Wednesday, June 23, 2010

Crónicas duma viagem V

O retorno ao momento anterior fazem com que os espinhos se espetam nas pedras e se enlacem na vegetação, num sorriso de encontrar o encadeamento dos rodopios, das danças. O verde e o cinzento fundem-se numa só, melodia daquelas que querem a simplicidade ao apogeu da insanidade do pé a seguir ao outro pé. O estremecer dos lábios rejubila de notas, som que escoa na rapidez do tempo inquieto. Donzelas de caveiras fazem a escalada do último sopro, num limiar de afiados voos à procura do instinto, a energia do além a dedilhar o sumo das pétalas despidas. Posso abrir as asas, infiltrar-me em todos os recantos, mergulhar no vagaroso penetrar dos trovões, soltar a pintura das folhas. O uivo escaldante junta todos estes pedaços nas chamas intemporais do cálice.
A coroa da morte geme em remoinhos mas o violino é incansável, nele se funde pergaminhos de fogo e se faz a moldura de cinzas que se espalham em filamentos prateados, sentir Lunar. O corredor de labirintos perfura o Ser do fundo para as profundezas, com a intensidade do infinito.

Cemitério de Père Lachaise - Paris

4 comments:

Olhar Meu... said...

Devo dizer-te que as fotos estão muito bem escolhidas...parabéns.

Fatima

Gothicum said...

que grandes fotos....


abraço

VANUZA PANTALEÃO said...

Verde e cinzento fundem-se...
Vida e não-vida...
Tanatos e Eros...

Abraços, amigo!!!

DarkViolet said...

Olhar Meu...:

As fotos e o texto penetram-se um no outro


Gothicum:

Gostei principalmente da segunda. Em Père Lachaise existe muitas coisas para tirar boas fotos


VANUZA PANTALEÃO:

Tudo num só lugar para ser absorvido e retido no Ser