Saturday, May 23, 2009

Hospital Geral de Santo António - Oftalmologia -Porto

Quando irrompe os passos pelos corredores, será que irá trovejar as tarefas? Duvido muito que tal aconteça, sendo a conduta profissional algo de valor pouco espremido, de um toque do qual provém do esforço somente de olhar para as horas de saída, parco da vontade de ajuda daqueles que necessitam de cuidados, muito menos daqueles que procuram exprimir um relatório ou um acto em falta.

“Eu sair do meu lugar no autocarro para dar lugar a um velhote? Nem pensar!!!” Funcionária Auxiliar do HGSA

É difícil o mergulho no sistema hospitalar e não verificar como a lentidão funciona tão bem. Consultas que são a uma hora certa, atrasam pelo menos 3 horas!!! Será que terão a brilhante ideia de colocarem 20 pessoas à mesma hora, e essas 20 serem atendidas nessa exacta hora?! A mim parece-me que é isso que acontece. Quando se pede para falar com um médico, só se é atendido 3 horas depois, e nem uma desculpa pelo atraso, e ainda conversa a rir perante a pessoa que espera uma mínima justificação pelo atraso, será isso eticamente duma pessoa com educação? Perante uma pré-operação não sabem comunicar como estão a pensar fazer a operação, mas não se esquecem de passar imediatamente o papel de responsabilidade a nível da questão da anestesia para ser logo assinado. Se a operação correr mal já sabem como se defender, e como palavras ditas no ar ninguém as pode provar… Devia sim ser registado tudo o que é comunicado, ou não comunicado.

“ A enfermeira vai tirar o sangue, com o rosto bem pintado, tom vermelho carregado nos lábios. Aperta no braço do paciente uma luva para estagnar o sangue. Falha duas vezes a veia, a terceira acerta deixando a bolha na pele. Vai embora a dizer que já volta com uns pensos. Deixa tudo espalhado pela mesa, nenhum cuidado em limpar, pequenas gotas de sangue espalhadas, a luva apertada no braço... Passam 20 minutos e tenta-se verificar onde estará a enfermeira pintada. Ela no gabinete a brincar no computador e a olhar para a televisão:
-Desculpe. Não se importa de ir por os pensos? -enfermeira”Enfermeira do HGSA

Tanta coisa mal feita, mas algo que continua a confundir é que ninguém sabe nada fora das suas competências. Se perguntar como se faz uma cama a uma enfermeira, ela não sabe. Se perguntar à enfermeira que género de operação existe em oftalmologia, sendo enfermeira nessa zona, diz logo que isso é competência do médico. Se perguntar ao médico onde são a ambulâncias, nunca as viu por isso não sabe. Agora quando acontece isto, eu tenho que ficar ainda mais pasmado:

“A médica fala com a enfermeira. Depois o paciente pergunta à enfermeira sobre entregar relatórios antes do internamento, do qual ela diz que não é competência dela. Ela consegue pensar um pouco e diz o seguinte comentário:
-Sim é comigo que tem que dizer esse tipo de coisas, mas mais tarde, brevemente.
Não vale a pena dizer que esse brevemente demorou 3 horas”

Nada mais correcto do que esperar junto ao gabinete das enfermeiras e verificar o que acontece por lá. Discute-se a capa da playboy Portuguesa, a votação do concurso de cães, se o telemóvel tem o cartão a funcionar bem ou mal, se na novela Y o que terá acontecido… Enquanto os pacientes se entregam às dores, sem uma justificação de como podem ser acalmadas.

Não entendo a educação de certas pessoas. Alguém trata alguém por querida ou querido se não conhece a pessoa? Há enfermeiras que tratam, mesmo tendo ao seu dispor documentos dos quais podem saber a identificação das pessoas. Existem funções que as enfermeiras deveriam saber, e a igualdade de tratamentos esquecem. As pessoas não estão internadas porque querem, mas sim devido a precisarem. Se não houvesse doentes, não havia hospitais e os resultados que traria para a classe operária lá existente. E a pergunta legitima, é porque essa classe operária hospitalar se acha superior ao doente que precisa de cuidados?

