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Saturday, October 04, 2008

Brilho Gélido

Readquiri o prolongado cântico
No reencontro da perplexidade.
Difusa queimadura de fogo
Renova o sopro
Com o brilho a escaldar
O renascer do ciclo virtual.
Emerge a escravadura obediente,
Aquela cuja sua manta é enigma,
Aquela cuja Alma é magma.
Instantes fugazes do oriente.

Servir o insípido
Torna a criação
Um progressivo vulto embaciado.
Da repetição não germina um caixão.

Monday, June 23, 2008

Caixão incógnito

Fluxo daquilo que não entendo escolhe o lugar do afogamento dos galhos. Estendidos sobre o céu de espinhos o corredor é a incógnita. Som amontoado de nuvens chocam do desejado até ao apogeu do Amor, desfolhado sulco. Calor embrulhado, envolto em ventania, acorrentado à fuga para a leveza misteriosa da desconhecida gruta. Velas de chamas sepulcrais cortejam a cerimónia, gelo dum caixão abraçado. Veludo que penetra as vertigens, alucinando a descida à solidão, ao chamamento da colmeia embriagada. Deflagram terramotos no deserto...

Sunday, March 16, 2008

Badalar

O pastor alemão põe chamas no caixão. Madeiras escuras do tempo fugido, a careca reluzente de pó, a mulher que devora os dedos. São segundos dum compasso mórbido. Badalar estremecido das labaredas dos lábios. Gemer ao cântico do funeral.




Wednesday, November 21, 2007

Caixão

Pintar o caixão de roxo ao brilho húmido do prazer. Num resquício de vida do rosto gelado, o deslizar torna-se um remoinho de sentimentos. Florescer dentro da madeira (galhos, diabruras, chamas, rasgos, sensualidades). Pigmentos destilados ao redor das estrelas, onde confesso que o suspiro anda desvairado no meio dos trovões. Os incêndios das faíscas penetram o sabor da torre, derretem a pele ao fogo dum molhado olhar...Esventrar até ao suplício do sangue a correr de tanto gemer, ao tilintar dos lábios da vontade de dilacerar. Tormento que ondula no caixão. Seres que se invadem com o ardor da essência. Fragas de brasas...