Monday, November 02, 2009

Lágrimas Lunares

A terra queimada pela sombra rejuvenesce os vales selvagens das montanhas escarpadas, curvas delineadas em vertigens apocalípticas no vértice do império das noites lunares. Turbilhão de mantos a uivar gritos velozes, trepam pelas silhuetas das danças até ao sussurro dedilhado da metamorfose, violações incessantes ao compasso da Lágrima entranhada.

Saturday, October 31, 2009

Carpinteiro

Quando o carpinteiro da água benta soletra as folhas no buraco do tempo rasgado, existem masmorras a descair na Alma dos ausentes. A madeira está misturada nos filamentos do corpo, ranger das badaladas tritura o espaço das veias pintadas. Sente-se a vertigem dos ponteiros laminar o entrelaçar do voo das portas, abertura do qual a respiração escuta a cadência da sensualidade. Murmúrios infiltrados nas telhas decorram o momento das gotas aflitas, aquele fluxo embalsamado.

Monday, October 26, 2009

Dead Train

A locomotiva dos mortos é cega no seu trilho. Cada galope serpenteia o desconhecido, além da imaginação do esboço encapuçado. Não há fuga possível dentro das masmorras; os corredores caçam o pó; o pó degola os números; os números ficam perturbados na alucinação enigmática. Encontra-se uma brisa no céu, cada nuvem provoca gotas de sangue, murmúrios subtis a gemer os olhares cruzados das grades; apertado laço dos mortos sobrevive as explosões.
Nas profundezas, os Seres sentem-se enforcados, uma agonia a triturar o galope da locomotiva num incessante respirar de um palco inacabado.

Foto Daqui

Thursday, October 22, 2009

Abismos de Sons

Baú cheio de frascos

Tsimmmmmmm (Prolongado)

As pétalas no orvalho das serenatas,
A vastidão rouca grita no caos

Pim (Profundo)

Ensurdecedoras grades da liberdade
Dentro dos refugiados,
Inalcançável Poder da criação

Pim Pim Pim (Gota sonora)

O abismo emocionalmente perdido
Nos toques do infinito
Serpenteia a captação selvagem da lava

Slim Raspim Slim
Tlim Tlim Tlim (Sino uivante)

Fluxo de sinos a pingar o terror das Almas
Sons uivantes a ruminar relâmpagos

Chaplim Chaplim Chaplim (Toque no charco)

Thursday, October 15, 2009

Monólogo

Quando na fronteira das mesas redondas os olhos cruzam murmúrios, existe a inquietação dos caracóis num deambular fumegante das acções. O sopro do instinto consegue perfurar o algodão salpicado, em infinitos instantes, em efémeras gotas ardentes. Consegue-se aos poucos vislumbrar a chama do sossego, a conversa do silêncio com ele próprio, o bater dos raios fulminantes na dobradiça das rodas esvoaçantes. A carcaça do tronco esbelto dedilha mantos na casca dos ponteiros, pousados nos berlindes coloridos da mente.
Por isso cada veia do Ser jamais está mergulhado num monólogo, alimenta-se e sacia-se sempre do labirinto na borda selvagem das pontes com as correntes de licores escavadas ao relento da nudez.

Imagem tirada da net

Wednesday, October 07, 2009

Rezar

Ontem à noite comecei a mudar de religião, duma forma brusca para o qual pensava que só poderia acontecer a uma hora incógnita, mas aconteceu às 22:33. Nesta súbita mudança de minutos não poderia suster a respiração devido ao raio que me atingiu, esta metamorfose irreversível de que nem a fé concentrada na minúscula área adjacente ao fio da barba branca teve alguma importância. Esta fé que me catapultou para um patamar de oração à árvore do óbvio destilar do significado do além, um deslocamento proveniente das subtilezas para chegar ao desconhecido cambalear dos sentidos. Rezo agora em cima da nuvem no inferno do sossego, onde a religião que cativa os poros dos gemidos é o nevoeiro, a própria invasão do brotar.

Wednesday, September 30, 2009

Carroça de Cordas

As portas estão manipuladas por cordas invisíveis, daquelas feitas de licores roxos envenenadas, tão saborosas que se abrem com a ventania do dorso das escadas. Incompreendido pela memória, o abre-latas chove poeiras sobre o papel, som entretido aos rascunhos das sementes do além. A carroça prepara-se com a tremenda vontade de a encher com magias, e com aquelas estaladiças divagações que fazem os sorrisos serem o palco dos voos saltitantes.