Teria muito mais para relatar, deixando uma nota: existe sim alguns bons funcionários no HGSA no sector de oftalmologia, a maioria deles é de uma insensibilidade atroz com lacunas de má educação, falta de respeito pelo próximo e pelo seu dever de profissão.

P.S.: Quem alguma vez for internato no Hospital Geral de Santo António (HGSA) no sector de oftalmologia não lhe darão água engarrafada, e dirão ao paciente na sua maneira tradicional para se dirigir à torneira mais próxima. Facultam um copito. Claro se o paciente tiver a delicadeza de perguntar se tem agua disponível, se não o fizer terá que descobrir pela seca que os lábios terão ou da solidariedade das outras pessoas internadas… É natural ouvir uma animada conversa dentro de qualquer gabinete, e neles terem ventoinhas para os funcionários enquanto na sala de espera não existe nada para regular a temperatura. A diferença é que nesses gabinetes terá no máximo 3 / 4pessoas, enquanto na sala de espera umas 50 ou mais…
Se por acaso alguém for fazer lá uma operação com um médico X, não quer dizer que não seja o médico Y a fazer, e o médico Z a ter feito a consulta antes da operação. Tal aconteceu, tal acontece, tal acontecerá. Agora é preciso ter fé que os médicos saibam documentar, ler e interpretar relatórios. Uma justificação de escreverem de forma tão ilegível será para que outros médicos não reconheçam o que está escrito? Provavelmente, nunca se sabe…

Monday, May 18, 2009

Festival da eurovisão 2009

Ouço por tradição, ouço se calhar para visualizar os diferentes países a desfilar, ou talvez por haver uma “competição” que de “competição” justa pouco terá. Uma análise pouco cuidada das votações e chega-se à conclusão que muito dos votos é por simpatias históricas. À parte das votações, adoro ouvir as canções cantadas na língua original de cada país, a envolvência global num único palco, cores entrelaçadas com o contágio das roupas; quando essas tiverem o bom-tom de acrescentar algo à cultura do país em questão, que para ver gente despida prefiro outros canais.
Os violinos tocam, eu escolho:

1-Finlândia
2-Noruega
3-Estónia

Resultado:

1-Noruega
2-Islândia
3-Azerbeijão
6-Estónia
Último……Finlândia….
Nesta brincadeira anual, este ano estive muito mais perto do resultado final, aliás acertei no primeiro lugar da Finlândia somente devia ter pensado com a tabela virada ao contrário, como o segundo é o primeiro dos últimos a Noruega ficou na posição que seleccionei, enquanto a Estónia voou com os violoncelos.

Thursday, May 14, 2009

Alegria

Tanta alegria nos sorrisos, tanta alegria nas mãos, tanta e tanta maresia nos olhares. Cativar a vontade com aspiração, abrir o coração ao vento, num apocalitico resguardo ficar no entreter das palavras. Quando se encontra o desassossego, o risco da trovoada requer o guarda chuva feito de folhas, calmo deslizar do caos.

Saturday, May 09, 2009


Donde está a Lua?

Thursday, May 07, 2009

Folhas Embriagadas

A dança dos trovões incendeia os silêncios, pequena escorregadela de vento sobre a crista da onda, silhuetas inflamadas de arpões fazem com que as dobradiças soletrem cada passo da entrada, vagaroso tempo rasgando o intempestivo desdobrar da leveza. O som propaga-se aos trambolhões, escavando o murmúrio dos vitrais, encostando os dedos estalados à ventania das esquinas. São sussurros flutuantes como mantas rendilhadas de frescura, repletos de paisagens esboçadas com veludos. Enquanto o Sino embriagado chamusca as folhas, irrompe dentro delas o suspiro.

