Monday, July 30, 2007

Gelo

Repouso a saturação num zumbido irrequieto, o regaço do ninho. Esfrego os pés na madeira do soalho, entretendo os círculos. Tudo mexe num silêncio pousado de notas, umas mais arrepiadas, outras sem sentido. O calor despedaça as fragas a arder, nem o vento sopra, nem o alento se espreguiça.


Sunday, July 29, 2007

Destino

A escuridão da palma da mão
Passeia dentro das vielas...
Correndo num destino,
Arrepiado pela noite...

A esquina das arvores
Chega no remar das sombras,
A esconder os bolsos
Revirados...

Reflexo nu...
Despido na concha...
Transparente rio da fresca loucura...
Evaporo no vulcão da Lua...

Opaco destino...Mergulho...

Friday, July 27, 2007

Salpicar o Fogo

Saia debruçada no altar...
Cortina curta moldada no voar...
Baralho da fogueira em nevoeiro...

Por dentro das gotas o grito
Salpica o orvalho do fogo...
Gemido entretido...
Vestido retido...

A transparente brasa
Rejubila o calor...

Tuesday, July 24, 2007

Chiar

À toa ecoa a proa, baço ferro...
Lavra o manto descalço...
Mato rasgado, pousado na carruagem...

Chia cada instante perfumado...
Pequenas gotas de água
A espernear o sentido reticente...

Flutuam as pausas tilintadas...

Saturday, July 21, 2007

Crinas

Das crinas afundo o nevoeiro.

Wednesday, July 18, 2007

Parabéns Duende

Trovões brotam do céu, semeados na cordilheira dos salpicos. Cada silhueta das estrelas range, embrulhado no odor da germinação. Teu destino que esvoaça num berço, seja a busca eterna dos arrepios da Alma. A felicidade nua floresce nas veias dos galhos compondo a sinfonia do pulsar. Sente a Lua a acelerar as cores das serpentinas. As bolhas de sabão0o0o00ooo tilintam por magia...Floresce à beira das tuas plantações...


Sunday, July 15, 2007

Eternidade

Dir-te-ei que sou belo, ver-me-ás como um monstro. A neblina da chuva entra nos poros do fogo, circunscrevendo a permanência do descanso. Relatos que fogem do encanto dos ossos ao tocar as cinzas dum desenho opaco. Somente a cortina retalhada sobre o rosto pede clemência às pétalas sufocadas em néctar, mas por isso o levantar dos sinos faz troar relâmpagos. Cantam os pós estalados ao rugir do amanhecer, a bruma da eternidade.

Friday, July 13, 2007

Madrugada do dia 13

Ceifa os trovões do tempo ido, a exaustão percorre-me sem regras, reconhecendo a cerimónia onde abordo fantasias. Receio o colapso da imaginação proveniente do esgotamento das bolhas da loucura, o lugar da mordomia da caça selvagem. Arrepio o abandonado cadáver das cinzas, umas asas transparentes profanadas pelo gelo. Funde-se ao sabor do frio em desconhecidos odores, num rasgo olvidado com galhos deixados ao acaso. Deixo-os nus, cobertos de aromas com forma de utopia; a busca dos meus lábios chega perto de um silêncio atroz. O retrato de mim fica baço que até o esquecimento se esquece de mim...Chove até explodir as veias da canção encantada, cálice de metáforas...Agarro o entrelaço...

Thursday, July 12, 2007

Vegetariana

“Vegetariana com tigela a meio, come carne. Nem o presunto lhe sacia o estômago”

Wednesday, July 11, 2007

Silêncio do Trovão

Força...forca...Força...
Aberto poço da escuridão...
Contagem do declínio...
Desfalecimento...falecimento...
Rega...Chuva...Pluma...
Risco...Rasgo...
Silêncio...

Turbilhão do vulcão...
Rebordo sinfónico...
Imaginação...Vastidão..
Encosto...Entreposto...
Colosso de ossos...
Arrecadação sem arrumação...
Trovejar...

