Sunday, May 25, 2008

Festival Eurovisão 2008

Ligo na minha televisão favorita: GPB- canal da Geórgia que transmite o festival da eurovisão!


Este demónio tem uma enorme fraqueza: adora ver o festival da eurovisão. Os olhos extravagantes das notas musicais com algum jeito, formas diversas de escrever a cor como aniquilação da música. Algumas são muito construtivas...
Desta vez tive a oportunidade de ver excertos antes do dia do apocalipse. Sem dúvida dois países que me “agradaram”: Finlândia e Espanha. A primeira por ter uma música mais pesada, e a segunda por causa das “chikichiki”. Uma música se não for a brincar só pode provar que os espanhóis têm qualidade para a palhaçada. No meio, no começo ou no fim havia uns piratas, muita perna fresca e corpos semi-nus masculinos e femininos. Alguns países foram conquistados pelos ingleses e eu não sabia: Alemanha, França, Geórgia, Rússia, etc...Os bee gees são franceses...que comédia, melhor que o circo. Para não falar nos anjos do Azerbeijão com o satan na cadeira de deus, com uma gata a dedilhar pecados nos virgens. Quero ser virgem por favor.
Isso de ser júri é uma tarefa monstruosa mas cabe unicamente a mim a decisão de listar uma combinação explosiva de resultados. Terei que ser franco, ainda bem que eu não tenho favoritos, à excepção dum ou outro país que gosto mais. A sinceridade vem ao topo do meu cálice envenenado de risos.
A Espanha cuja música é no mínimo de enorme gosto circense. Ainda dão a possibilidade de aprender a contar, a fazer de robocop, e a pôr toda a gente calada. Se o Chavez sabe disso! Castelhano é uma das línguas encantadoras para estas coisas. Até entram personagens do universo das línguas soltas...

“Bum..Bum... Bum... KalashniKov... Bum..Bum... Bum...”

E a minha votação foi:

1- Noruega
2- Suécia
3- Finlândia (Linda a letra - aconselho a carregar no link e a ouvir)

E a votação do “público” foi:

1- Rússia
2- Ucrânia
3- Grécia

Quinto lugar para a Noruega. Mais uma vez as minhas qualidades musicais ficaram aquém do festival da eurovisão....

Resultados

Grande Rússia!!!

Thursday, May 22, 2008

Poços de Gemidos

Enormes são as cordilheiras, despidas com o talento das essências.
Enormes são as personagens de pedra ou de veludo que viajam dentro das memórias.

Pedra fria dos altares, profanada pelos lobos sedentos de gotas.
Pedra fria das masmorras, imaginário do bailado dos fantasmas.

A vingança dos gemidos toca uma sinfonia das grades perfumadas.
A vingança do deslize descuidado sobre a pele apodera-se das muralhas.

Ouve-se com facilidade os poços do devaneio...Dentro das orgias...

Monday, May 19, 2008

Wolves


O som da madrugada
mistura-se com o som
povoado das luzes.
Descai a melancolia no rosto...

Sunday, May 18, 2008

Cogumelos ao Vento

Gosto de plantar
Se-me-ar...
Se-me-ar...
Cogumelos ao vento.

Gosto de saborear
Or-va-lhar...
Or-va-lhar...
Cogumelos ao vento.

Gosto de misturar
Pin-tar...
Pin-tar...
Cogumelos ao vento.

Saquear o ar, Regar ou Amar.

Thursday, May 15, 2008

Faíscas Galopantes

Trote da Alma a rasgar fragmentos de chuva.
Galopante olhar das folhas...
A resposta desdobra as palavras.
O assobiar penetra a caverna
num solto desmembrar.
Descaem salpicos:

Distantes adivinhos bebem o licor dos santos.
Murmura-se a angústia que inflama labirintos de sopros.
Dedilham arrepiantes as chamas dos ventos.

Saltitam faíscas de gelo...

Sunday, May 11, 2008

Fundação Serralves - Exposição Actual

Retrato presente da ausência.



Flutua a água dos poros. Um navegar deambulante...

O vinil oscila na memória..
Se o violino toca rejubilará na Alma!



Saturday, May 10, 2008

Bolacha Maria

Adormecido sobre a campa de pétalas devoro o tempo. Pedaço por pedaço, a dar mordidelas à volta; bolacha molhada de doçura feita com trevas de mel. Repousar saltos de vento até criarem remoinhos. Triturar o mole odor, muitas vezes esquecido, durante meses num lugar seco, triturar as infinitas migalhas que se separam do núcleo. A velocidade do arrepio é degolada à beira dos dedos, o som das unhas a ser esmigalhadas por famintos dentes.
Assim pouco a pouco esvoaça a bolacha maria para a borda do sulco da vida; canto do desespero.

Wednesday, May 07, 2008

O Texto do Amor

Os dedos deslizam em remoinhos acompanhando a leitura. Frenética a convergência da palavra para não se afundar num prazer único, num assobio que fizesse chegar a cada letra os suspiros do trovejar. Pingar sobre condensação, sepultar arrepios num embalar ondulante...Gestos alucinados das trevas mergulham-se nas margens do vulcão, a fervilhar o pulsar de detidos nós. O suporte do texto na flutuação de janelas futuristas, ouve a imensidão da mistura. Lavrar a concentração da fuga irresistível até ao ponto do degelo de glaciares formarem teias; adivinhar a agitação murmurante ao chegar da folha de nome saudade. Aí o vento apodera-se da vontade e espalha por colinas íngremes o desejo.