Monday, May 04, 2009

Atmosfera Nublada

Idolatrar o nome “desconhecido” provoca no Ser o embaraço do contágio. Daquele abraço que toca o enigma, inferno temperado em pedaços de licor, escorregar no remoinho é o permanente olhar. Existe o isolado trilho, corredor de chamas metafóricas, tudo misturado num apocalíptico jardim de espelhos flagelados de carícias. Quando o jazigo geme, o Ser treme de frescura, imóvel levitar das sensações.

Saturday, May 02, 2009

Silhueta

Esbocei um riso melancólico na face do enigma, um desalinhamento obscuro de pés calcados de pincéis dóceis. Levantou-se a poeira dentro dos olhos, rabisco envolto na camada mais pura do subsolo, as silhuetas gemem, as notas badalam a Alma numa percussão perfumada…

Wednesday, April 22, 2009

Para ti Amigo Zé

A Alma sente o voo dos teus braços. Asas soltas na dor, soltas na recordação dos momentos. A porta range, as janelas sopram a saudade, a mesa despida tem os olhos presentes, a cor do vestuário é o som da terra, os rasgos da parede ecoam a vida soluçante. O enlaço da energia repousa freneticamente no desconhecido da lembrança, um tempero a rasgar o Ser, a dar sustento ao abraço. Cada gota elevada aos pergaminhos de voltas geme de envolventes recordações, acolher o canteiro florido, regar para depois temperar remoinhos de sensações. Colher o fruto, deixá-lo amadurecer com toques de levitações, espalhar as erupções espalhadas pelo Amor. Momentos vividos, momentos que fazem a mistura ser um prazer único, momentos para acarinhar, a partilha. A existência dessa essência faz o trilho uma ondulação que se abraça, forte e com o ardor da pureza.
Um abraço

Tuesday, April 21, 2009

Terra

A terra imana sua Alma na fé das mãos buscarem o manto de remoinhos. Entranhar o odor dum pequeno sopro de ondulações. Rasgar para depois voltar a colocar no devido lugar, toque que esboça perfumes a lavrar o descanso caótico da germinação, até que se ouve a rendição da pureza à dádiva dos cânticos entregues. Várias flores aproveitam a liberdade entretida.

Thursday, April 16, 2009

Noite Branca

Noite branca de trovões entrelaça o estrondo.
Aqui no meio das gotas espalha-se a cor das brumas.
Ali no manto do vento recolhe-se o cântico das silhuetas.
Dia escuro de raios afasta o silêncio.

Sunday, April 12, 2009

Amável Alves Antão


A madeira suspira pelo toque embriagada das mãos. Soletra a força da criação, abismo de emoções que sobrevoa o recorte da imaginação. Cada recanto leva o sopro nas linhas da liberdade, das silhuetas abertas ao resplandecer da curva colhida. As mascaras ganham vida, veia a transbordar o sangue da metamorfose.


Exposição de: Amável Alves Antão, Bragança. Se tiverem curiosidade consultam o blog que tem mais mascaras e com qualidade fotos melhor eheheheh

Thursday, April 09, 2009

TRISTESSE DE LA LUNE

TRISTESSE DE LA LUNE

Ce soir, la lune rêve avec plus de paresse;
Ainsi qu'une beauté, sur de nombreux coussins,
Qui d'une main distraite et légère caresse,
Avant de s'endormir, le contour de ses seins,


Sur le dos satiné des molles avalanches,
Mourante, elle se livre aux longues pâmoisons,
Et promène ses yeux sur les visions blanches
Qui montent dans l'azur comme des floraisons.


Quand parfois sur ce globe, en sa langueur oisive,
Elle laisse filer une larme furtive,
Un poète pieux, ennemi du sommeil,

Dans le creux de sa main prend cette larme pâle,
Aux reflets irisés comme un fragment d'opale,
Et la met dans son coeur loin des yeux du soleil.

