Thursday, June 17, 2010

Crónicas duma viagem III


Rio Sena - Paris
Resta esperar o silêncio acolhedor da noite enquanto os fantasmas se desfazem em transparências e se encaminham para o leito do seu devaneio. A escuridão encaminha o cego para o Altar por entre labirintos que se tornam difíceis de desmembrar ao olhar, enquanto as correntes embriagadas se juntam no fogo das encruzilhadas, a catapultar os filamentos, a elaborar sopros e mais sopros vindos do cálice.
Nos ardores despidos consegue-se interiorizar a nudez e Ela está sempre presente para construir o espaço mágico. Ela destila fragmentos de gemidos para ocupar o seu trono, na majestosa Catedral. Gárgulas a cavalgar, vestir a profundeza de florestas embalsamadas no manto da cerimónia.

Catedral de Notre Dame - Paris

Monday, June 14, 2010

Crónicas duma viagem II

O olhar espreita o infinito da palma da mão. Retornar às pedras que sepultam a Alma, a fazem vibrar numa caverna, e num salto gigantesco a aprisionam com a doçura dos aflitos. A pulsação aumenta a cadência, sofre da alegria pelo reencontro. Dos espaços penetrados escuta-se o sótão das branduras insanas, silêncio apaziguador do caos urbano.
Os locais acolhedores ao Ser sabem acarinhar os vagabundos dos sentidos. Moldam-se à estátua da transparência e daí as esculturas dos patamares são a fluidez dos corvos. As maravilhas das chamas descontroladas ecoam em subtilezas circunscritas, caminhos profundos de sobreposição das camadas do destino. Sabe-se que cada pé em movimento constrói as asas do Ser. Resta saborear a intimidade...
Cemitério de Montmartre - Paris

Friday, June 11, 2010

Crónicas duma viagem I

A noite está pousada na escuridão, nos campos verdes abertos às cegonhas enquanto o ardor das estradas queima a solidão com o seu calor e faz o tempo um altar de segmentos pintados à loucura. A lenha insana no trilho das paredes saboreia as lápides que separam caminhos no meio do monte. Pirilampos no fundo do horizonte tecem a tela pela noite dentro. As estradas fogem sem curvas no olhar, traçados na vastidão dum traço infinito. São árvores de pombos que não podem ser destroçados pelo vento.
As tabuletas do destino têm tudo definido. Nelas existem baús com os segredos guardados formando luzes de labirintos. Quanto mais explorados estes trilhos mais a vontade se espelha na Alma do Ser. A prioridade despida faz parte do esboço, como a escadaria penetra a torre e no seu manto eleva-se a viagem, tons inflamados do pó prateado.

Versailles

Thursday, May 27, 2010

A Sombra do Destino

A sombra do destino mergulhou na vastidão das profundezas. Do fundo ouve-se o estrondoso eco das palavras insanas, aquela mistura desconecta do espelho invisível catapultada para as silhuetas coloridas. O traço da escuridão tem a moldura de sombras no pincel dum romance gótico. A dança roxa compõe a tela, mágicos dedos insensíveis que dedilham a manta rendilhada. Cada sequência faz as montanhas desaguar o gemido do horizonte, melodia de notas a pingar o orvalho resplandecente. Na caverna a Lua brilha com o feitiço de pós brilhantes. O calor germinado na Alma faz o seu ardor um trilho de Luares. Sinfonia de Catedrais, de marionetas!

Sainte-Chapelle e San Vito

Monday, May 17, 2010

PPP

A cor púrpura dos céus escolhe os seus obreiros através das gotas. Elas caem, esventradas no esfaqueamento da escuridão, mudadas de cavernas para os altares dos precipícios. Resta a permuta caótica a despedaçar os momentos fulminantes para que sejam acolhidas na melodia do fogo.
Assim se faz a sombra do destino quando mergulhado no sabor do vento. As gotas irão partir segundo o seu trilho, na aventura louca de abrir um rumo ou simplesmente dar brisa à Alma. Absorver o Ir, embrulhar o ardor com o gemido da palavra. Partirei a saborear o desconhecido enigma da aventura. Dia 27, Porto – Paris – Praga, a linguagem do P.

Monday, May 10, 2010

Entrevista

Os PESNUS congratulam-se em ter entrevistado em exclusivo a pessoa do momento que pela sua obra não feita quis manter-se no anonimato. Tratá-lo-emos pelo Sr. XXX. Quando a entrevista foi realizada chovia torrencialmente no palacete e por isso tivemos que nos recolher dentro dumas catacumbas de ossos. As caveiras que decorram o espaço do Sr. XXX pingavam sangue pelos buracos do crânio. Recolhemos amostras desse líquido para ser analisado ao pé dumas amendoeiras Puras que irão ser plantadas quando o mundo eclipsar.

PESNUS – Obrigado por nos ter concedido esta entrevista sua Eminência Digníssima.
Sr. XXX – De nada. O cofre de Deus está mais recheado…

PESNUS – Tem uma bela decoração as suas catacumbas. De onde provém tanta imaginação?
Sr. XXX – Os meus 265 antepassados é que sabem. Eu estou aqui há pouco tempo e desconhecia este lugar. Um homem com uns cornos na cabeça aconselhou-me o local para meditação. Até me deu uma pata de cabra de qual fiz um brinco, que ponho quando adormeço. Agora venho para aqui com as minhas crianças a jogar ao berlinde e fazer desenhos nas paredes como na altura do Neandertal.

