Friday, January 09, 2009

Eco

Amanhecer!
Sorrateiramente previ a inexistência do amanhecer, acontecimento do qual provinha do deambular intermitente da memória. Este recordar quase esquecido pôs todos os raios numa posição de extrema nudez, na aparência mais nítida da luz. A orquestra aclamou todos os suspiros de cada instrumento, fragmentar e arrepiar o profundo do eco mórbido do pestanejar, da sequência, cuja liberdade capturada à nascença estaria entretida. Reflectidos olhares de notas que os rios imersos em vulcões infiltram o alívio puseram-se a cantar, contemplação da beleza do entardecer. Majestoso o entardecer mantém-se puro, fiel às linhas da Lua, à sua própria essência.
Entardecer!

5 comments:

MagnetikMoon said...

O ciclo e a metamorfose da Alma.Quando os estrados do limbo são puramente desnudados,as estrelas tímidas tocam-se e percorrem o próprio movimento com leveza.

Magnetikiss;)

Gothicum said...

"Muitos adjetivos, péssimos elogios. Os fatos é que elogiam."
(Jean de La Bruyère)

...e o facto é que tu escreves divinalmente bem.Abraços.

Peculi said...

O noctívago conhece bem o amanhecer, é muitas das vezes a sua solitária e calma companhia no regresso da finda noite. E lá vão acordando os pássaros e nessa orquestra o sol tem uma razão de ser para brilhar, para existir, ser contemplado.

No entardecer nova sinfonia visual nos acompanha, despedindo-se o sol, a noite ergue-se majestosa, abraçando todos os órfãos da luz.

Fragmentos Culturais said...

Gosto profundamente deste teu entardecer!

Perco-me na imagem... atravesso a 'floresta' de tuas palavras e pairo no meu entardecer! Do verão longínquo...

Boa semana!

DarkViolet said...

MagnetikMoon:

Nesse movimento o entardecer acompanha a Lua. Quando os estrados estilhaçam de frescura a essência completa o ciclo com a dança. Eco com beleza fragmentada de prazer


Gothicum:

O adjectivo sem companhia pouco vale, a metáfora no bosque das sensações é o que faz o altar.
Obrigada


Peculi:

Sempre me encantou mais o entardecer. O amanhecer é quase feito de miragens. Os "órfãos das luzes" gemem com o abraçar sereno da solidão, companhia da Lua para dançar de sedução.


Fragmentos Culturais:

No teu entardecer haja o que a tua Alma deseja. Não te deves perder em imagens, são alucinações que só se dão às cores. Se for nas palavras poderá ser servido uma bebedeira de pétalas