Monday, July 21, 2008

Silêncio Nu

A repetição do silêncio obscuro, cujas sensações salpicam os movimentos, atinge a sonoridade do repasto da cripta. Desfiados os momentos de fogo, as ardentes chamas, a pausa do suspiro, a jaula enforcada; pluviosidade dos sinos acorda as fortalezas. Das muralhas o deslizamento das cortinas despidas, clama pela timidez. Olhar fugidio, remoinho nu.

O funeral veste-se de um negro roxo...Envolve-se a atmosfera dentro dum atalho labiríntico até do alto do inferno descair a solidão....A capela, a igreja, a catedral. Balanço das maldições saborosas.


Friday, July 18, 2008

Olhar de Lua

Tempo que passa, foge desgovernado.
Arrepiado, flutuando na memória:
Escapa sem o olhar...
Escapa sem ver o mar...
Escapa sem o tocar...

A Lua emaranha-se em silhuetas,
Num pedaço "agridoce"
De estrelas cintilantes, ampulhetas.

O Perfume das pétalas descairá
Sobre a inundação do Ser.
Remoinhos de vibrações
Enchendo poções.

Monday, July 14, 2008

Inquirição

“ Artigo 19º

Passemos ao seguinte artigo

Artigo Décimo Vigésimo”

Colapso cerebral aproxima-se... Stop

“Pois...Pois...Pois”...As galinhas uivam...Stop

Momento de alucinação estagnada é decapitado... Stop

A bicicleta não tem travões....
Cuidado...
A bicicleta é minha....
Oferecida a mim por mim, para mim...
Stop... Stop...Stop...

Thursday, July 10, 2008

Lanças de Raios

Vi dentro do entardecer um remoinho de lanças. Fulminaram o sossego com uma vingança mortal em que diziam:
- Belos bacalhaus... Calhaus...Calhaus...
Cheguei à escuridão dos sentidos. Adeus sol. Chegaste aqui para me esmagar, voltarei para te amaldiçoar...

Monday, July 07, 2008

Silêncio

O silêncio é lento, tão vagaroso que da sua ingratidão tem receio. Infiltra-se no submundo de si próprio, âncora de mutações submersas em labirintos faz parte das divagações. As flutuações das arrecadações com terrenos contagiosos encontram-se povoados…

Saturday, July 05, 2008

Torre

Erguer janelas espelhadas à volta da torre, aliança terrena do reflexo.
Erguer ramificações desabrochadas no contraste sombrio, estendido sobre a perspectiva de caminhar.
Parte do corpo é cortada...Parte do corpo é esvaziada...Parte do corpo é deslocada...

O fluxo geme na correria dos patamares, enlaçado no topo do mundo, no topo do próprio ser. Berço das sensações toca a maternidade... Voar sobre o manto das divindades.

Saturday, June 28, 2008

Longe do Sol

A pétala do calor está a sufocar o licor.
Afastai o sol do devaneio...
Para longe...
Looonnngggeeeeeeeeeeeee....

Monday, June 23, 2008

Caixão incógnito

Fluxo daquilo que não entendo escolhe o lugar do afogamento dos galhos. Estendidos sobre o céu de espinhos o corredor é a incógnita. Som amontoado de nuvens chocam do desejado até ao apogeu do Amor, desfolhado sulco. Calor embrulhado, envolto em ventania, acorrentado à fuga para a leveza misteriosa da desconhecida gruta. Velas de chamas sepulcrais cortejam a cerimónia, gelo dum caixão abraçado. Veludo que penetra as vertigens, alucinando a descida à solidão, ao chamamento da colmeia embriagada. Deflagram terramotos no deserto...

Sunday, June 22, 2008

Brisa

A brisa desfolhada...

Thursday, June 19, 2008

Difusa Lua

Raramente a Lua olha no espelho de mim. O reflexo do permanecer geme num esconderijo que não aguento; um aflito vazio de coisas cheias. São cadeiras esfumadas do desejo encontrado, tocado nos encontros não celebrados. Pego no interior duma divagação, quente ardor do enlouquecido, pauta vaga de notas opacas de transparência. Escrevo para não escutar o silêncio. Escrevo para o requinte dos meus lábios.
Irei embora sem perguntar às janelas a causa de estarem fechadas. Partirei sem o tempo ter masturbado com a vontade as chamas. As cordas repletas da força das exclamações. A chuva de fumo descai no vento. Anoiteço no desespero...
Existe a folha em branco, olhos cruzados de sensações, fogo guardado do talento mágico. Múltiplas acções encontradas na imaginação, no puro vinho que escorre num corpo mutilado. As ideias mergulham a respingar nas paredes dum poço cheio de silvas. És a criação da fuga, a culminar um excerto. Transplante da Alma, transplante do Corpo. Um voar destinado a “melodiar” as orações. A hora difusa da fé...