PESNUS – Neandertal!!!!
Sr. XXX – Desculpa. Desde Adão e Eva.

PESNUS – O camauro fica-lhe bem. Não tem medo do frio?
Sr. XXX – O frio é meu amigo de infância. A minha vida é dedicada a valores maiores. Valores de convivência com os peixes dos rios subterrâneos. De vez em quando lá acendo a lareira para ver como tudo se desfaz em cinzas. Faço sementeiras de cinzas pelo céu para ficar com menos trânsito aéreo e fazer as minhas viagens com Deus ao meu lado. Ajudar as Almas terrenas é o meu lema deste pequenino.

PESNUS – Como passa os seus dias?
Sr. XXX – Tenho escrito sobre o tempo e de como ele influencia os banquetes das mulheres virgens. Vim parar a este cargo quase aos trambolhões, nem o queria aceitar e agora tenho que cumprir o meu papel de sacerdote das Almas Puras. Os aguaceiros quando caem nos corpos fazem com que haja uma infiltração nasal parecida aos vulcões, muito proveitosa para de aí se extrair o sémen da fertilidade.

PESNUS – Tem sentido falta dos prazeres terrenos?
Sr. XXX – Jamais, nem sei o que é isso. O único prazer que tenho é olhar para a praça full ou fool de fiéis, acolher os seus dotes, ajudar os mais desfavorecidos durante algumas alturas do ano quando olho para eles da minha janela no vigésimo terceiro andar. Como ando com os bolsos rotos algumas pessoas podem cair…

PESNUS – Costuma usar algum amuleto?
Sr. XXX – Tenho uma cruz… do tempo de juventude…

PESNUS – Suástica?
Sr. XXX – NÃO! NÃO! NÃO!

PESNUS – O que pensa de Portugal?
Sr. XXX – Quanto ao país, conheço muito pouco. Sei que fica perto da Rússia. O meu antepassado directo dizia bem dele e da sua ginjinha. As pessoas devem ser humildes. Fizeram 50 mil hóstias para eu comer. Gente bondosa. Vou levar algumas nos bolsos para entreter os dentes o ano inteiro.

PESNUS – Agradecido por esta entrevista.
Sr. XXX – Aos pastorinhos o queijo da santidade. Bendito sejam os estados laicos com montes de feriados católicos. Por ultimo deixo uma recomendação: Deus afaste as crianças dos Bispos como eu me afasto da palavra dos crentes.
Preservo o preservar…

Foto ao Vento do Sr. XXX

Wednesday, April 28, 2010

Jardim Botânico do Porto

Há cantos onde as cores perfumam as vistas, basta ir de encontro a eles, explorar as profundezas do tempo vagaroso e sabe-se que a Alma é recolhida no sopro da natureza. Existem múltiplos lugares na cidade do Porto para que isso aconteça, o Jardim botânico é um deles. Nesta altura espalha cores nos soluços das suas envolvências, as flores gemem de fragrâncias, os seios das pétalas pingam os tecidos feitos da nudez dos anéis. Mantos de folhas verdes enroscam-se aos galhos, com os cabelos a deslizarem nos dedos de fogo dos raios solares. Entra-se nas pedras de vulcões quando os gatos rebolam na suavidade das sombras a procurar o chorar das águas ou o movimento inquieto dos pássaros. Tudo se harmoniza na vastidão dos pequenos labirintos, dos lagos germinados no além, dos cactos de pele infernal, das estufas que procriam a semente da insanidade, colher a pétala de esboços. Existe pedaços que deflagram em espinhos flutuantes nos nenúfares, rejubilam botões de cataratas nos filamentos das fugas impossíveis. Esferas a badalar assombrações na gruta mágica da cidade.

Thursday, April 22, 2010

Linhares I

O vestido estava coberto de galhos, gotas feitas de estrelas que agasalhavam os rostos do passado. Tudo moldado com a cobertura da Primavera a tecer a teia dos espaços estendidos, silhuetas enlaçadas.
A natureza mantém-se intacta, com as nervuras nas cascas dos caminhos. A mobilidade do vento faz os movimentos sensuais transbordar de prazer ao toque subterrâneo. Pé atrás de pé no dorso da terra ardente, de chuva coberta.
Quando os riachos eram elaborados com o orvalho da manhã o tempo passava devagar ao som dos grilos nas árduas tarefas dos chapéus. A lenha estalava debaixo dos pés pelo trilho aberto nos montes, fogo vagaroso que o manto clama. As pedras dispostas nas paredes aninham-se umas às outras ouvindo o piar dos pássaros, leito das giestas, ardor. Tudo se funde na harmonia, no despertar dos aromas misturados. O som da água a escorrer, compasso da tranquilidade a gemer o seu encanto. Destilar arvore despidas, dedilhar as ervas verdes, a brisa soletra notas que as aves acolhem na sua melodia única. A terra molhada ferve de pujança a adornar os raios de sol, envolvendo os carrascos, a cobertura das sombra a pintar o tempo. O estado selvagem da natureza brota com energia abrindo poços aos poços, deixando transparecer a sua fecundidade, como no passado, somente a ausência dos Seres, dos avós, presentes no carinho dos céus.