Saturday, May 03, 2008

Borbulhar

Quando a navalha penetrar o fumo dentro do ventre, oscilará a memória do desfalecimento precoce. Uma brasa a tremer, borbulhante de encantamento. Assim o dedilhar será vapor esquecido

A fuga dum abismo será o ventre.

A melodia da treva é o fumo.

A viagem do veludo foi a navalha.

Thursday, May 01, 2008

Janela

São portas de janelas, aquelas que cobrem o veludo. Perceptível à transparência o massacre das sensações torna-se uma masmorra, uma cor destilada sobre a cruz. A voz que alimenta a insanidade ecoa em profundezas, rasga a Alma, deixando imperturbado o calor da pele. Ténue sopro enlouquece a porta de janelas.

Monday, April 28, 2008

Rosa

O beijo escala o desejo; a sombra fantasiada fica encapuçada num sopro. Esqueci-me da rosa vermelha de sangue. Deixei-a sozinha, perdida no canto. A “crueldade” está despida ao toque do sol escondido. Deixei-a lá, deixei-a apaixonada na sua cor. Não a levei; não entendo como a deixei.
É o tempo do beijo; o subtil encosto. Deixei-a sem a recolher nos meus dedos. Pétalas enlaçadas ficaram na solidão. Esqueci-me dela...Não a abracei...Esqueci-me de mim...

Não é ela!

Sunday, April 27, 2008

Sopro

Quando a pétala mergulha...
Quando o licor se afunda...
Negro veludo... Roxo...


Wednesday, April 23, 2008

Rendilhado

Chovem rostos perdidos no altar do rio. Agua pura da essência gelada, agua vestida de cigana, agua rendilhada de invocações. Transparência guiada pela Lua, fugitiva no esconderijo, provocada pelos devoradores de serpentes que degolam as veias. Assim o segundo passa a ser eternidade, assim as secretas visões das florestas abandonadas são esfaqueadas pelo silêncio.
O esqueleto constrói muralhas intransponíveis ao olhar. Sensações negras são despidas no olhar da Alma, cobertas dum orvalho de chamas rasgadas nos luares. Murmúrio estrondoso.

Sunday, April 20, 2008

Licor de Lua


A energia do teu manto...
O poder da tua silhueta...
Teu corpo nu sobre meus espinhos
Penetram o destilar do teu cálice...

Resguardo o perfume da pétala do teu olhar...
Preencho-me na perseguição do teu licor...

Licor de Lua


A energia do teu manto...
O poder da tua silhueta...
Teu corpo nu sobre meus espinhos
Penetram o destilar do teu cálice...

Resguardo o perfume da pétala do teu olhar...
Preencho-me na perseguição do teu licor...

Saturday, April 19, 2008

Metamorfoses

As peças reunidas ao acaso propagam-se na prisão. Observa-se o monótono vestido negro que embeleza cores não espalhadas. Querem metamorfoses de perturbação, ocultos olhares, e no fim a bebida de nunca terem tocado.
Situo-me no fundo da sala junto duma paródia de letras. Esqueço o silêncio da sala e amordaço as nuvens para elas iluminarem o vazio.
Não entender a pergunta, nem a resposta se assemelha à pergunta.

Wednesday, April 16, 2008

Profundezas

Enjaular as masmorras das cordilheiras, obscuro labirinto de privações circundam as paredes entrelaçadas numa fuga impossível, num gemido de gelo aquecido. Roda a palpitação do ser vindo das profundezas que somente quer regar a letra. Dança a selvagem loucura de afundar o poder dos dedos. Esquecer a lâmina que corta. Esquecer a nota que desenha a melodia.
Perguntar por algo desconhecido, pétala destilada sepulta o monstro do devaneio. Sopram os pardais da solidão, mais velozes, mais famintos. A ternura da timidez aconchega as feras.

Sunday, April 13, 2008

F1

Os motores estão a aquecer...

Thursday, April 10, 2008

Dois e Meio

Havia dois guarda-chuvas,
Um guarda-chuva e meio.
Escondido dentro dos bosques uivava o tempo.
Marteladas incessantes do silêncio
Num assobio vertiginoso...

Havia dois sorrisos,
Um sorriso e meio.
Encapuçado fora da imaginação do sentimento.
Maravilhadas imagens da violência
Afundado no terror temeroso...

Metade da metade...
Dobro do dobro...
Geme a respiração....

Monday, April 07, 2008

Existir

Existem folhas de seios.
Existem néctares de gotas.
Existem secretas pétalas.
Existem cânticos de chuva.
Existem teias na escuridão...

Existiam filamentos prateados, cortados aos bocados para poderem ter sido saboreados.
Mas existe a aflição do vento.
Existe um rasgo não tocante.
Existe o golpe dedilhado.

Trovejaram raios de lâminas afiadas...
Deixaram o sangue a pingar no violeta do lilás.

Wednesday, April 02, 2008

A Noite Só

As vertigens acarinham a avassaladora vontade de desabar montanhas. Fragmentar cada rocha em estilhaços de lava. Vaticinar a escuridão acarinha o manto duma noite só, e em certos labirintos a sensação bate nas vielas, estremecendo os sopros fugidos, palpitando.

Ela grita.
Ela chora.
E no silêncio ela implora.
O que é?

Sussurro notas nas luzes que salpicam as ruas. Gotas atadas dum sabor dúbio deslizam nos canteiros. Seguro-as nos lábios dos olhos, misturo-as na vastidão das estrelas.