Tuesday, July 10, 2007

Homem

Os homens desgastam os ossos, atropelados na fila do momento. No lago indefinido das soluções encontra-se os assobios do vento voraz, retendo a ribeira de emoções, cortando o gemido das cheias. Aglutinar a pele rasgada, a força cruzada num destino nublado. A melhor visão saboreia o desfilar da solta despedida.

Monday, July 09, 2007

Ilha da Páscoa

Das 7 consegui acertar em 4.
Somente queria que as estátuas da ilha da Páscoa estivessem nesse lote.
Adoro aquelas esculturas em pedra.

Friday, July 06, 2007

Atchim

Quando o nariz pinga...Atchim!
Quando a garganta está inflamada....Atchim!
Quando a temperatura do corpo não é constante...Atchim!
Uma laranja..Um chá...Uma malga de leite...Atchinzinho!

Friday, June 29, 2007

Tricotar a Lua

À margem da luz tricoto
A vista perdida...
Dos rebordos da luz
Encho as estrelas ardidas...

Enlaço o cesto
A cavar feitiços,
Cavalete de gotas
Que bailam na viagem...

A Lua monta as cordilheiras do tempo...
Desce no soluço dos socalcos...

Thursday, June 28, 2007

Taste my Blood

Por cima das sepulturas o veludo sobe nas silhuetas do rosto.

Encontro sons feitos de incêndios, rebusco a paz flamejada.

“Jesus Christ looks like me.


Rasgar o vestido nu,
erótico paladar que descai nos lábios,
que se enrola no desfilar das notas.
Vou até ti. Devora-me...
Derreto no inferno!

Sunday, June 24, 2007

Type O Negative VII

Tenho os lábios nus, cantos de pétalas adormecidos no algodão. A chuva lava os poros sem cessar, as nuvens embalam a pele, viajo. Pés, mãos, maestro, rego o mar...

Type O Negative
Album:"October Rust"(1996)
Música:My Girlfiend's Girlfriend

Thursday, June 21, 2007

Type O Negative VI

Agreste o som que mora no refúgio petrificado da existência. A brisa enfurece as faíscas, o sol devasta as lâminas do jasmim, cores de explosões descritas no imaginário de um odor. Desço a cortina do nublado espanto, desperto para arranhar o nevoeiro do enlaço quente. Calor vestido com trapos de chamas, enforcado ou enfurecido...” Blowin' through the jasmine”



Type O Negative
Album: "Bloody Kisses" (1993)
Música: Summer Breeze

Sunday, June 17, 2007

Type O Negative V

Rachadas de chuva brotam na face a espernear o vento, agreste como a leveza. Noutro segundo tudo se modifica, e aí bate clarões de luzes virando do avesso o esfrangalhado relevo ao toque dos gritos sublimes de espanto que chegam num surpreendente pintalgar. Dançar no Outono para espalhar a vida de retenção, trespassando o fogo da lareira. O traje do santo sepultado espanta os náufragos das velas dormentes, regar silhuetas dos braços ondulantes, ao cavar lágrimas do rejuvenescimento...” a bed of autumn leaves”


Type O Negative
Album:"World Coming Down" (1999)
Música:Hallow's Eve

Wednesday, June 13, 2007

Type O Negative IV

Dispo a pele molhada da saliva. Tenho o perdão das chamas mergulhadas no corpo da eternidade. Os cabelos deslizam suavemente no clímax, acorrentados ao roçar frenético dos quentes lábios. Dor que sufoca o atormentar do prazer, da humidade do corte flamejado, rasgado, os devaneios que adocicam o inferno.
As brasas limam o êxtase, carícia tocada pela extremidade, ardor munido de descontrolo. A loucura apodera-se das paredes que se derretem.
A lança penetra o fogo, a clamar pela ossada pernoitada nas profundidades do campo nu...” Inside of her - deep inside of her”

Type O Negative
Album:"Bloody Kisses" (1993)
Música: Machine Srew & Christian Woman