Thursday, April 15, 2010

Mulheres

Há tantas mulheres nestas ruas despidas que o caos veste a miragem das folhas. Gosto dos galhos a serpentear a nudez dos corpos femininos, o vento a entrelaçar danças que os olhos rebolam. Os dedos são desconhecidos nos mapas das imagens, mandamentos da sensualidade a perfumar as ruelas do destino. A coroa das velas são as veias dos seios, fé interna da mulher a esculpir enigmas incompreendidos pelo racional. Se no fluxo a parte entranhada das alucinações geme, o gesto testemunha o tecido rendilhado da delicadeza. Perfis de rostos a moldar cabelos, virgens toques dos lábios nublados de vontades. Voam beijos ao vento, ao palpitar de dourados, prateados ou bronzeados instintos. Despe-se o calçar das pernas no orvalho das madrugadas.

Tuesday, March 09, 2010

Ir

A bebida enfrascada pela hora, impercebível ao gosto do olhar. Cada um saboreia as estações na hora do dia da permuta, da luz e da escuridão. O retorno do início vira ao contrário a vareta do fim como se fosse uma piscadela fundida no infinito.
Aos raios das trevas a questão é ingerir a visão na sombra desconhecida de acreditar na sequência do destino, não um destino qualquer mas o destino em que não importa se a folha se encontra embebida ou bêbeda de melancolias.
Aos raios das luzes é necessário visionar a tabela das encruzilhas, destilar o orvalho para após alguma reflexão partir no trilho do desconhecido.
Ir, sem questionar o Ir!

Thursday, February 25, 2010

Calvin, Hobbes e companhia

"
Calvin - Socorro! O vento está a soprar outra vez! Espera! Vamos cair!
Calvin - AH! Recebi a carta que escrevi para mim mesmo!
Calvin - Porque hei-de ser EU a mudar o mundo?!
Calvin - Estava secretamente à espera de uma explosão ensurdecedora.
Calvin - A vida é cheia de possibilidades impossíveis.
Calvin - A arte não tem a ver com ideias. Tem a ver come estilo.
Hobbes - Olha, uma cobra!
Calvin – Quando uma pessoa pára a meio de uma frase para escolher uma palavra, é a melhora altura para aproveitar e mudar de assunto!
Calvin- UÁU! Estou rico! Posso ter tudo o que quero! As minhas orações foram ouvidas!
Susie – “Quando a vida te dá um limão, faz limonada”
Hobbes – O problema com as novas experiências é que raramente são as que escolhemos
"
Calvin&Hobbes - É um mundo mágico - Bill Watterson

A felicidade de jogar Calvinbola é o sorriso da imaginação flutuante.

Tuesday, February 02, 2010

Desconhecida Vertigem

1. Tinha dito e escrito o que haveria para ser dito. Estendido está dito.
2. A atracção é o vazio da ausência.
3. Descer no interior incerto, descair no exterior certo.
4. A insanidade despida é uma melancolia.
5. Atalhar no labirinto, dilacerar o cordel do infinito.
6. A respiração tem o rumo do destino.
7. Os escravos devoram os pormenores.
8. Quem nunca procura, raramente encontra a vontade.
9. Esquece o esquecimento.
10. O sofrimento está nu enquanto o mergulho for profundo.
11. Vislumbrar a solidão como a morte adiada.
12. Acariciar o enigma do silêncio é o terror dos poços.
13. Ao sentir um salpico, a Alma estremece e fica despida.
14. O fogo é a maldição dos esquecidos.
15. Ciclo do ponteiro, ruído infernal da surdez.
16. Quando a timidez geme, recantos das silhuetas são a fuga do orvalho.
17. Explicar a omissão é algo perfurado pelo inexplicado.
18. Questionar o vazio tem o sentido de questionar o todo.
19. A lógica sustém o inatingível do olhar.
20. Construir a dor no castelo das vertigens é a muralha de um Louco.
21. Num ribeiro a cegonha é o palco esverdeado.
22. Se tiveres a abranger as masmorras, dilacera o corpo, e deixa a Alma no estado de sofreguidão.
23. Quando os segundos de articulação alucinam a excitação, troca de gatilho.

