Monday, May 04, 2009

Atmosfera Nublada

Idolatrar o nome “desconhecido” provoca no Ser o embaraço do contágio. Daquele abraço que toca o enigma, inferno temperado em pedaços de licor, escorregar no remoinho é o permanente olhar. Existe o isolado trilho, corredor de chamas metafóricas, tudo misturado num apocalíptico jardim de espelhos flagelados de carícias. Quando o jazigo geme, o Ser treme de frescura, imóvel levitar das sensações.

Saturday, May 02, 2009

Silhueta

Esbocei um riso melancólico na face do enigma, um desalinhamento obscuro de pés calcados de pincéis dóceis. Levantou-se a poeira dentro dos olhos, rabisco envolto na camada mais pura do subsolo, as silhuetas gemem, as notas badalam a Alma numa percussão perfumada…

Wednesday, April 22, 2009

Para ti Amigo Zé

A Alma sente o voo dos teus braços. Asas soltas na dor, soltas na recordação dos momentos. A porta range, as janelas sopram a saudade, a mesa despida tem os olhos presentes, a cor do vestuário é o som da terra, os rasgos da parede ecoam a vida soluçante. O enlaço da energia repousa freneticamente no desconhecido da lembrança, um tempero a rasgar o Ser, a dar sustento ao abraço. Cada gota elevada aos pergaminhos de voltas geme de envolventes recordações, acolher o canteiro florido, regar para depois temperar remoinhos de sensações. Colher o fruto, deixá-lo amadurecer com toques de levitações, espalhar as erupções espalhadas pelo Amor. Momentos vividos, momentos que fazem a mistura ser um prazer único, momentos para acarinhar, a partilha. A existência dessa essência faz o trilho uma ondulação que se abraça, forte e com o ardor da pureza.
Um abraço

Tuesday, April 21, 2009

Terra

A terra imana sua Alma na fé das mãos buscarem o manto de remoinhos. Entranhar o odor dum pequeno sopro de ondulações. Rasgar para depois voltar a colocar no devido lugar, toque que esboça perfumes a lavrar o descanso caótico da germinação, até que se ouve a rendição da pureza à dádiva dos cânticos entregues. Várias flores aproveitam a liberdade entretida.

Thursday, April 16, 2009

Noite Branca

Noite branca de trovões entrelaça o estrondo.
Aqui no meio das gotas espalha-se a cor das brumas.
Ali no manto do vento recolhe-se o cântico das silhuetas.
Dia escuro de raios afasta o silêncio.

Sunday, April 12, 2009

Amável Alves Antão


A madeira suspira pelo toque embriagada das mãos. Soletra a força da criação, abismo de emoções que sobrevoa o recorte da imaginação. Cada recanto leva o sopro nas linhas da liberdade, das silhuetas abertas ao resplandecer da curva colhida. As mascaras ganham vida, veia a transbordar o sangue da metamorfose.


Exposição de: Amável Alves Antão, Bragança. Se tiverem curiosidade consultam o blog que tem mais mascaras e com qualidade fotos melhor eheheheh

Thursday, April 09, 2009

TRISTESSE DE LA LUNE

TRISTESSE DE LA LUNE

Ce soir, la lune rêve avec plus de paresse;
Ainsi qu'une beauté, sur de nombreux coussins,
Qui d'une main distraite et légère caresse,
Avant de s'endormir, le contour de ses seins,


Sur le dos satiné des molles avalanches,
Mourante, elle se livre aux longues pâmoisons,
Et promène ses yeux sur les visions blanches
Qui montent dans l'azur comme des floraisons.


Quand parfois sur ce globe, en sa langueur oisive,
Elle laisse filer une larme furtive,
Un poète pieux, ennemi du sommeil,

Dans le creux de sa main prend cette larme pâle,
Aux reflets irisés comme un fragment d'opale,
Et la met dans son coeur loin des yeux du soleil.

Les Fleurs du Mal - Charles Baudelaire

LA BEAUTE

LA BEAUTE

Je suis belle, ô mortels! comme un rêve de pierre,
Et mon sein, où chacun s'est meurtri tour à tour,
Est fait pour inspirer au poète un amour
Eternel et muet ainsi que la matière.

