Saturday, December 30, 2006

Tempo

Neste momento tenho precisamente:

  • 30 anos e nasci numa Terça-Feira
  • 359 meses
  • 1567 semanas
  • 10973 dias
  • 263333 horas
  • 15800000 minutos
  • 948000057 segundos
  • 948000063094 milisegundos

“Quem mata o tempo não é assassino: é suicida.”

Friday, December 29, 2006

Areia

A simbiose reflectida nos ossos especula sobre os odores. Caracterizar as pétalas dedilhadas, a dança das luas nos cordéis, até a magia da água transbordar na arte das falésias. Navego nestas imagens, perfuro a liberdade da levitação, não esqueço a essência que me faz flutuar. Simplesmente ponho os remos no altar, a mão em cima da outra, e pinto o pó para moldar o ar. Os relâmpagos rompem num tom roxo, o cachecol enrola o calor, os dedos aquecem as velas e os meus aposentos gelam.
As gotas irromperam nos anéis, escaparam por fios soltos pendurados num traço de estrelas. Caminham por um destino que não compreendo mas que o silêncio ajuda a matar. Esse vazio preenchido que não rega os fragmentos, deixando-os apenas a soluçar na escuridão. Quem segura cada brilho têm a solução, no bolso da imaginação.

“Que na tua árvore de Natal brilhe a magia, o amor, fé, vontade, desejo, liberdade, sucesso, a felicidade e um novo ano de luz e esperança”

Ao dormir os sonhos apoderam-se de mim e vejo uma árvore descaída pelo monte. Grandiosa nos seus ramos, nos enxertos que povoam cada estrutura de feitiços e nas folhas de variadas cores. Por vezes encanto-me nas tentativas de fazer crescer novos ramos, diferentes ou contagiantes. O rasgo feito na superfície, a moldura de terra que se esboça para evoluir, os diversos tamanhos de encaixe e o tronco grosso permanece a levar com o vento de furacões. Alguns enxertos partem-se, partem, viram perda ou pedra. Por vezes florescem sem saber como nem onde, alguns caem e nascem nos pés do grosso tronco. Ainda há outros mesmo estando metido numa essência confunde perfumes. Há múltiplas variedades de raízes na terra e no ar. Mas....

A areia gelada
Ardia no fogo de artifício...
Abismos de calores
Falésias de silhuetas...


Viva o ano 2007 que começou há uns milhões de anos atrás.

Thursday, December 28, 2006

Moleiro

A memória encontra-se na masmorra
Rendilhada pelas janelas abertas,
Fresca a congelar de suspiros.
Do perfume que emana fica
No colo do corrimão, arrepiado pelos sons
Fugidios de escapar ao despercebido.
A coragem dilui-se nos rios
Negros do olhar, a desabar orvalhos
Húmidos, a revolver o toque da brasa, resvalado
Nos pedaços estilhaçados.
Cai chuva, chuva miudinha cai...
Ouve-se a bengala do silêncio...
Douro, Tejo...Tejo, Douro...
Vêm aí o Moleiro.

Vapor

Ouço o barulho do vapor
Sentado...
De leve dou cambalhotas,
Balouço – Dormito a olhar...
Silêncio contínuo a trovejar
Selado como pólen, colorido como pétalas...
Apenas transparente – Silencio...
E corre a semente no pousio
E corre o vento no sabor da espuma
E dorme a corrente do rio
E dorme o advento da pluma

Thursday, December 21, 2006

Solstício de Inverno


Raios de lanças.
A luz mistura-se com a escuridão.
Renascem ou abram cortinas de fogo
Num cavalo voador...
P.S.: Desconheço o autor do quadro, só espero que seja cristo, que ouvi por línguas travessas nasceu por estes dias!

Picos

Mãos frias
Minha Alma requer...
Geladas de pedra,
Riscadas, rasgadas...

O deslize ausente,
Ciclo permanente,
Sufoco fervente...

A afeição mergulhada
Pelas montanhas fundido,
Os pirilampos brincam
Na ponta dos dedos...

A lareira de véus
Aquece a ossada...
Sussurro...Sussurro...Sussurro...

Wednesday, December 20, 2006

Orgulho (Parte II)

Não há tempo... Parabéns ao tempo!
A vela arde entre o silêncio e o vazio, enterrada nas campas cheias de flores. Nuns olhos escondidos na terra, o calor desfila nesses dois meios, a prolongar sons que se vão repetindo. Não posso criar lava no tremor do tempo, não tenho tanta magia entre os frios dedos. Esses terrenos sem glória, no perfume nefasto do orgulho, os pés pisam e rebolam nas nuvens de fumo que sai por entre os meus lábios. Faz frio; não dentro de mim.
Os ramos secos são belos, mais verdejantes que o ser humano. Os galhos partem-se e já não se ouve o estalar desses membros, as folhas não estão presentes e ninguém quer saber, os troncos são grossos e os círculos estão torcidos. Olho para a palma da mão, sinto a doçura; olho para a árvore, sinto a vida a pulsar. Só no entrelaçado das vertigens, somente a aspirar minha voz, somente a cortejar meus poros. Tudo funciona assim quando ele quer vencer.
Não há tempo. Parabéns ao tempo!

Sunday, December 17, 2006

Melodia

Harmonia de janelas partidas,
Alegria das velas coloridas...

Abri um poço, oco, a neve cai...
Quente pintada, adocicada, maltratada...
Das folhas, secas, galhos nus...
O mar castanho na erva fica,
Montando o manto, cobrindo o espanto...

A melodia ria, enquanto ela dormia.
O dia despia, da noite fugia...
Ó santa e impura inquisição, ainda queimais corpos?!

Saturday, December 16, 2006

Sopro

Gelado, quebrado, vidrado...
Bálsamo de tentações a fumar na bruma.
Torcido, entretido, esquecido...
Armazenar pigmentos nos raios lunares.

Retornais às lanças de círculos, aos pesadelos
Da busca incontornável do pó...
Sentis a vontade ao cair das tentações,
E aí levantais o sopro das falésias...

As marés tocam os pés…
A minha saliva arde…
E entretanto faço tapetes projectados nas sombras
Num Crucifixo de gelo dissolvido...

Thursday, December 14, 2006

Parabéns!

Troto no meu braço ancorando a suavidade do canto supremo, cordas segurando o sopro do inferno, silhuetas de prazer inesquecível. Riscos abertos no meio da calma serena, turbilhão de bolas mágicas, e a roda num abismo de sonhos vibram em visões de desejos. Pedaços doces a levitar nas minhas mãos, encaixes flutuantes a pintalgar o rosto, cicatrizes de sangue no amor da pele apertada, resguardada.
São sensações que passam na minha Alma neste dia 14 de Dezembro. Poderia ser mais um dia, mas é o meu dia. Acordei neste dia onde as estrelas piscaram o olho, abrindo portas dos toques, vibrando na harmonia do cavalo voador. As conchas abrem-se à sua maneira, sem controlo, com a seiva de sulcar fendas de fogo, e no mar aninhando sua frieza repousante. Estas batidas batem num compasso melancólico, num sentimento único que passa a Alma, que trespassa o perfume das cores. Faço um monólogo de bolas de cristais para pingar das luas um morcego de asas negras. Sou eu...Só eu...Muitos Parabéns DarkViolet!!!

Wednesday, December 13, 2006

Pincéis



Montam cores à volta da roda,
Gira a hora sem pressa de ir embora...
Círculos dos atalhos de fogo cercam o orvalho,
Montados em sopros de pincéis,
Empedrados em chamas,
Num toque de sentidos escondidos...
Milagre oculto, fonte aberta, secreta...
Regaço abrigado, poços de mistérios,
Soalho dobrado estala na esquina...
Sons, visões, feitiços...
O espaço amplo da magia.

Descida ao Céu


Por caminhos de pedras, a água escorre por dentro dos musgos, rasgadas nas folhas outonais o vento leva aos muros as cascatas voadoras. Abre-se os bicos das aves, e os cantos dos charcos, dilui-se as cores, corre-se para o fogo com vestes de telhados de ramos.
Percorro só este caminho estreito, selvagem na delícia da pedra encharcada, agreste na silva que decota minha pele. Os pés encolhem-se no entrelaçado da vegetação, pintalgando o rosto de entranhas para suavizar a descida ao céu. Formam-se remoinhos no meu altar, descascado em ternura pelos odores das valas abertas. O esplendor do único sentimento rasga a Alma, cortejando espinhos de verdura, naturais como vitrais onde desaguam sorrisos. Ninguém chapinha nestes cordéis, enfiados nos filamentos de labirintos. Cego das asas que se seguram, levanto voo...

Monday, December 11, 2006

Argghhhhhh!!!!

Tocam os sinos

Transbordar a revisitar o convento
Para devorar derrocadas caídas
Os sinos tocam; 3 dias faltam...
Sagrados talismãs, histéricas romãs...
O nevoeiro toca o fumo,
Abraço de vento, orgulho sem assento
Retornar aos sorrisos...
Retornar aos jazigos...
Derrubar assombrações, cobrir maldições...
Encher os corações...

Veste o negro doce demónio...
A tua Alma é grandiosa...

Saturday, December 09, 2006

Thursday, December 07, 2006

Vertigens

7 facas com faces deitadas
Mirando o canto da sereia,
Tocar o som desconhecido
Da pele rasgada, aberta veia...
Demónios contemplam as fragas,
Escarpadas vertigens reunidas
O amainar inquieto da cria
No baloiçar da luz bravia
12 véus nublados...

Tuesday, December 05, 2006

Espírito de Carnaval ou Natal...

Agora que a época do “Carnaval” se aproxima com passos tumulares, vou fazer uma introspecção a esta comédia mascarada da doutrina de Jesus. São sacrifícios “grandiosos” para remar sorrisos no esboço da cruz. A salvação do advento:

De Deus e da Santíssima Trindade

“Quem é Deus?
É um espírito infinitamente perfeito e eterno. Senhor supremo, a quem devemos amar; criador e governador do céu e da terra, nosso legislador e remunerador.”
(Ainda bem que existe tal ser...)