Thursday, January 07, 2010

Santa do Devaneio

Ó Santa traz as teias
Na mistura do holocausto
Ó Santa do devaneio traz a loucura
No caldeirão das faíscas

O caos dos relâmpagos
Capta a fonte no suspiro
Ó Santa, Ó Santa, Ó Santa

O Crucificado toca o pássaro da lareira
Dilacerado sobre o manto do hospício
Com o céu em fogo encaminha a insanidade dos cegos
Para o barco dos fantasmas

Santa do Aleluia, Santa do Aleluia, Santa do Aleluia
Afunda a Onda, Afunda os Náufragos

Monday, December 14, 2009

Parabéns DarkViolet

Medo a deambular toca a vastidão, faz tremer o corte inquieto. Estremece o fluxo do olhar, desce na fuga do impossível, desassossegada forma ajustável ao pautar do caminhar. Trilho na esquina morde o suspeito em círculos, teatro da cortina esfaqueada. Reage a provocação no labirinto, fumo toca perplexos rostos a pingar o infinito, em que tudo fica dedilhado no íntimo dos filamentos. Pernoitam os números, galhos da cruz das incógnitas despem-se no segmento do suspiro.
Saber ler o mundo no desespero do mapa da simbologia é a maior questão do Ser. Quanto se ouve o gaguejar do estremecimento esticando o perfume do puro instinto na hilariante mistura dos fantasmas, a Alma perfura o alarme desorientado. São os gritos da essência do Ser a pintar o palco com trovões, envolvendo a nudez para manipular o esvoaçar do ninho. A moradia das asas é o sopro da inconstância por isso o mergulho são telas misturadas ao acaso do destino, esmigalhar fervente da frincha do vento. Pestanejar o ardor das nuvens dentro da montanha cria a frenética caça dos salpicos, aí apanho os suculentos trovões dos fantasmas e esboço a minha própria árvore do qual cavalgo como um louco nos galhos, agasalhado nas folhas recortadas no Inferno das tempestades. Ondulações uivantes...

PARABÉNS DARKVIOLET

Wednesday, December 09, 2009

Trilho da Beleza

Onde se encontra a beleza dos sentidos? A facilidade de encontrar certos patamares depende da ocasião insensata. Dá-se um espirro, tudo à volta fica atormentado. A fertilidade da imaginação pode esboçar toda a tela sem aí conseguir pintar algo que lhe possa fazer algum estado escandalizado. São os acontecimentos provenientes do encontro de cruzadas vivências que provoca a beleza dos arrepios. Uns vão-se, outros não existem, outros não se querem ver, uns misturam-se… Como certos frutos dão aquilo que é essencial para extrair a beleza dos sentidos, o trilho dá e estabelece a ligação ao complemento.

Algures na cidade de Coimbra, Conchada

Tuesday, December 01, 2009

Carruagem Branca

Vagabundo dos ossos partidos encontra-se na branca carruagem com as teias do destino. Invisíveis os olhos debruçam-se no fumo a triturar o tempo, esmiuçar o vagaroso toque. Não se sabe a semana, o mês ou o ano das divagações, somente o círculo fica abraçado ao poço. A chave do prazer está nos remoinhos das danças, enquanto os acontecimentos deixam a ferrugem estalar, a carruagem escorrega na linha; teias separadas dos ossos, ossos encontram-se junto à correria da carruagem à beira da corrente do rio. A velocidade galopa incessantemente, pecaminosa no desassossego onde o silêncio perturbante geme de aflições. Voa o vagabundo, voa a insensatez dos sentidos, desmorona-se a carruagem, não se encontra vestígios das teias perdidas. Pedaços escondidos às tentações dos labirintos ficam estilhaçados ao destino, morte prematura na visão do sonho…

Algures na cidade de Évora

Wednesday, November 25, 2009

Danças de Outono

Dançai folhas dentro da ventania onde estais abertas às sensações. A serenidade rompe em furacões de entrelaçados olhares para escutar os galhos a despirem-se. O orvalho do frio deixa seu manto espelhar-se, a brincar com as cores, a aquecer os últimos refugiados. Existe na mistura o contágio de ouvir os raios romperem entre as nuvens, flagelar a natureza, e saírem num descanso mórbido de preguiça. Todo o Outono se levanta, cantando múltiplas sintonias que a ampulheta não esquece.

Imagem retirada da internet

Saturday, November 21, 2009

Punhais de Lava

Naquela casa onde habitam os surdos da memória foram colocadas chamas na escadaria esquecida. Na madeira esculpida o desacerto do eco compunha o tilintar. Nos arredores existiam unicamente tascas, onde a única bebida consumível era feita de língua envenenada de um animal desconhecido, só se sabia quem o fornecia aos donos das tascas; um vagabundo vestido de negro, do qual os cabelos se enrolavam no seu próprio tronco do corpo e da sua unha pingava tinta. A escuridão da noite misturada com o nevoeiro brotava trovões da fonte da aldeia, e de lá germinava subterrâneos de veias. Punhais ferrugentos caíam do céu a dilacerar os corpos; dentro deles saía o odor do vinho fervente, a imagem da lava encadeada em licor de… língua envenenada.

Imagem retirada da internet

Thursday, November 19, 2009

Muralha dos Excluídos

Existem muralhas nas numerações escaladas das incógnitas. Os perfumes são batimentos infernais nas paredes dos séculos, interdito ao mergulho do silêncio, proibidos ao sufoco esquartejado da libertação. Se o cálice sentar junto dos enigmas os ilimitados círculos viram os trovões do avesso, por isso os mortos provam de si dentro das sepulturas das viagens. Quando cavados as assimilações do destino os remoinhos dos estrondos devoram a aridez, cambaleiam em furos incessantes, impossíveis de serem entranhados aos alicerces dos subterrâneos. Os gritos uivam em cada número visível, codificados na miragem do nevoeiro, enterrados na indelicadeza da dor, enquanto os labirintos das muralhas apanham a recapitulação do excluído.