Je trône dans l'azur comme un sphinx incompris;
J'unis un coeur de neige à la blancheur des cygnes;
Je hais le mouvement qui déplace les lignes,
Et jamais je ne pleure et jamais je ne ris.

Les poètes, devant mes grandes attitudes.
Que j'ai l'air d'emprunter aux plus fiers monuments,
Consumeront leurs jours en d'austères études;

Car j'ai, pour fasciner ces dociles amants,
De purs miroirs qui font toutes choses plus belles:
Mes yeux, mes larges yeux aux clartés éternelles!

Les Fleurs du Mal - Charles Baudelaire (nasceu a 9 de Abril 1821)



A linha desbota odores que são vislumbrados pelos círculos suturados. Alguém se aconchega no canto mórbido do terraço, pessoa de olhar tímido a tocar as notas do encanto. Regresso da pedra fragmentada no coração rezado, onde afiados espíritos mergulham, encarna o Ser no estímulo divagado. A reticência do fantasma devora o instante, caixão coberto de pétalas do escurecer. Toque a rasgar o espelho…

Monday, April 06, 2009

Coimbra VII

Cavalgar os carris, enroscar o desamparado apito. O insensato momento abandonado, cadastrado na miniatura do apocalipse, desesperada sala aberta da natureza, corpo dormente encaminhado pela proporcional vertigem. A esperança olvida-se da ingenuidade, a sombra escorre risos de loucura no capa do respeito. Espelho de azulejos germina nos lagos, retalhos encontrados aos soluços do intempestivo inferno, da incoerente ambígua poética. Desagua o murmurar nos cabelos afiados, nos olhos reluzentes.
A mulher relembra o esquecimento da flor, o rio da encosta, cachecol de flor… Trago o abraço.

Friday, April 03, 2009

Liberdade do Orvalho

Cavalgar contigo na natureza selvagem, ciclos acolhidos na época da liberdade. Celebrámos o trilho com o jeito abraçado, caímos de cansaço na borda da estrada olhando o rio com a sua frescura. Até saltitar nas gotas de licor que caem do céu conseguimos partilhar, dança da qual a pureza acarinhava o entrelaçar. Juntos retalhados sobrevivemos aos mantos coloridos, geometria da comunicação do coração, vento de trovões a resguardar o orvalho dedilhado ao toque sublime onde galhos despidos com folhas faziam descair o perfume das levitações caóticas. Saudades!

Tuesday, March 31, 2009

Coimbra VI

Roteiros de números desregulados na veste negra duma saudade, a jarra isolada da madrugada. Sorrisos das lentes captam as silhuetas das gotas, dos perfis que regozijam com a memória do país, a infiltração do compasso regado com a ampulheta das germinações. O nexo chega perto da irregularidade dos pés caçadores das mãos, do rosto esbugalhado de labirintos esculpidos no puro caminhar. O nó calça a memória na nota despida, a timidez aprisionada na sepultura das escritas, romance abraçado pela linha da espada, mão da paixão.

Friday, March 27, 2009

Pássaros de Flores

Desfrutar os olhos, salpicar o dorso da frescura:

As cores semeiam a Primavera, adornam as pétalas a descair odores. O gemido dos pássaros canta a energia a brotar da terra, levando sonhos aos corações dos céus. Portas abertas aos raios, ao equilíbrio da noite com o dia superam a criação no pigmento das correntes dos trilhos. A leveza do vento toca os trovões extensos, arco-íris plantados no horizonte, arcos brandos de assobios catapultando viagens de remoinhos. Assim meu Ser saboreia a estação das flores, pintar os cabelos na palma da mão.

Monday, March 23, 2009

Coimbra V

Havia desassossego no leito da Alma, cana infiltrada em cearas desbravadas com o sopro dos gigantes. Lençóis pintados com o sabor da tela de frutas, rostos acolhidos na suavidade de melhorias sentidas, uma eleição desejada de silêncio. Gritos espessados de correrias, viagem ilimitada do tempo nivelada pelo coberto lenço encapuçado. Não paro quieto no agitar das lamentações, entrelaço os raios assustadores e debruço o abismo no paraíso, voo acima das copas, rasgo as curvas no limite das flechas. Notas flutuantes de ardor. Ilhas de raízes a regarem os sentidos dos dúbios momentos.