Les Fleurs du Mal - Charles Baudelaire

LA BEAUTE

LA BEAUTE

Je suis belle, ô mortels! comme un rêve de pierre,
Et mon sein, où chacun s'est meurtri tour à tour,
Est fait pour inspirer au poète un amour
Eternel et muet ainsi que la matière.

Je trône dans l'azur comme un sphinx incompris;
J'unis un coeur de neige à la blancheur des cygnes;
Je hais le mouvement qui déplace les lignes,
Et jamais je ne pleure et jamais je ne ris.

Les poètes, devant mes grandes attitudes.
Que j'ai l'air d'emprunter aux plus fiers monuments,
Consumeront leurs jours en d'austères études;

Car j'ai, pour fasciner ces dociles amants,
De purs miroirs qui font toutes choses plus belles:
Mes yeux, mes larges yeux aux clartés éternelles!

Les Fleurs du Mal - Charles Baudelaire (nasceu a 9 de Abril 1821)



A linha desbota odores que são vislumbrados pelos círculos suturados. Alguém se aconchega no canto mórbido do terraço, pessoa de olhar tímido a tocar as notas do encanto. Regresso da pedra fragmentada no coração rezado, onde afiados espíritos mergulham, encarna o Ser no estímulo divagado. A reticência do fantasma devora o instante, caixão coberto de pétalas do escurecer. Toque a rasgar o espelho…

Monday, April 06, 2009

Coimbra VII

Cavalgar os carris, enroscar o desamparado apito. O insensato momento abandonado, cadastrado na miniatura do apocalipse, desesperada sala aberta da natureza, corpo dormente encaminhado pela proporcional vertigem. A esperança olvida-se da ingenuidade, a sombra escorre risos de loucura no capa do respeito. Espelho de azulejos germina nos lagos, retalhos encontrados aos soluços do intempestivo inferno, da incoerente ambígua poética. Desagua o murmurar nos cabelos afiados, nos olhos reluzentes.
A mulher relembra o esquecimento da flor, o rio da encosta, cachecol de flor… Trago o abraço.

Friday, April 03, 2009

Liberdade do Orvalho

Cavalgar contigo na natureza selvagem, ciclos acolhidos na época da liberdade. Celebrámos o trilho com o jeito abraçado, caímos de cansaço na borda da estrada olhando o rio com a sua frescura. Até saltitar nas gotas de licor que caem do céu conseguimos partilhar, dança da qual a pureza acarinhava o entrelaçar. Juntos retalhados sobrevivemos aos mantos coloridos, geometria da comunicação do coração, vento de trovões a resguardar o orvalho dedilhado ao toque sublime onde galhos despidos com folhas faziam descair o perfume das levitações caóticas. Saudades!

Tuesday, March 31, 2009

Coimbra VI

Roteiros de números desregulados na veste negra duma saudade, a jarra isolada da madrugada. Sorrisos das lentes captam as silhuetas das gotas, dos perfis que regozijam com a memória do país, a infiltração do compasso regado com a ampulheta das germinações. O nexo chega perto da irregularidade dos pés caçadores das mãos, do rosto esbugalhado de labirintos esculpidos no puro caminhar. O nó calça a memória na nota despida, a timidez aprisionada na sepultura das escritas, romance abraçado pela linha da espada, mão da paixão.

Friday, March 27, 2009

Pássaros de Flores

Desfrutar os olhos, salpicar o dorso da frescura:

As cores semeiam a Primavera, adornam as pétalas a descair odores. O gemido dos pássaros canta a energia a brotar da terra, levando sonhos aos corações dos céus. Portas abertas aos raios, ao equilíbrio da noite com o dia superam a criação no pigmento das correntes dos trilhos. A leveza do vento toca os trovões extensos, arco-íris plantados no horizonte, arcos brandos de assobios catapultando viagens de remoinhos. Assim meu Ser saboreia a estação das flores, pintar os cabelos na palma da mão.