"Muralha à Maresia (Fajãzinha da Alagoa, Agualva)"

Wednesday, November 18, 2009

Cavaleiros do Fogo

Os cavaleiros do fogo sentem os corredores dos odores. Colocam as folhas no balanço das notas do vento, onde pernoitam o massacre do pó. Na agitação das filhas a existência das masmorras sussurra a malvadez da mistura, grades de escadas arqueadas para saltitar na Lua do Outono dedilham as chamas com a linha a desequilibrar o orvalho; os momentos das crinas libertadas ao fogo fazem com que as folhas estejam no tom despido, Outono de veias que a emoção circunda a imóvel perdição da nudez das árvores.

Imagem retirada da net

Sunday, November 15, 2009

Filhos da Alma

Guilhotina a sangrar na sombra como duma linha invisível fosse, melodia da qual os olhares cruzados cantam sinfonias dedilhadas ao pingar. A família sente o odor impregnado; toda a pele estremece perante o vazio; o palco é os olhos esquecidos. Agora resta saber como conceber uma peça que junta o algoritmo desprovido de alguma sanidade. Por mais pedaços materiais que podem existir, a caixa é composta por uma substância que é destilada pela guilhotina, absorvida pelo pingar, recolhido pela sinfonia. Tira-se a ausência, obtêm-se a Alma.

Algures na cidade de Paris

Saturday, November 14, 2009

Esqueleto

Onde se encontra o interior da Alma dum esqueleto?
A resposta está nos corredores inalcançáveis que a embriaguez das tempestades colhe, por isso os pincéis do tempo fazem parte do devaneio das criaturas demoníacas que sabem onde penetram, e de lá rabiscam os seus sulcos de intimidades.

Algures na cidade do Porto

Tuesday, November 10, 2009

Puro Vento

A Alma é rasgada no Outono, no corredor empolgante das ventanias. As folhas virgens abrem-se à mistura fervente, o manto enlaçado das telas gemem, a vida brota em faíscas saboreadas pelos loucos insanos. Na ferrugem dos castanheiros o nome do vento desdobra o horizonte, das costas inflamadas ao dorso orvalhado, ao instante sentido no posterior anterior momento.
Dança o toque das madeiras assombradas nos dedos embebidos de licores, cada sulco de tempo é misturado naqueles que perante a fonte sabem escutar, entranhar as gotas do fluxo, visões alucinantes dos Seres inquietantes com o transbordo da leveza.
A pontiaguda inocência é a Alma rasgada, ouçam.


Algures em Portugal

Monday, November 02, 2009

Lágrimas Lunares

A terra queimada pela sombra rejuvenesce os vales selvagens das montanhas escarpadas, curvas delineadas em vertigens apocalípticas no vértice do império das noites lunares. Turbilhão de mantos a uivar gritos velozes, trepam pelas silhuetas das danças até ao sussurro dedilhado da metamorfose, violações incessantes ao compasso da Lágrima entranhada.

Saturday, October 31, 2009

Carpinteiro

Quando o carpinteiro da água benta soletra as folhas no buraco do tempo rasgado, existem masmorras a descair na Alma dos ausentes. A madeira está misturada nos filamentos do corpo, ranger das badaladas tritura o espaço das veias pintadas. Sente-se a vertigem dos ponteiros laminar o entrelaçar do voo das portas, abertura do qual a respiração escuta a cadência da sensualidade. Murmúrios infiltrados nas telhas decorram o momento das gotas aflitas, aquele fluxo embalsamado.

Monday, October 26, 2009

Dead Train

A locomotiva dos mortos é cega no seu trilho. Cada galope serpenteia o desconhecido, além da imaginação do esboço encapuçado. Não há fuga possível dentro das masmorras; os corredores caçam o pó; o pó degola os números; os números ficam perturbados na alucinação enigmática. Encontra-se uma brisa no céu, cada nuvem provoca gotas de sangue, murmúrios subtis a gemer os olhares cruzados das grades; apertado laço dos mortos sobrevive as explosões.
Nas profundezas, os Seres sentem-se enforcados, uma agonia a triturar o galope da locomotiva num incessante respirar de um palco inacabado.

Foto Daqui

Thursday, October 22, 2009

Abismos de Sons

Baú cheio de frascos

Tsimmmmmmm (Prolongado)

As pétalas no orvalho das serenatas,
A vastidão rouca grita no caos

Pim (Profundo)

Ensurdecedoras grades da liberdade
Dentro dos refugiados,
Inalcançável Poder da criação

Pim Pim Pim (Gota sonora)

O abismo emocionalmente perdido
Nos toques do infinito
Serpenteia a captação selvagem da lava

Slim Raspim Slim
Tlim Tlim Tlim (Sino uivante)

Fluxo de sinos a pingar o terror das Almas
Sons uivantes a ruminar relâmpagos

Chaplim Chaplim Chaplim (Toque no charco)

Thursday, October 15, 2009

Monólogo

Quando na fronteira das mesas redondas os olhos cruzam murmúrios, existe a inquietação dos caracóis num deambular fumegante das acções. O sopro do instinto consegue perfurar o algodão salpicado, em infinitos instantes, em efémeras gotas ardentes. Consegue-se aos poucos vislumbrar a chama do sossego, a conversa do silêncio com ele próprio, o bater dos raios fulminantes na dobradiça das rodas esvoaçantes. A carcaça do tronco esbelto dedilha mantos na casca dos ponteiros, pousados nos berlindes coloridos da mente.
Por isso cada veia do Ser jamais está mergulhado num monólogo, alimenta-se e sacia-se sempre do labirinto na borda selvagem das pontes com as correntes de licores escavadas ao relento da nudez.