“Onde está Deus?
No céu, na terra e em toda a parte.”
(Que grande trabalheira....)
“Quantas naturezas têm Deus?
Três.”
(Só?...)
“Quais são?
Pai, Filho e Espírito Santo.”
(E a mãe onde está?...)
“O Pai é Deus?
É.”
(E a mãe?...)
“O Filho é Deus?
É.”
(Nem pergunto outra vez....)
“O Espírito Santo é Deus?
É.”
(O Banco?...)
“Então são 3 Deuses?
Não são; mas são 3 pessoas distintas e um só Deus verdadeiro.”
(Pensei que o Espírito Santo não era pessoa...o verdadeiro ou cordeiro?...)

“Cristo enquanto Deus tem pai e mãe?
Enquanto Deus tem pai, não tem mãe; enquanto homem, tem mãe e não tem pai.”
(Eu bem sabia que havia uma mãe algures...)
“Que nome toma a hóstia depois de consagrada?
Chama-se o Santíssimo Sacramento.”
(Um pedaço de pão alimenta assim tanto?...Um dia tenho que a provar apesar de não ter a comunhão..)

Monday, December 04, 2006

Regar

Num suspiro aflito
Quebro sobre as pernas;
Erguido nas falésias
Penduro os olhos secos.
Cada pedaço rasgado
É devorado pelas cinzas,
Amigas dum desassossego,
Cúmplices do cálice eterno...
Derreto na leveza duma nota,
Fico esculpido no meu rosto,
Prateado na sombra da Lua,
Dentro dela, sufocado nela,
Ardo sem cessar,
Sem regar a lágrima...

Tuesday, November 28, 2006

Trovões Silenciosos

O som da chuva escorrega na minha mão
A salpicar orvalhados altares...

Arrepio o cabelo assediando as criaturas
Que provém do jazigo,
Embriagadas nas vestes púrpuras,
A divagar na vigília da Alma...
Deliro a cantar a fúnebre marcha
Oferecendo folhas ao meu corpo,
Nesta escada coberta de chamas.

A carne ferve nos salpicos,
Orgulhosa e contagiante,
Com cascos de trovões
A desfalecer nos lábios...

Monday, November 27, 2006

Esfera

Arranco os palhaços da guilhotina
Aguçando lâminas de sangue

Da música, na nota, no som trocado
Mutila-se o espaço...
Da blasfémia do olhar dá-se
Vida à cor...
Da viagem de serpentinas acorda-se
Para os momentos

Pinto as esferas de fogo
Em livros de crucifixos

Friday, November 24, 2006

Frasco

Andais ao relento
De vaso em vaso...
Rebentais nas cinzas
Mortas de felicidade...
Procurais povoar pétalas
Nos círculos do tempo...
Caminhais com pés descalços
Em imaculados frascos...
Atravessais memórias enfrascadas
A perguntar os ouvidos esquecidos...
Tocais faces escondidas
Nas magias nubladas...

As viagens cobertas de sonhos,
Dos licores seguem perfumados,
A trotear essências internas...

Thursday, November 23, 2006

Fantasias

Dobradas no dorso do céu...
Rasgadas em paisagens regadas...
As lanças nubladas florescem pecaminosas...

Ruínas de arpões encapuçados...
Repelentes olhos, armação de pó...
Garras dum caixão de perfume...

Fantasias, antiguidades, cor de ventos...
Camadas sobre mundos escondidos...
Suavidades em terramotos...

O som olvida a memória
De braço limado no véu...
A leveza fugidia...

Monday, November 20, 2006

Anos 80 - Uma topologia - SERRALVES


Um espelho, um punhal...
Trespassar as fotos com o movimento...
Livros homogéneos em 8 prateleiras...
Tinta levantada a ondular...
Orquídeas de chamas a cavalgarem...
Tijolo cinzento, cordéis de escadas enlaçadas...
Painéis duplos, cortados em janelas abertas, fechadas...
Olhos esbugalham, o pescoço contorna...
Pasteis de cores no terço...
Mijam na cama, mijam da cruz, sepultam-se nos pregos afiados...
Destroços queimados nas chaminés esfumados...volta...
43 contemplam o enforcado...
Tronco cicatrizado, fendas abertas dormitam...

Qual sapato calças?!

Gaiolas floriadas nas linhas de comboio, piano tocados em sons de saxofone, carvão embalado nas carruagens...
Ouvidos, murros, inversão...
Arrasta-se o mundo pelos pés, tocam desertos de informação, devora-se...
Harpa de odores africanos...
Discos de infinitas personalidades, tapadas, árvores despidas, espalhadas...
No muito tempo a melancolia afundou espinhos, circuncidados o dourado, ofuscou o vazio das enchentes de pessoas, empilharam camisas, romperam os sentidos...
Calcam rostos, voam caracterizações de sorrisos de crianças...
“Hello! I’m Jimmie Durham.”
Ossos de jaulas, a dormitar em círculos...
Vestir árvores...

Tuck...Tuck...Atchim!...Tuck...Tuck...

Tens um punhal no coração?!

Pescaram mortos, colheram a inversão...



Foto de Otto Muehl ( Artista que se apresenta em Serralves até 10 de Dezembro)
O corpo como engarrafamento de fissuras...
Exposição até 25 Março de 2007 em Serralves - Porto

Friday, November 17, 2006

Seduz

Na madrugada, o vapor da espuma toca nos pedaços de cordas a beliscar viagens de fogo que aquecem as velas do prazer. Escavar perfumes entre ramos, incendiar aberturas de chamas, resvalar nos labirintos do ardor. A suavidade da delicadeza penetra os mantos de rugas, abrindo espaços de luta, carregando mar fervorosos, esculpindo sombras de cores. Voar em teimosos ruídos que sulcam tortuosos lamentos, feitos e enlaçados em sorrisos. Veias de fendas feridas, o simples saborear dum sopro, o alento desdobrado em trovões, o imaginário da realidade saltitante. Reconhecer os ligamentos num cheiro, no fim do medo. O suor pestaneja numa melodia!

Thursday, November 16, 2006

Gritos

Olhei para trás, e o que vi atrás de mim? As cinzas do meu olhar ou as peugadas da minha sombra? Talvez somente o deslizar duma nota musical. Aquele som de cabelos molhados, longos, firmes, pousados na neblina duma distância limitada pelo pó que se levanta. Bracejo as mãos no ar, virando, contornando a espessura desta intensidade, densidade de grãos, aglomerados de poeira das vivências que devoro na sombra dos cabelos. Não deixo cair o sopro do vento, pego nele com as letras do esquecimento e faço a minha tela de sedimentos soltos. Por isso olho para trás, para dar mordidelas sanguinárias, como se estivesse a degolar minha Alma, e no momento de sugar o vazio preencho-me de nevoeiro. Volto ao período das trevas num cavalo de tinta negra... Isto é o meu mundo, que foi feito para ser devorado pelos suspiros de gritos.

Tuesday, November 14, 2006

Pêndulo

Acolheram no seio a palavra, a comédia dos sons propagou-se no ar e, entretanto no meio da balbúrdia das folhas que se espalham, existe no berço da árvore a forma duma cadeira que as raízes esboçam. Cravado no tempo as cicatrizes da casca enrugam-se, enroscam-se, as letras tornam-se impotentes e no vento que ondula em torno do tronco que penetra os sentidos, as linhas, a água, tudo escorre para o charco. O pêndulo da pintura abstracta não provoca milagres no meu sorriso. “ Como é possível haver caos no vazio?”. Embalo a ribeira dos sonhos com o olhar, deixando amadurecer a pele das pernas dentro da água estagnada. Repouso nestes segundos do dia, em que o Outono canta melodias, em que as arvores deixam cair suas folhas, em que o meu corpo se deixa aninhar ao sabor da água.

Thursday, November 09, 2006

ASSIM FALOU ZARATUSTRA II

"Amar e desaparecer: isso conjuga-se deste toda a eternidade. Vontade de amor: é também estar pronto para morrer. É assim que eu vos falo, cobardes! " 120

"Os maiores acontecimentos não são as nossas horas mais barulhentas, mas os nossos instantes mais silenciosos" 129

"Um leito medíocre aquece-me mais do que um leito rico, porque sou cioso da minha pobreza. E é no Inverno que ela me é mais fiel.
Começo todos os dias por uma maldade, rio-me do Inverno tomando um banho frio: o que faz resmungar o meu severo amigo." 169

ASSIM FALOU ZARATUSTRA - NIETZSCHE

Tuesday, November 07, 2006

ASSIM FALOU ZARATUSTRA I

"...Enfim, meus irmãos, tomai cuidado em não fazerdes mal aos solitários! Como é que um solitário poderia esquecer? Como poderia retribuir o que se lhe fez?
O solitário é como um poço sem fundo. É fácil atirar uma pedra para dentro; mas, se caiu mesmo até ao fundo, quem a conseguirá tirar?
Tomai cuidado em não ofenderdes o solitário! Mas se o fizerdes, então matai-o também!
Assim falava Zaratustra." 65
ASSIM FALOU ZARATUSTRA - NIETZSCHE

Monday, November 06, 2006

Fugitivas

Renunciar à invulnerável tentação,
Ó fugitivas estrangulais a expressão;
Dos túmulos sagrados que estão enterrados!
Não arriscais a vossa destruição,
Somente sentadas esqueceis o coração.

Adornam ardentes os olhos de paixão,
Ó fugitivas duvidais da própria criação;
Dos antigos rituais deixai-os embriagados!
O rio ensanguentado da vossa perdição
Abrirá fendas na justificação.