Sunday, June 10, 2007

Type O Negative III

Do poste abandonado os trovões despedaçam a madeira desfolhada. Trocadilho de cabelos enrolados à volta do pescoço sem ouvir o pestanejar da solidão. Sussurra por entre a pele enlaçada, aberto pântano, rouquidão fortalecida ao patinhar dos vapores das soltas notas. Avisto os abandonados dos naufrágios com remos feitos de folhas que o mundo não se esquece de amedrontar. Curto tempo da força jamais leva a forca ao seu desmaio. A morte apadrinha os seres, a convivência torna-a o suplemento da vontade em amar. Sustento em querer viver…” I still dream”



Type O Negative
Álbum:”World Coming Down” (1999)
Música:Everything Dies

Saturday, June 09, 2007

Type O Negative II

Embrulhei vidros neste desejo mortal da evaporação. Faço parte da lei seca, do deserto esventrado do Outono; um circo de lamentações que aniquilam o pigmento do sofrimento. Sirvo de alimento ao demónio das purezas, do qual ele se aprisiona na liberdade concedida. Meus lábios estão ajoelhados ao Amor, morte santa; moldura corrida ao vento passado. Tenho passos sem fim de onde não estou, para onde passou o que já ficou. Seguro o ramo da vela queimada, floresce o chamamento da partitura…Virá num manto, vinho tinto…” one hundred candles burning”





Type O Negative
Album:"October Rust" (1996)
Música:Love You To Death

Type O Negative I

O fúnebre olhar envolve-se na neblina. Nada do olvidar pode dormir sobre estrados de madeira para não apodrecer sobre a miragem. O caixão aberto com pétalas esquecidas rasga os patamares de cada perfume. Quebrar o sufoco chama os feitiços dum corpo nu, fracção do riso das lágrimas, recanto aleatório do forno da Alma. Perfurar o orvalho da noite, mistura de Lua, profundezas de lobos, dimensões com cortinas de verniz. As cinzas põem o vestido do fogo num sopro de desejo...” Dye em black.”


Type O Negative
Album: "Bloody Kisses" (1993)
Música: Black No. 1

Thursday, June 07, 2007

Wednesday, June 06, 2007

Inferno

O terror encontra-se amedrontado
na esfinge do sentimento.
A introspecção da fuga quotidiana.

Thursday, May 31, 2007

Pânico

Molho o arpão da saudade
Num frasco de notas floridas;
O esquecimento perdido está,
A lembrança cavada cairá.
Nada do ser recolhe as trincheiras.
O pânico evapora o medo
Comprimido pela luz,
Seco de esperança...
Olho teu brilho,
Enlaço a silhueta.
A lágrima descai
Pesada Alma, restolho...
Ouço o barulho do silêncio da Lua...

Tuesday, May 29, 2007

Cavalo de Fogo

Nos confins do céu nublado o condenado é expulso do território. Avançar sobre as fontes espalhadas com os pés no bolso. Rara moldura não conseguirá morder o horizonte, nem do vento ouvirá tremer os lábios, nem da cauda se ouvirá o ranger. Da lava incandescente o corpo diluir-se-á para o fumo o envolver e o levar nas catacumbas da memória. O fogo arde no Demónio.

Sunday, May 27, 2007

Guardador da Luz

A tatuagem que baila no gesto da noite pergunta pelo guardador da luz. Onde está suspenso a corda da vibração pintada pelo vento?
A loucura ceifa a matriz da multidão mecanizada. Sem perguntas, sem respostas, sem a imposição de tais inquisições. O que resta no lameiro onde a chuva não pára de respingar?
Nem na mais densa floresta as questões incomodam o cinzento borbulhar da actualidade. Recreios nus sem velas…

Friday, May 25, 2007

Caracóis

Eles bem tentaram fugir mas eu fui mais rápido LOL

Wednesday, May 23, 2007

Maestro

O pescoço do tempo faz chover os seus pergaminhos queimados. As folhas do esqueleto seguem no trilho, instável na pulverização, contorcido no pólen espalhado no ar. O dia choveu tremido com a “neve” a misturar-se no meio das gotas. O ser transportou-se para a paragem sem passagem possível e na noite os caracóis saíram para o caminho. Senti os meus pés a esmagar o inverso do gigante. Tento voar neste labirinto, ao desgaste do medo, ao acasalamento de sémen. “ O Maestro rege a orquestra sem partitura”.