Tuesday, April 01, 2008

.

Este é o oficial.
Os outros são os oficiosos.
Valem tanto como este.

Saturday, March 29, 2008

Trevas Ardentes

Andas a sonhar Demónio?

Ouvi-te gemer ontem à noite. Tuas garras estavam infiltradas de prazer, ensanguentadas dos rasgos de paixão. As carícias desciam no corpo das chamas a tocar o abismo das vertigens. Sulcaste o fogo dentro das teias até elas romperem tua pele. Cordas dedilhadas na sede de seres possuído.

Continuas com o sexo erecto Demónio?

Navegas sem parar nas linhas dos sinos. Tocas o inalcançável sobre as nuvens até ouvir um suspiro dos remos. São contornos estranhos que te fazem palpitar, nos sonhos e na realidade. Uma estranheza profanada em beleza, numa corrente do descarrilamento...

Terás unicamente que te satisfazer com o sonho Demónio?

Tuesday, March 25, 2008

Tormentos

O que atormenta o vento são as folhas.
O que atormenta a azeitona é não ser espremida.
O que atormenta a viagem provém do sopro.
O que atormenta o carvão não pode salpicar a Alma.
O que atormenta a tinta, o regaço da criança, ou o olhar do tempo, é a ausência.
O que atormenta a vela ilumina a tela.
O que atormenta as chamas da insatisfação bebida é a flor do mistério incompreendido.
O que atormenta a memória não pode ser cultivada pela aparência, apenas restrita numa livre escuridão.

O que atormenta o fogo são as teias.
Um tormento de paixão.

Friday, March 21, 2008

Inflamar


Dedilhas as estradas...
Iluminas corações...
Inflamas as chamas da solidão...

Tuesday, March 18, 2008

Calor

Calor da escrita...
Servente dos desejos, o cego rosto
Cobre o guarda chuva;
Da chuva muda
O decaimento das rochas estremece...
Densa as cicatrizes resvalam
O dedilhar do ar puro,
Da varanda despida,
Do telhado molhado.
Mar além da imaginação,
Povoa o segredo da paixão.
Enroscar o pergaminho de teias.
Calor da Alma...

Sunday, March 16, 2008

Badalar

O pastor alemão põe chamas no caixão. Madeiras escuras do tempo fugido, a careca reluzente de pó, a mulher que devora os dedos. São segundos dum compasso mórbido. Badalar estremecido das labaredas dos lábios. Gemer ao cântico do funeral.




Wednesday, March 12, 2008

Beleza de Sangue

A beleza irregular questiona o movimento da caridade.
- Acordas o suspiro da Alma com essências perfumadas?
- As paredes estão escritas com sangue.

Sunday, March 09, 2008

Loneliness

Palavras ocas, vazias, depreendidas. Um sopro embriagado.

A serenidade do aconchego...

“Quem tem medo do Lobo mau?
Quem tem medo do Lobo mau?
Quem tem medo do Lobo mau?”

- E se quiseres devorar a Alma? E... A pele requerer fogo? E... Possui-me!
- Tenho medo de ti, capuchinho! Fazes-me cócegas.
- Devora-me. Não perguntes porquê.

Os olhos estão escondidos. A roupa enche a solidão. Sentes-te sozinho? O sabor nauseabundo da sociedade rasga tua fuga? Provavelmente saberás qual o órgão mais importante na mulher?
Deixa-me ver as fotos dos esgotos que elas perguntam por um carinho. A audiência espera por ti. Tens mulheres despidas para te cortejar, prémios de risos, tempo desperdiçado...Terás comportamentos do vazio oco das palavras?

Fecha os olhos, liga os monitores televisivos. Sentes o abandono?

- Vêm cá Lobo mau, desejo-te acariciar....
- Tenho medo...Mas vou...Não, não vou!
- Aqueço-te. Não te como prometo.
- Vou morder, rasgar e dilacerar teu corpo.
- E a parte do violar não irá acontecer?
- Não!

Assobiar ao suspiro de navegações subterrâneas. Fogos transparentes. Nem sei onde mora o amor, se é no adeus da palavra ou no silêncio do abraço.

Hitler companheiro de Deus?! As asas não te seguram. Solidão tua, solidão minha...Caminhamos, caminho, caminhas. Buracos são decorações, o afundar na monotonia de não fugir.

“E o órgão mais importante na mulher é o nariz”

Será?

Quero o Lobo mau a uivar e se puder ser também a violar.

Saturday, March 08, 2008

Flecha Ardente

Ramificar a semente
Sobre a fonte das asas,
(Escurecer...)

Alienado dentro do casulo.
Encontram-se patamares de suspiros
(Ferver...)

Que embalam retalhos de odores
À volta da fogueira.
(Arder...)

O sangue flutua no abraço...
Na chama...
Na Flecha...
Na Alma...



Monday, March 03, 2008

Noite de Letras

( Herberto Helder ???????)

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Pinga o pois é...
Zangado, sem pé...
Chama deflagrada...
Nos corpos orvalhados
Penduram crinas de fogo!!!
Irrompe furacões repletos de orações.

Olhar paralisado recordando a embriaguez das abertas reticências. Verter, reter, gemer, elevar o som da cor embaciada pela talhada dor... Gravar os cantos escondidos dentro da arca. Ecos que ao chegar sentem a sensibilidade. Propagar do zumbido...Balanço do vento...

