A transparência toca o céu;
Partilho o odor comigo...
Escuto as ondas do mar
A borbulhar no ouvido
A baloiçar no colo...
As lágrimas caem no meu rosto...
É sempre inevitável...
Agora és livre doce Demónio. As correntes da sensibilidade estão cheias de ferrugem e os sentimentos encontram-se afundados em poços sem fundos. Assim não tens que te preocupar em embelezar pérolas de melodias. Soa que isso te sufoca, não é?!Deixa essa tua realidade de lado, não é isso que as pessoas querem encontrar, muito menos aquilo que poderão fantasiar num mundo de ilusões. As metáforas são difíceis de descodificar, o labirinto sem entroncamentos, o perfume com essências que deambulam com o vento onde encontram ruelas demasiado afuniladas. Os inexplicáveis contornos sentimentais que flúem na rapidez dos segundos são o massacre da memória, por isso és livre neste mundo “civilizado”. Vai dilacerar a tua Alma...


Quando se sente o corpo a gelar
A Alma entra em combustão
Agreste sem cessar no meio dos trovões
À espera de ir num sopro do vento árido
De ir num olhar
De correr nas luzes espalhadas
Longe...
Abre-se por dentro os cabos esticados
Uns atrás dos outros
A tentar falar por entre linhas esquecidas
...Fogo de água cai no esboço...
...Uma tela...
...Unhas pintadas de negro...
Pensei e repensei no assunto para chegar que a conclusão que porventura poderia chegar iria ser demasiada confusa dando cabo da minha mente. Esticaria minhas células até ao limiar da insatisfação, nunca mais poderia sentir o eco do alimento a retalhar o escondido som, esmagando os restos da minha insanidade. Estas linhas não me estão a ajudar nada e fico somente com uma certeza suspenso no elemento retido da Alma. “Who am my to disagree?” Abuse me...Crio a semente rasgada do olhar, não pergunto a cor do inferno nem em que ponto a brasa começou a existir e se no meu coração correm veias feitas de pó. Sim ou Não...A resposta está toda na pergunta não formulada, onde só ocorre a questão fundamental: legalizem que o feto tenha a oportunidade de poder praticar a eutanásia. Aí poderei votar com consciência tranquila porque o meu voto seria inútil.
P.S: O texto não é para ser levado a sério.
Capítulo brutal.
Inacabado ao suspiro.
Por dentro do silêncio
A massacrar os lábios da nudez
Desfilo nos húmidos pedaços.
Num rasgo do desfiladeiro
Ofusco o som cercado…
Ergo a invisibilidade
Da transparência de fogo
Até ao portão de grades vendadas…
A gemer de prazer…
Estremeço com espinhos cravados.
Do mal fatal dou uma foda aos sentidos…
Onde cresço ao sabor da Bruma.
Um ano de Luas
Onde a sensação mergulha
Embrulhada nos feitiços...
Restolho permanece nas geadas
Dobrado em silhuetas
Para criar ventanias vazias
Mão enrola a Alma
Inconsciente pé
O Paciente desassossego
Coração de bolhas
Acarinha a montanha...
A neve, a fantasia...
Escamas de folhas
Rasgam o que a mão amanha...
Leve, a magia...
Cristalizo o Demónio...
Voar...
Gelado, quebrado, vidrado...
Bálsamo de tentações a fumar na bruma.
Torcido, entretido, esquecido...
Armazenar pigmentos nos raios lunares.
Retornais às lanças de círculos, aos pesadelos
Da busca incontornável do pó...
Sentis a vontade ao cair das tentações,
E aí levantais o sopro das falésias...
A minha saliva arde…
E entretanto faço tapetes projectados nas sombras
Num Crucifixo de gelo dissolvido...

Por caminhos de pedras, a água escorre por dentro dos musgos, rasgadas nas folhas outonais o vento leva aos muros as cascatas voadoras. Abre-se os bicos das aves, e os cantos dos charcos, dilui-se as cores, corre-se para o fogo com vestes de telhados de ramos.

Na madrugada, o vapor da espuma toca nos pedaços de cordas a beliscar viagens de fogo que aquecem as velas do prazer. Escavar perfumes entre ramos, incendiar aberturas de chamas, resvalar nos labirintos do ardor. A suavidade da delicadeza penetra os mantos de rugas, abrindo espaços de luta, carregando mar fervorosos, esculpindo sombras de cores. Voar em teimosos ruídos que sulcam tortuosos lamentos, feitos e enlaçados em sorrisos. Veias de fendas feridas, o simples saborear dum sopro, o alento desdobrado em trovões, o imaginário da realidade saltitante. Reconhecer os ligamentos num cheiro, no fim do medo. O suor pestaneja numa melodia! 
O que é Amar?
Tinha mais algumas definições, mas quis que fossem somente 7...
*Foto tirada em aveiro numa loja de artesanato