Sunday, May 20, 2007

Santa Maria da Feira - Teatro de Rua

A Lua fazia de baloiço à estrela numa noite de fria Primavera. Escalar a história na pura imaginação do riso, uma subida tão íngreme que o cantarolar da versatilidade descai pelos trapos das cores. Tantos instrumentos num corpo fazem a sinfonia ser o precursor das alturas. Todo o círculo ambienta-se ao desfilar das notas musicais. Plim…Plim…Plim…

Palhaços de machado e faca na mão esmagam de susto a personagem da cruz. O balão arrebentado, o copo com água invisível, a palmada que voa sem superfície, a mala de viagem sem bilhete, ou a maquilhagem na ponta do nariz vermelho!

O foco corrompeu as Almas presentes, incendiando a água, chamando os gritos das chaminés. Rolaram cilindros dos cereais na balança indestrutível do temporal das labaredas. Chiam os ferros que queimam a pele, arde o corpo com troncos descalços que clamam mais chamas.

Oito pessoas brincam numa esfera criando uma malabarismos de esqueletos. A dinâmica flúi no sabor do ar. Enquanto eu entretenho-me a tentar tocar num balão solto...

Saturday, May 19, 2007

Garrafa

Um abraço duma bebida que se encontra na garrafa no incondicional segredo resguardado da ténue brisa. O vidro mostra a transparência. O líquido molda o brilho da sua criação, e a suavidade de quem o quer beber fica suspenso ao saber o que irá acontecer depois de o deglutir. Não deixa de ser verdade que algo que toca o suspiro, voa sobre os glaciares. Encontrar cada recanto para deslizar e observar os rasgos no caminho. Sentir!

Friday, May 18, 2007

Sagradas Mãos

Os instantes são flechas do mergulho sagrado, reflexo da paisagem misturado ao orvalho do paladar, um sumo que ao vento faz eclodir a memória. A sensação povoa espaços desconhecidos como o calor atormenta a pele que ferve. São cavidades na porta, percorridas no tacto do devaneio. O terror das mãos apreendidas dança no espasmo da lentidão.


Wednesday, May 16, 2007

Gelo

O gelo pingado do demónio

Tuesday, May 15, 2007

Tinta

Os sons encontram-se adormecidos, escondidos pela evaporação sentida. O recorte do jornal semeia letras, toques suaves para os olvidados se maquilharem ao sabor das fogueiras. Não questiono do que é feito das melodias, somente sei que estão algures pousados a serem engolidos pelos restos duma chuva miudinha. Muito parecido ao estado que encontro a minha mão na textura regada do planalto. Letras pingadas no esquecimento. É isso que o céu faz resvalar no pincel da tinta…

Monday, May 14, 2007

Ribeira

As pedras chamam incertas condições climáticas, onde ecoam salpicos da ausência das árvores. Com os rasgos rasgados no monte percebe-se o culminar da rigidez que rema por curvas feitas pelas águas. Cada calhau polido pela natureza numa obra essencialmente feita ao retalho dos sabores dispersos. Nos vales as ribeiras clamam as cordas de um som puro. O repouso do olhar vira-se para lá do sonho, alcançando uma melodia ao atravessar para a outra margem. As pontes feitas ao remar das correntes...
Sinto o estremecer dentro de mim: o sol, o vento, a chuva, o granizo...Nem o próprio arco-íris escapa aos raios que saem da Alma...

Friday, May 11, 2007

Sociedade

“Agora fodo e bebo...”
Chegaram ao “clímax” da essência do ser humano e não se aperceberam disso. São o apogeu do retrato social...

Wednesday, May 09, 2007

Go SPURS Go !!!!

Loucura

A minha rouquidão amedronta os desprevenidos, enquanto que o calor devasta as ruas, e os pés socalcam as brasas que não pertencem a ninguém. Gira em torno dos raios solares o mundo de muitos seres humanos. Entretanto a maioria das pessoas olham-me com espanto. Uso o meu cachecol à volta do pescoço...Alguém está louco...

Friday, May 04, 2007

Plim

Rebolo frouxo o fluxo sentir.

