Sento-me aqui, sento-me ali...
Aqui não sinto...
Porventura estarei ali...
Engoli o que li...
Perdi as margens de ti...
Dilema do covil
Escondido do meu ser senil...
Dispo-me ali, dispo-me aqui...
Vi...Vi...Vi...Venho-me...
Friday, May 19, 2006
Thursday, May 18, 2006
Pétalas
A mera ilusão de fazer crescer uma flor dentro de mim não passará disso. Somente uma imagem da miragem que penetra na visão do inconsciente dum sonho. Os sons da melodia de mim é escavar sem destino, ou seja há coisas que não foram feitas para nascer. Quanto mais se escava mais sinto que essa libertação é em vão. Liberta-se sentimento e não obtemos sentimentos de volta. A ausência existirá até ao último fôlego aliviar o zombie. Rasgos de nevoeiro são os fantasmas da busca insaciável, a contornar labirintos em que o ponto final é o ponto de partida. É como no filme CUBO. Aprendo que o cair é sempre o ponto mais alto, e o levantar o ponto mais fúnebre. Estas notas pautam e pautarão sempre estas linhas, a rodearem esta viagem. Não tenho o que as pessoas desejam porque tenho somente a mim. Pouco, muito pouco, mas que para mim é o meu único alimento. A escrita torna-se dúbia, abstracta...Como sempre, sem sentido.Madeira
Poços de madeira são as mulheres.
Incham os olhos de espanto...
Rasgam e raramente penetram...
Sangram ouvindo o silêncio...
Não tenho nada para oferecer
Daquilo que verdadeiramente querem...
Apenas deixo escurecer
A ausência da viagem...
Tudo é mera ilusão...
Incham os olhos de espanto...
Rasgam e raramente penetram...
Sangram ouvindo o silêncio...
Não tenho nada para oferecer
Daquilo que verdadeiramente querem...
Apenas deixo escurecer
A ausência da viagem...
Tudo é mera ilusão...
Wednesday, May 17, 2006
Hospício
Enigma do santo canto
Que mergulhado se encontra cortado.
Palpitar do ser plantado
Num hospício dum recanto.
Só, olhos tristes embebidos...
Pó, voz rouca em tecidos...
Dó, dos pés esquecidos...
Mó, ceifa de sons retidos...
Que mergulhado se encontra cortado.
Palpitar do ser plantado
Num hospício dum recanto.
Só, olhos tristes embebidos...
Pó, voz rouca em tecidos...
Dó, dos pés esquecidos...
Mó, ceifa de sons retidos...
Tuesday, May 16, 2006
Altar
No altar dos Himalaias...
Não sei se há flores em canteiros despidos...
Não sei se o perfume das asas chega aos céus...
Não sei se as lágrimas da chuva são vitrais...
Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...
Não sei se os olhos estão cegos...
Não sei se há vontade em mim...
Não sei se há força feita de aço...
Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...
Não sei se há flores em canteiros despidos...
Não sei se o perfume das asas chega aos céus...
Não sei se as lágrimas da chuva são vitrais...
Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...
Não sei se os olhos estão cegos...
Não sei se há vontade em mim...
Não sei se há força feita de aço...
Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...
Monday, May 15, 2006
Novelo
Desmorona o castelo
De fantasmas com estandartes...
Sopra a desmesurada cratera do coração
Afunilada na vertigem,
Ouvindo o palpitar do rastejar
Nos escombros vibrantes da imagem,
Decepo os ossos a tocar
Cordas ocas de emoção...
Visionar pedaços de arte
Peço um novelo...
De fantasmas com estandartes...
Sopra a desmesurada cratera do coração
Afunilada na vertigem,
Ouvindo o palpitar do rastejar
Nos escombros vibrantes da imagem,
Decepo os ossos a tocar
Cordas ocas de emoção...
Visionar pedaços de arte
Peço um novelo...
