Tuesday, December 01, 2009

Carruagem Branca

Vagabundo dos ossos partidos encontra-se na branca carruagem com as teias do destino. Invisíveis os olhos debruçam-se no fumo a triturar o tempo, esmiuçar o vagaroso toque. Não se sabe a semana, o mês ou o ano das divagações, somente o círculo fica abraçado ao poço. A chave do prazer está nos remoinhos das danças, enquanto os acontecimentos deixam a ferrugem estalar, a carruagem escorrega na linha; teias separadas dos ossos, ossos encontram-se junto à correria da carruagem à beira da corrente do rio. A velocidade galopa incessantemente, pecaminosa no desassossego onde o silêncio perturbante geme de aflições. Voa o vagabundo, voa a insensatez dos sentidos, desmorona-se a carruagem, não se encontra vestígios das teias perdidas. Pedaços escondidos às tentações dos labirintos ficam estilhaçados ao destino, morte prematura na visão do sonho…

Algures na cidade de Évora

3 comments:

Um Olhar said...

"Ossos", são os últimos traços terrenos da morte, e parecem durar para sempre.

Bjo
Fatima

Oliver Pickwick said...

Uma dimensão inóspita e erma. Mais solitária que paisagem lunar.
Um abraço!

DarkViolet said...

Um Olhar:

Alguns duram para sempre, outros aliemntam-se da terra para jamais serem encontrados


Oliver Pickwick:

é preciso um reencontro com a corrente da essência de vez em quando:)