Imagem tirada da net

Wednesday, October 07, 2009

Rezar

Ontem à noite comecei a mudar de religião, duma forma brusca para o qual pensava que só poderia acontecer a uma hora incógnita, mas aconteceu às 22:33. Nesta súbita mudança de minutos não poderia suster a respiração devido ao raio que me atingiu, esta metamorfose irreversível de que nem a fé concentrada na minúscula área adjacente ao fio da barba branca teve alguma importância. Esta fé que me catapultou para um patamar de oração à árvore do óbvio destilar do significado do além, um deslocamento proveniente das subtilezas para chegar ao desconhecido cambalear dos sentidos. Rezo agora em cima da nuvem no inferno do sossego, onde a religião que cativa os poros dos gemidos é o nevoeiro, a própria invasão do brotar.

Wednesday, September 30, 2009

Carroça de Cordas

As portas estão manipuladas por cordas invisíveis, daquelas feitas de licores roxos envenenadas, tão saborosas que se abrem com a ventania do dorso das escadas. Incompreendido pela memória, o abre-latas chove poeiras sobre o papel, som entretido aos rascunhos das sementes do além. A carroça prepara-se com a tremenda vontade de a encher com magias, e com aquelas estaladiças divagações que fazem os sorrisos serem o palco dos voos saltitantes.

Imagem tirada da net

Tuesday, September 22, 2009

Ferve Outono

Sopro das folhas despidas corre no manto das mais belas cores. Dentro delas existe os fumos dos remoinhos a fazerem danças, badalam os sinos arrepiados na cordilheira, onde a rudeza dos seus vultos amaciam o gemido da leveza. Nos rasgos do Outono ferve sempre o odor enlaçado dos sons virgens, a água penetrante rega o último sumo das frutas, enquanto o licor das pétalas geme dentro dos troncos nublados de orvalhos a sua vontade de enlouquecer por entre cogumelos a esventrar o molhado saltitar dos pássaros.
Esta essência estremece o vento até ele sulcar rabiscos da ribeira por entre colinas desconhecidas aos olhos, mas entranhadas aos sentidos. Na mistura aponta-se para as estrelas para elas deixarem cair seus filamentos no perfume da Alma, no caos das silhuetas.

Tuesday, September 08, 2009

Oxigénio para o Génio

Pegar fogo na fotografia do desconhecido, pendurar as cinzas no orvalho da manhã incógnita. Enquanto se ouve o repouso dos pássaros no horizonte o mergulho da aurora canta melodias, reunindo cada pétala do orvalho soletrado. Parece o ciclo dos fogos:

Oxigénio para o génio
Destilação para a oração

Oxigénio para o génio
Destilação para a oração

Oxigénio para o génio
Destilação para a oração

Wednesday, August 26, 2009

Vinho

A adega das chávenas olha o corredor das tábuas estaladiças. Sente-se no meio do orvalho o sentido tremido do licor, saliente na lareira do piano pingos de tempestade andam soltos, num destino com a misericórdia das asas flutuantes. Sem pestanejar o vento soletra a cegueira nas janelas dos livros, quadrados envidraçados de vitrais, véus em mantos roxos a levitar nas células. Embriagado o odor esperneia na madeira, enquanto o néctar tem sabor das ampulhetas dos demónios.

Foto daqui

Wednesday, August 19, 2009

Sopro da Figueira

Existe um sopro dentro do odor da figueira, interior íntimo da corrente inalada no sufoco do tempo. As memórias dos insanos cantam com as cordas esticadas dos figos a canção dos dias afogados. Cada gota a ser sorvida num intemporal de raios, mas num instante de pés para o ar, a ampulheta rebenta na caverna, e silencia o seu desassossego. Parece o milagre das tentações a ser esfaqueado no nevoeiro onde pinga o sangue, mas nos 31 açucares espalhados na Alma existe a inquietação do Outono, por isso mais vale vestir-me com as folhas, rasgar o inferno das peugadas.
Os frutos sabem atar-se uns aos outros de forma divina, os Homens é que não sabem seguir suas essências ao limite das suas vontades.

Imagem retirada da net - Autoria desconhecida

Thursday, August 13, 2009

Nocturna Paisagem

Como são deliciosos os cristais com os chinelos nos pés. Até no consultório dos malucos se consegue saborear os pigmentos envidraçados, num prato floreado de divagações. O fumo alicerçado no edifício pode cair dentro do alguidar mas existe a loucura no trilho das janelas para espalhar o ruído surdo dos murmúrios. Enquanto isto na escuridão da noite caminha-se de chinelos com a ajuda duma bengala, toque de cantos dispersos provenientes dos atordoados candeeiros.