Provoca-me!
Sente as vertigens...
Rasga-me!
Retêm o suspiro...
Decifra-me!
Navegar o calor do frio...
Acolhe-me!
Espelhar as florestas...
Tatua-me!
Reflexo de cabelos...

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Saturday, March 01, 2008

Punição de Voar

Será proibição de sentir?
Será aniquilação de sorrir?
Letras cunhadas a mistério
Para misturar o perfumado nevoeiro...

Desfiar
Numa valsa
O aroma escrito;
A chama do fundir
Rebola na reflexão,
Num declínio,
Numa evaporação,
Num círculo rasgado no coração...

Desprotegida luz...
Desamparada escuridão....
Raios cavalgantes...
Voar!

Wednesday, February 27, 2008

Pedaços duma Vida

  • Espalhar a desgraça.
  • Lavrar a aridez.
  • Inventar o sonho.
  • Emoções em grades de alucinações.

    “Levas uma galheta no focinho” – Mulher do Bolhão.
    Sentimentos impregnados de fado – Cartaz do café.

    P.S: Ainda me vou tornar no mestre do livro das reclamações. Será possível espalhar poemas em tais livros?

Ertuca Slirto Rabré!!!

Tuesday, February 26, 2008

Salpicos

Ossos quebrados com o gemido das veias escapam dos remoinhos do calor, num corredor em que o fogo fica abraçado ao vento. Gotas, mais gotas, mais gotas, duma solidão sem fortuna. Aperto de braços tristes, rebolo a suavidade do olhar, toco o fantasma. O sentimento aprisionado desta maneira vive com cega melodia. Salpico de tempo, salpicos amargos, salpicos germinados, salpicos que deveriam estar na fogueira, a arder...

Saturday, February 23, 2008

"Lugar"

...

Pedem tanto a quem ama: pedem
o amor. Ainda pedem
a solidão e a loucura.
Dizem: dá-nos a tua canção que sai da sombra fria.
E eles querem dizer: tu darás a tua existência
ardida, a pura mortalidade.
...

Herberto Hélder, Lugar - II

Friday, February 22, 2008

Labirinto

A solidão do corpo rasga o Ser das flechas povoadas dum brilho fúnebre, escondida Lua. Marcho, divago, rego canteiros do casulo, penetro uma suavidade do tempo nublado. Repleto de imagens vagueio no corredor de labirintos...

Wednesday, February 20, 2008

Estremecer

Alma regada pela silhueta
Do teu perfume...
Corpo trespassado pela ampulheta
Do teu queixume...

Estremeço...

Ternura ofegante de rasgar o manto,
Frescura palpitante de palpitar o santo.

Borbulhar o caldeirão dum suspiro
Ancoro-me a ti... Lua.

Monday, February 18, 2008

Plim

P
L
I
M
!

Aborrecido cansaço que abana o ser
Levando a querer pendurar o sorver.
Caminhar o entrelaçar das letras
A mergulhar gemidos em florestas.

O quotidiano mergulhado nas trepidações
Para vislumbrar rostos de orações
Até que se ouve a margem esquecida do dedo,
Num canto virgem do rio do medo...

P
L
I
M
!

Thursday, February 14, 2008

Erotismo II




O que há em mim é sobretudo cansaço- (Excerto)


Álvaro de Campos

Wednesday, February 13, 2008

Erotismo

Asas abertas sobre cortinas.
Desce o vestido nublado,
Dança a neblina do erotismo...

Friday, February 08, 2008

Miragem da Alma

As notas dedilhadas no silêncio com a Alma pousada no resguardo da parede, rasgam os portões sem ouvidos aninhando-se à possuidora melancolia das miragens. Transbordam os olhos do infinito para as mãos abraçadas. Viagem que o espelho esquece, viragem que o tempo humedece.A solidão ondula em cicatrizes sem o passado aconchegante, nem o futuro talhante. Momento de paz infernal tornado reflexo da própria matéria que se devora.
(Entre as teias duma plateia feminina)

Monday, February 04, 2008

Sino

Andam galos degolados...
Andam gatos com olhar desvastados...
Toca o sino! Toca o sino!

Andam retalhos de olhar escondidos....
Andam no monte os fantasmas vendidos...
Toca o sino! Toca o sino!

Salva a Alma, salva teus olhos,
Salva os dedos, salva as miragens...
Salva-te...
Toca o sino...

Esquarteja o tempo!

Tuesday, January 29, 2008

Imagens

No percurso dos meus pés encontrei umas fotos espalhadas no passeio. Cativou-me o aspecto preto e branco da imagem. Algumas viradas ao contrárias, umas direitas, todas com aspecto de serem de longe. Disseco o tempo a observá-las sem as apanhar. O toque pode amedrontar e fazê-las retornar ao seu proprietário. Reviro os olhos em volta para observar se alguém está próximo enquanto no meu pensamento se figura a ideia que as fotos foram abandonadas, ou esquecidas, ou quiseram fugir. Parecem ter vida mesmo estando imóveis no meio do chão. Aninho-me junto delas, penetro os odores de outras paisagens. Misturas quentes de africa, rostos e tendas, árvores e rios. Não que seja um continente que me atrai, mas algo no meu coração fica crucificado.

Monday, January 28, 2008

Lavrar

Um zumbido fúnebre pernoita no ouvido olvidando a seca que lavra os mantos escondidos. Os galhos põem suas extensões nos lugares mórbidos esquecendo ao sorriso um leito para desaguar odores. As lapas imóveis acarinham-se umas às outras enquanto quem possui asas saltitantes morde o que aparecer como seu ideal de beleza.
A Alma dos pedintes devora os azulejos pintados ao acaso.

