Tuesday, September 22, 2009

Ferve Outono

Sopro das folhas despidas corre no manto das mais belas cores. Dentro delas existe os fumos dos remoinhos a fazerem danças, badalam os sinos arrepiados na cordilheira, onde a rudeza dos seus vultos amaciam o gemido da leveza. Nos rasgos do Outono ferve sempre o odor enlaçado dos sons virgens, a água penetrante rega o último sumo das frutas, enquanto o licor das pétalas geme dentro dos troncos nublados de orvalhos a sua vontade de enlouquecer por entre cogumelos a esventrar o molhado saltitar dos pássaros.
Esta essência estremece o vento até ele sulcar rabiscos da ribeira por entre colinas desconhecidas aos olhos, mas entranhadas aos sentidos. Na mistura aponta-se para as estrelas para elas deixarem cair seus filamentos no perfume da Alma, no caos das silhuetas.

11 comments:

Um Olhar said...

O toque do outono ultrapassa as palavras e todo o vocabulário passa a ser sensível.
Grata pelas visitas, uma boa semana.

Bjo
Fatima

Lúcia Machado said...

...Senti o orvalhar do Outono...

os cheiros, os sentires...

:-)

Gothicum said...

Outono mês da reclusão dos pensares distantes...aqui nasce a preparação para o devir que se aproxima...

que seja um bom Outono para ti


...de volta mesmo espaço...diferente endereço...

A. Reiffer said...

Estava contemplando com atenção as imagens do teu blog. Magníficas, muito bem escolhidas.

VANUZA PANTALEÃO said...

A natureza se conjugando com o tecido estelar, vindo atingir as Almas. Tudo parece um caos, mas para quem percebe e fala a sua linguagem nada há que se estranhar, é o outono.
Darkviolet, seus posts sempre nos despertam para as dimensões profundas do ser e do não ser.
Bom final de semana!!!Bjsss

Sérgio O. Marques said...

Mais um texto que precisamos de reler uma série de vezes até ficar com uma vaga ideia da ideia em si.
O Outono está aí e traz consigo esse pulular de cores e fervilhar de odores caídos das folhas secas.

Não pude ficar impassível à tua referência às estrelas. Se calhar deve-se ao facto de ser o ano internacional da astronomia.

MagnetikMoon said...

Ferve,sim!
Floresce o sentido puro das almas dos elementares,recrudesce a vibração dos musgos e das folhas que bailam nas extremidades dos bosques, renasce a textura da Água nas saliências das oleosidades naturais.

Magnetik*

DarkViolet said...

Um Olhar:

O Outono tem subtilezas tão mágicas que o céu coberto de pétals de orvalho não chegariam para escutarem as folhas estaladiças


Lúcia Machado:

Nesses perfumes os Seres mergulham de Alma a sangrar de virgindades


Gothicum:

É mais um espalhamento de escadarias saltitantes, onde o caos cintila com o vento
é a metamorfose do Ser a progredir:)


A. Reiffer:

As imagens conseguem destilar parte do Ser mas muitas vezes o pulsar está no texto ou na ausência do perfume visivil

DarkViolet said...

VANUZA PANTALEÃO:

Entranhar pedaços que consomem a Alma dá asas ao orvalho para perfumar penetrantes ribeiras que destilam a mente no Outono. Fico feliz que despertem sensaçõese criem divagações



Sérgio O. Marques:

Nessa vaga ideia fico com um sorriso no rosto. É preciso esforço para chegar ao âmago da exploração dos sabores.
Folhas tão secas que estalam no coração das Almas carentes da solidão.
É natural que a ASTROLOGIA é um mundo fascinante como de certeza concordarás eheheheheheheh


MagnetikMoon:

O musgo para dar depois ao presépio:) Existe o ferver do vento em cada recanto, e ouvir o estalar dos filamentos do licor das arvores faz penetrar danças ao vento

Frankie said...

Sem desprimor dos restantes textos, tenho de confessar que os teus Outonos mexem sempre comigo...

:)*

DarkViolet said...

Frankie:

O Outono é das estações com mais nostalgia. A cor que transmite faz com que os Seres sejam sempre tentados a fazer do vento um aliado