Ó fugitivas que sois inesgotáveis...
Ó fugitivas da renúncia...
Ó fugitivas, a chuva cai na Lua...

Thursday, November 02, 2006

Últimos Poemas Esquecidos De Outubro III

Vidente

Sacrificaram a intensidade de tragédias
E nas palavras dispersas, rasgaram o vento
No meio de trovões, punindo os dias
Que se perderam num sopro, num alento...

Da noite deflagram fogueiras esqueléticas,
Areias quentes sentidas na moribunda sombra
A enroscar, a contorcer, a esquartejar, esquizofrénicas
Nuvens que se escondem na penumbra.

Os picos singelos vestidos de mancha quebrada
Furam pelo tempo, fardados...Aí ouve-se
Algo....O alisar contraído do vidente...

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Constrangido

Os bordéis são vossas tocas.
Encheis de álcool os excrementos
Em volta de remoinhos,
Engolindo falsos risos.
Do beber trocais
Para do nada fugir,
Para um baú oco com remos ir.
Até que incendiais o fogo,
Humilhais a indiferença
E no Outono tudo vai ver a lareira,
Sem saber onde ela está...
Descalçais a superfície da casca,
Mordendo num toque fugitivo
Ou num abcesso ridículo do olhar...

Fico constrangido dentro da futilidade
Estando felizes, sossego...frio e gelado...

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Ancião Abandonado

Andais a sepultar flores
Em cima das campas que não são vossas;
Acasalais nas fendas das dores
A perdoar humilhações nossas;
Amaldiçoais arder nos vitrais
Por dentro de Almas seladas;
Purificais trocas em poços infernais
Pela memória das badaladas...

Cadáveres gigantes engolirão as cruzes
Do pó empilhado, a seduzir
O ancião abandonado.
Nada restará além da dança das colinas,
Na lembrança esquecida das unhas mutiladas...

Monday, October 30, 2006

Caixão

Colocas o caixão no meio das pétalas,
A tremer de espanto pintas
O esboço da cera que ondula nas velas,
A flutuar, a ferver nas brumas...

Transportam cantos no tecido,
Navegam ossadas de sentimentos...
A lágrima rompe, o rasgado
Rosto pinga com alimento...

Madeira suada...
Corpo maltratado...
Alma queimada...
Mármore moldado...Envidraçado...

Saturday, October 28, 2006

Wednesday, October 25, 2006

Poemas Esquecidos De Outubro II

Galhos

Ocultas a montanha coroada
Onde barcos divinos provam o vinho;
Pegas o frágil colo enrolado em linho
E os murmúrios da água abandonada...

São matrizes cruzadas, de dedos afiados...
Funis perturbados com o silêncio oco
Dum sorriso de asas, que fazem voar como louco
Os imortais ecos de galhos crucificados...

Os espíritos param nos altares
No mar, no ar, suspeitam das folhas
Em cada canto, dando tons às entranhas
Para perfumar, perfurar, os ramos encantadores...

...........................................

Mutilação

Chamaram a polícia...
Querem-me prender estes canalhas.
Têm os bastões hirtos, com a saliva a exaltar-se;
Nem os fantasmas dos pesadelos
Contidos nas grades os faz desaparecer
Na sua própria humilhação...
Bando de fornicadores
Que mutilam os órgãos dos anjos
Rindo-se das cicatrizes alheias
Para mostrar as fezes...
Os seus odores mesquinhos
Declamam a ocupação
Dos seres supremos...
Mantenham-se nessa ilusão
Seus cobardes.
Venham-me prender
Que ides ficar sem pele,
E aí sabereis como
Provar a vossa pútrida carne...

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Sei

Não sei de que cores pintaram as nuvens
Talvez de Lilás...
Talvez de Negro profundo...
Não sei onde está magia das mãos
Talvez em pó espalhado...
Talvez em cinzas perfumado...
Não sei como fizeram os socalcos
Talvez com miragens...
Talvez com mera ilusão...

Semearam pontes...
Armadilharam sem destino as trevas...
Plantaram desejos de maldições...
Acenderam marés-cheias de sons...
E no fim perguntaram num sufoco de letras:
-Ainda pensas em voar?...

Friday, October 13, 2006

Poemas Esquecidos De Outubro

Suavidade

A lua afunda-se na manhã submersa
Sem o tempo a pautar o toque,
Com sopros a acariciar
O esqueleto indestrutível da suavidade...

Porventura meus olhos fecham-se
Na elegância suprema de voar,
Distraio a mordidela,
Arranco no destino da palma da mão.

O bosque cheio de charcos
Perfumado num espelho olvidado...

My eyes are bleeding,
You are in my eyes...

......................
Chuva de Licor

De Alma corrente,
Deus de lábios com rios
Molda nas mãos os fios,
Escorre pela mente
O grito contido da semente...
A chuva de Licor;
Impiedosa e Cruel...

.....................
Tatuagem de Lua

Tenho a noite no meu berço
Embalado nas estrelas de fogo,
Morte árdua e dançante...
Vestes negras acorrentadas ao céu
Pingam a coragem do olhar,
Dum momento de lucidez colectiva
À ruptura que na moldura dura,
Tem na escultura o grande pendura...
Sempre com a mão tatuada
De prata dourada...

...........................
Punhal de Vida

Ó esqueleto sem ossos, que olhas do tecto
O tédio da atracção por máscaras,
Vazio da indiferença, atado em amarras

Se tocas dormente, vermelho teus olhos ficam...
Se chamas ocas queimam, teus braços seguram...
Se folhas caem, tuas vestes pintam...

Então, de que forma são tuas asas?
De mel embaciado, ou de gelo embalsamado?
És mórbido, louco insano!...Confundes as Ruínas.

Fogem de ti, da mesma maneira que se atam na cruz.
Sopram veemente por fogueiras secas, de luz
Nua a escapar nos canais ensanguentados.

Misantropo um dia te chamaram,
Num estranho orifício d desejo,
Assustaram-se com o jazigo ou um beijo!

Ceifas cada rosto, perfuras os seios,
Deixas o punhal dilacerar sem devaneios
E, sem remorsos perguntas quem és...

São longas tuas garras, afiadas sem espessura,
Negras, que um carrasco limou,
Enquanto na atmosfera caía a água pura.

São os traços, cicatrizes ou arestas floridas?
Sangram na mão? Loucura? Apenas sopros
Pálidos do olhos fascinados nos corpos.

Da Alma que cuidas na morte, sentes o odor
De lágrimas que se esfumam no assassínio da dor.
Chamas a ti a noite eterna dos corvos...Sangue!

Always red in your dress...undressed
“Loving you is like loving the Dead” – Type O Negative

Sunday, October 01, 2006

Até Já

A vida é assim. Tenho que continuar no caminho. Não vou seguir o caminho que queria, mas não posso fazer milagres onde não consigo ir com um simples pé. Parto triste e com os pés descalços, mas com o orvalho de danças na minha Alma que um dia crescerá de alguma maneira.

Saturday, September 30, 2006

Para ti...

Para ti Duende:


Em cada sulco que irás traçar na tua calçada faz a água escorrer em cada pedaço da tua Alma, forte e contagiante, num perfume que rasgue tua pele e se funde dentro de ti. Que o odor da palma da tua mão faça transpirar os pingos da tua vida e que plantes cada orvalho no teu coração, e não te esqueças de fazer florir cada pigmento. As Essências que flutuarão no teu peito moldarão o teu suspiro, para que possas sorrir em cada pé que o teu manto se estender. Que a chuva miudinha te sirva de telhado, em que as estrelas brilham com a intensidade dum brilho incessante.
No meio dum castelo cheio de grãos de areia semeia potes de felicidade, sorrisos contagiantes, misturas de cores, levitações de desejos e silhuetas de serpentinas. A tua respiração sirva de alento, de refúgio, de serenidade, de vontade, de tempo em estar, tudo isto para as pessoas que te Amam. Nas flores do jardim do teu castelo faz florir essas Almas de Essências, abraçando cada uma delas no teu ninho de prazer, num dragão que lance chamas de paixão.


Orgulho!!!

Não há tempo....Parabéns ao tempo!
Ninguém gosta de ninguém, nem ninguém gosta de si próprio. Vive-se por viver, sem dar valor ao que se têm, nem ao que nos dão, nem ao que damos aos outros. Cria-se a ilusão que cada pessoa é importante, vê-se, toca-se e vamos todos embora. Parece que tudo vai desaparecer por magia, um dia dizemos que queremos e somos assim, no outro somos doutra maneira. Não interessa haver coerência de actos, nem de pensamento. Tudo se reflecte em interesses momentâneos de cada pessoa. Olha-se para um lado e depois olha-se para outro por achar que é melhor. Não vale a pena dar respostas porque aí se quebra o orgulho que cada um tem. E o orgulho é o motor das pessoas esquecerem as pessoas, e de como elas são belas. Enaltecemos essa merda de palavra que dá ao ser humano um sentido de poder...Viva o orgulho!!! Nunca se diz às pessoas o que sentimos, o que realmente queremos, dizemos sempre o que vemos de mal em nós aos outros, teorizamos e quase nunca aplicamos essas teorias em nós. Somos todos assim, um vulcão de orgulho, em que simplesmente fechamos os olhos e viramos para aquilo que nos dá mais segurança, o dinheiro (um engano na minha óptica de ver). O dinheiro nos seus mais diversos aspectos: um emprego, um carro, uma casa, um marido, mulher, Homem que pode ser moldada/o como quisermos, e nos seus afluentes. Há pessoas que não ligam nada a essa treta, nem se importa em querer conquistar essas coisas supérfluas, sou eu. Deveis todos lutar por isso, que isso seja um tormento de grandes conquistas, e se no fim dessas batalhas conseguirem algo, parabéns pelo vosso tempo gasto aí.
Não é necessário de estar com as pessoas para estarmos a pensar nelas, e mais vale pô-las e deixá-las no lixo para ver se elas apodrecem e vivem no estado que elas quiserem. Sempre foi assim que me fizeram, puseram-me ao abandono, pus-me de lado, e com este modo de pensar eu não estou para me misturar, mas acabo por fazê-lo. Ás pessoas que sentem pena das outras pessoas é porque realmente não souberam acreditar. Sentir pena de algo é um sentimento de compaixão em que não se faz nenhuma força para mostrar que se quer. Nem sei se a pena pode ser considerada um orgulho, talvez seja.
Mais curioso nisso tudo é que aparecem sempre pessoas novas que nos dizem que tudo vai mudar e tudo fica na mesma, porque quando aparece alguém que tem essa força, há a pena, o orgulho, o tempo, e outras coisas que se metem no meio. O ser humano é assim, parabéns. Não deixa de ser verdade que tudo evolui mas nem tudo passa. Algumas coisas permanecem e permanecerão devido a serem fortes e verdadeiras. Apesar de tudo ainda não consigo fazer milagres, mas um dia hei-de conseguir...:D.
Não há tempo. Parabéns ao tempo!