Imagem retirada da net - Autoria desconhecida

Wednesday, August 05, 2009

Lua Purificadora

Descalços meus pés mergulham nos sabores da Lua, na purificação aberta dessa silhueta que arde em fogo, não parando de dançar nas chamas do desconhecido. Cada fissura penetra o eco deslumbrante das mãos atadas no cordão virgem de alcançar o inatingível espírito, voar dentro da Alma, na inconstância de absorver o que de mais íntimo sai das pétalas. Trecho da melodia que a Lua faz acompanhar suas notas, a amante de muitos prazeres eternos.

Imagem retirada da net - Autoria desconhecida

Tuesday, July 28, 2009

Notas de Galhos

Existe um corredor nas entranhas da loucura, próximo do patamar da eclosão, onde cada Ser mergulha suas vestes na pele retorcida. Até se ouve o despir das sensações no recanto do arrepio com a viagem nublada como plano de fundo. A entoação perfilada na mão dos desconhecidos pode provocar a fuga dos pincéis para o resguardo labiríntico da tela. O estado invisível é transparente à nota, sucumbe e dá ao esboço o monumento da versatilidade. Por isso cada momento das pétalas cabe aos galhos o destilar do néctar.
Abraçai sempre as vossas essências...

Galeria de Manoel Soares de A. Neto - Pássaro nos Galhos

Saturday, July 25, 2009

Mergulho no Brilho

Folhas orvalhadas no dorso da colina
Regam a pele, regam o céu…
Nos pingos com sabor a remoinho
O carinho da corrente ondula
Junto da arqueada ponte

Descai o mergulho das mãos
No assento dos lábios.
Veneno cava sozinho
O absorver das silhuetas
Impregnadas

A Muralha sente o fluxo
Da ampulheta.
Devorar a Alma
Devorar a essência
Devorar o horizonte do mar
No brilho intenso do Tear das luzes

*Dedicado ao Funicular dos Guindais, Porto

Monday, July 20, 2009

Sina

O fumo enlaçado no mistério da fusão do mar com o sentido embriagante da carroça das ilusões, aquela que viaja no rodopio de montes na incessante labareda de saborear o momento sublime das sinas. Quando o destino perde o trilho da mão, vira o mundo para a fonte envenenada em que o Amor contagia a lucidez impura. Todas as masmorras têm o seu lugar, no ângulo latente da harmonia e a salvaguardar a definição mais obediente do palpitar transparente; este som rasga a Alma mesmo sem saber o toque da visão. Os condimentos da escravatura não deveriam ser plantadas em Seres que desenham as silhuetas com a sensualidade dos pincéis de vento, assim acontece com Silêncio.

Baseado na leitura da Obra de Didier Comés, Silêncio – 1- A Iniciação e 2- A Vingança.

Foto da capa do livro, A Iniciação de Didier Comés, tirada da net

Tuesday, July 14, 2009

Cego

O Cego na sua “opacidade” cria imagens da harmónica, nota recombinada com o fulgor das chamas que passam do incolor para cores perfurantes ao olhar. Existe na cegueira a formação moldada de fulminantes paisagens, quedas de água gemendo o sopro do dedilhar a tela na lâmina de um acolhedor madrugar, incessante visões do apocalíptico perfumar da essência. A abstracção dos sentidos rola no interior da incógnita fragrância, suspenso na fronteira de captar o invisível dentro do oculto.
A solidão catapulta alucinações distribuídas em mantos aleatórios, pintadas pela escuridão enturvada do fresco cálice. A mão segura firmemente o horizonte, e todo o Ser mergulha num ápice na construção do caos; imagem flutuante do Cego, mágico pernoitar da eternidade no amadurecido néctar da captação insaciável. Em tudo isto todos os Cegos fazem seu rendilhado esboço.

Cego não vê; Cego semeia, rega, colhe a Alma…

Bonsai Por Walter Paul

Saturday, July 11, 2009

Pó Virgem

O virgem pó encontra-se espalhado pelas cortinas do tempo, aberto aos dedos que fazem ranhuras com sabor a esboços. Da bancada desta dança o corpo desfaz-se num banquete esculpido com o ardor, melodias de portas a ranger, estrado a escoar os murmúrios da essência. Mais perto do inalcançável o cometa deixa rastos de fogo, salpicos de pós, grãos da simplicidade aberta ao rascunho do coração, pureza da qual a mordedura de sorrisos canta o virgem pó.

Galeria de Sandro Andretta

Tuesday, July 07, 2009

Tristeza da Lua

A mudança da imagem estagnada olha o ponto crítico sentado na escada das sensações. Cumprimenta-se a viagem com as pernas a retroceder, apesar da distância dos espelhos devorar o mistério. Cada abertura nublada pinta o reflexo; cada acto de respirar minimiza o esquecimento; ou, se a ousadia o permitir, a levitação chega ao ponto do não retorno. O chilrear perpétuo alcança os contornos iluminados ao mesmo tempo, naquela fracção pingada do orvalho, a sossegada sombra pendura-se no horizonte fugidio surpreendendo a torre da memória.
O palco da tristeza está apresentado. Agora a Lua acolherá a sobrevivência do Ser na sua imaculada vontade de absorver os pigmentos, o propagar dos recônditos fumos.