Monday, June 16, 2008

Masturbação

Certas melodias ouvidas ao mergulhar do sopro são a pureza, sedentos de chegar ao último fôlego. Aquela imagem do retrato, a ultima vista gótica do suspiro, o desfile da insanidade, o veludo sedoso da Lua. Dançar à volta da pele nua, vibrando as mãos num círculo ampliado na ampulheta. Tinta da noite pincelada nas cortinas do rosto faz a atmosfera circular. Forte embriaguez acaricia os seios dos gemidos, génese dos castelos.

Thursday, June 12, 2008

Respirar

Atira-se o amanhecer sobre os pés ao som dos estilhaços, ao ponto mais alto das muralhas de vento. Gelado o calhau cobre o nevoeiro, abraçado ao veludo, sopro enorme no último ressurgimento dum rasgo. A bela guilhotina aconchega seus carinhos na última refeição da batalha.
- Devorai os mortos! Devorai aqueles que se afogam! Devorai a esperança! Chegais perto do abismo, perto da fraqueza das ossadas! Respirai...

Sunday, June 08, 2008

10 000 Visitas

10 000 VISITAS

Saturday, June 07, 2008

Multidão

“Aquilo que chamam amor é bem pequeno, bem restrito, e bem fraco, comparado à inefável orgia, à santa prostituição da alma que se dá por inteira, em poesia e caridade, ao imprevisto que se mostra, ao desconhecido que passa.”

Charles Baudelaire – O Spleen de Paris – XII As Multidões


As cores são olhos misturados, desfolham mentes diversas, agarradas em palavras que saltitam dos lábios, nos gestos barulhentos, acordados pelo movimento. A licença derramada, e choram corpos. Arrepio dum congelador povoado de sentido. O som penetra a imagem do corpo feito de chamas. Surpreendido pela ignorância dos cabelos, não sou mais que a sombra voadora. E, suspiro para além da imaginação, respiro do além para guardar um retalho. Uma tela esfrangalhada de notas dançantes, criativo odor dum desespero visionário. Talvez a criatura do ordenamento chame por mim, do profundo infinito até junto das cordas dos filamentos do mar. Um resguardo contagiante da ondulação. Pó e salpicos de pó...

Wednesday, June 04, 2008

Sopro

A personagem sentada nos patamares gelados, encontra-se a perguntar a si mesmo, onde será o local da fonte. Poderá a silhueta dum véu cobrir o rosto despido?
Transparentes os patamares cantam melodias, bordos dos sentidos conectadas às asas. Sopram ao infinito um instinto de palpitações...Sopram.

Sunday, June 01, 2008

Pequenote

A bela criança enrola-se a gatinhar, a pautar o olhar envolvente, soltando a vontade das diabruras.
Céu feito de arco-íris onde te escondes?
O embriagado descair confunde-se com os teus dedos.

Sunday, May 25, 2008

Festival Eurovisão 2008

Ligo na minha televisão favorita: GPB- canal da Geórgia que transmite o festival da eurovisão!


Este demónio tem uma enorme fraqueza: adora ver o festival da eurovisão. Os olhos extravagantes das notas musicais com algum jeito, formas diversas de escrever a cor como aniquilação da música. Algumas são muito construtivas...
Desta vez tive a oportunidade de ver excertos antes do dia do apocalipse. Sem dúvida dois países que me “agradaram”: Finlândia e Espanha. A primeira por ter uma música mais pesada, e a segunda por causa das “chikichiki”. Uma música se não for a brincar só pode provar que os espanhóis têm qualidade para a palhaçada. No meio, no começo ou no fim havia uns piratas, muita perna fresca e corpos semi-nus masculinos e femininos. Alguns países foram conquistados pelos ingleses e eu não sabia: Alemanha, França, Geórgia, Rússia, etc...Os bee gees são franceses...que comédia, melhor que o circo. Para não falar nos anjos do Azerbeijão com o satan na cadeira de deus, com uma gata a dedilhar pecados nos virgens. Quero ser virgem por favor.
Isso de ser júri é uma tarefa monstruosa mas cabe unicamente a mim a decisão de listar uma combinação explosiva de resultados. Terei que ser franco, ainda bem que eu não tenho favoritos, à excepção dum ou outro país que gosto mais. A sinceridade vem ao topo do meu cálice envenenado de risos.
A Espanha cuja música é no mínimo de enorme gosto circense. Ainda dão a possibilidade de aprender a contar, a fazer de robocop, e a pôr toda a gente calada. Se o Chavez sabe disso! Castelhano é uma das línguas encantadoras para estas coisas. Até entram personagens do universo das línguas soltas...