Tuesday, January 22, 2008

Prazer


Os aromas das fragrâncias invadem as sensações.

Os filamentos voam na pele...

Essência sensual do prazer...

Thursday, January 17, 2008

Soprar ao Vento

O terror dos olhos foge,
Num Sopro,
Num desassossego.
Arranhar a paixão da cova ao caixão...

Forte som embriagado desce colinas de neve...
Cego ou seco...

Perfume de balas cobre o rosto.
Esfaqueado pelo gelo,
Coberto de fracturas de Alma.

Trovões abrem sepulturas
Do manto de sangue para o altar.
Corredores da escuridão
Povoados de solidão,
Rasgados com a humidade do prazer...

Silêncio fúnebre...
Medo,
Audácia,
Êxtase...

Odor do desejo penetra a suavidade.
Língua embala a vastidão do suspiro.
Reflexo do comboio despedaça o tempo.
O enlaçar do Amor...

Olho de voz aterrador respira ao compasso dos sinos.

Tenho os cabelos ao vento...
Longos até onde o veludo toca o seio.
Rasgas-me o coração?

Monday, January 14, 2008

Saudade

Descalço a entretida saudade numa força que rasga o tempo. As âncoras são transportadas dos areais para o mar revolto. Os ossos flutuam na imensidão das energias magnetizadas. Voar nas ondas violentas do calor, num sopro, numa ventania, num trovão...Chamas ao ecoar da vastidão
Altar de asas mergulha nas velas...Filamentos afiados da cantoria, sabor do balanço do fumo....Violinos...

Saturday, January 12, 2008

Foice


Lagos
Correntes
Remoinhos
Gotas

Escuridão...

Tuesday, January 08, 2008

A Marcha...

A Alma que arde perturbada voa na pele ardente. Geme descontrolada entre os pingos até a essência se transformar num suspiro penetrante. Aí desfolhado pelas correntes desorientadas, o ninho navega num naufrágio sufocante, enquanto que a cortina de fogo debruçada sobre filamentos se orienta ao sopro da paixão que rasga as ondas. A gota atravessa o mel até o seio saciar a sede...Perturbação inquieta do temporal, subida ao inferno desejado. O corpo nu dilacerado pelo vento das teias ouve mãos...Ouve no fundo do profundo a marcha da meia noite.

Friday, January 04, 2008

Olhos Cegos

A miséria torna a eternidade mais consciente da mobilidade. Estimular a linha-férrea num prolongamento a reter o desacordado andar. Respirar o suspiro, retirar o tiro. Retratar o cego na página solta dum livro, pintando o pincel na esquina de querer voar. Das asas magoam-se a razão dos olhos, barreiras de lágrimas que soltam a intrínseca incerteza.
A combinação sobre a laje tumular abre fissuras de fogo. Mãos de gelo retiram filamentos de sémen... Véu embaciado nas trevas.

Monday, December 31, 2007

Brasas Embaladas

Pedras molhadas ao sabor perverso dos corações. Agarrar a vontade de as tilintar, naquela ternura de as ver arder num limite inalcançável.
Escavar com os ardores na palma da mão até escaldar a pele, até o âmago virar gelo de fogo, até o pingar a progredir para gritar nas cavernas das teias. Som embalado de brasas dilacera o deserto...

As palavras circundam, circulam os pés nus...
Chuvisco de mais um ano...Fonte de gemidos...
Entra 2008...

Monday, December 24, 2007

Agasalho

Transporto o baú...
Enlaço as serpentinas...

Rego com a doçura o veneno.

O templo...
O tempo...
O vento...

Dedilhar o rasgo do coração...
Mergulhar a Alma na paixão...

Brilham as estrelas no agasalho da Lua...

Friday, December 21, 2007

Lareira da Noite Longa

A escuridão abrasa o segundo que escorre pelos poros. Velejar em tempos sem fim onde espreita o luar, a aconchegar as estrelas das nuvens deitadas no horizonte. Tilintar a noite longa na palma das folhas esvoaçantes. Dançam no chão, algumas nos galhos, outras no coração...Nesta transição a silhueta faz renascer nova época. Aromas a congelar essências e a transformá-las em licores para beber à lareira...


Thursday, December 20, 2007

Naufrágio Ardente

Navegar no mar....
Naufragar no rio...
Arrepiar as colinas....
Penetrar os soluços....

Dentro do tempo a iluminação rasga a espera....
Fora do tempo atormenta-se o desassossegar das velas...

Ouço os gemidos dilacerados no coração...
Ecos...Ecos....Ecos...
Ardentes...

Saturday, December 15, 2007

Calor do Ardor...

As folhas brancas pintam as telas dos heterónimos, enquanto as vozes salivantes de pensamentos sulcam o armazém dos sons. Na plateia o folhar dos jornais esboça uma curiosidade do entreter os olhos. Nos camarotes o visionamento dos duetos penetra o ardor dos toques embalados. Seres estranhos com sonhos acalentados. Paisagens dos escorregamentos delicados.
Cânticos sussurrantes desafiam patamares escaldantes, o desassossego cativante da mistura.
Até que chega a entrada dos heterónimos, e da mulher com fôlego. A escuridão abraça o louco dançar, da embriaguez louca de despir. Enrosca-se o calor, e abandonado ao estímulo de sentir as mãos, rodopia-se um vagaroso abrasar da Alma. Detido neste aprisionamento da liberdade o deslizamento enrola profundos desejos ao expender o infinito até à pele. O deambular das brasas seduz raios flamejantes, arcos de paixão, sensações de emoções a dilacerar as teias das veias.
Dedos que trespassam as flores vestidas, dedos derramados no vulcão. Inferno do baloiço a escrever o prazer, a rabiscar florestas de sonhos flutuantes, a endiabrar um pulsar sensual... Do ardor gemem lábios... Do calor ardem rios...Desejo forte do aquecimento íntimo...