Saturday, September 23, 2006

Pétalas

No imaginário das cortinas,
Intervalos de tempo borbulham
Em misturas de vento selvagem...

No desejo das colinas
Cai os braços molhados
Em que o céu serve como manto...

Palavras de sentimento
Num perfume dum frasco escondido,
Para a magia não tocar
A cicatriz esfumada...

Em cima da lápide choverá pétalas...Minhas...

Braços de Cabelos

"Um sol vai-se afogando,
Deixando o mar envolto na escuridão
e imensidão dum céu estrelado.

A brisa da noite acorda.
E com ela as ondas ganham
seu ritmo e abraçam as rochas
com a força tão desejada.

Sento-me a teu lado e,
camuflados pela negrura que nos
rodeia, abraçamo-nos contemplando
a beleza e misticidade do nosso
mundo."

M.


VOAR NOS BRAÇOS DO TEMPO


No teu mar ondulado
Os cabelos perfumam as crinas do prazer...
Em cada socalco odores de Outono
Transformam as folhas em arco-íris...

Pintados em telas com cavalos que voam...
Pintados nos caminhos de fogos...

Sorri em cada canto da Lua...
Sorri em cada voo que fizeres...
Sorri com uma força duma gargalhada...

Arrepios de cores no teu rosto,
Na vista despida do orvalho
Canta as notas dum suspiro alegre...

Voa nas ondas do cabelo...
Saboreia as estrelas...
Dança nas mãos do tempo...

Thursday, September 21, 2006

Outono

Chegou o Outono a cantar sobre as chuvas. As folhas molhadas dormem no chão, espalmadas no ventre, e os telhados pingam a saudade que já não é saudade. Som que mingua na sua grandeza de saborear a natureza, os odores frescos de árvores que se começam a despir debaixo do céu estrelado.

Tuesday, September 19, 2006

O que é Amar?

  • Sentir as pétalas descair na pele, e levantá-las com um sopro...
  • Andar em remoinhos de licor, e estar sempre a extrair essências...
  • Tocar o céu com uma mão, e na outra a terra...
  • Abrir portões de flores para enternecer o frasco...
  • É ter cordas que vibram numa montanha...
  • É prolongar o nível imperfeito de desaguar no mar...
  • Mencionar os fragmentos na palma da mão, enquanto as quatro são acariciadas...

Tinha mais algumas definições, mas quis que fossem somente 7...


Monday, September 18, 2006


O céu como horizonte...
O mar como monte...

Thursday, September 14, 2006

Brincar no orvalho

Não há sossego em mim que transborda na evaporação do meu perfume. Os sons do pingar molham o meu peito em toques de frieza, num andamento que circundam o estado de remoinhos perfeitos, mas aí a leveza vai de encontro ao mar, ao encontro doutras paisagens. No meio disto tudo não me impede de ver onde está a minha essência, de observar que em cada passo que dou os pés moldam um ser mais de acordo com uma árvore despida. Numa árvore em que baloiço a brincar com o orvalho, somente a desfolhar as folhas, pintando as cores das estrelas, em que vou de encontro ao rio que corre das montanhas brancas...


*Foto tirada em aveiro numa loja de artesanato

Monday, September 11, 2006

Templo

Sou uma jangada
Que corre para este.
Num alivio destemperado
Regresso ao templo,
Do tempo, que contempla
O último uivo parado.
A fogueira esconde-se
No nascer do sol,
Plantado num cabide
Nas profundezas rudes
Da cor espalhada.
Atiço com serpentinas a jangada
Colocada debaixo da palma da mão...Suspiro...

Friday, September 08, 2006

Conversa de MSN

Conversa de MSN entre "eu" (DarkViolet) e um amigo meu (DarkAngel)
P.S: Peço desculpa pelos erros ortográficos LOL
DarkAngel:
k tal?
DarkAngel:
cumpriu o objectivo?
DarkViolet....
sim...fiquei feliz

DarkAngel:
pq é k kerias comentários?
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
é teu?
DarkAngel:
claro
escrevi ambos em 5 min
enquanto trabalhava
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
escreves maravilhosamente bem...fiquei surpreendido
DarkAngel:
tb n é preciso gozar
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
queria pq estou numa fase que queria sentir as pessoas
estou a falar a sério
muito a sério mesmo

DarkAngel:
aposto k gostaste mais do primeiro
ambos são sensações diferentes
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
é verdade
DarkAngel:
um representa o desespero da ânsia e da possível impotência
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
mas o segundo está mais virado para mim neste momento
DarkAngel:
o segundo representa a vontade da acção
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
preciso de sentir a montanha
DarkAngel:
é ideia de k somos o centro de tudo
nós somos a montanha naquele momento
altos e terríveis
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
majestosos e tormentosos
DarkAngel:
sábios e antigos como as raízes da terra
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
com ardor de sentir a liberdade
DarkAngel:
de ter poder para fazer alguma coisa
qq coisa
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
por umas asas e sentir o vento..tocar e resplandecer
DarkAngel:
mas k para nós é tudo
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
estou imensamente surpreendido
DarkAngel:
sim, o vento n é mais do k as consequências das nossas acções
continuas
e no entanto objectivamente finais
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
só por esta parte da nossa conversa valeu a pena ter-te mandado o mail
circunscrito às linhas da imaginação que se propaga na pele e leva a vontade aos pergaminhos do ser

DarkAngel:
a vontade já lá esta, sempre, e no entanto basta toque de resolução, k pode provir de algo k nos é alheio e estranho
a vontade é estranha
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
são vestes que fazem agir cada partícula para colisões que não são esperadas
DarkAngel:
sao as vestes da decisão
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
e quando se decide deixa-se sempre algo para trás
DarkAngel:
k por vezes diz mais a outra sede do k à nossa
significando algo k nos é desconhecido
mas ao mesmo tempo familiar
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
talvez esteja escondido e não se quer ver os contornos que ali estão..verdes, maduros ou a apodrecer
DarkAngel:
sim, a vontade é uma coisa terrível
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
derruba o céu e fica a escuridão visível
DarkAngel:
o k nos vale são os sopros k nos acariciam a face dando assim algum conforto perante o inevitável
que acaba também por ser um continuo de ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
isso acaba por ser mau...pq penetra e dá cabo das arestas limadas...mas por outro lado cria outros horizontes...remoinhos atrás de remoinhos
DarkAngel:
mas essa é apenas uma de muitas sensações, todas completando-se umas as outras completando um ciclo k cujo fim é o de nós mesmos
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
a verdade de existir por entre nossas paredes e cada fragmento ser engolido...tocar e sentir...expandir...
DarkAngel:
até que não somos mais do que uma esfera vazia, consumida por tudo o que nos rodeia, a não ser que a Razão se sobreponha ao sentido da Vontade
e nos reduza a uma imagem una e única
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
saber se ela está vazia ou tem pedaços de vento, é algo que sempre será uma parte que terei de escutar
DarkAngel:
os pedaços de vento são o fogo não controlado que nos leva à expansão
sao a fonte da vontade
o motor da existência são os fragmentos de vidro que avidamente a esfera consome centrando-se em si cada vez mais
até que acaba por ver apenas o chão quebrado
e os gritos de lamentação não são mais do que um mar de passado resumido a um ponto
o presente
apenas isso
nada mais
um futuro e um passado vazia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
se vemos algo quebrado é pq algo existiu ali...só falta mesmo é saber moldar cada pedaço nas cores dos pigmentos que cada um sabe dar...faz tão bem gritar...
DarkAngel:
esse algo que ali existiu nada mais é do que a ilusão do eu
do eu que sabe o que quer, que sabe quem
é
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
saberá?
DarkAngel:
distorcido pela ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
sabe fragmentos
DarkAngel:
não espera saber, pois apenas vê fragmentos
esses fragmentos são ele próprio
distorcido pela sua visão, pela vontade
animado pela sua ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
querer e ir atrás...ir e saber que se perde algo, mas não se pode lamentar..ou poderá -se?...
DarkAngel:
a existência para alguns é um todo de lamentação
pelo que não fizeram
pelo que fizeram
ocuparam um mundo, com um nada. expectativas goradas
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
só falta mesmo é lamentar por aquilo que não fizeram
lol
esquece
só falta mesmo é lamentar por aquilo que farão
assim está melhor
DarkAngel:
pois,
e impossível fugir ao ciclo
a esfera só pode crescer
o presente nunca é imutável
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
sem limite
talvez o ciclo volte ao inicio
DarkAngel:
n, n pode, o ciclo n permite a repetição de eventos
nós não o permitimos
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
temos medo de cairmos no mesmo lado da fronteira
DarkAngel:
o medo da ineficácia é um poderoso inibidor
é a ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
criar ilusões de atingir metas e tentar cumpri-las..mas é necessário isso...
DarkAngel:
e no entanto não são mais ilusões do que a dor
A realidade é que é ineficaz
prendendo a vontade no fundo da cadeia alimentar
largando-a consoante os desígnios secretos
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
talvez um tormento muito além das expectativas...é necessário pescar em águas que nao se sabe o peixe que pescaremos...arrancar cada sonho para a realidade
DarkAngel:
e no entanto esse sonho nunca passará disso, o poder é uma ilusão
apenas temos as sensações
como um sabor que antecipas
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
é preciso voar sempre para um mundo que esteja invisível...quebrar horizontes
DarkAngel:
mas nunca esquecer as ancoras da realidade
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
são filamentos que nos ligam à terra

DarkAngel:
sao as raízes do saber
ou as correntes da vontade
como agora te é dado a perceber, a minha ânsia traduz-se na imagem
e a vontade, na realização do ser Um
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
a questão do egocentrismo
DarkAngel:
o egocentrismo traduz-se na ânsia
o ser Um é o ser por detrás da vestes

Duende

Abraço tua Alma num voo
Olhando para a Lua pousada na asa.
Caminho pelos dedos das penas
Tocando o pousio da tua mão.
Atravesso a silhueta das velas
Ao contemplar-te nos meus braços.
Sim..Olho para a Lua...
Sim...Olho para ti...
Quero-te enrolada
No ardor do frasco
Derramando pétalas de essência...
Perfume da ternura de laços...