“Bum..Bum... Bum... KalashniKov... Bum..Bum... Bum...”

E a minha votação foi:

1- Noruega
2- Suécia
3- Finlândia (Linda a letra - aconselho a carregar no link e a ouvir)

E a votação do “público” foi:

1- Rússia
2- Ucrânia
3- Grécia

Quinto lugar para a Noruega. Mais uma vez as minhas qualidades musicais ficaram aquém do festival da eurovisão....

Resultados

Grande Rússia!!!

Thursday, May 22, 2008

Poços de Gemidos

Enormes são as cordilheiras, despidas com o talento das essências.
Enormes são as personagens de pedra ou de veludo que viajam dentro das memórias.

Pedra fria dos altares, profanada pelos lobos sedentos de gotas.
Pedra fria das masmorras, imaginário do bailado dos fantasmas.

A vingança dos gemidos toca uma sinfonia das grades perfumadas.
A vingança do deslize descuidado sobre a pele apodera-se das muralhas.

Ouve-se com facilidade os poços do devaneio...Dentro das orgias...

Monday, May 19, 2008

Wolves


O som da madrugada
mistura-se com o som
povoado das luzes.
Descai a melancolia no rosto...

Sunday, May 18, 2008

Cogumelos ao Vento

Gosto de plantar
Se-me-ar...
Se-me-ar...
Cogumelos ao vento.

Gosto de saborear
Or-va-lhar...
Or-va-lhar...
Cogumelos ao vento.

Gosto de misturar
Pin-tar...
Pin-tar...
Cogumelos ao vento.

Saquear o ar, Regar ou Amar.

Thursday, May 15, 2008

Faíscas Galopantes

Trote da Alma a rasgar fragmentos de chuva.
Galopante olhar das folhas...
A resposta desdobra as palavras.
O assobiar penetra a caverna
num solto desmembrar.
Descaem salpicos:

Distantes adivinhos bebem o licor dos santos.
Murmura-se a angústia que inflama labirintos de sopros.
Dedilham arrepiantes as chamas dos ventos.

Saltitam faíscas de gelo...

Sunday, May 11, 2008

Fundação Serralves - Exposição Actual

Retrato presente da ausência.



Flutua a água dos poros. Um navegar deambulante...

O vinil oscila na memória..
Se o violino toca rejubilará na Alma!



Saturday, May 10, 2008

Bolacha Maria

Adormecido sobre a campa de pétalas devoro o tempo. Pedaço por pedaço, a dar mordidelas à volta; bolacha molhada de doçura feita com trevas de mel. Repousar saltos de vento até criarem remoinhos. Triturar o mole odor, muitas vezes esquecido, durante meses num lugar seco, triturar as infinitas migalhas que se separam do núcleo. A velocidade do arrepio é degolada à beira dos dedos, o som das unhas a ser esmigalhadas por famintos dentes.
Assim pouco a pouco esvoaça a bolacha maria para a borda do sulco da vida; canto do desespero.

Wednesday, May 07, 2008

O Texto do Amor

Os dedos deslizam em remoinhos acompanhando a leitura. Frenética a convergência da palavra para não se afundar num prazer único, num assobio que fizesse chegar a cada letra os suspiros do trovejar. Pingar sobre condensação, sepultar arrepios num embalar ondulante...Gestos alucinados das trevas mergulham-se nas margens do vulcão, a fervilhar o pulsar de detidos nós. O suporte do texto na flutuação de janelas futuristas, ouve a imensidão da mistura. Lavrar a concentração da fuga irresistível até ao ponto do degelo de glaciares formarem teias; adivinhar a agitação murmurante ao chegar da folha de nome saudade. Aí o vento apodera-se da vontade e espalha por colinas íngremes o desejo.

Saturday, May 03, 2008

Borbulhar

Quando a navalha penetrar o fumo dentro do ventre, oscilará a memória do desfalecimento precoce. Uma brasa a tremer, borbulhante de encantamento. Assim o dedilhar será vapor esquecido

A fuga dum abismo será o ventre.

A melodia da treva é o fumo.

A viagem do veludo foi a navalha.

Thursday, May 01, 2008

Janela

São portas de janelas, aquelas que cobrem o veludo. Perceptível à transparência o massacre das sensações torna-se uma masmorra, uma cor destilada sobre a cruz. A voz que alimenta a insanidade ecoa em profundezas, rasga a Alma, deixando imperturbado o calor da pele. Ténue sopro enlouquece a porta de janelas.