Monday, March 23, 2009

Coimbra V

Havia desassossego no leito da Alma, cana infiltrada em cearas desbravadas com o sopro dos gigantes. Lençóis pintados com o sabor da tela de frutas, rostos acolhidos na suavidade de melhorias sentidas, uma eleição desejada de silêncio. Gritos espessados de correrias, viagem ilimitada do tempo nivelada pelo coberto lenço encapuçado. Não paro quieto no agitar das lamentações, entrelaço os raios assustadores e debruço o abismo no paraíso, voo acima das copas, rasgo as curvas no limite das flechas. Notas flutuantes de ardor. Ilhas de raízes a regarem os sentidos dos dúbios momentos.

Thursday, March 19, 2009

Coimbra IV

Mágoa sentida na espessura da face chega perto das pétalas orvalhadas. Corpo presente na densidade espessa das cancelas sussurra trilhos colocados na muralha ardente da pele. Cabeças roladas na água de suspiros, cortadas em lamentos proporcionais ao gemido de um gemido. Brota um funil para o sossego da melodia das rochas sinfónicas, cálice energético a desaguar no repouso, ferver o centro da respiração, bruma de luares a amanhecer a agitação permanente da nota rendida ao reencontro. Labirinto esculpido, coração formado no pulsar da mão…

Sunday, March 15, 2009

Coimbra III

Caminhos torturantes de calor chegam perto dos banquetes dos lagos, víboras sem capuz montadas em carroças de viagens enlaçadas. O xaile das linhas controversas enrosca-se nas apertadas vielas, santuário das fontes a chorar decapitados golpes. A esperança montada nos arcos das cantigas. A sombra comporta-se como luz, penetra descaídas plataformas, soletra a respiração na nota imaginária do rendilhado, voa além do som imaginário.

Wednesday, March 11, 2009

Navegar Lunar

Corpo dormente enfrascado…
Alma de cânticos…
Luar abraçado num suspiro.

A Gota flutuante navega!

Tuesday, March 10, 2009

Coimbra II

Recortes rendilhados, agarrados aos suspiros das esquinas sobrevoam a cidade, a dor dilacerada acomoda-se ao vento tocando a sinfonia dos pés. Ritual acariciado com brandura, dança a borbulhar envolvendo pedidos de verdejantes galhos, assim os pedaços da Primavera envolvem o Ser. Rasgo que sobe nos olhos, deixa a marca sublime das folhagens em alergia, doce toque cantado com o ardor dos pés. Janelas de vielas espalham mistura na dança dos olhos, remoinho a tremer a luz.

Saturday, March 07, 2009

Coimbra I

A natureza saboreia o rio com a corrente a desaguar nas pontes. Fluidez rasgada com a Alma a chegar perto das fracturas, das calmas casas a espreitar os raios solares, da leveza da encosta virada para o céu. Calmo o manto deixa esvoaçar as aves no seu pousio, regando as tímidas cores. Toque a vislumbrar o horizonte, o descampado corredor recolhido aberto ao transbordar profundo do infinito.

Wednesday, March 04, 2009

Antonin Artaud


"Não se deve deixar que as resistências de uns, a incredulidade de outros e sobretudo o medo das reacções do público nos façam renunciar À ideia que tivemos, nem nos impeçam de extrair o máximo dela. "

"Se existe ainda alguma coisa infernal e verdadeiramente maldita nestes tempos, é o deter-se artisticamente sobre as formas, em vez de agir como os suplicados que são levados ao fogo e que abençoam suas fogueiras. "

"Tudo treme, geme, como se fosse uma vitrina anormalmente abarrotada. Uma paisagem que presente a tempestade chegar; objectos, músicas, fazendas, trajes perdidos, sombras de cavalos selvagens passam no ar como meteoros longínquos, como o raio sobre o horizonte repleto de miragens, como o vento que se inclina, veemente, aos rés do solo num clarão precursor da chuva e dos seres."