Thursday, September 07, 2006

DarkViolet

Brilho no capuz do teu rosto
Para pronunciar o sabor dos teus lábios
Num momento que descai nas veias,
Num balanço para trovejar crinas...
Oscilações de saliva
A mergulhar em ondas de fogo,
Minha Alma espessa
Desfila nos teus pigmentos.
Lanças escorregadias dos olhos do mar
Nas conchas belas da tua pele...
Adormeço nas cavidades...
No luar transbordo em ti...
A pingar...

Tuesday, September 05, 2006

Furadouro

Na neblina da noite
Cai o orvalho de chuva,
Peugadas frescas de conchas
A riscar arrepios na areia...
Os silenciosos ramos
Profanam a mansão;
Onde tocam flautas de sinos,
Onde os espantalhos adormecem.
Descai o Verão debruçado
Sobre o telhado de palmeiras,
No ninho da cegonha
Que voa alto, a brincar num bailado...

Thursday, August 31, 2006

Navegar

Navego nas paredes do esquecimento,
Em laços mudos
Na vitrina do sótão...
Escapa-me a lua num funil,
Tão fino de fumo que borbulho
Na solidão da beleza...

Dou gritos...ninguém me ouve...
Dou suspiros...ninguém os abraça...

Ouço unicamente a partitura
Do meu ser...
São sons fortes de trovões
Que rasgam os seres que me querem sentir...

E os que não me tocam, sentem?...

Tuesday, August 29, 2006

Pincéis

Montaram uma grande fogueira
Para embalar o tempo
No sopro mágico das escamas...

Abriram valas de lava
Onde esconderam
As chamas de pincéis...

Penetraram odores
Suculentos de perfumes
A olhar as montanhas...

Mas esqueceram de perguntar:
Quem é a pessoa que toca
No suspiro da essência?

Saturday, August 26, 2006

Pensamento

As forças das palavras são impotentes perante as forças dos sentimentos. A acção de mover montanhas apenas depende do como se quer mover, e se ela for flexível a esse movimento. E isso nunca mudará por mais que a onda bate de outra forma.

Eu nunca entenderei porque se foge da vontade de ser feliz. Perco em cada dia os pós de sentir os seres humanos. Não porque não têm beleza, mas devido a eles somente quererem momentos. Não vale o esforço de lutar por isso. Tenho sopros na minha pele, somente isso. É bom, mas para mim nunca chegará esse ar rarefeito. Jamais...

Friday, August 25, 2006

Campânula

Entrei no nevoeiro de tocar
O horizonte da campânula,
Adocicando o meu perfume
Nas artérias do destino.
Mergulho nas Almas
Desprovidas de odor,
Ardidas nas sombras
De galhos húmidos...
Sobem os ventos do Outono
Em cada Falésia desconhecida...
São os meus sonhos
De voar por cima da montanha,
De voar agarrado à fantasia...
Um eclipse Lunar...

Wednesday, August 23, 2006

Cortesã

Nas labaredas, a chama irrompe
Sem o destino do tacto...
O frasco de essência
Quebrado no nevoeiro
Perfuma o rendilhado espelho...
Reflectem odores de fogo gelado...

E assim a incógnita cortesã
Que borda o riacho,
Que devorado aglomera-se
Dentro da Alma,
Voa nas suas asas...

Uma lenda dedilhada em velas
A naufragar nos sentimentos...
Forte, moldada na lápide de fogo...

Tuesday, August 22, 2006

Sopro

As trepadeiras humanas
Tilintam com pés descalços...
Ardem nas cinzas,
Como pó a olhar
O vazio das sensações...

A Alma sente-se
Aninhada dos seres humanos.
Cada vez mais longe.
Ainda tento fazer pingar
O orvalho dos filamentos
Das nuvens...
Uma brisa, ou talvez
O som do tormento...

Sorrio nesta paisagem...
Desarrumo a máscara abafada
Com o sopro de abismos...

Monday, August 21, 2006

..."They keep calling me"...

E hoje acordei ao som de Joy Division, porque existe no refrão da música "Dead Souls" uma parte que me deixa encantado..."They keep calling me"... A metamorfose dos lugares deixa-me confuso, a metamorfose das pessoas deixa-me indiferente, mas o som da simplicidade das cordas de violino que estão penduradas na minha Alma, enchem-me de esperança...

Dead Souls

Someone take these dreams away,
That point me to another day,
A duel of personalities,
That stretch all true realities.

That keep calling me,
They keep calling me,
Keep on calling me,
They keep calling me.

Where figures from the past stand tall,
And mocking voices ring the halls.
Imperialistic house of prayer,
Conquistadors who took their share.

That keep calling me,
They keep calling me,
Keep on calling me,
They keep calling me...

O que ouvirei no horizonte do nevoeiro?...

Thursday, August 17, 2006

Espreguiçar

Passos que soam fortes
Na pele do destino...
Estão cobertos de espuma
A circunscrever o futuro das florestas...
Abertos ou rasgados, voam no alto
Dos montes,
Velas acesas...

Viagem do puro prazer
Da Alma cigana...

Perceber a minha linguagem é árduo...
Pingar no meu orvalho é doloroso...

Mas eu vou...
Voarei nas desconhecidas queimaduras do gelo
Que não ousam penetrar...
Irei lá ao fundo
Onde a chama de mim serenará...

Uma questão do sopro se espreguiçar...

Saturday, August 12, 2006

O que é mais glorioso, Amar uma mulher ou dar uma sopa de legumes a um pedinte?...

Thursday, August 10, 2006

Trepadeira

Não entendo,
simplesmente não entendo.
Não é que não consiga sentir
este calor abafado a percorrer meu corpo,
não é isso que me faz flutuar nos sentidos.
São as paredes imóveis,
que não têm nada de estagnação,
reflectem para onde desejam,
ficam mudas nas suas irregularidades.
Não penetro onde não me querem,
certas audácias
não são permitidas
para eu pintar tantas cores.
Sei que os dias ficam
mais curtos a vislumbrar
o contorno das paredes.
Efeito Outonal com certeza.
Por vezes em salpicos,
vejo trepadeiras que se agarram nas pedras enroladas.
Paredes de vidro num opaco transparente,
linhas verdejantes com troncos finos,
quebrados pelo tempo
mas erguidos na modéstia.
São assim as paredes que me deixam confuso,
mas tão perplexo
que não dá para ter complexos.
O calor do sol na parede
apenas faz secar o belo esboço das trepadeiras,
e no horizonte de pétalas o olhar corre.
Um corrimento que dá para sentir o que não entendo.
E pergunto-me o que eu não entendo?
Não entendo o Verão,
porque simplesmente Amo o Outono.

Tuesday, August 08, 2006

Fumo da Chuva

Ancorei no último fôlego
Num suspiro gemido...
Amparei a ventania gélida
Ao largo dum sopro límpido
Em que reconheço a entranha de ti
Ao esvoaçar...
Um canto noctívago
Prolonga o êxtase da mansão,
Endiabrado em chamas,
O fumo da chuva...
Rua...Nua...Lua...

Monday, August 07, 2006

Números

Na cor de estar tudo indefinido só tenho que seguir o que está correcto. Somente o sonho que é meu, a ambição de voar com asas de papel para entrar em chamas, o caminho da sorte... Sei o que sinto, mas já mais nada interessa nesse campo. Faço o mais belo poema de Amor e assim vou marchando para o abismo do sentimento. Tentarei cumprir a última etapa que tenho para fazer. Espalharei as últimas cinzas neste jardim, com as forças de tempestades, com as minhas mãos de asas...E aí serei, e sentirei a flor de arcos. Interessa sentir o futuro nas suas dimensões floridas.
10 - 23 - 32 - 35 - 40 - 47
1- 19 - 27 -28- 41 - 43


Sunday, August 06, 2006

Lembrar os últimos suspiros são caixões abertos na sepultura. Fragmentos de cor e de Alma.

Thursday, August 03, 2006

Acho que é tempo de correr atrás do sopro da solidão.

Wednesday, August 02, 2006

Peregrinar

Correntes de espaços abertos,
Mergulhados nas narinas,
Repouso em searas sem nexo.
Queimando a Alma no perfume,
Ardando sem vontade.
Transbordo naufragado.
Complicadas palavras
Que fecundam a ausência,
Transformo o baú de cogumelos
Num elixir...

Peregrinar a imortalidade...
Ceifo a crina do cavalo...Amo...
Planícies...