Monday, April 28, 2008

Rosa

O beijo escala o desejo; a sombra fantasiada fica encapuçada num sopro. Esqueci-me da rosa vermelha de sangue. Deixei-a sozinha, perdida no canto. A “crueldade” está despida ao toque do sol escondido. Deixei-a lá, deixei-a apaixonada na sua cor. Não a levei; não entendo como a deixei.
É o tempo do beijo; o subtil encosto. Deixei-a sem a recolher nos meus dedos. Pétalas enlaçadas ficaram na solidão. Esqueci-me dela...Não a abracei...Esqueci-me de mim...

Não é ela!

Sunday, April 27, 2008

Sopro

Quando a pétala mergulha...
Quando o licor se afunda...
Negro veludo... Roxo...


Wednesday, April 23, 2008

Rendilhado

Chovem rostos perdidos no altar do rio. Agua pura da essência gelada, agua vestida de cigana, agua rendilhada de invocações. Transparência guiada pela Lua, fugitiva no esconderijo, provocada pelos devoradores de serpentes que degolam as veias. Assim o segundo passa a ser eternidade, assim as secretas visões das florestas abandonadas são esfaqueadas pelo silêncio.
O esqueleto constrói muralhas intransponíveis ao olhar. Sensações negras são despidas no olhar da Alma, cobertas dum orvalho de chamas rasgadas nos luares. Murmúrio estrondoso.

Sunday, April 20, 2008

Licor de Lua


A energia do teu manto...
O poder da tua silhueta...
Teu corpo nu sobre meus espinhos
Penetram o destilar do teu cálice...

Resguardo o perfume da pétala do teu olhar...
Preencho-me na perseguição do teu licor...

Licor de Lua


A energia do teu manto...
O poder da tua silhueta...
Teu corpo nu sobre meus espinhos
Penetram o destilar do teu cálice...

Resguardo o perfume da pétala do teu olhar...
Preencho-me na perseguição do teu licor...

Saturday, April 19, 2008

Metamorfoses

As peças reunidas ao acaso propagam-se na prisão. Observa-se o monótono vestido negro que embeleza cores não espalhadas. Querem metamorfoses de perturbação, ocultos olhares, e no fim a bebida de nunca terem tocado.
Situo-me no fundo da sala junto duma paródia de letras. Esqueço o silêncio da sala e amordaço as nuvens para elas iluminarem o vazio.
Não entender a pergunta, nem a resposta se assemelha à pergunta.

Wednesday, April 16, 2008

Profundezas

Enjaular as masmorras das cordilheiras, obscuro labirinto de privações circundam as paredes entrelaçadas numa fuga impossível, num gemido de gelo aquecido. Roda a palpitação do ser vindo das profundezas que somente quer regar a letra. Dança a selvagem loucura de afundar o poder dos dedos. Esquecer a lâmina que corta. Esquecer a nota que desenha a melodia.
Perguntar por algo desconhecido, pétala destilada sepulta o monstro do devaneio. Sopram os pardais da solidão, mais velozes, mais famintos. A ternura da timidez aconchega as feras.

Sunday, April 13, 2008

F1

Os motores estão a aquecer...

Thursday, April 10, 2008

Dois e Meio

Havia dois guarda-chuvas,
Um guarda-chuva e meio.
Escondido dentro dos bosques uivava o tempo.
Marteladas incessantes do silêncio
Num assobio vertiginoso...

Havia dois sorrisos,
Um sorriso e meio.
Encapuçado fora da imaginação do sentimento.
Maravilhadas imagens da violência
Afundado no terror temeroso...

Metade da metade...
Dobro do dobro...
Geme a respiração....

Monday, April 07, 2008

Existir

Existem folhas de seios.
Existem néctares de gotas.
Existem secretas pétalas.
Existem cânticos de chuva.
Existem teias na escuridão...

Existiam filamentos prateados, cortados aos bocados para poderem ter sido saboreados.
Mas existe a aflição do vento.
Existe um rasgo não tocante.
Existe o golpe dedilhado.

Trovejaram raios de lâminas afiadas...
Deixaram o sangue a pingar no violeta do lilás.

Wednesday, April 02, 2008

A Noite Só

As vertigens acarinham a avassaladora vontade de desabar montanhas. Fragmentar cada rocha em estilhaços de lava. Vaticinar a escuridão acarinha o manto duma noite só, e em certos labirintos a sensação bate nas vielas, estremecendo os sopros fugidos, palpitando.

Ela grita.
Ela chora.
E no silêncio ela implora.
O que é?