"E no entanto, com a sua violência absurda, seu olhar perdido e seu quase indisfarçável furor, ele nos transporta par além do bem e do mal, até um deserto onde a sede do sangue nos queima."

Morre em Ivry, no dia 4 de Março de 1948, Antonin Artaud


Monday, March 02, 2009

"Sacrifício"

O som dos pequenos bosques germina o cantarolar do lago isolado. Enroladas músicas da solidão espalhada desdobram os olhos cruzados com o vento a bater sossegadamente no tempo. Escolher o labirinto insano de regar o seco “pé” cortado, excluído do interior devastado. O contemplar das chamas toca a simplicidade do pó, resquícios da loucura do último suspiro vagaroso, da corda de remoinhos a calçar a vastidão terminal das gerações. Correr, deambular...

Saturday, February 28, 2009

duma Mãe para um Filho

À espera do suspiro dos teus sorrisos encontro a felicidade dos trilhos. Cresces nos meus braços com a energia dum guerreiro, escutas o céu a trovejar das minhas carícias, enrolas-te nos braços ao ardor das chamas da vida. Desenvolvo para ti o regaço das pétalas com a doçura dos cravados espinhos, manto do qual irás desaguar naufrágios de descobertas. Em cada esquina os remos de silhuetas terão mais força, serão bandeiras de cores para a visita embriagada. Anel dedilhado do fantasma, retrato do além terá o frio para olvidar. Que importa meu Ser, quando te tenho a ti? Que importa a viagem, se em ti encontro a paz? Que importa a loucura, se o meu dar a ti é puro?
Desejo o rasgo da alegria, cada ruído imerso na paixão pelo teu crescimento ao meu lado. O brotar na essência das tuas inspirações faça-me de mim um Ser de mãos dadas com as teias das reticências floridas, do teu lado. A navegação destemida, olhar felpuda das insónias recompensada pelo vibrar constante de sentir a tua felicidade. Gemes comigo como no interior de mim rejubilaste de prazer. Dou-te a mão, dou-te mais que a mão…

Wednesday, February 25, 2009

Chama Transparente

Sou Eu, o belo, o formoso, o elegante, o corredor de labirintos. O dilúvio cai aos meus pés com a força de trovões, mascaras de tatuagens coloridas destroem remoinhos ao nascer da alvorada. O ardor da Alma mergulha ferozmente no horizonte do subjectivismo, semblante carregado de potência elevadas a multidões de fogos espalhados no vazio, colhidas nas mãos regadas de seduções. Os poços da individualidade tem trilhos esbeltos como chamas a gemerem o último suspiro do Eu, fluxo intemporal da clandestinidade.

Sunday, February 22, 2009

Viúva

A negra viúva reabre a cerimónia. Cegos amantes do desejo cortejam a ilusão das espalhadas videiras, linhas descarriladas de chaminés clamam a memória, enquanto os aborrecimentos dos surdos germinam. Deslocamentos subtis, arcos esboçados no vento, corredores de aragem fresca, ouvidos a pronunciar a vastidão do veneno. Desmoronadas as ruínas são os veludos embalsamados na metáfora, flechas temperadas de lábios a sugar flutuações de relíquias.

Thursday, February 19, 2009

Lábios do Ser

Conceito uniforme desmaterializado À frente dum abismo de raios. Ao permanecer o som rebola nos cantos das fogueiras, peregrinos desalinhados do tempo a resgatar sorrisos às provocações. Ficar seduzido pelo pormenor escondido, mergulhado na semente da tela, as cantorias do Ser dedilham chamas de pontes rendilhadas, com o Eu a gemer, o suspirar emociona-se intempestivamente galgando o ininterrupto deslocamento da vivência. Ficção do momento a reescrita do nevoeiro sulca a corda do conceito até ao ponto dos lábios, da estação encruzilhada.

