Friday, June 29, 2007

Tricotar a Lua

À margem da luz tricoto
A vista perdida...
Dos rebordos da luz
Encho as estrelas ardidas...

Enlaço o cesto
A cavar feitiços,
Cavalete de gotas
Que bailam na viagem...

A Lua monta as cordilheiras do tempo...
Desce no soluço dos socalcos...

Thursday, June 28, 2007

Taste my Blood

Por cima das sepulturas o veludo sobe nas silhuetas do rosto.

Encontro sons feitos de incêndios, rebusco a paz flamejada.

“Jesus Christ looks like me.


Rasgar o vestido nu,
erótico paladar que descai nos lábios,
que se enrola no desfilar das notas.
Vou até ti. Devora-me...
Derreto no inferno!

Sunday, June 24, 2007

Type O Negative VII

Tenho os lábios nus, cantos de pétalas adormecidos no algodão. A chuva lava os poros sem cessar, as nuvens embalam a pele, viajo. Pés, mãos, maestro, rego o mar...

Type O Negative
Album:"October Rust"(1996)
Música:My Girlfiend's Girlfriend

Thursday, June 21, 2007

Type O Negative VI

Agreste o som que mora no refúgio petrificado da existência. A brisa enfurece as faíscas, o sol devasta as lâminas do jasmim, cores de explosões descritas no imaginário de um odor. Desço a cortina do nublado espanto, desperto para arranhar o nevoeiro do enlaço quente. Calor vestido com trapos de chamas, enforcado ou enfurecido...” Blowin' through the jasmine”



Type O Negative
Album: "Bloody Kisses" (1993)
Música: Summer Breeze

Sunday, June 17, 2007

Type O Negative V

Rachadas de chuva brotam na face a espernear o vento, agreste como a leveza. Noutro segundo tudo se modifica, e aí bate clarões de luzes virando do avesso o esfrangalhado relevo ao toque dos gritos sublimes de espanto que chegam num surpreendente pintalgar. Dançar no Outono para espalhar a vida de retenção, trespassando o fogo da lareira. O traje do santo sepultado espanta os náufragos das velas dormentes, regar silhuetas dos braços ondulantes, ao cavar lágrimas do rejuvenescimento...” a bed of autumn leaves”


Type O Negative
Album:"World Coming Down" (1999)
Música:Hallow's Eve

Wednesday, June 13, 2007

Type O Negative IV

Dispo a pele molhada da saliva. Tenho o perdão das chamas mergulhadas no corpo da eternidade. Os cabelos deslizam suavemente no clímax, acorrentados ao roçar frenético dos quentes lábios. Dor que sufoca o atormentar do prazer, da humidade do corte flamejado, rasgado, os devaneios que adocicam o inferno.
As brasas limam o êxtase, carícia tocada pela extremidade, ardor munido de descontrolo. A loucura apodera-se das paredes que se derretem.
A lança penetra o fogo, a clamar pela ossada pernoitada nas profundidades do campo nu...” Inside of her - deep inside of her”

Type O Negative
Album:"Bloody Kisses" (1993)
Música: Machine Srew & Christian Woman

Sunday, June 10, 2007

Type O Negative III

Do poste abandonado os trovões despedaçam a madeira desfolhada. Trocadilho de cabelos enrolados à volta do pescoço sem ouvir o pestanejar da solidão. Sussurra por entre a pele enlaçada, aberto pântano, rouquidão fortalecida ao patinhar dos vapores das soltas notas. Avisto os abandonados dos naufrágios com remos feitos de folhas que o mundo não se esquece de amedrontar. Curto tempo da força jamais leva a forca ao seu desmaio. A morte apadrinha os seres, a convivência torna-a o suplemento da vontade em amar. Sustento em querer viver…” I still dream”



Type O Negative
Álbum:”World Coming Down” (1999)
Música:Everything Dies

Saturday, June 09, 2007

Type O Negative II

Embrulhei vidros neste desejo mortal da evaporação. Faço parte da lei seca, do deserto esventrado do Outono; um circo de lamentações que aniquilam o pigmento do sofrimento. Sirvo de alimento ao demónio das purezas, do qual ele se aprisiona na liberdade concedida. Meus lábios estão ajoelhados ao Amor, morte santa; moldura corrida ao vento passado. Tenho passos sem fim de onde não estou, para onde passou o que já ficou. Seguro o ramo da vela queimada, floresce o chamamento da partitura…Virá num manto, vinho tinto…” one hundred candles burning”





Type O Negative
Album:"October Rust" (1996)
Música:Love You To Death

Type O Negative I

O fúnebre olhar envolve-se na neblina. Nada do olvidar pode dormir sobre estrados de madeira para não apodrecer sobre a miragem. O caixão aberto com pétalas esquecidas rasga os patamares de cada perfume. Quebrar o sufoco chama os feitiços dum corpo nu, fracção do riso das lágrimas, recanto aleatório do forno da Alma. Perfurar o orvalho da noite, mistura de Lua, profundezas de lobos, dimensões com cortinas de verniz. As cinzas põem o vestido do fogo num sopro de desejo...” Dye em black.”