Imagem tirada da net

Tuesday, September 22, 2009

Ferve Outono

Sopro das folhas despidas corre no manto das mais belas cores. Dentro delas existe os fumos dos remoinhos a fazerem danças, badalam os sinos arrepiados na cordilheira, onde a rudeza dos seus vultos amaciam o gemido da leveza. Nos rasgos do Outono ferve sempre o odor enlaçado dos sons virgens, a água penetrante rega o último sumo das frutas, enquanto o licor das pétalas geme dentro dos troncos nublados de orvalhos a sua vontade de enlouquecer por entre cogumelos a esventrar o molhado saltitar dos pássaros.
Esta essência estremece o vento até ele sulcar rabiscos da ribeira por entre colinas desconhecidas aos olhos, mas entranhadas aos sentidos. Na mistura aponta-se para as estrelas para elas deixarem cair seus filamentos no perfume da Alma, no caos das silhuetas.

Tuesday, September 08, 2009

Oxigénio para o Génio

Pegar fogo na fotografia do desconhecido, pendurar as cinzas no orvalho da manhã incógnita. Enquanto se ouve o repouso dos pássaros no horizonte o mergulho da aurora canta melodias, reunindo cada pétala do orvalho soletrado. Parece o ciclo dos fogos:

Oxigénio para o génio
Destilação para a oração

Oxigénio para o génio
Destilação para a oração

Oxigénio para o génio
Destilação para a oração

Wednesday, August 26, 2009

Vinho

A adega das chávenas olha o corredor das tábuas estaladiças. Sente-se no meio do orvalho o sentido tremido do licor, saliente na lareira do piano pingos de tempestade andam soltos, num destino com a misericórdia das asas flutuantes. Sem pestanejar o vento soletra a cegueira nas janelas dos livros, quadrados envidraçados de vitrais, véus em mantos roxos a levitar nas células. Embriagado o odor esperneia na madeira, enquanto o néctar tem sabor das ampulhetas dos demónios.

Foto daqui

Wednesday, August 19, 2009

Sopro da Figueira

Existe um sopro dentro do odor da figueira, interior íntimo da corrente inalada no sufoco do tempo. As memórias dos insanos cantam com as cordas esticadas dos figos a canção dos dias afogados. Cada gota a ser sorvida num intemporal de raios, mas num instante de pés para o ar, a ampulheta rebenta na caverna, e silencia o seu desassossego. Parece o milagre das tentações a ser esfaqueado no nevoeiro onde pinga o sangue, mas nos 31 açucares espalhados na Alma existe a inquietação do Outono, por isso mais vale vestir-me com as folhas, rasgar o inferno das peugadas.
Os frutos sabem atar-se uns aos outros de forma divina, os Homens é que não sabem seguir suas essências ao limite das suas vontades.

Imagem retirada da net - Autoria desconhecida

Thursday, August 13, 2009

Nocturna Paisagem

Como são deliciosos os cristais com os chinelos nos pés. Até no consultório dos malucos se consegue saborear os pigmentos envidraçados, num prato floreado de divagações. O fumo alicerçado no edifício pode cair dentro do alguidar mas existe a loucura no trilho das janelas para espalhar o ruído surdo dos murmúrios. Enquanto isto na escuridão da noite caminha-se de chinelos com a ajuda duma bengala, toque de cantos dispersos provenientes dos atordoados candeeiros.

Imagem retirada da net - Autoria desconhecida

Wednesday, August 05, 2009

Lua Purificadora

Descalços meus pés mergulham nos sabores da Lua, na purificação aberta dessa silhueta que arde em fogo, não parando de dançar nas chamas do desconhecido. Cada fissura penetra o eco deslumbrante das mãos atadas no cordão virgem de alcançar o inatingível espírito, voar dentro da Alma, na inconstância de absorver o que de mais íntimo sai das pétalas. Trecho da melodia que a Lua faz acompanhar suas notas, a amante de muitos prazeres eternos.

Imagem retirada da net - Autoria desconhecida

Tuesday, July 28, 2009

Notas de Galhos

Existe um corredor nas entranhas da loucura, próximo do patamar da eclosão, onde cada Ser mergulha suas vestes na pele retorcida. Até se ouve o despir das sensações no recanto do arrepio com a viagem nublada como plano de fundo. A entoação perfilada na mão dos desconhecidos pode provocar a fuga dos pincéis para o resguardo labiríntico da tela. O estado invisível é transparente à nota, sucumbe e dá ao esboço o monumento da versatilidade. Por isso cada momento das pétalas cabe aos galhos o destilar do néctar.
Abraçai sempre as vossas essências...