Wednesday, May 02, 2007

O Murmúrio

Gelaste o pedaço de carvão
Ao lado dum violino,
Enquanto o embalo do peito despido
Acordou cordas.
Resta o convento do pedreiro
A velar imortais sons...
A insuportável queimadela
Desfaz-se como um corcunda
Posto ao lado do segundo...

A tenda aberta sustém o vento...
O mar sufocado abraça o vazio...
Galopo a voz tremida, a louca insónia!

O relâmpago irrompe,
Proveniente do sossego...
Tão poderoso reino da silhueta
Que diluo o meigo do formoso mel...
Deixo o incenso invadir as cavernas
Ao cruel do ardente pecado.

As chamas do lábio,
As flores do aflito gemido...
Vou até ao teu colo,
Adormecer na tua vinha,
Para naufragar a doçura
Dos pés descalços, enlaçados...

Bordo o murmúrio...
Dorme comigo Lua mágica...

Monday, April 30, 2007

Gólgota

Descobriste a falha do encontro ao ouvir o maremoto das planícies. O salpico transbordou, sem surpresa das aves que avistaram o perfume no cume das nuvens. O resto dos vivos nem saborearam o derramar das gotas. O gólgota de cada espécie atinge o auge na contemplação exagerada de fugas. A insatisfação paira no ar, em gesto de agitação, em pausadas invasões...

Sunday, April 29, 2007

Argola

A argola sequestra os prisioneiros das cadeiras. Ouve-se os chocalhos a deambular nos corredores das ruas, uns presos as suas divagações, outros ao palpitar das emoções. Correm como loucos atrás do vazio e nem a argola os serve para parar. Por enquanto conseguem chegar a serem cegos sem abrir os olhos, por enquanto nem dos pés se lembram. Tentam aspirar o pó das cadeiras com as saias lavadas, esquecidas da falta de brilho. E ouvem os chocalhos soar em troca dos dias pelas noites.

Friday, April 27, 2007

Festival Intercéltico 2007

Mais uma vez irei perder o festival....Arghhhhhhh

Wednesday, April 25, 2007

O milagre...

A busca do santuário encontra o repouso nos lagos, e os ecos nas grutas profundas das montanhas. A silhueta da Lua encanta os caminhantes, as telas das notas bailam no ouvido onde as verdejantes árvores incorporam a magia. O tempo passa devagar, tocando o pormenor de sentir cada instante. A melodia dos cabelos dourados entreabre o desejo pela criança. O prazer devora a sua beleza num contágio entre a natureza e os Homens, um cântico vindo da Alma.

A Twlwyth é um estado mais avançado:D

(O milagre é transformar o céu em chuva dourada para quebrar o feitiço de retornares a casa com o gesso)

Monday, April 23, 2007

23 Luas


Corre nas veias a espuma do nevoeiro.
O rio estende-se nos braços das margens,
ao encontro de Almas no canto da vida.
Um abraço do Tejo nas 23 Luas.
O fascínio do número 23.

Ò minha Senhora....

"Ò minha senhora...Ò minha senhora...é um menino nao é?"



Aglomerar o clandestino passageiro
Arrumado na comoção do desfiladeiro;
Pernoito a ouvir a paródia do gesto
A desterrar a fúria do relento...

Furto o corredor da inquietude
Escavando o cego território;
Eclodir ou esbanjar o nevoeiro?!
Vestir os trapos do esquecimento...

Amanheço o deserto madrugador
Timoneiro da rede, saqueador da sede
Cobiço o silêncio num infame túnel.
Resquícios da sombra esfaqueada...



Parei a minha escrita, um homem senta-se ao meu lado (87 anos) e diz-me os seguintes versos:



Diz-me lá ao cantadeira...


Que te prezas de saber


Onde estavas tu metida
E antes do teu pai nascer
Se fores uma cantadeira afamada
Deves-me já saber responder...

Minha mãe foi regateira
Vendia melões na praça


Se eu sou corno, tu és puta
Somos todos da mesma raça



Ele sai em Ovar, e eu sigo no comboio para o Porto.


Saturday, April 21, 2007

Parabéns Loba

Um passo na tua viagem...
Um sorriso aberto nas velas...