Friday, December 14, 2007

Felicidades DarkViolet

Ao ouvir embalar os teus galhos sobes até ao profundo olhar das brasas. Ardes e tentas arder, umas vezes a ouvir a germinação do silêncio, outras vezes a saquear tremores de terra ao teu encontro. Um sorriso de ti para ti...

Tuesday, December 11, 2007

Hummm...

Beijos
e
Abraços!
Misericórdia a um pecador dos sentimentos. O inferno seja abrasador comigo...

Thursday, December 06, 2007

Run Santa Claus

Santa Claus…

You can run but you can not hide.
You can run but you can not die.

Run…Run…Run…
Fly or Die…Die or Fly...


You can run but you can not hide.
You can run but you can not die.

Butterfly…
Santa Claus…
Butterfly…

Wednesday, December 05, 2007

Gota

Chuva miudinha, colorida ao luar do nevoeiro, escorre em patamares da longa noite. Tesouros de sabores aglomeram-se junto à pele, resguardados nas profundezas do leito de mel, emigrados dentro das carícias. Cortejar contornos da bruma esboçada na lentidão dos prazeres, riscados entre os galhos despidos. Divertir os círculos de gotas ao entrelaçar do ardor para descair o manto...

Friday, November 30, 2007

Toques Embriagados

O desconhecido vento povoa a pele. Aqui ou ali, arcos de velas feitos em embrulhos de lareiras rasgam tímidos toques. Compasso de palavras, mordomias do desejo, ardentes pedaços que passam dum tempo descuidado para o rendilhar da chuva que não cai.
Será a beleza da mulher o canto do sopro do Outono? Será a ventania a esperança das rajadas devastadoras? Será a ponte o áspero gemido da inquietação?
Estreitas divagações do coração ancorado na mão.

Tuesday, November 27, 2007

Urna

Bebo os olhos

Rego os dedos


Urna

Trémulo borbulhar

Borboleta
Esventrar Delicado

Voar

Fatias do Labirinto

Saturday, November 24, 2007

Pulsar da Lua

A poeira envolve ondas infinitas
Com navalhas afiadas.
Cortam o minucioso compasso
Do badalar do segundo.
Espremem do cálice o sabor
Das tentações.

Costuras de veludo ou porcelanas rendilhadas...

Pulsar a noite...
Inundar o bailar...
Estremecer incerto...
Tingir a Alma...
Silhuetas de mãos...

Rasuras limadas ou painéis espelhados...

Reunir o suspiro da Lua
Em torno do Amor...
Baralhar notas feitas de gotas de licor
No retorno do odor...
Mergulhar... Afundar... Dar...


Friday, November 23, 2007

Demónio

Espelho da Alma. Sorve-me...

Rio opaco escala a suavidade do tormento...
Maquilhagem!
Manta!
Tatuagem!
Rio sinuoso da fricção embalada...
Reflexo espalha-se. Devora-me...

Sinistra face...
Estranha foice...

Ardor infernal...
Rasgo gemido...

Ceifar a erecção da mão,
Gotas do sangue que rebenta.
Renascem...

Furos da paixão massacra o vento;
Perfis de vulcões.
Esboços íntimos desvendam a pele molhada;
Distender furacões.

A cera a escaldar desliza na pele...
Furar...Derreter.. Portões do Demónio.

Velas embriagadas nas trevas.
Pálido Vampiro...Puro...Levita...

Wednesday, November 21, 2007

Caixão

Pintar o caixão de roxo ao brilho húmido do prazer. Num resquício de vida do rosto gelado, o deslizar torna-se um remoinho de sentimentos. Florescer dentro da madeira (galhos, diabruras, chamas, rasgos, sensualidades). Pigmentos destilados ao redor das estrelas, onde confesso que o suspiro anda desvairado no meio dos trovões. Os incêndios das faíscas penetram o sabor da torre, derretem a pele ao fogo dum molhado olhar...Esventrar até ao suplício do sangue a correr de tanto gemer, ao tilintar dos lábios da vontade de dilacerar. Tormento que ondula no caixão. Seres que se invadem com o ardor da essência. Fragas de brasas...

Monday, November 19, 2007

Santo

Montes de estrelas ondulam no manto.
Fontes de telas mergulham no santo.

Sabor dedilhado com frescura.
Odor orvalhado com pintura.

Vou até ti...
Até ao fundo...
Profundo de mim...

Ciente do coração que cobre a felicidade,
Rasgo a sedução na Alma,
E tilinto a magia num sossego regato.

Rio imaculado da gentil pureza...

Friday, November 16, 2007

Nirvana

Unplugged in New York

"About A Girl

I'm standing in your lineI do Hope you have the time

All Apologies

In the sunIn the sun I feel as one

Come As You Are

Come as you are, as you were…

Dumb

Help me inhale
And mend it with youWe'll float around
And hang out on clouds
Then we'll come down
And have a hangover

Jesus Doesn't want Me for a Sunbeam

Don't expect me to die.