Sunday, July 30, 2006

Dó sem Pó

Longe do uivo da minha pele
Borbulho o fantasma da Alma
Rasgando cada cicatriz feita em cruz,
Polindo o cálice da Lua
Na língua do vampiro...
Objectos, Sons, Miragens...
A sombra do esquecimento
Nas escadarias dos violinos ,
Pego na tatuagem de pó
E engulo a saliva sem dó .
Devoro a degolar-me
A teia do reflexo
Dentro de labirintos de folhas secas,
Fora do paradoxo do abismo infernal
O olhar fica distante, escondido...

Friday, July 28, 2006

Convés

Cordas de remos
Degolados na madeira...aldeia...
Cheiro de anestesia
A sacrificar o fumo...
Abana o vento gélido,
No ardor árduo da saliva,
Na transparência oca, molhada nas vestes,
Ardida na devastação
Do odor do mar...

Sou eu a olhar no convés,
A sentir as penas no meu cabelo...

Tuesday, July 25, 2006

Pés Voadores

Movimentos lentos de veias
Neste amargo sabor de boca...
Preferidos ou preteridos,
Escolhidos ou escondidos...
Amostras de folhas
Nos riscos diabólicos da saudade...
É o orvalho a crescer
Onde se ouve palpitar as sementes...
Cresço, e um dia desaparecerei
Com os pés voadores do destino...
...Na montanha...

Sunday, July 23, 2006

Poção (23)

Mergulho nos ramos
Que ardem no corpo...
Estilhaço os dedos dedilhados
Da Alma fervente...
Os espelhos coloridos de bolhas
A queimar o vento...

Sabes como obter uma estrela de chuva?

A poção do tempo
Na mistura de aguaceiros...
Um rasgo de leveza
No olhar enfeitiçado...
O fogo das mãos
Na permuta das brasas...

Sabes como funciona uma ampulheta?

Acreditar, Acreditar, Acreditar...
Que tudo desce no meio da vidraça...
Dois ou Três...Ou ambos juntos...

Saturday, July 22, 2006

Desfile

Hesitei perante a perspectiva da eternidade. O desfile íngreme a tingir estes penhascos, rabiscam o corpo calcinado, em que prendo as amarras soltas. Tenho um ponto, um rosto tão tosco, osso...O sotaque embebido na poltrona do destino. Sou uma névoa de transparências que umas vezes se ouve, e outras não.

Thursday, July 20, 2006

Que forças tenho para enfrentar este dia? A ver vamos...

Wednesday, July 19, 2006

Trovão

Peguei numa cadeira e sentei-me no canto da janela. A noite já ia alta, mas o sono não vinha. Sinto-me a desfalecer sem ebulição, um arder de sentimentos suspensos nos relâmpagos que aconchegam meu olhar. Refugio-me nas chamas do céu que teimam em querer explodir na palma das mãos, e resvalar nas chamas dum tempo ardente. Estou no meio do trovão que cai das nuvens e que dá luz neste sossego atormentado da minha Alma. Pego neste fogo e gelo-me de cicatrizes...
Acorda demónio, ou adormece no leito de espinhos, ou penetra tua Alma com galhos vestidos de tremores...

Tuesday, July 18, 2006

Parabéns

Galopar nas nuvens, ali, aqui...trota, trota, o galope de cabelos soltos. Ao vento do som dançante; canta, canta, canta. Cada arpão que sobrevoa as pisadas dos tempos intemporais. Sente-se os sons das léguas, de espaços apertados a cortar o vento...rasgos fortes de sonhos que chorariam da planta para o vaso, com olhos arregalados a medrar...Quieto e pausado, enche-se canteiros de cataratas, pisadas fortes a rebolar em balões que sobem, descem na pele, adormecem em sonhos de serpentinas...Um turbilhão de segmentos a piscar o remoinho das peugadas...descaem em pingos....Cai delgado no espaço ténue de velas...O brilho da transparência, a lã desfiada em socalcos da imaginação, um corredor de espuma para celebrar o orvalho perfumado...asas de intuição ou perfeição? Parabéns!
E hoje a chuva caiu. Fi-la cair das estrelas...


Sunday, July 16, 2006

Entro e Saio

Entro no espaço vazio...
Entro no calor seco das imagens...
Incertas asas sobre as nuvens...
Impulsos tremidos de ventos...
Alma arrefecida de sons...
Saio das janelas partidas...
Saio molhado de desejo...
Saio para ver a tela...

Friday, July 14, 2006

Misturo

Não mudei. Não tenho por onde mudar.
(Até tenho os lábios abertos)
Sento-me na cadeira
E observo como o pó se espalha debaixo dela.
(O abismo tem dentes afiados)
Rodopio os olhos de encontro à carpete
Rasgando as cores
(Tintas de fumo)
O chão cheios de pincéis Pedem a mão
(Penetro o vento)
Duas cores vêm à memória...Duas...
(Misturo o céu)...

Wednesday, July 12, 2006

Cavalete

O túmulo da timidez chega perto do seu fim...
Abro a campa olhando para o céu de nuvens claras...
Abro as pétalas dum sorriso melancólico...
Alegria da Alma nas masmorras a verter...

Pego na mão para colher a suavidade...
Rasgo o ventre do monstro
Na concha de balões...

Sinto o arrepio do contraditório...

Fantasmas da aguardente
No rosto queimado...
Enigma de espelhos...

Não se dança sobre o cavalete...Queria...

Tuesday, July 11, 2006

Lua

Partido em asas de baloiço desprendido, vai o mar chegar à Lua. Nas ondulações do ventre materno, o desassossego da Alma chega aos patamares do inferno, num som que habita um mundo inacessível das fogueiras que ardem sem nexo. Aperto o nó da garganta para pendurar a foice de lágrimas que desagua da Lua. Este gosto supremo de levantar o decaimento da areia contraria o alçapão levantado. Aberto no olhar das palavras que mergulham em salpicos de estrelas, suga a tela os esboços. São pés nus, pés frios, toques de leveza, riqueza de ramos…Suspenso...
Olhai para a Lua e dizei-me qual a vossa sensibilidade...

Monday, July 10, 2006

Nevoeiro de Lua

Coração de nevoeiro embebido
A expelir cinzas de vidro...
Extrai-se as estrelas do fôlego
Para derramar ampulhetas de sono...

Teoremas de pó florido
Na silhueta destes contornos,
A força da picada esventrada
Para dos pés entornarem neve...

Dos olhos pinga a Lua...
Dos lábios pinga o calor...
Da Alma pinga o ardor...
Chuva miúda rasga a neblina,
No afundar de belas ruínas...

"Um sorriso radiante de raios transparentes, iluminam..."

Friday, July 07, 2006

Flechas...

O portão abriu, deixei-te entrar...
O portão fechou, deixei-te sair...

Quente drama coberto com lama...
Oculto frio que gela o rio...
As flechas mutilam o coração
Como o véu cobre o caixão...

A roupa de ossos...

Sim...estou a falar da Escuridão e da Luz...

Thursday, July 06, 2006

Sei do não sei

Não sei correr sem folhas...
Não sei voar sem cordas...
Não sei borbulhar sem levitar...
Não sei fazer Amor sem mãos...
Não sei dançar com ritmo...
Não sei olvidar os dedos...
Não sei estranhar minha roupa...
Não sei descer sem saltitar...
Não sei como fazer um abraço...
Sei da dor da ausência...
Sei do rio da essência...
Sei da solidão perdida...
Sei do licor perfumado...
Sei ouvir as viagens de sons...
Sei de dedilhar poções de voos...

“Jamais interrompa os cursos das águas”

Sei que sei, que o que sei provém do não sei, e para ser sentido pelo que sei tenho que virar as costas ao sei e fluir pelo não sei...O não sei do sei, o sei da essência...isolado ou atormentado?

Wednesday, July 05, 2006

Intruso

O telhado de violinos tocam nas línguas,
A mão de estaca banha o fogo,
As cinzas de pedra furam falésias...
Sou um intruso não convidado.

Pego fogo ao reflexo dos meus pés
Para rasgar as escamas sem profundidade...
Pego no tempo caótico
E fabrico a insanidade de poemas.

O livro irracional
Dos balões,
Do intruso
Não convidado...

Tuesday, July 04, 2006

Tecto

Olhei para o tecto,
Rasguei a lâmpada das luzes
E num suspiro engoli-me na transparência...

Monday, July 03, 2006

Harmonia

Tenho sorrisos nos meus lábios que furam as planícies das cordilheiras. As peles esticadas em sorrisos moldados, que não sei compreender como se esbatem nas lágrimas. O óbvio da natureza não o é para certos seres, que precisam de aprender a fazer do tempo, o andar para não serem comprimidos.

“A unidade, ao opor-se a si mesma, concorda consigo, tal como a harmonia que sai do arco e da lira” Heraclito

Pode a tristeza ser expressa com um sorriso? Ou estes elementos que continuam a opor-se deixarão de fazer harmonia?...Como dizem os gregos, o grave e o agudo fazem música...

Sunday, July 02, 2006

Cavalos Voadores

Não sei...Sei...
Somente há esperança
Em determindas linhas.
Os contornos da visão esquecida,
Um sorriso embriagado,a magia de trovões,
E a chuva miudinha do sentimento...
Sei...Não sei...
Pego no punhal, e solto-me dos sons muídos,
Perfurando a lareira de estacas...
Coragem de ir ás montanhas geladas...
Quero para poder viver...Quero o calor da vida...
As velas sacrificadas
irão fazer chover relâmpagos...
Sei...Sei...
Estou isolado nos cavalos voadores...

Friday, June 30, 2006

Sémen

Galhos ocos sem verdura,
Crueldade sem requinte de malvadez...
Mar de lama que suaviza a fervura
Mergulhada no tronco... timidez...
Das 4 não passo sem ritmo perder,
Um vazio sem vaso para emoldurar...
Arrombo o alçapão das grades desfeitas,
Sustenho a respiração,
Bailo os pedaços que voaram
Com os lábios agarrados ao meu seio,
Sorvo o sémen derramado...