Os meus braços enlaçam tua pele neste dia...

Parabéns Loba!

Thursday, April 19, 2007

There are some people, they are never down...

There are some people, they are never down...

There are some people, they are never down...

There are some people, they are never down...

There are some people, they are never down...

There are some people, they are never down...

There are some people, they are never down...

Wednesday, April 18, 2007

LVR

Ainda não vi teu lindo corpo...
Ainda não... Ainda não...Ainda não...
Não! Não! Não!
Acariciar os verdes prados...
Mando...Ando...Mando...
Aqui Li...Aqui Vi...Aqui Ri...
Ainda não... Ainda não...Ainda não...
A mão tira o pão...
Debruça-te no vão da escada...
Ainda não... Ainda não...Ainda não...
Santo cumpre a tua promessa...
Ainda não... Ainda não...Ainda não...

Tuesday, April 17, 2007

Velas Molhadas

Dos marmelos apodrecidos
Sangra o espanto do espantalho...
O cesto é colocado junto ao alho
Perguntando à alergia pelos esquecidos...

Volta ao sarcófago de telas
A revirar a camisa molhada;
Torna o sumo a chuvada,
A Alma, os cursos sem velas...

No aberto pântano o peregrino prega...
Prega sua essência aos pecadores sem moradia...

Monday, April 16, 2007

Calafrio

Os raios de sol encostam-se no rosto
Num abraço sem odor,
Numa correria desenfreada pelas bermas...

Moldados na sombra o melhor amigo
Aconchega o espírito do fantasma...
Ruínas tornam-se fronteiras visíveis
Do calafrio sentido...

Cada vez mais transpiro nas chamas do sol...
O gelo afasta-se das profundezas...
Não largo a âncora de mim...
Permanece o meu cachecol
Em redor do meu pescoço...
Sou eu... É a minha identidade...

Friday, April 13, 2007

Saltitar

Entrar no segundo certo...
Afundar nas pétalas incertas...

A concha perfumada,
O paradigma guardado;

A lenda desfeita
Entrelaçada na mão;
Dar voltas num ritmo frenético
À velocidade das estrelas
Numa folha queimada...
As cinzas caem em pedaços
a ornamentar rasgos de armadilhas...

Saltito..Saltito...Saltito...

Sunday, April 08, 2007

Dor sem Fé

Rasgo os relâmpagos…
Ao aprofundar os fundos dos baús…

Chispas bombeadas do além…
Não pertencem ao corpo…

Profanação da cruz
Vai pelo pescoço dos troncos;
Abaixo do limiar da pobreza,
Por cima dos túmulos…
Crio alongamentos ocos;

Não escapo da dor!

Aventura regada no seio
Debruça a paixão do coração,
No ventre dum voo…

Dilacero a parte infinita do canto
Num mar levado pelas ondas.
Dorida espuma;
A sensação do pergaminho…

O caos sem fé…

















(Foto tirada por um amigo, João V., em Marco de Canaveses)

Saturday, April 07, 2007

Ondas nas ruas do Porto

A carcaça está no pulmão fumado. Pus os pés a dançar nas ruas, nas rotundas, nos pequenos bosques que abraçam a cidade, na ondulação que percorre a noite. Invento a transparência da iluminação num eterno tactear, a movimentar o fogo do fundo vazio. Flutuo no misterioso encanto de ouvir a escuridão, aberto ou fechado pelas esquinas, levo excertos de pedaços.

Tranco a porta e vou dormir…

Friday, April 06, 2007

Árvores Cruas

As árvores estão cruas no cimo da palma da mão. Estremeço no templo das asas; as geladas sensações pingam no olhar, a humilde dança, o surpreendido sorriso. Saí na vergonha tentando verter uma emoção, um lapso de memória para olvidar um dia mal passado. Arranho a eternidade com as forças ocultas, a delicadeza dos pés, e aplico a maldição de seguir na corrente. Os olhos assim o dizem… Há seres que foram elaborados para certas tarefas, só que jamais o tempo anda certo. Fazê-lo bater no caldeirão de feitiços é reagir às minhas estranhas maneiras…