Sussurro notas nas luzes que salpicam as ruas. Gotas atadas dum sabor dúbio deslizam nos canteiros. Seguro-as nos lábios dos olhos, misturo-as na vastidão das estrelas.

Tuesday, April 01, 2008

.

Este é o oficial.
Os outros são os oficiosos.
Valem tanto como este.

Saturday, March 29, 2008

Trevas Ardentes

Andas a sonhar Demónio?

Ouvi-te gemer ontem à noite. Tuas garras estavam infiltradas de prazer, ensanguentadas dos rasgos de paixão. As carícias desciam no corpo das chamas a tocar o abismo das vertigens. Sulcaste o fogo dentro das teias até elas romperem tua pele. Cordas dedilhadas na sede de seres possuído.

Continuas com o sexo erecto Demónio?

Navegas sem parar nas linhas dos sinos. Tocas o inalcançável sobre as nuvens até ouvir um suspiro dos remos. São contornos estranhos que te fazem palpitar, nos sonhos e na realidade. Uma estranheza profanada em beleza, numa corrente do descarrilamento...

Terás unicamente que te satisfazer com o sonho Demónio?

Tuesday, March 25, 2008

Tormentos

O que atormenta o vento são as folhas.
O que atormenta a azeitona é não ser espremida.
O que atormenta a viagem provém do sopro.
O que atormenta o carvão não pode salpicar a Alma.
O que atormenta a tinta, o regaço da criança, ou o olhar do tempo, é a ausência.
O que atormenta a vela ilumina a tela.
O que atormenta as chamas da insatisfação bebida é a flor do mistério incompreendido.
O que atormenta a memória não pode ser cultivada pela aparência, apenas restrita numa livre escuridão.

O que atormenta o fogo são as teias.
Um tormento de paixão.

Friday, March 21, 2008

Inflamar


Dedilhas as estradas...
Iluminas corações...
Inflamas as chamas da solidão...

Tuesday, March 18, 2008

Calor

Calor da escrita...
Servente dos desejos, o cego rosto
Cobre o guarda chuva;
Da chuva muda
O decaimento das rochas estremece...
Densa as cicatrizes resvalam
O dedilhar do ar puro,
Da varanda despida,
Do telhado molhado.
Mar além da imaginação,
Povoa o segredo da paixão.
Enroscar o pergaminho de teias.
Calor da Alma...

Sunday, March 16, 2008

Badalar

O pastor alemão põe chamas no caixão. Madeiras escuras do tempo fugido, a careca reluzente de pó, a mulher que devora os dedos. São segundos dum compasso mórbido. Badalar estremecido das labaredas dos lábios. Gemer ao cântico do funeral.




Wednesday, March 12, 2008

Beleza de Sangue

A beleza irregular questiona o movimento da caridade.
- Acordas o suspiro da Alma com essências perfumadas?
- As paredes estão escritas com sangue.

Sunday, March 09, 2008

Loneliness

Palavras ocas, vazias, depreendidas. Um sopro embriagado.

A serenidade do aconchego...

“Quem tem medo do Lobo mau?
Quem tem medo do Lobo mau?
Quem tem medo do Lobo mau?”

- E se quiseres devorar a Alma? E... A pele requerer fogo? E... Possui-me!
- Tenho medo de ti, capuchinho! Fazes-me cócegas.
- Devora-me. Não perguntes porquê.

Os olhos estão escondidos. A roupa enche a solidão. Sentes-te sozinho? O sabor nauseabundo da sociedade rasga tua fuga? Provavelmente saberás qual o órgão mais importante na mulher?
Deixa-me ver as fotos dos esgotos que elas perguntam por um carinho. A audiência espera por ti. Tens mulheres despidas para te cortejar, prémios de risos, tempo desperdiçado...Terás comportamentos do vazio oco das palavras?

Fecha os olhos, liga os monitores televisivos. Sentes o abandono?

- Vêm cá Lobo mau, desejo-te acariciar....
- Tenho medo...Mas vou...Não, não vou!
- Aqueço-te. Não te como prometo.
- Vou morder, rasgar e dilacerar teu corpo.
- E a parte do violar não irá acontecer?
- Não!

Assobiar ao suspiro de navegações subterrâneas. Fogos transparentes. Nem sei onde mora o amor, se é no adeus da palavra ou no silêncio do abraço.

Hitler companheiro de Deus?! As asas não te seguram. Solidão tua, solidão minha...Caminhamos, caminho, caminhas. Buracos são decorações, o afundar na monotonia de não fugir.

“E o órgão mais importante na mulher é o nariz”

Será?

