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Tuesday, July 25, 2006

Pés Voadores

Movimentos lentos de veias
Neste amargo sabor de boca...
Preferidos ou preteridos,
Escolhidos ou escondidos...
Amostras de folhas
Nos riscos diabólicos da saudade...
É o orvalho a crescer
Onde se ouve palpitar as sementes...
Cresço, e um dia desaparecerei
Com os pés voadores do destino...
...Na montanha...

Tuesday, June 27, 2006

Gelo Espalhado

A fraqueza dos caminhos cai nas pedaladas do tempo. Roma ali tão perto e a roda aqui a florescer de escurecimento. Por onde se vira e rodopia, existe as chuvas de pedras que caem no uivo surdo da paisagem. Há certos momentos que os sons do silêncio, dos rasgos sem sentido, das palavras que não saem, dos gestos esquecidos nas asas depenadas, que gira em torno de obstáculos de vitrais fumados...Gelo espalhado pelo mar num barco desgovernado a bolhar, um olhar cada vez mais embalsamado, a montar tendas fragmentadas...Não há remos nesta transpiração, apenas um sono de barbas que não arranha as ilhas desertas. Todos os dias são dias iguais, sem mistura, sem o dom de haver fogos de artifícios. Puxo os cordéis de espuma, liberto fósseis e as velas rompem-se na brisa. Como é possível haver do monte de roma uma onda de telhados estagnados?...E do outro lado fazer a sobrevivência um corte, uma ajuda de fogo nos dedos da mão...A força da dança escondida no meu bolso a centenas de quilómetros de onde uma das minhas saudades fica parado nas penas a esvoaçar...Não consigo...Talvez...Tenho as mãos em gelo.
Matéria de sono adormecido, em que nas trepadeiras arrancadas não consigo olhar para o tecto. As questões de genes que pecam pelas deformações das cores e do seu substrato. O corpo pintado de ferrugem perfuma os pés paralisados a adocicar os paralelos do caminho. Não sei como os galhos conseguem fazer descair os remos das letras simples. Sei somente que os cabelos estão secos da inocência amaldiçoada.

Tuesday, May 16, 2006

Altar

No altar dos Himalaias...

Não sei se há flores em canteiros despidos...
Não sei se o perfume das asas chega aos céus...
Não sei se as lágrimas da chuva são vitrais...

Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...

Não sei se os olhos estão cegos...
Não sei se há vontade em mim...
Não sei se há força feita de aço...

Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...

Thursday, May 11, 2006

Monday, February 27, 2006

Cicatrizes

Enterrado na montanha de sentimentos,
Pântanos de esperanças
Um só olhar, duas almas...
Forte desfile de folhas secas...

Vislumbrar cada toque,
A sentir a pele retida,
O olhar a acomodar-se nas cicatrizes,
O sorriso de dizer...amo-te...

Quando a felicidade chega
Já a minha alma está despedaçada.
Pergaminhos em pedras espetadas,
Aqui jaz o sonho...

A melancolia do sabor,
Concerto nas escrituras,
Desassossego silêncio,
Amor condensado na ausência...

Saliência na penitência...
Paciência sem fluência...
Reticência na cadência...
Turbulência...silencia a abstinência...

Saturday, February 25, 2006

Fragmentos

Da fonte irrigo os caudais,
Da fricção da memória escavo,
Nos ramos quebrados clamo,
Da água esbatida rego...

Cadáver de semear as vidraças,
Solidificar o fogo, derreter nos ossos,
Olhar o sentir nas palmas das folhas,
Elevar a montanha para o inatingível...

Romper a fenda dos céus,
Esferas contíguas na respiração estonteante,
Almas que se penetram,
Solos que nas serranias fundem-se...

Fermentação de passos
a uivarem, penetro o amor
na essência das cortinas,
na fragrância de desaguar...

Thursday, December 29, 2005

Som

Um som do alto das colinas sopra...
Sopra no alto para cima do monte...
Sopra sem destino...
Um som que toca nas colinas...

Voa saliente pelas fendas, cobertas...
Cobertas de musgo nas cordas...
Cobertas de chamas de brasas...
Voa saliente o mel dedilhado...

Um som voa soprando na coberta.