Sunday, June 20, 2010

Crónicas duma viagem IV

A navalha afiada contempla o rosto dos espelhos. Rasga-se a transparência da tatuagem, contemplação dos momentos soltos que a Alma faz ferver no cais do labirinto das pétalas. Envolto em nevoeiro o fogo arde em toda a parte fazendo um casulo de mel. Colhe-se fusões agrupados do tempo como pingos de rejuvenescimento criados pela atmosfera das chamas rendilhadas, silhuetas de cores.
Se um violino se deixasse embalar neste ninho, as cordas iam-se soltar e o som a rebolar ecoaria nas profundezas das navalhas, corte tão profundo que da invisibilidade brotaria sangue das cavernas para o cálice.
Sainte-Chapelle - Paris

3 comments:

Olhar Meu said...

Paris tem uma beleza descomunal!
Mistica! Belas fotos estas com que nos brindas-te.

um beijo

Fatima

Frankie said...

Ha locais que deixam as suas marcas impressas na carne, a sua memoria gravada na pele, como um corte antigo de navalha que, tendo sarado, nunca deixou de ser visivel...
Estes sao alguns desses lugares; algumas dessas marcas que trazes impressas em ti. Obrigada por as partilhares.



PS: As fotos sao belissimas.

PS2: Peco desculpa pela falta de acentuacao mas este teclado nao a tem.
Um beijo.

DarkViolet said...

Olhar Meu:

Obrigado. um lugar único no mundo. Cada recanto tem um lugar mágico...


Frankie:

por todos os sítios que cada um passa pode deixar-se contaminar mas há alguns que dizem mais que outros, e não é preciso fazer esforço, existe naturalidade. talvez vidas passadas...
Obrigada