Quero o Lobo mau a uivar e se puder ser também a violar.

Saturday, March 08, 2008

Flecha Ardente

Ramificar a semente
Sobre a fonte das asas,
(Escurecer...)

Alienado dentro do casulo.
Encontram-se patamares de suspiros
(Ferver...)

Que embalam retalhos de odores
À volta da fogueira.
(Arder...)

O sangue flutua no abraço...
Na chama...
Na Flecha...
Na Alma...



Monday, March 03, 2008

Noite de Letras

( Herberto Helder ???????)

____________________________________________________________________

Pinga o pois é...
Zangado, sem pé...
Chama deflagrada...
Nos corpos orvalhados
Penduram crinas de fogo!!!
Irrompe furacões repletos de orações.

Olhar paralisado recordando a embriaguez das abertas reticências. Verter, reter, gemer, elevar o som da cor embaciada pela talhada dor... Gravar os cantos escondidos dentro da arca. Ecos que ao chegar sentem a sensibilidade. Propagar do zumbido...Balanço do vento...

Provoca-me!
Sente as vertigens...
Rasga-me!
Retêm o suspiro...
Decifra-me!
Navegar o calor do frio...
Acolhe-me!
Espelhar as florestas...
Tatua-me!
Reflexo de cabelos...

____________________________________________________________________

Saturday, March 01, 2008

Punição de Voar

Será proibição de sentir?
Será aniquilação de sorrir?
Letras cunhadas a mistério
Para misturar o perfumado nevoeiro...

Desfiar
Numa valsa
O aroma escrito;
A chama do fundir
Rebola na reflexão,
Num declínio,
Numa evaporação,
Num círculo rasgado no coração...

Desprotegida luz...
Desamparada escuridão....
Raios cavalgantes...
Voar!

Wednesday, February 27, 2008

Pedaços duma Vida

  • Espalhar a desgraça.
  • Lavrar a aridez.
  • Inventar o sonho.
  • Emoções em grades de alucinações.

    “Levas uma galheta no focinho” – Mulher do Bolhão.
    Sentimentos impregnados de fado – Cartaz do café.

    P.S: Ainda me vou tornar no mestre do livro das reclamações. Será possível espalhar poemas em tais livros?

Ertuca Slirto Rabré!!!

Tuesday, February 26, 2008

Salpicos

Ossos quebrados com o gemido das veias escapam dos remoinhos do calor, num corredor em que o fogo fica abraçado ao vento. Gotas, mais gotas, mais gotas, duma solidão sem fortuna. Aperto de braços tristes, rebolo a suavidade do olhar, toco o fantasma. O sentimento aprisionado desta maneira vive com cega melodia. Salpico de tempo, salpicos amargos, salpicos germinados, salpicos que deveriam estar na fogueira, a arder...

Saturday, February 23, 2008

"Lugar"

...

Pedem tanto a quem ama: pedem
o amor. Ainda pedem
a solidão e a loucura.
Dizem: dá-nos a tua canção que sai da sombra fria.
E eles querem dizer: tu darás a tua existência
ardida, a pura mortalidade.
...

Herberto Hélder, Lugar - II

Friday, February 22, 2008

Labirinto

A solidão do corpo rasga o Ser das flechas povoadas dum brilho fúnebre, escondida Lua. Marcho, divago, rego canteiros do casulo, penetro uma suavidade do tempo nublado. Repleto de imagens vagueio no corredor de labirintos...

Wednesday, February 20, 2008

Estremecer

Alma regada pela silhueta
Do teu perfume...
Corpo trespassado pela ampulheta
Do teu queixume...

Estremeço...

Ternura ofegante de rasgar o manto,
Frescura palpitante de palpitar o santo.

Borbulhar o caldeirão dum suspiro
Ancoro-me a ti... Lua.

Monday, February 18, 2008

Plim

P
L
I
M
!

Aborrecido cansaço que abana o ser
Levando a querer pendurar o sorver.
Caminhar o entrelaçar das letras
A mergulhar gemidos em florestas.

O quotidiano mergulhado nas trepidações
Para vislumbrar rostos de orações
Até que se ouve a margem esquecida do dedo,
Num canto virgem do rio do medo...

P
L
I
M
!

Thursday, February 14, 2008

Erotismo II




O que há em mim é sobretudo cansaço- (Excerto)


Álvaro de Campos

Wednesday, February 13, 2008

Erotismo

Asas abertas sobre cortinas.
Desce o vestido nublado,
Dança a neblina do erotismo...