Thursday, June 29, 2006

Palma da Mão

Vou dizer adeus
Sem partir...
Estender a mão no luar
E enrolar a coroa erguida,
Para depois deixar orvalhar
A minha Alma perdida.
Vou pegar em pétalas
E sorrir...
Prender um suspiro de olhar,
Riscando a palma da mão
No coração...

Wednesday, June 28, 2006

Dança Pureza

Tenho o seio de janelas,
Abertas no rio de pétalas,
No suspiro do cansaço,
A esfregar o punhal de lâminas...
Viro o rosto de encontro
aos vitrais de chamas,
E abro o coração ao resvalar
Da pureza...
As minhas letras voam
Nas florestas negras da minha solidão...
Dança Demónio...

Tuesday, June 27, 2006

Gelo Espalhado

A fraqueza dos caminhos cai nas pedaladas do tempo. Roma ali tão perto e a roda aqui a florescer de escurecimento. Por onde se vira e rodopia, existe as chuvas de pedras que caem no uivo surdo da paisagem. Há certos momentos que os sons do silêncio, dos rasgos sem sentido, das palavras que não saem, dos gestos esquecidos nas asas depenadas, que gira em torno de obstáculos de vitrais fumados...Gelo espalhado pelo mar num barco desgovernado a bolhar, um olhar cada vez mais embalsamado, a montar tendas fragmentadas...Não há remos nesta transpiração, apenas um sono de barbas que não arranha as ilhas desertas. Todos os dias são dias iguais, sem mistura, sem o dom de haver fogos de artifícios. Puxo os cordéis de espuma, liberto fósseis e as velas rompem-se na brisa. Como é possível haver do monte de roma uma onda de telhados estagnados?...E do outro lado fazer a sobrevivência um corte, uma ajuda de fogo nos dedos da mão...A força da dança escondida no meu bolso a centenas de quilómetros de onde uma das minhas saudades fica parado nas penas a esvoaçar...Não consigo...Talvez...Tenho as mãos em gelo.
Matéria de sono adormecido, em que nas trepadeiras arrancadas não consigo olhar para o tecto. As questões de genes que pecam pelas deformações das cores e do seu substrato. O corpo pintado de ferrugem perfuma os pés paralisados a adocicar os paralelos do caminho. Não sei como os galhos conseguem fazer descair os remos das letras simples. Sei somente que os cabelos estão secos da inocência amaldiçoada.

Monday, June 26, 2006

Cinzas perfumadas

O silêncio silencia a mente
Num olhar decadente...
Arranquei em busca de cordas
Para segurar o toque materno,
Encontrei o suor sem aventura...
Se no sol árido
Minha Alma se esfumasse
Já estaria com as cinzas perfumadas...

Sunday, June 25, 2006

...

Pó a voar sobre vento sem destino.
Onde tens as forças Demónio? Onde?...
Vejo-te a cair nas falésias e a segurar cada pedra solta...
Onde guardas a vontade de ir?
Olha para mim Demónio. Vês-me a sangrar?
Pendura-te no vento, no cabelo de espinhos...
Sangra...Sangra...Sangra...
Agora o que sentes? É isso que queres de ti Demónio?

Friday, June 23, 2006

23

Onde puseste as asas, Demónio? Onde rasgaste o cruel inimigo de papel? Que importa isso agora quando já não sabes voar com os teus pés, e nem fogo tens para aquecer o chão donde pisas. Não te incomodes em sentir a música das fantasias eróticas, só dás cotoveladas na dor, no sentido de transpirar a escolha feita. Fixa-te nas paisagens do coração, das profundidades subtis dos rostos sensíveis e do punhal que se espeta nos teus olhos. Isso irá acalmar-te desse desassossego, e fará brotar as raízes que a tua Alma merece. Vem até ao Demónio, ele trará para ti um poço de sensibilidade.

Choveu...

As trepadeiras voaram
Pelas cores das escadarias que penetraram...
Dedilharam a magia do Santo
Em pedaços de janelas que estão sem canto...

Sim...O céu trovejava antes da minha chegada....
Sim...Quando retive a imagem começou a chover...

Na campa isso voltará a acontecer...

Thursday, June 22, 2006

Trémulas Asas

Seguro-me nos arames do tecto,
Num copo de sangue, a espumar…
Salpico esta fermentação
Com espasmos infernais de espinhos…
A melancolia dum sorriso a riscar o som, vazio…
Gracejo em hiatos de sulcos,
Arregalado para sufocar-me de êxtase.

Vem até mim, cresce no dorso do demónio…
A morder a cicatriz da última veia de sede…
A dançar o grito da última janela de vento…
Vem até ti, adormece nas trémulas asas…
A dilacerar o terror do olhar…
A devorar o sémen da natureza…
Vem brilhar esta tela…

Foi-se o dia mais longo do ano.
Que venha a escuridão completa…

Wednesday, June 21, 2006

"O Tempo Que Resta"

E quando as pessoas partem, guardando cada uma os seus haveres, o anoitecer aconchega o corpo, e as cores espalhadas do céu; o mar ouve as gaivotas a pousar na areia..."Só"...Em cima da toalha sulcada nos grãos de areia, os olhos fecham-se, húmidos de felicidades...da barba...da saudade...da vontade de viver...


P.S.: Este país é triste nalgumas coisas. Para ver este filme (O tempo que resta) de grande qualidade é preciso as pessoas se deslocarem à unica sala que tem em exibição neste país (UCI em Lisboa)...Enfim...

Tuesday, June 20, 2006

A viagem...

Aberto entre mundos desconhecidos, as asas moldam os papéis queimados. Até o cheiro das cinzas se penetram por essas fendas buscando o leve sentir do tempo. É como se o ruído de polir transparências, fosse uma forma de celebrar a roda do moinho. Todos os pedaços que fogem em salpicos unem-se em sítios separados da Alma. Sei que não posso fazer muito perante um abismo tão profundo, mas sei que em mim existe espaço para que cada cicatriz se incorpore na escuridão da luz. Por mais que o som seja oco, por mais que os olhos não sentem, por mais que os pés não caminham pelo sítio certo, existe prazeres para serem descobertos no meio dum grão de areia.

Monday, June 19, 2006

Plim...

Pluveja nesta viagem,
Troveja na margem,
Pedaços de miragem em rostos escondidos.
São assim os olhos queimados...

Serras de fogo enjauladas,
Mergulho nas memórias regadas.
Debaixo do solo, a escuridão descalça.
São as cicatrizes do Oriente...

Sons fúnebres ardem
Em olhos estagnados, vazios...fogem...
Corridas em precipícios de aromas.
São as silhuetas do Chile...

Do Alto para o alto do mármore
A essência perfumada das flores.
Rabisco o banco da formosura.
São o dedilhar das mãos puras...

Menina de sorriso tímido
Toca-me as cordas do violino...
A agitação do coração embala-me.
São poções de subtilezas...

Vagueio pelas ruelas brilhantes
Em misturas embriagadas de fome.
Restos de ossadas que tilintam.
São galhos da cidade maldita...

Preencho o poço dos Prazeres
Na mulher de sorriso largo,
Esbocei um corvo no jazigo.
São pisadas de fogo sublime...

Flutuo as veias no abismo,
O céu rasga-se de trovões
Por estar a violar esta terra...
São estrelas de velas...

Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!

O doce inferno dum trovão
Da chuva molhada...

Sunday, June 18, 2006

Calafrios

Plataforma de aguaceiros
Mergulhadas na lava do tempo...
A embalsamar meu rosto
A rasgar os espíritos...

Suave nos trovões das esquinas,
Agreste nos tormentos aguçados...
A Alma passeia neste labirinto de olhares...
Pinto o céu de muralhas...

Calafrios de pétalas caídas...

Wednesday, June 14, 2006

Mia Couto

"Primeiro, perdemos a lembrança de termos sido rio. A seguir, esquecemos a terra que nos pertencera. Depois da nossa memória ter perdido a geografia, acabou perdendo a sua própria história. Agora, não temos sequer ideia de termos perdido alguma coisa."

( O barbeiro de Vila Longe )

Mia Couto - O outro pé da sereia

Tirei estes excertos de frases do último livro de Mia Couto, que apenas desfolhei algumas páginas. Não é que concorde com as frases, mas há algumas palavras nestes fragmentos que me dizem algo, como por exemplo: "a lembrança", "o rio", "a terra", "a memória" e "perdido". O essencial do discordar é que a única coisa que importa é se a essência é pura ou não. Se for pura então o rio corre para algum lado, mesmo que seja para a solidão...Enfim...

Monday, June 12, 2006

Aconchego

Por bancos da frescura
Vesti-me na Lua...
Pus o carapuço nos cabelos
E deslizei na água do peito...

Os segredos de vozes miraram-me
Com olhos do rio...
Da intensidade de nomes
Só um havia de me levar...

Do gradeamento mágico,
As colunas erguem-se
No infinito de pétalas,
Na loucura do prazer Lunar...Puro...


(Sempre a Lua, Sempre Ela...)

Saturday, June 10, 2006

Das poucas pessoas que me leêm, comentam, não cometam, fica o meu agradecimento, mas não tenho a intensidade da escrita que desejo e quero. Por múltiplas razões isso acontece, por isso irei publicar coisas minhas com muito menor fluência ( se publicar). Eu sei que deve ser um alívio não ver tantas "asneiras escritas" para algumas pessoas, mas são sentimentos puros por isso pode fazer confusão para essas pessoas. Quanto ao blog não irei apagar como as maiorias das pessoas da blogosfera fazem quando acham que devem terminar ou reduzir os posts, porque acredito que devemos sempre dar o que somos.
Abraço a todos/as!

Friday, June 09, 2006

Para quê?...