Friday, May 12, 2006
Hurricane Moon
Dentro das tempestades cai a chuva,
Dentro do fogo rebolam as brasas,
Salpicos inflamados de murmúrios
Num uivo de luz...
Estranhas fontes que serenam
O derramar da cera de pétalas...
O perfume imerso, trémulo...
Os gritos fazem ranger as velas...
Carvão, sedução...
Transpira o ar de prata...
Cadência do céu a olhar
Espaço a enfeitiçar...
Dentro do fogo rebolam as brasas,
Salpicos inflamados de murmúrios
Num uivo de luz...
Estranhas fontes que serenam
O derramar da cera de pétalas...
O perfume imerso, trémulo...
Os gritos fazem ranger as velas...
Carvão, sedução...
Transpira o ar de prata...
Cadência do céu a olhar
Espaço a enfeitiçar...
Planície
Os horizontes penteiam-se de pastagens
Para o véu de sangue cobrir os pés...
Galopo sem vista, coberto de viagens
Rasgando a suavidade dos pés...
Frio gelado da memória a dançar
Em pingos de pedra no chão,
Em vazios de vastidão...
Ancorar nos ferimentos que virão
Martelo o descascar da pele
Dilacero a Alma das planícies...
Para o véu de sangue cobrir os pés...
Galopo sem vista, coberto de viagens
Rasgando a suavidade dos pés...
Frio gelado da memória a dançar
Em pingos de pedra no chão,
Em vazios de vastidão...
Ancorar nos ferimentos que virão
Martelo o descascar da pele
Dilacero a Alma das planícies...
Thursday, May 11, 2006
Dúvidas
Não sei...Porventura...Talvez...Mas...
Os troncos abrem-se,
No calcar dos pés feitos de pó...
A estaca penetra,
No derramar da seiva feita de pó...
O cálice degolado
Esfrega-se no pó...
O olho cai na solidão da tinta...
Os troncos abrem-se,
No calcar dos pés feitos de pó...
A estaca penetra,
No derramar da seiva feita de pó...
O cálice degolado
Esfrega-se no pó...
O olho cai na solidão da tinta...
Wednesday, May 10, 2006
Carlos / Me
Carlos - Estás com os olhos de quem apanhou uma...
Me - Quem?! Eu?!
Carlos - Sim. Não enganas ninguém.
Me - Eu não.
Carlos - Tens sim. E foi numa barraca...
Me - Qual barraca?
Carlos - Aquela barraca...
Me - Qual?!
Carlos - Aquela donde vendem shots...
Me - Ahhhh!!! (Olhar de quem nunca viu um shot à frente) ...
Me - Quem?! Eu?!
Carlos - Sim. Não enganas ninguém.
Me - Eu não.
Carlos - Tens sim. E foi numa barraca...
Me - Qual barraca?
Carlos - Aquela barraca...
Me - Qual?!
Carlos - Aquela donde vendem shots...
Me - Ahhhh!!! (Olhar de quem nunca viu um shot à frente) ...
Cruzes
Violentos olhos que pingam
Na avalanche de rochas...
Escurece o dourado
Dos pés que voam...
Cicatrizes de fogo,
Cruzes enterradas,
Papéis de tinta
A esvanecer os sons...
O tilintar de mãos frias...
Na avalanche de rochas...
Escurece o dourado
Dos pés que voam...
Cicatrizes de fogo,
Cruzes enterradas,
Papéis de tinta
A esvanecer os sons...
O tilintar de mãos frias...
Monday, May 08, 2006
Lençóis
Acordei à noite...
Acordei de noite...
Dormi acordado em cima do ombro...
Deixei os olhos nos lençóis...
Furei o tempo...
Agreguei os poros...
Soltei o licor...
Derramei a leveza...
Dormi de dia...
Devia...
Invado os pés...
Penetro o toque vazio...
Acordei de noite...
Dormi acordado em cima do ombro...
Deixei os olhos nos lençóis...
Furei o tempo...
Agreguei os poros...
Soltei o licor...
Derramei a leveza...
Dormi de dia...