Friday, February 08, 2008

Miragem da Alma

As notas dedilhadas no silêncio com a Alma pousada no resguardo da parede, rasgam os portões sem ouvidos aninhando-se à possuidora melancolia das miragens. Transbordam os olhos do infinito para as mãos abraçadas. Viagem que o espelho esquece, viragem que o tempo humedece.A solidão ondula em cicatrizes sem o passado aconchegante, nem o futuro talhante. Momento de paz infernal tornado reflexo da própria matéria que se devora.
(Entre as teias duma plateia feminina)

Monday, February 04, 2008

Sino

Andam galos degolados...
Andam gatos com olhar desvastados...
Toca o sino! Toca o sino!

Andam retalhos de olhar escondidos....
Andam no monte os fantasmas vendidos...
Toca o sino! Toca o sino!

Salva a Alma, salva teus olhos,
Salva os dedos, salva as miragens...
Salva-te...
Toca o sino...

Esquarteja o tempo!

Tuesday, January 29, 2008

Imagens

No percurso dos meus pés encontrei umas fotos espalhadas no passeio. Cativou-me o aspecto preto e branco da imagem. Algumas viradas ao contrárias, umas direitas, todas com aspecto de serem de longe. Disseco o tempo a observá-las sem as apanhar. O toque pode amedrontar e fazê-las retornar ao seu proprietário. Reviro os olhos em volta para observar se alguém está próximo enquanto no meu pensamento se figura a ideia que as fotos foram abandonadas, ou esquecidas, ou quiseram fugir. Parecem ter vida mesmo estando imóveis no meio do chão. Aninho-me junto delas, penetro os odores de outras paisagens. Misturas quentes de africa, rostos e tendas, árvores e rios. Não que seja um continente que me atrai, mas algo no meu coração fica crucificado.

Monday, January 28, 2008

Lavrar

Um zumbido fúnebre pernoita no ouvido olvidando a seca que lavra os mantos escondidos. Os galhos põem suas extensões nos lugares mórbidos esquecendo ao sorriso um leito para desaguar odores. As lapas imóveis acarinham-se umas às outras enquanto quem possui asas saltitantes morde o que aparecer como seu ideal de beleza.
A Alma dos pedintes devora os azulejos pintados ao acaso.

Tuesday, January 22, 2008

Prazer


Os aromas das fragrâncias invadem as sensações.

Os filamentos voam na pele...

Essência sensual do prazer...

Thursday, January 17, 2008

Soprar ao Vento

O terror dos olhos foge,
Num Sopro,
Num desassossego.
Arranhar a paixão da cova ao caixão...

Forte som embriagado desce colinas de neve...
Cego ou seco...

Perfume de balas cobre o rosto.
Esfaqueado pelo gelo,
Coberto de fracturas de Alma.

Trovões abrem sepulturas
Do manto de sangue para o altar.
Corredores da escuridão
Povoados de solidão,
Rasgados com a humidade do prazer...

Silêncio fúnebre...
Medo,
Audácia,
Êxtase...

Odor do desejo penetra a suavidade.
Língua embala a vastidão do suspiro.
Reflexo do comboio despedaça o tempo.
O enlaçar do Amor...

Olho de voz aterrador respira ao compasso dos sinos.

Tenho os cabelos ao vento...
Longos até onde o veludo toca o seio.
Rasgas-me o coração?

Monday, January 14, 2008

Saudade

Descalço a entretida saudade numa força que rasga o tempo. As âncoras são transportadas dos areais para o mar revolto. Os ossos flutuam na imensidão das energias magnetizadas. Voar nas ondas violentas do calor, num sopro, numa ventania, num trovão...Chamas ao ecoar da vastidão
Altar de asas mergulha nas velas...Filamentos afiados da cantoria, sabor do balanço do fumo....Violinos...

Saturday, January 12, 2008

Foice


Lagos
Correntes
Remoinhos
Gotas

Escuridão...

Tuesday, January 08, 2008

A Marcha...

A Alma que arde perturbada voa na pele ardente. Geme descontrolada entre os pingos até a essência se transformar num suspiro penetrante. Aí desfolhado pelas correntes desorientadas, o ninho navega num naufrágio sufocante, enquanto que a cortina de fogo debruçada sobre filamentos se orienta ao sopro da paixão que rasga as ondas. A gota atravessa o mel até o seio saciar a sede...Perturbação inquieta do temporal, subida ao inferno desejado. O corpo nu dilacerado pelo vento das teias ouve mãos...Ouve no fundo do profundo a marcha da meia noite.