Orgulho IV

Não há tempo...Parabéns ao tempo!
Há várias formas de estarmos com quem gostamos. E dessas formas podem ser transpostas para um campo infinito de posturas perante a acção de agir, sendo ela activa ou passiva. Há anjos e demónios que não sabem nem a sua própria definição, e assim se auto denominam. Estas definições não partem do grupo, mas sim de cada um. Corrigindo ao longo da vida o trajecto para poder atingir uma maior exploração de si mesma.
O equilíbrio das pétalas aconchegadas no peito germina. Fazê-las crescer leva a não esquecer, de estar presente nem que seja com uma leve brisa junto daqueles que nos ajudaram a desenvolver. Pensar, estar, com essas pessoas só quando elas se vão, deixa a amargura nos lábios. Aí nunca mais poderemos dizer fisicamente o quanto elas são importantes. O mais significativo do percurso não é a quantidade mas sim valorizar a qualidade, nem que essa seja imensamente reduzida.
Quando li este post da Nin fiquei emocionado. Ela fez algo que muita gente não faz: esteve com o seu melhor amigo. Há sempre um segundo para dar a quem gostamos, e quem diz que não tem tempo e di-lo sistematicamente, é porque afinal não sabe o que é gostar dessa pessoa.
Não há tempo. Parabéns ao tempo!

Manto

Queres morrer? Porquê? Ó mulher não desejas acalentar a esperança dum manto pacífico? Sei que vives nos teus momentos altos e baixos…Confirmei-o com ele o que já sabia. O homem disse-me aquilo que nunca irá acontecer, vendo ele nos meus olhos aquilo que eu tinha como adquirido. Consigo ver para além do real sem usar nenhum dos meus sentidos, um dom desenvolvido ao logo dos tempos e no qual as expressões captadas são por demasiado evidentes.
Os teus caminhos foram, e são de dor, não sendo eu capaz de reagir a esses indícios. O inevitável acontecerá. Estarei o máximo junto a ti o quanto eu possa…

Wednesday, April 04, 2007

Flutuação

A fragrância da ansiedade fica aflita no patamar da resposta. Saboreio o vento, observando a mulher do guarda-chuva aberto, com ela ausente. Amputar as gotas torna o sopro uma aventura, torna a miragem um feroz roedor do destino, uma vela descaída num punhal. Seguimos os passos, desejando aquilo que corremos atrás....Assim os cabelos ficam enrolados, esticados, molhados...A flutuação da cor do mar...

Monday, April 02, 2007

Viagem

Muitos sonhos entram nos lagos das pessoas: a viagem escondida nos cantos das fragas, o odor da mistura dum mercado, a lança dos campos na mudança das cores. O tesouro da ilusão mora na esquina de cortejar as letras, onde o alinhamento do percurso solitário segue pelos labirintos. Parar num ponto corta a chama, mas é necessário para depois ir ao fundo dos contornos. Visão das pastagens desérticas.

Sunday, April 01, 2007

Amo-te Lua...

Torci a Alma
Causando a ruptura,
Tropeçando na fractura…

Do tecto cai teias…
Moídas a pentear as veias…

Abano as tranças erguidas…
A força das asas bate.
A saia enrola-se nos olhos;
Os poros sulcam as marés;
Enquanto os dedos aninham-se
Nas pétalas da Lua…

Amo-te!



















Pequeno questionário:
http://home.att.net/~slugbutter/evil/
Resultado: Pure Evil

Friday, March 30, 2007

Ultimado

Encontro raios...
Encontro a insanidade...

Decorar as vestes, desperta os feitiços.
Gota calcada no linho...
Gota sem interesse no vinho...
Adormecer por dentro; por fora a velejar.

Galopar a deslocação sobre o mar
Salienta a vivência acorrentada...
Exilado, o receio fica na prisão.
O carrinho, o silêncio...

Enganado pelas arestas, o beijo fica imóvel.
Rasgo a viagem,
A flexibilidade ocorre sem naturalidade....
Amargurado na imobilidade...

As imagens ficam ausentes...
Parto de mim, sem partir de mim...