Monday, February 16, 2009

Brinquedo

Sou um mero brinquedo com articulações móveis. Dos olhos fulmino o escorrer instantâneo da paisagem caótica, muito além do infinito, perto do saciável corredor das aflições. O jogo das peças perdidas faz o esqueleto estacionar numa paragem, desenhando a vertigem das árvores junto dos meus pés. Dedo a dedo, montes de sinónimos ficam impressas na língua sem som, cantarolar labiríntico do movimento impróprio, impregnado em filosofia de letras fugitivas...Mero brinquedo!

Friday, February 13, 2009

Otelo

Um movimento na escuridão entreabre o ruído. Pequenas flutuações, viajantes do frio, refúgio dos traços; a vagarosa brisa nocturna coberta do calor da pele. Esconde-se a verdade num lenço, a palavra do esqueleto voador; os corpos insensatos duvidam de si, contaminam as folhas que partem em navios. Toque a melodia de aguardar o repouso nos braços profundos da entrega, condicionado pela sepultura aberta na dúvida.
O sangue a escorrer, amaldiçoados são os corpos da inveja.


Wednesday, February 11, 2009

Perplexidade

Se há algo errado, é necessário mudar.
Se há algo certo, é necessário mudar.
Se há algo errado e certo, é necessário mudar.


Toca-se a nota, ela destila letras.
Toca-se a partilha, ela destila letras.
Toca-se a nota e a partilha, elas destilam letras.

Aparece a vontade, não se interessam.
Aparece a oportunidade, nada sabem.
Aparece a justificação, não dizem nada de jeito.

Brincam, Alteram, Esquecem...
Enrolam, Trocam, Mutilam...

O Ser perplexo fica insano!

Monday, February 09, 2009

Thursday, February 05, 2009

Banquete de Esterco

Rapaz sem jeito algum vs Rapaz com jeito algum

A espera lúcida, um colar requintado, anéis falseados, brincos de cores amaldiçoados. Há carne pendurada, esturricada, feita em carvão; Incenso a fumegar os olhos, lágrimas recolhidas na pedra cavada; cordas enlaçadas na forma e conteúdo de brasas; escritos dactilografados com o sangue a pingar; cabelos esticados, cortados ao som do machado de lâmina mal afiada...
Assim é o cenário. Contemplar, apreciar o banquete para a cambada de esterco que povoa as esquinas a deitar fumo nauseabundo.

Monday, February 02, 2009

Fronteira Sem Lógica

Quando a letra percorre o solto entrelaçar, ela livre retorna à sua mansão. Preencher atordoados espaços, tensão assombrada do qual a génese devora sonâmbulas modéstias. Erguer incompreendidos cálices não pode afligir o tempo do mergulho, mas a confusão existe ou o subterfúgio de perturbar imagens que florescem separadas dentro do mesmo conteúdo fazem o texto construído um ramo sem lógica. Os galhos degolados regam as fronteiras, não sei se terá um tempo infinito ou um tempo suprimido.

Saturday, January 31, 2009

Bailarinas Alinhadas

A dança nocturna das bailarinas habita o imaginário dos cogumelos negros. A visão fantasmagórica, do inconformado odor misturado nas montanhas, dos cumes espalhados de feitiços, a viagem deflagra a vastidão das chamas. Cada fissura adverte as ventanias para terem cautela, para sentirem escorregar a bengala dos sinos. O lacrimejar troteado pelo badalar pode ser ensurdecedor ao sussurro desassossegado.
Enquanto o canto povoado da escuridão pisa o almejado cogumelo negro, o ventre materno da questão interrompe o desalinhamento, e num ápice volta ao apelo do retalho. Espelho invertido, negro vestido geme, roxo despido treme.