Friday, January 04, 2008

Olhos Cegos

A miséria torna a eternidade mais consciente da mobilidade. Estimular a linha-férrea num prolongamento a reter o desacordado andar. Respirar o suspiro, retirar o tiro. Retratar o cego na página solta dum livro, pintando o pincel na esquina de querer voar. Das asas magoam-se a razão dos olhos, barreiras de lágrimas que soltam a intrínseca incerteza.
A combinação sobre a laje tumular abre fissuras de fogo. Mãos de gelo retiram filamentos de sémen... Véu embaciado nas trevas.

Monday, December 31, 2007

Brasas Embaladas

Pedras molhadas ao sabor perverso dos corações. Agarrar a vontade de as tilintar, naquela ternura de as ver arder num limite inalcançável.
Escavar com os ardores na palma da mão até escaldar a pele, até o âmago virar gelo de fogo, até o pingar a progredir para gritar nas cavernas das teias. Som embalado de brasas dilacera o deserto...

As palavras circundam, circulam os pés nus...
Chuvisco de mais um ano...Fonte de gemidos...
Entra 2008...

Monday, December 24, 2007

Agasalho

Transporto o baú...
Enlaço as serpentinas...

Rego com a doçura o veneno.

O templo...
O tempo...
O vento...

Dedilhar o rasgo do coração...
Mergulhar a Alma na paixão...

Brilham as estrelas no agasalho da Lua...

Friday, December 21, 2007

Lareira da Noite Longa

A escuridão abrasa o segundo que escorre pelos poros. Velejar em tempos sem fim onde espreita o luar, a aconchegar as estrelas das nuvens deitadas no horizonte. Tilintar a noite longa na palma das folhas esvoaçantes. Dançam no chão, algumas nos galhos, outras no coração...Nesta transição a silhueta faz renascer nova época. Aromas a congelar essências e a transformá-las em licores para beber à lareira...


Thursday, December 20, 2007

Naufrágio Ardente

Navegar no mar....
Naufragar no rio...
Arrepiar as colinas....
Penetrar os soluços....

Dentro do tempo a iluminação rasga a espera....
Fora do tempo atormenta-se o desassossegar das velas...

Ouço os gemidos dilacerados no coração...
Ecos...Ecos....Ecos...
Ardentes...

Saturday, December 15, 2007

Calor do Ardor...

As folhas brancas pintam as telas dos heterónimos, enquanto as vozes salivantes de pensamentos sulcam o armazém dos sons. Na plateia o folhar dos jornais esboça uma curiosidade do entreter os olhos. Nos camarotes o visionamento dos duetos penetra o ardor dos toques embalados. Seres estranhos com sonhos acalentados. Paisagens dos escorregamentos delicados.
Cânticos sussurrantes desafiam patamares escaldantes, o desassossego cativante da mistura.
Até que chega a entrada dos heterónimos, e da mulher com fôlego. A escuridão abraça o louco dançar, da embriaguez louca de despir. Enrosca-se o calor, e abandonado ao estímulo de sentir as mãos, rodopia-se um vagaroso abrasar da Alma. Detido neste aprisionamento da liberdade o deslizamento enrola profundos desejos ao expender o infinito até à pele. O deambular das brasas seduz raios flamejantes, arcos de paixão, sensações de emoções a dilacerar as teias das veias.
Dedos que trespassam as flores vestidas, dedos derramados no vulcão. Inferno do baloiço a escrever o prazer, a rabiscar florestas de sonhos flutuantes, a endiabrar um pulsar sensual... Do ardor gemem lábios... Do calor ardem rios...Desejo forte do aquecimento íntimo...

Friday, December 14, 2007

Felicidades DarkViolet

Ao ouvir embalar os teus galhos sobes até ao profundo olhar das brasas. Ardes e tentas arder, umas vezes a ouvir a germinação do silêncio, outras vezes a saquear tremores de terra ao teu encontro. Um sorriso de ti para ti...

Tuesday, December 11, 2007

Hummm...

Beijos
e
Abraços!
Misericórdia a um pecador dos sentimentos. O inferno seja abrasador comigo...

Thursday, December 06, 2007

Run Santa Claus

Santa Claus…

You can run but you can not hide.
You can run but you can not die.

Run…Run…Run…
Fly or Die…Die or Fly...


You can run but you can not hide.
You can run but you can not die.

Butterfly…
Santa Claus…
Butterfly…

Wednesday, December 05, 2007

Gota

Chuva miudinha, colorida ao luar do nevoeiro, escorre em patamares da longa noite. Tesouros de sabores aglomeram-se junto à pele, resguardados nas profundezas do leito de mel, emigrados dentro das carícias. Cortejar contornos da bruma esboçada na lentidão dos prazeres, riscados entre os galhos despidos. Divertir os círculos de gotas ao entrelaçar do ardor para descair o manto...