Galeria de Paul il Ramingo

Thursday, July 02, 2009

Respiração Desfolhada

Sopro da brisa dentro do fogo, assim é a respiração; adopção permanente da esperança da Alma em absorver o cálice dos remoinhos saltitantes. Cada envolvimento existe a carência, mas nesse entrelaçar a partilha favorece a convivência insana. Está lá na perseverança da ausência delimitada, organismo intermitente a consumir um compasso encadeado pelas cordas desfolhadas numa plateia ávida do invisível para acarinhar as cortinas, a embalsamada viagem.

Galeria de Prairiekittin - Albuns

Sunday, June 28, 2009

Mosaico de Salpicos

Mosaico aberto na ventania da chuva, cortinas espalhadas no momento taciturno. Resplandece as gotas no Verão, brilhando nos cabelos arrepiados do escorregar sombrio, toque moldado da respiração. As cores dedilhadas, espelhos penetrantes a rasgar a sentinela dos pincéis. Todos os salpicos intercalam a pintura numa levitação eterna.

Alan Jaras - Light Photography

Thursday, June 25, 2009

Pés Descalços

Os pés são delícias de chamas, rendilhadas nas erupções imparáveis dos turbilhões, no fogo salpicado de formosos tecidos, eles cavam toques de demência numa bússola serpenteada de labirintos. O trapézio do seu movimento gira em torno de odores profundos, iluminações de películas assombradas pelas sombras duma aflição de ternura. Símbolo interior de folhas moldadas com o sopro do orvalho.

Imagem retirada da net

Monday, June 22, 2009

Máquinas Infernais

Quando percorro o infinito chego perto do apocalipse, fantasma do véu colorido de nevoeiro a cobrir as estrelas em pura fermentação. O retrato de fogo pode abrir imagens pecaminosas quando somente soletram o pergaminho da folha dobrada no suspiro. A magia reunida das brasas da lareira, mausoléu dos demónios, as teias feitas do doce vento dilacera o dorso dos cometas de fogo enquanto as máquinas trituram o tempo num silencioso compasso.

Friday, June 19, 2009

Sossego

Destilação do caminho, rabiscar as janelas embaraçadas enquanto a dilatação faz faíscas na escadaria nublada. Onde se esconde o vulto dos mares descobertos? Manifestações descaídas do sossego.

Friday, June 12, 2009

Trilho do Crescimento

No quintal dos feijoeiros o relógio aponta os ponteiros para o lado direito, entrelaçam as flores no remoinho dos troncos cobertos de frutos, pinga a doçura acolhedora da rodriga. Nos trilhos feitos em desalinho da enxada, calmo desfolhar da água pernoita no olhar astuto de entranhar seu licor. Afunda em salpicos demorados ou esvai-se juntamente com os raios atormentados, enquanto o crescimento regozija a partilha da eternidade.
No recanto o pipo aguarda a semente do seu néctar, envolvido na dormência efervescente do êxtase perturbado. Trepar na delícia do prazer que os lábios irão ritmar esse pulsar num imaculado resplandecer das misturas.

Wednesday, June 10, 2009

Chuva Rasgada

Trucidado dentro da semente a aresta da flor germina, bordado num aflito corredor escuta-se o murmúrio do crescimento, vozes atormentadas pelo vento a trovejar o gotejar da cerimónia. Assim desaba a energia flutuante do céu sobre a natureza acolhedora, sopros de trovões a tilintar um harmonioso festival de silhuetas, além da imaginação, perto da humildade afectuosa.

Saturday, June 06, 2009

Suspiro Oriental

A serenidade transparente aglomera-se no corredor dos archotes, no suspiro das flechas a uivar turbilhões os Seres propagam a natureza da Alma. Cada olhar feito para perdurar o respeito pelo próximo, proximidade de gotas a trespassar a sapiência. Infiltrar a modéstia no passo próximo da falésia, rasgar o orgulho a sossegar a tranquilidade. O manto do Ser toca a ingenuidade, a infantil forma de dar, partilhar a dádiva de estar presente num sulco pacífico.

P.S: Uma das séries que cativou a minha infância- Kung Fu

Monday, June 01, 2009

Galhos de Outono

A gratidão do deambular pernoita nas fábricas reconstruídas das brincadeiras eternas, alcançar a rapidez das fontes abençoadas numa corrente brutal a alcançar os sabores. O refúgio da viagem são os balões entretidos, o sopro dos cânticos são os galhos dançantes.
O Pequenote orvalha sorrisos no infinito do dia, espírito de Outono.

Thursday, May 28, 2009

Galopar Labirintos

Sons galopantes despidos
Cortam a verdura,
Parados a esburacar as saliências,
Regelados a cantarolar o pingar.

Sinopse das folhagens augura
Veias do destino,
Sempre a olvidar a leveza
Dos pássaros entretidos

Transparência opaca oprime o esquecimento na medida incerta dum desvio irregular provocado nos limites sombreados das esquinas encurtadas. É preciso passear com o teatro das imagens pendurado na imaginação, estabelecer o labirinto aberto ao desconhecido.