Thursday, March 19, 2009

Coimbra IV

Mágoa sentida na espessura da face chega perto das pétalas orvalhadas. Corpo presente na densidade espessa das cancelas sussurra trilhos colocados na muralha ardente da pele. Cabeças roladas na água de suspiros, cortadas em lamentos proporcionais ao gemido de um gemido. Brota um funil para o sossego da melodia das rochas sinfónicas, cálice energético a desaguar no repouso, ferver o centro da respiração, bruma de luares a amanhecer a agitação permanente da nota rendida ao reencontro. Labirinto esculpido, coração formado no pulsar da mão…

Sunday, March 15, 2009

Coimbra III

Caminhos torturantes de calor chegam perto dos banquetes dos lagos, víboras sem capuz montadas em carroças de viagens enlaçadas. O xaile das linhas controversas enrosca-se nas apertadas vielas, santuário das fontes a chorar decapitados golpes. A esperança montada nos arcos das cantigas. A sombra comporta-se como luz, penetra descaídas plataformas, soletra a respiração na nota imaginária do rendilhado, voa além do som imaginário.

Wednesday, March 11, 2009

Navegar Lunar

Corpo dormente enfrascado…
Alma de cânticos…
Luar abraçado num suspiro.

A Gota flutuante navega!

Tuesday, March 10, 2009

Coimbra II

Recortes rendilhados, agarrados aos suspiros das esquinas sobrevoam a cidade, a dor dilacerada acomoda-se ao vento tocando a sinfonia dos pés. Ritual acariciado com brandura, dança a borbulhar envolvendo pedidos de verdejantes galhos, assim os pedaços da Primavera envolvem o Ser. Rasgo que sobe nos olhos, deixa a marca sublime das folhagens em alergia, doce toque cantado com o ardor dos pés. Janelas de vielas espalham mistura na dança dos olhos, remoinho a tremer a luz.

Saturday, March 07, 2009

Coimbra I

A natureza saboreia o rio com a corrente a desaguar nas pontes. Fluidez rasgada com a Alma a chegar perto das fracturas, das calmas casas a espreitar os raios solares, da leveza da encosta virada para o céu. Calmo o manto deixa esvoaçar as aves no seu pousio, regando as tímidas cores. Toque a vislumbrar o horizonte, o descampado corredor recolhido aberto ao transbordar profundo do infinito.

Wednesday, March 04, 2009

Antonin Artaud


"Não se deve deixar que as resistências de uns, a incredulidade de outros e sobretudo o medo das reacções do público nos façam renunciar À ideia que tivemos, nem nos impeçam de extrair o máximo dela. "

"Se existe ainda alguma coisa infernal e verdadeiramente maldita nestes tempos, é o deter-se artisticamente sobre as formas, em vez de agir como os suplicados que são levados ao fogo e que abençoam suas fogueiras. "

"Tudo treme, geme, como se fosse uma vitrina anormalmente abarrotada. Uma paisagem que presente a tempestade chegar; objectos, músicas, fazendas, trajes perdidos, sombras de cavalos selvagens passam no ar como meteoros longínquos, como o raio sobre o horizonte repleto de miragens, como o vento que se inclina, veemente, aos rés do solo num clarão precursor da chuva e dos seres."



"E no entanto, com a sua violência absurda, seu olhar perdido e seu quase indisfarçável furor, ele nos transporta par além do bem e do mal, até um deserto onde a sede do sangue nos queima."

Morre em Ivry, no dia 4 de Março de 1948, Antonin Artaud


Monday, March 02, 2009

"Sacrifício"

O som dos pequenos bosques germina o cantarolar do lago isolado. Enroladas músicas da solidão espalhada desdobram os olhos cruzados com o vento a bater sossegadamente no tempo. Escolher o labirinto insano de regar o seco “pé” cortado, excluído do interior devastado. O contemplar das chamas toca a simplicidade do pó, resquícios da loucura do último suspiro vagaroso, da corda de remoinhos a calçar a vastidão terminal das gerações. Correr, deambular...