Galeria de Manoel Soares de A. Neto - Pássaro nos Galhos

Saturday, July 25, 2009

Mergulho no Brilho

Folhas orvalhadas no dorso da colina
Regam a pele, regam o céu…
Nos pingos com sabor a remoinho
O carinho da corrente ondula
Junto da arqueada ponte

Descai o mergulho das mãos
No assento dos lábios.
Veneno cava sozinho
O absorver das silhuetas
Impregnadas

A Muralha sente o fluxo
Da ampulheta.
Devorar a Alma
Devorar a essência
Devorar o horizonte do mar
No brilho intenso do Tear das luzes

*Dedicado ao Funicular dos Guindais, Porto

Monday, July 20, 2009

Sina

O fumo enlaçado no mistério da fusão do mar com o sentido embriagante da carroça das ilusões, aquela que viaja no rodopio de montes na incessante labareda de saborear o momento sublime das sinas. Quando o destino perde o trilho da mão, vira o mundo para a fonte envenenada em que o Amor contagia a lucidez impura. Todas as masmorras têm o seu lugar, no ângulo latente da harmonia e a salvaguardar a definição mais obediente do palpitar transparente; este som rasga a Alma mesmo sem saber o toque da visão. Os condimentos da escravatura não deveriam ser plantadas em Seres que desenham as silhuetas com a sensualidade dos pincéis de vento, assim acontece com Silêncio.

Baseado na leitura da Obra de Didier Comés, Silêncio – 1- A Iniciação e 2- A Vingança.

Foto da capa do livro, A Iniciação de Didier Comés, tirada da net

Tuesday, July 14, 2009

Cego

O Cego na sua “opacidade” cria imagens da harmónica, nota recombinada com o fulgor das chamas que passam do incolor para cores perfurantes ao olhar. Existe na cegueira a formação moldada de fulminantes paisagens, quedas de água gemendo o sopro do dedilhar a tela na lâmina de um acolhedor madrugar, incessante visões do apocalíptico perfumar da essência. A abstracção dos sentidos rola no interior da incógnita fragrância, suspenso na fronteira de captar o invisível dentro do oculto.
A solidão catapulta alucinações distribuídas em mantos aleatórios, pintadas pela escuridão enturvada do fresco cálice. A mão segura firmemente o horizonte, e todo o Ser mergulha num ápice na construção do caos; imagem flutuante do Cego, mágico pernoitar da eternidade no amadurecido néctar da captação insaciável. Em tudo isto todos os Cegos fazem seu rendilhado esboço.

Cego não vê; Cego semeia, rega, colhe a Alma…

Bonsai Por Walter Paul

Saturday, July 11, 2009

Pó Virgem

O virgem pó encontra-se espalhado pelas cortinas do tempo, aberto aos dedos que fazem ranhuras com sabor a esboços. Da bancada desta dança o corpo desfaz-se num banquete esculpido com o ardor, melodias de portas a ranger, estrado a escoar os murmúrios da essência. Mais perto do inalcançável o cometa deixa rastos de fogo, salpicos de pós, grãos da simplicidade aberta ao rascunho do coração, pureza da qual a mordedura de sorrisos canta o virgem pó.

Galeria de Sandro Andretta

Tuesday, July 07, 2009

Tristeza da Lua

A mudança da imagem estagnada olha o ponto crítico sentado na escada das sensações. Cumprimenta-se a viagem com as pernas a retroceder, apesar da distância dos espelhos devorar o mistério. Cada abertura nublada pinta o reflexo; cada acto de respirar minimiza o esquecimento; ou, se a ousadia o permitir, a levitação chega ao ponto do não retorno. O chilrear perpétuo alcança os contornos iluminados ao mesmo tempo, naquela fracção pingada do orvalho, a sossegada sombra pendura-se no horizonte fugidio surpreendendo a torre da memória.
O palco da tristeza está apresentado. Agora a Lua acolherá a sobrevivência do Ser na sua imaculada vontade de absorver os pigmentos, o propagar dos recônditos fumos.

Galeria de Paul il Ramingo

Thursday, July 02, 2009

Respiração Desfolhada

Sopro da brisa dentro do fogo, assim é a respiração; adopção permanente da esperança da Alma em absorver o cálice dos remoinhos saltitantes. Cada envolvimento existe a carência, mas nesse entrelaçar a partilha favorece a convivência insana. Está lá na perseverança da ausência delimitada, organismo intermitente a consumir um compasso encadeado pelas cordas desfolhadas numa plateia ávida do invisível para acarinhar as cortinas, a embalsamada viagem.

Galeria de Prairiekittin - Albuns