Batata e feijão
Não consigo dar...
Devoro meu corpo,
Rasgo os olhos para ver,
Até dos lábios saem cordéis...
Para quê?...Não consigo dar...
E se na ponta da saudade
Houvesse esperança?
Quero adormecer num abismo...
Quero um sopro no meu colo...
Não quero nada...Quero...
Para quê ter alguma coisa?... Para quê?...

Thursday, June 08, 2006

Ninguém te reconhece...

Porque estás a chorar meu doce demónio? Não sabes que não podes criar lagoas a partir do mar? Sinto as tuas lágrimas no regaço das tuas unhas pintadas de negro, correm no destino de veias húmidas que só te trarão dor. Não percebo porque insistes em cortar ventos com foices e pegar em cada pedaço desse sumo de prazeres. Sei que os teus cabelos conseguem absorver toda essa intensidade mas isso preocupa-me. É uma aflição dum dia poderes arrebentar e espalhar teu licor no rio da doçura. Um êxtase que de certa forma me agrada, mas que me deixa impaciente. Tu sabes que essa Pureza só será percebida por ti, não sabes? Sabes que quem tentar violar essa privacidade terá que ser digno da tua Alma? Não sabes, logo vi...Ninguém te reconhece, estás louco...

Cidade Maldita

Arames de sons cegam as artérias,
Estátuas do movimento fundem-se em misérias.
São cabos soltos que perfuram a ansiedade,
São armações geladas da saudade.

Costas dobradas, curvadas ao destino...
Dor imaculada com o traço fino...
Irei voltar à cidade maldita,
Onde o Amor dorme nas asas dos corvos...

Tuesday, June 06, 2006

Embrulho

Que escrituras são essas que estão tatuadas na tua Alma? Transparência de sons, talvez. Não tenho o nó da gravata feito, apenas a escuridão da camisa cobre o meu pescoço, por isso sou opaco nos meus troncos, coberto de borboletas nos seios. No castelo divino destes pergaminhos, rasgam as cataratas desconexas, sem saber se no íntimo da tatuagem os túmulos acordarão. Não encontro os lençóis roxos que envolvem as pestanas, só as tragédias embrulhadas de cada passo que dou.

Corrimão

Frágil enxame de letras
A fumar o esqueleto,
Perfuram os nós
Para encantar as sensações de abraços...

Abandono o medo
E fico apavorado na miséria.
Aberrações deprimentes
Da fúria descontrolada...

São fatias da criação humana,
Como o corrimão que se afunda
Nas baladas das badaladas sequiosas...
O insaciável incêndio da paixão...

Monday, June 05, 2006

Olho...

Não tenho pintado o coração, nem queimar minhas mãos quero, talvez apenas cheirar o chamuscar dos pêlos púbicos. Apenas deixo a respiração esvoaçar nas cicatrizes dos sons que chegam até mim. Rasgos vazios a moerem a escravidão das palavras, num toque da última tristeza que estou a tingir. A natureza é justa em seus traços, correcta na sua forma de agir, e justa no seu castigo. Mas acima de tudo, vivo acima disso, sou asas a pingar salivas de desejos até que o pólen transborda nestas brasas e gele o coração do prazer. O medo de saltar este abismo para o portão imaculado que está vidrado de flores, o caixão dos loucos, a pétala da essência, está na esquina...Olho...

Violino

Fecho o lenço ao lençol,
Como a flauta faz ao vento...
Dos rabiscos encravados na pele,
Ponho a música do alento...

Nos grãos de areia montado,
Seguro os pés tristes, colados...
O nu descalço das notas de sereia,
Inundam o mar de sangue...

A brisa melancólica dum violino...

Saturday, June 03, 2006

Sem sentido

Por dentro da história deixei de ter memória.
Rasguei pântanos de musgos
Por desvio de olhos ocos...
As lágrima florescem derretidas na jóia

Caem folhas, Caem folhas,
De cinzas se cobrem...
Crescem olhos, Crescem olhos,
Curvados da cor dispersiva...

Dia do Dia,
Que mia, já não ria...
Sorria quando abria e via...
Tossia nessa alegria...

Friday, June 02, 2006

Opaco

O mundo olha na transparência
Do fundo opaco...
Meu olhar cai nos meus lábios,
Secos por falta de esperança.
Não vejo ninguém, somente a mim...
Dói-me o que sou,
Sem razão aparente...
Gelado de emoções, esgotado...
Valsas sem nada em redor...
Apenas penas a esvoaçarem...

Brotará

Vou fazer uma exposição de arte. Irei esculpir a minha presença em tons de roxo, do tecto cairão sinos, do chão brotará pó...Não espero ajuda de ninguém para tremer de prazer, nem porventura um olhar fugidio de espanto. A solidão do quadro rejuvenescerá as gotas de água, pautado naquele sentimento da escuridão de luzes. Pingará sons de orvalho nesta tela, embalado numa lua cheia.

Thursday, June 01, 2006

Clarim Surdo

As garras do espinho
É uma imagem de rosto adormecido...
Passarão anos sem ninho
Com a incisão do corpo estremecido...

Tempo sem fim
De pontinhos,
A ser infernizado pelo clarim,
Aconchegadinhos...

O espelho não tem imagem...
Saudade...Saudade...Saudade...
Nevoeiro de sombras...
Utopia...Utopia...Utopia...

Wednesday, May 31, 2006

Vivo

O homem invisível foi queimado vivo.
Derramou as vísceras,
Cortou os pulsos da memória,
Abrindo o ventre sem glória.
Choveram finalmente brasas do céu,
Gelando, trespassando o mutilado veú,
Penteando as cortinas das trevas
Em espinhos no mar cheio de selvas...
O homem invisível beijou suas cinzas.

Tuesday, May 30, 2006

Saliva

As gotas de sangue estão penduradas,
Dentro da saudade desmedida...
Puxo a espada de pincel
Para dilatar a compressão...
Fervo os cogumelos destemperados
Que cortam esta anestesia...

Separo a seiva desta poção mágica...
As fendas da saliva que bebem a nostalgia...
Apenas olho minhas mãos...

Monday, May 29, 2006

Futilidades

Onde estou não há vulcões,
Somente um coração a olhar
O pé cheio de erupções...
Sangra o sangue do mar...

Corre as lágrimas de licor
Pelas pedras do mármore,
A eternidade de dor
No manto do Altar-Mor...

Febre do sonho acabou
No canto da febre...
"Por Agora" não dou
O que não reabre...

Há esboços muito frágeis...
Só digo futilidades, mas são minhas...

...

Morreram as minhas meninas...
Secaram neste calor...
Nas mãos da chuva, a ilusão caiu...
Nada dura ao meu olhar...
O rosto desabou no chão
Neste inferno...
As palavras não definem minha dor...

Saturday, May 27, 2006

Longe

Pintei a selva do meu corpo...
Torci a dor com a sede...
O baú dos tesouros está escondido,
Na falta de água, na floresta densa...

Atrair a transparência do prazer
Já é uma aventura...
Um licor de cheiros
A neblina de masmorras, sinto...

Paraliso o meu corpo
Porque olho para longe...
Deixo uma aranha passar na minha mão,
Ela faz-me baloiçar...

Friday, May 26, 2006

Miragem

Tenho demasiada areia do deserto
Um lago de pedras sugadas
Miragens...Miragens...Miragens...

Tinta

Este calor está a dar cabo de mim. Não consigo reflectir, o raciocínio dilui-se no ar seco, o pó levanta-se sem que o vento sopre. Estar afogado em espirros constantes, num som que faz eco, uma reprodução que rasga os ouvidos. Uma tela que sai do labirinto, para que na escuridão se afogue em sentimentos. Sai das mãos a essência, a tinta, o pó...Que venha a noite para subir as emoções das sensações suaves.

Thursday, May 25, 2006

Monte de Peugadas

Sentir a Solidão raramente foi algo que me preocupou.
O que me inquieta é ter alguém ao meu lado.
Há sempre peugadas na Solidão.

Grãos de Areia

Um fio de rio da areia espreguiçada a descair nos dedos levantados ao alto, é o que este anoitecer me faz acariciar. No altar mora a espuma desconhecida sulcando miragens de castelos feitos por crianças. Estremecidos nas conchas o vento não pára de bater, a rasgar as curvas destorcidas, a pulsar de emoção. Os grãos de areia são arranhados pelos dedos frágeis que caem, e se afundam na humidade do vaivém das águas do mar.
Risco no céu dourado, cores espalhadas no horizonte, na Rua da meditação, na inocência quebrada, no licor que derrete em céu de mar. Envergonhado pela timidez dos contactos, o rosto volta às profundidades do areal. Arranco grão atrás de grão, escavo tão fundo que deixo de ver a minha mão. Remexo docemente em solo duro, repousando o resto do corpo de lado, estendido, para o castelo. Fico com as cicatrizes, somente com elas, agarrando o meu peito do ardor duma gargalhada. Atordoados frutos da minha mão que se inclinam neste altar, escorre nos cabelos, nas costas, para dentro de mim...Fogo agreste...
Permaneço no esplendor das coisas mais simples, nos actos que em si são mais puros. Roubo a imagem à natureza, ou apenas um pequeno empresto, não o sei. Sei somente que dos frutos do fruto não pode não florir a semente. Só irá nascer um novo amanhecer, e depois um anoitecer. Esse é um dos ciclos das mãos. Não posso tocar em toda a areia, só ela é que pode tocar toda em mim.

Wednesday, May 24, 2006

Salpicar

Força de saltar para dentro das asas ganha forma. Um encosto que adormece nesse leve batimento, a salpicar a coloração do demónio. Vejo o céu aberto nesta epidemia de pétalas, como uma ponte a transbordar de luzes. São brincos a brilhar neste arco, num cair de setas envenenadas, estremeço no vento a voar com as penas do desassossego. Só, sempre só...

Enfim...