Lake Of Fire

They don't go to heaven where the angels flyGo to a lake of fire and fry

Oh Me

Would you like to hear my voiceSprinkled with emotion...

On A Plain

In a dream my memory has stored

Pennyroyal

Distill the life that's inside of me

Plateau

To beautify the foothills, and shake the many hands

Polly

take a ride

Something In The Way

Bridge

The Man Who Sold The World

You're face to faceWith The Man Who Sold The World

Where Did You Sleep Last Night

My girl, my girl, don't lie to me,

Tell me where did you sleep last night.

Where the sun don't ever shine.

I would shiver the whole night through.

"

Velas de veludo ardem como balas de fogo.
Suspiros..
O trespassar da Alma...

Thursday, November 15, 2007

Flechas de Veludo

Cavaleiros das abóboras encontram-se reunidos. Sei que a ansiedade está aprisionada na vastidão dum olhar, lembrado pelos esqueletos que cercam os esquecidos da representação duma poção. Serpentes voadoras que gelam ou aquecem.
O colapso dos poços retém figuras sinistras nos rostos. Quedas de personagens despidas a perguntar sobre o genocídio dos disparos. São as flechas voadoras; os sons embriagados das sepulturas que ocupam lugares dos reflexos.
Armai as armas para fazer rolar as cabeças dos homens.
Armai os ossos de gemidos para Amar.
Cruzai o escudo do veludo.

Wednesday, November 14, 2007

Quarta

Quarta esquecida.
Chama escondida.
Das nuvens regam-se crateras.
Dos raios ofuscam-se abrigos.
Pressentir ao fundo da imaginação o vazio.
...Rio...
Oculto segredo!

Monday, November 12, 2007

Castanhas

Piu! Piu!
Manto acastanhado que cobre meu peito num monte esboçado no olhar. A manifestação das folhas abraça o odor, enquanto o esqueleto impregnado rasga a moldura do ventre. Os ouriços furam a carne para proteger sua semente, a terra seca faz chover cogumelos mortos, a temperatura aquece a Alma em tons espalhados, e o nu embriagado escorre de paixão sobre as mãos.

Carvalhos, castanheiros, pinheiros...

Dedilho as castanhas ao entardecer das sombras. Guardo amostras na suavidade do toque para formar pequenas gotas de salpicos da ribeira. Explosões de desejos Outonais...

Carvalhos, castanheiros, pinheiros...

Nota: Fotos de DarkViolet.

Monday, November 05, 2007

Segunda

Tarde de Segunda,

Abri os olhos para entreter a dança das folhas, enquanto repouso a comer ao ar livre. Sinto a brisa quente do Outono com o silêncio abrasador da pele a arder. A sombra respira o vértice de saciar a sede. Pinga o vento na viagem das cores. Aroma que contagia o eterno horizonte.

Saturday, November 03, 2007

Sábado

Sábado de manhã,

O rádio invade as embriagantes masmorras do demónio. Contos de árabes, harmonias de letras antigas ou o sopro da melodia das velas roxas. Ouço os galhos a ficarem mumificados ao dedilhar do fogo, propagando num suspiro toda a alma inflamada. Cânticos suspensos nos raios de sol que entram, que penetram com ardor a Lua esboçado no ar.
A Alma nua reflecte o espelho. A chama ardente tilinta o demónio.

Thursday, November 01, 2007

Quinta

Quinta à noite,

Bruxa e demónio andam à solta. Fantasmas de pele despida rolam sobre o canto das castanhas e das velas. Perfume de fragrâncias, sensíveis ao desmembrar de gemidos....

Tuesday, October 30, 2007

Terça

Noite de Terça,

Rego o começo da escuridão com o soltar dos cabelos. Estendo-os pelas costas a destroçar a marginal memória de quase me ter esquecido de como gosto deambular por estas ruas. Arregaçar o gemido das varandas encostadas às sombras. O tilintar escorre nos olhos das bebidas. Mecanismos mecanizados que carburam num frenesim áspero da vontade. Roçar de letras, desgaste embriagado de licores.
O silêncio do vento compõe o corpo e a Alma numa mistura. Silhuetas diluídas num chamamento infernal. Povoo o estalar das folhas.

Sunday, October 28, 2007

Domingo

Manhã de domingo,

Mais uma hora, menos uma hora...Rolar os dados, rolar a vida...
Silêncio das ruas toca as janelas fechadas aos raios do sol. Alguns caminhantes dormem num sonolento vadiar, outros ouvem cânticos eclesiásticos.
Chego junto duma mercearia, onde as frutas me invadem as narinas. A mistura contagiante de odores profundos, lembra os pomares onde passeava. Não com tanto poder de escolha, mas com a mesma intensidade envolvida. Penetro o local e vou escoando cada fruta para o saco de plástico. Saboroso néctar, maduro desfiar de prazeres.
Saio da mercearia, e contorno as vielas desertas. Dedilho os diferentes paladares antes que venha o infernal marchar dos pés ruidosos.
Dar ou retirar uma hora...

Thursday, October 25, 2007

Moon Dance

Dispo-te até gemer dentro de ti...
Enrolo-me na silhueta do odor...

Entras pelas folhas a suspirar;
Penetras rasgos da existência feitos de mistérios.

O sossego das estrelas enlaça-se no brilho prateado;
Amor cantado.
Notas de viagens perfuradas pelo tempo aprisionado.

