi dentro do entardecer um remoinho de lanças. Fulminaram o sossego com uma vingança mortal em que diziam:
- Belos bacalhaus... Calhaus...Calhaus...
Cheguei à escuridão dos sentidos. Adeus sol. Chegaste aqui para me esmagar, voltarei para te amaldiçoar...

Monday, July 07, 2008

Silêncio

O silêncio é lento, tão vagaroso que da sua ingratidão tem receio. Infiltra-se no submundo de si próprio, âncora de mutações submersas em labirintos faz parte das divagações. As flutuações das arrecadações com terrenos contagiosos encontram-se povoados…

Saturday, July 05, 2008

Torre

Erguer janelas espelhadas à volta da torre, aliança terrena do reflexo.
Erguer ramificações desabrochadas no contraste sombrio, estendido sobre a perspectiva de caminhar.
Parte do corpo é cortada...Parte do corpo é esvaziada...Parte do corpo é deslocada...

O fluxo geme na correria dos patamares, enlaçado no topo do mundo, no topo do próprio ser. Berço das sensações toca a maternidade... Voar sobre o manto das divindades.

Saturday, June 28, 2008

Longe do Sol

A pétala do calor está a sufocar o licor.
Afastai o sol do devaneio...
Para longe...
Looonnngggeeeeeeeeeeeee....

Monday, June 23, 2008

Caixão incógnito

Fluxo daquilo que não entendo escolhe o lugar do afogamento dos galhos. Estendidos sobre o céu de espinhos o corredor é a incógnita. Som amontoado de nuvens chocam do desejado até ao apogeu do Amor, desfolhado sulco. Calor embrulhado, envolto em ventania, acorrentado à fuga para a leveza misteriosa da desconhecida gruta. Velas de chamas sepulcrais cortejam a cerimónia, gelo dum caixão abraçado. Veludo que penetra as vertigens, alucinando a descida à solidão, ao chamamento da colmeia embriagada. Deflagram terramotos no deserto...

Sunday, June 22, 2008

Brisa

A brisa desfolhada...

Thursday, June 19, 2008

Difusa Lua

Raramente a Lua olha no espelho de mim. O reflexo do permanecer geme num esconderijo que não aguento; um aflito vazio de coisas cheias. São cadeiras esfumadas do desejo encontrado, tocado nos encontros não celebrados. Pego no interior duma divagação, quente ardor do enlouquecido, pauta vaga de notas opacas de transparência. Escrevo para não escutar o silêncio. Escrevo para o requinte dos meus lábios.
Irei embora sem perguntar às janelas a causa de estarem fechadas. Partirei sem o tempo ter masturbado com a vontade as chamas. As cordas repletas da força das exclamações. A chuva de fumo descai no vento. Anoiteço no desespero...
Existe a folha em branco, olhos cruzados de sensações, fogo guardado do talento mágico. Múltiplas acções encontradas na imaginação, no puro vinho que escorre num corpo mutilado. As ideias mergulham a respingar nas paredes dum poço cheio de silvas. És a criação da fuga, a culminar um excerto. Transplante da Alma, transplante do Corpo. Um voar destinado a “melodiar” as orações. A hora difusa da fé...