Type O Negative
Album: "Bloody Kisses" (1993)
Música: Black No. 1

Thursday, June 07, 2007

Wednesday, June 06, 2007

Inferno

O terror encontra-se amedrontado
na esfinge do sentimento.
A introspecção da fuga quotidiana.

Thursday, May 31, 2007

Pânico

Molho o arpão da saudade
Num frasco de notas floridas;
O esquecimento perdido está,
A lembrança cavada cairá.
Nada do ser recolhe as trincheiras.
O pânico evapora o medo
Comprimido pela luz,
Seco de esperança...
Olho teu brilho,
Enlaço a silhueta.
A lágrima descai
Pesada Alma, restolho...
Ouço o barulho do silêncio da Lua...

Tuesday, May 29, 2007

Cavalo de Fogo

Nos confins do céu nublado o condenado é expulso do território. Avançar sobre as fontes espalhadas com os pés no bolso. Rara moldura não conseguirá morder o horizonte, nem do vento ouvirá tremer os lábios, nem da cauda se ouvirá o ranger. Da lava incandescente o corpo diluir-se-á para o fumo o envolver e o levar nas catacumbas da memória. O fogo arde no Demónio.

Sunday, May 27, 2007

Guardador da Luz

A tatuagem que baila no gesto da noite pergunta pelo guardador da luz. Onde está suspenso a corda da vibração pintada pelo vento?
A loucura ceifa a matriz da multidão mecanizada. Sem perguntas, sem respostas, sem a imposição de tais inquisições. O que resta no lameiro onde a chuva não pára de respingar?
Nem na mais densa floresta as questões incomodam o cinzento borbulhar da actualidade. Recreios nus sem velas…

Friday, May 25, 2007

Caracóis

Eles bem tentaram fugir mas eu fui mais rápido LOL

Wednesday, May 23, 2007

Maestro

O pescoço do tempo faz chover os seus pergaminhos queimados. As folhas do esqueleto seguem no trilho, instável na pulverização, contorcido no pólen espalhado no ar. O dia choveu tremido com a “neve” a misturar-se no meio das gotas. O ser transportou-se para a paragem sem passagem possível e na noite os caracóis saíram para o caminho. Senti os meus pés a esmagar o inverso do gigante. Tento voar neste labirinto, ao desgaste do medo, ao acasalamento de sémen. “ O Maestro rege a orquestra sem partitura”.

Sunday, May 20, 2007

Santa Maria da Feira - Teatro de Rua

A Lua fazia de baloiço à estrela numa noite de fria Primavera. Escalar a história na pura imaginação do riso, uma subida tão íngreme que o cantarolar da versatilidade descai pelos trapos das cores. Tantos instrumentos num corpo fazem a sinfonia ser o precursor das alturas. Todo o círculo ambienta-se ao desfilar das notas musicais. Plim…Plim…Plim…

Palhaços de machado e faca na mão esmagam de susto a personagem da cruz. O balão arrebentado, o copo com água invisível, a palmada que voa sem superfície, a mala de viagem sem bilhete, ou a maquilhagem na ponta do nariz vermelho!

O foco corrompeu as Almas presentes, incendiando a água, chamando os gritos das chaminés. Rolaram cilindros dos cereais na balança indestrutível do temporal das labaredas. Chiam os ferros que queimam a pele, arde o corpo com troncos descalços que clamam mais chamas.

Oito pessoas brincam numa esfera criando uma malabarismos de esqueletos. A dinâmica flúi no sabor do ar. Enquanto eu entretenho-me a tentar tocar num balão solto...

Saturday, May 19, 2007

Garrafa

Um abraço duma bebida que se encontra na garrafa no incondicional segredo resguardado da ténue brisa. O vidro mostra a transparência. O líquido molda o brilho da sua criação, e a suavidade de quem o quer beber fica suspenso ao saber o que irá acontecer depois de o deglutir. Não deixa de ser verdade que algo que toca o suspiro, voa sobre os glaciares. Encontrar cada recanto para deslizar e observar os rasgos no caminho. Sentir!

Friday, May 18, 2007

Sagradas Mãos

Os instantes são flechas do mergulho sagrado, reflexo da paisagem misturado ao orvalho do paladar, um sumo que ao vento faz eclodir a memória. A sensação povoa espaços desconhecidos como o calor atormenta a pele que ferve. São cavidades na porta, percorridas no tacto do devaneio. O terror das mãos apreendidas dança no espasmo da lentidão.


Wednesday, May 16, 2007

Gelo

O gelo pingado do demónio