Nu,
Minha Alma sente
Saudade de voar até ao calor das chamas que envolves.

Descair no núcleo do magma.
Alcançar teus elos...Vou até ti, Lua...


Sunday, October 21, 2007

Números

“As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca:”Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que colecciona borboletas?” Mas perguntam:”Qual é a sua idade? Quantos irmãos tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?” Somente então é que elas julgam conhecê-lo.”
Antoine Saint-Exupéry – O Principezinho.


Friday, October 19, 2007

Asas

O círculo das asas, um horizonte, uma orientação segundo um portal gigante. Negro vestido...Violeta despido. Regado à tradição de voos, ao ritual da inspiração.
Desobstruir a reabilitação das fechaduras num sopro desgovernado. Arrancar obstáculos estrondosos do silêncio para levantar mórbidas asas. Existe fragrância na pele do tempo. Sulco que incendeia o estalar das folhas de madeira.

Tuesday, October 16, 2007

Cruz

Gigantes estão na metamorfose da fluidez. Olhos que olham o sangue, escorre na face, uma ternura rasgada a provar a doce loucura da dor. Seguem onde o fundo alcança o devaneio das profundezas. Um beijo eloquente a regar a tempestade despida. A cruz corta a pele, entrando nas veias até que o som se desperdice no vento. Abanar a eternidade com a palma das mãos, com a face do inalcançável.
Os galhos são infiéis quando as folhas não descarrilam nos galhos.

Friday, October 12, 2007

Falésias

A orla dançante cobre as trevas
na borda das falésias.
Aroma esvoaçante...

Wednesday, October 10, 2007

A Orquestra

A interacção das pessoas confinadas ao espaço terrestre põe do mesmo lado certas teorias físicas:

  • A partir do momento que pelo menos dois seres interagem o sistema não volta a ser o mesmo. O nosso sistema, a nossa sociedade, a nossa orquestra, e todos os seus contextos e intervenientes está em constante mutação.
  • Quanto emitimos apenas um fotão por uma montagem de dupla fenda, ou ele passa ou não passa. Funciona o campo da probabilidade...
  • Os múltiplos universos paralelos vão até onde a imaginação alcançar seu clímax.

LINK

Monday, October 08, 2007

Galhos

Vestem-se segundo o sabor dos gestos
Os Galhos;
Labirinto de encruzilhadas, de portas.
As ventanias secretas misturam
Os Galhos;
Gemidos de carícias estalam os rios
Os Galhos;
Mistérios das nuvens, rosto entristecido,
Os Galhos;
Arrepiam cambalhotas de desejos
A desfrutar a leveza das guilhotinas...
Cortes do cru aberto, nus,
Os Galhos;
Recordar a lembrança, a loucura de trepar,
O chuvisco ao orvalhar
Sinfonias de trevas adormecidas,
Os Galhos;
Deter um movimento puro
A sepultar a terra ferida.
Os Galhos;
Anel de pétalas a cantarolar a suavidade
Os Galhos.

O frenesim arrebenta ao despido olhar.

Sunday, October 07, 2007

Enigma

A bala entra dentro da pele, ardente a pautar seus rasgos. Cada um toma conta do seu ninho em lutas ferozes para olvidar as asas trituradoras. Nem mesmo a auscultar o silêncio sobra tempo para a memória; toque ao som do desaguar do rio no mar. Gritos estrondosos mutilam as margens, descanso mutilado ao ciclone do sossego.
Permanecem metáforas, permanece o sentido vago.

Sete voos, sete novas…
Números nus…

Treze paus, trezes estacas…
Véus separados…

Vinte três sentidos, vinte três desconhecidos…
Chuvas torrenciais…

Incógnita, enigma...
Caveira ou mineira…
Obscuro, coberto…

Archote refugiado…
Sentir o nevoeiro…

Somar

Saturday, October 06, 2007

Rugby



A França esmagou, triturou, dilacerou a Nova Zelândia.
Lindo!
20-18
Post desconexo com o tema do blog ou talvez não.
LOL

Sino

Sino pinga...
Tom ao som do tom...
Pinga!

A cor do badalar...
Sufocar...
O ar...

Ardor ou Amor!

Sem cura a dor não dura;
Ou pura ou plena verdura...

Fixar o crucifixo
Dentro da Alma,
O pingo!

Condensado gelo...
Aroma fresco...
Espelho de água...
Gestos...
Poças de salpicos...
Carroça a deambular,
Andar, marinhar...

Voar...

Thursday, October 04, 2007

A Face

O Punhal derrama-se brutalmente sobre o corpo. Verte o sangue da pele ao sequestrar o desfolhado pólen. A chama do inferno, o gelo do céu. Derreter as vagas do tormento.
O fundo ecoa dentro de mim.
Quem pergunta?
Quem sugere pintar feras na face?
Qual animal se levanta numa luta contra a vontade?
Qual o lugar?
Para além da germinação empolga-se o saltitar das sementes. Punhal encravado...Suculento sabor!

Tuesday, October 02, 2007

Lago Penetrante

Assombrado pelo lago, o rasgo penetrante chega perto da escuridão, repousar no suspiro, calor. Deambula sobre a pele num gesto que faz gemer o coração. O debruçar ecoa na vastidão das árvores, intervalo onde pinga o desejo. Ouvir as cortinas estendidas na mão com o licor a verter subterrâneos, destroços de relíquias. Dedos fogem entre dedos, fixa a troca do ardor liberto.
Folhas fazem o manto do Outono...