Devia...
Invado os pés...
Penetro o toque vazio...
Friday, May 05, 2006
Anoitece no amanhecer
Anoitece nas águas do lodo
As raízes torrencialmente levantam o inferno...
O beco vazio separa-se
Linhas rectas sem aflição...
Pergunto donde estou...
Pergunto para onde vou...
Pergunto o que sou...
Pergunto à resposta...
Amanhece na terra do gelo
As árvores pingam do céu...
O corredor de chamas funde-se
Nos labirintos do sofrimento...
As raízes torrencialmente levantam o inferno...
O beco vazio separa-se
Linhas rectas sem aflição...
Pergunto donde estou...
Pergunto para onde vou...
Pergunto o que sou...
Pergunto à resposta...
Amanhece na terra do gelo
As árvores pingam do céu...
O corredor de chamas funde-se
Nos labirintos do sofrimento...
Thursday, May 04, 2006
Sopro
Como queria ficar cego para me ver...
Como queria ficar surdo para me ouvir...
Como queria ficar sem mão para me poder tocar....
Como queria ficar sem olfacto para me poder cheirar...
Como queria ficar sem língua para me poder Amar...
Corpo nu, Alma nua...
Cicatrizes de dor...
Esmagar o meu rosto...
Pesadelos de alucinações...
Os meus sonhos vão-se realizar...
Não! Não! Não! Não! Não!
No som das migalhas enroladas...
Não! Não! Não! Não! Não!
As lâminas afiadas cortarão as velas de sangue...
Não! Não! Não! Não! Não!
Sobre o olhar vazio das maldições...
Não! Não! Não! Não! Não!
Na jaula pernoito a sentir o declínio...
Sopro! Sopro! Sopro! Sopro! Sopro!
Como queria ficar surdo para me ouvir...
Como queria ficar sem mão para me poder tocar....
Como queria ficar sem olfacto para me poder cheirar...
Como queria ficar sem língua para me poder Amar...
Corpo nu, Alma nua...
Cicatrizes de dor...
Esmagar o meu rosto...
Pesadelos de alucinações...
Os meus sonhos vão-se realizar...
Não! Não! Não! Não! Não!
No som das migalhas enroladas...
Não! Não! Não! Não! Não!
As lâminas afiadas cortarão as velas de sangue...
Não! Não! Não! Não! Não!
Sobre o olhar vazio das maldições...
Não! Não! Não! Não! Não!
Na jaula pernoito a sentir o declínio...
Sopro! Sopro! Sopro! Sopro! Sopro!
Desprender
Bato nas nuvens do desespero
A recolher os gritos
A atormentar o meu jazigo...
Engulo segmentos ocos de mim,
Pérolas de pó,
Madeira molhada que não arde...
Os meus cabelos secos desprendem-se
Na afeição do desassossego...
Resta morder a cavidade...
Resta-me sentir o que sou...Ruínas...
A recolher os gritos
A atormentar o meu jazigo...
Engulo segmentos ocos de mim,
Pérolas de pó,
Madeira molhada que não arde...
Os meus cabelos secos desprendem-se
Na afeição do desassossego...
Resta morder a cavidade...
Resta-me sentir o que sou...Ruínas...
Wednesday, May 03, 2006
Tuesday, May 02, 2006
Clan of Xymox ( 29 de Abril, Hard Club )
Dentro do som, da ferrugem,
O insaciável desejo da doçura...
Rola os caixões das notas
Flutuam as aflições...
Harmonia de prazeres
Do inferno dormente...
Êxtase regado no fogo
De ranhuras abertas...
Negros mantos
De tectos abertos ao rio,
O som lubrifica
A ALMA de brasas...
O insaciável desejo da doçura...
Rola os caixões das notas
Flutuam as aflições...
Harmonia de prazeres
Do inferno dormente...
Êxtase regado no fogo
De ranhuras abertas...
Negros mantos
De tectos abertos ao rio,
O som lubrifica
A ALMA de brasas...
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