Tuesday, January 27, 2009

Existência

“Dizemos muitas verdades mas elas contradizem-se umas às outras.” Fernando Pessoa – O Privilégio dos Caminhos

Puseram um caixão à beira da falésia, encostado no ventre do abismo infernal da existência. O paralelo mental risca o mapa, ardido no tempo intemporal prolonga-se o Ser até aos contornos dos fragmentos. Se forem as letras ou a capacidade experimental, o instinto sobrevive nele próprio ao complementar o estado selvagem, agrupar a vitalidade do pormenor descaído. Estilhaços ouvem-se no vazio como ecos de linhas de comboio, imparáveis na sede do orvalho, inflexíveis na nudez. Ir na direcção do rosto adormecido, sonho do qual a bebida serve ao infinito a loucura do não transbordo. Há quem orienta, indicando a vertigem do caminho correcto, mas todos o julgam ser uma companhia e não a verdadeira essência. A extensão cega de olhar o umbigo… O chamamento de ir além da fronteira do espaço, será o acolhimento, o verter para escutar o rasgar.

“Só que é melhor uma vida amarga do que… uma vida apagada, tristonha.” Andrei Tarkovsky – Stalker


* Baseado no filme Stalker de Andrei Tarkovsky

Thursday, January 22, 2009

Orgasmo Interior

As ruas estão repletas de nevoeiro, galhos a fugir com gotas de suspiros. Sente-se arrepios de calor nos perturbantes caminhos, fundir desencadeado pelas aberturas colocadas na Alma ao qual cada candeeiro rasga a pele, enigma da tensão existente na evaporação dos refúgios húmidos, esconderijos do renascimento que decoram o chamamento de sentir o cabelo molhado a esvoaçar. Os secretos lugares escondidos neste manto branco conseguem despir o nu, somente retalhando a imagem do alisado olhar. Nisso a nota rebola na fuga impossível.

Monday, January 19, 2009

Desejo Imperturbável

Os olhos brotam nas correrias do jardim, em sons de cascatas que sulcam cada recanto. Quentes águas, alucinados momentos, miar imperturbável ao desassossego. O cachecol toca os olhos do espaço a remexer encontros de seduções, onde o rebolar aconchega o ardor da impulsão intuitiva do agasalhar. A competição acopla o fértil instante, é chuva e vento, sem haver Almas deprimentes. Roçar da inocência, suspiro a gritar de desejos, o miar incessante no fôlego arrepiado dos gemidos; Assim os gatos imperturbáveis no seu deambular dão energia de prazer ao instinto, retalhando noites e dias na infindável obscenidade da metamorfose agitação. Sulcar a depravação em olhares felinos, a rapidez sequestrada num movimento que jamais poderá ser impedido de tão desejado que se torna.

Saturday, January 17, 2009

Miragem Do Mendigo

O Ser é mendigo do seu próprio nome. Escravo das letras impregnadas nos labirintos, cujo sabor infestado de divagações soletra os voos do destino. A proveniência dos risos eufóricos, fazem recair sobre este peregrino a lápida do seu renascimento, no qual em gritos soluçantes geme de vontade de entranhar o rasgo profundo da sua essência. Beber a corrente duma metamorfose de que de si tem o licor de criar o horizonte, sem cavalgar no nome dado de quando era mendigo.

Wednesday, January 14, 2009

Criança Com rosto

A visão distante cobre as articulações do esboço, nada respira no véu molhado. A aflição prisioneira da escrita, sentinela da memória, conversa interminável a perturbar o passo do fogo; são os retalhos que a letra vive como desconhecido; são os retalhos da Alma a conviver com o Ser. A dança embriagada das árvores faz recuar as margens, folha a folha, o nu da natureza a embaraçar a solidão. Explode o inferno das sensações, fôlego comprimido, onde os olhares sumarentos se degolam com prazer. Perdido, sou o vagabundo do caixão das gotas, lareira.
A ver: A Infância de Ivan de Tarkovsky

Sunday, January 11, 2009

Infinito

Propagar o infinito ao compasso da bruma.
Orar nos labirintos do sangue.
Suspirar da escrita no esboço da Lua.
Encadear a energia ao pingar do rosto.
Fluir prateado.