Ultimado...

Monday, March 26, 2007

O romance do baloiço...

Girar as correntes em torno do reflexo pendular soa a silêncio provocado pelos galhos nus do som do Inverno. Baloiço a tormenta do corpo num ritmo incendiário, na falha de não ouvir os raios lunares para riscarem a Alma – tropeço no vazio. Segurar as rédeas do soluço faz recuar o eco até às infinitas estrelas suspensas. Movimentos oscilatórios da invencibilidade tornam os sentimentos cordilheiras de barcos a navegar no pêndulo. Danço nas mãos, no imaginário duma criança a brincar num baloiço... O romance...


Tuesday, March 20, 2007

Carta

Caríssimo DarkViolet,

Venho comunicar-lhe ao sabor do vento que espeta os devaneios, os seus círculos amargos são tempero do granizo. Isto foi-me comunicado quando estava a engolir as ervilhas, uma por uma. Pode parecer-lhe algo doentio, mas cada uma delas tem uma expressão única, e além de ser única transmite mensagens de uma dimensão que não pode ser tocada por seres normais. Quando falo normal é no contexto dos seres que andam a deambular sempre da mesma forma. Uma média sem sentido nenhum, que se usa na normalização para deixar as pessoas na mesma caixa, e as outras em sítios que não façam ruído para os restantes. Após esta breve explicação de onde provém a comunicação vou passar à restante informação.
O granizo está a perfurar as rodas do tempo que tanto fale. Não deixa de ser verdade que andar com rodas furadas pode fazer com que o ruído seja uma melodia interessante. Neste caso faz-me comichão aos meus tremores. Quanto à amargura, o realismo deixa a bailar até à ponta de unhas não pintadas, a mostrar as tripas dos infiéis.
Não vou estar a divagar muito porque como sabe isso compete à sua pessoa. Embeleza demasiado a pureza que vai dentro da sua Alma, por isso prevejo nos seus olhos um corpo a espalhar pétalas aos amantes de outros seres. Queria apresentar a sua auto estima à loucura, a sua mente ao rio, e aí o seu sonho seria realizado. Eu sei qual é a sua maior fantasia. Sei sim. Apesar de nunca o dizer sei o que vai no baú de teias de aranhas. O silêncio mata-o Não uma morte qualquer, mas sim uma morte com um sorriso. Tudo passou a ser estatística na qual compete a si a modificação daquilo que não pode modificar.
Vou de encontro a si para lhe arrancar o coração. Não pergunte como o vou fazer, somente deixe que seja posto num caixão de gelo. Aí estará seguro... Por enquanto não tenho mais nada a registar por isso irei à sua procura. Sabe que não poderá escapar. Sabe disso não sabe?...Hummmmmm...

Comprimentos melancólicos,

Assinatura: DarkViolet
P.S.: Só mais uma informação...Os Type O Negative vão estar no Coliseu dos Recreios no dia 27 de Junho...Está pessimista ou "DEAD AGAIN"...

Sunday, March 18, 2007

Cogumelos

Por dentro das roupas secas encontra-se a pele molhada a chamar o fervilhar tremido dos socalcos coloridos. O gesto tranquilo eleva a melodia à superstição do ser iletrado ao simples isolamento do mato. Na terra utópica, escondida na teoria do longínquo, a sabedoria toca os pormenores erguendo a subtileza à magia do sorriso. Há seres que são transpostos para dias que aquecem, enquanto a minha mente pinta outros órgãos. A geometria corteja os cogumelos num passo a perguntar onde se encontra o compasso.

Tuesday, March 13, 2007

Corvus Corax

Há melodias que nos tocam no fundo da Alma sem nos apercebermos. Seja devido à frequência do que eles estão afinados ou à relação batimento do coração com a música que se está a ouvir (entre outras razões). Às vezes acreditámos que não pertencemos ao tempo que se está inserido, nem muito menos ao espaço. O tempo-espaço entra em luta com o nosso interior e só queremos fazer viajar o nosso corpo junto com a Alma para a outra dimensão. A música é uma dessas vias, e esta banda transporta-me para essa dimensão.

Deixo o site da banda: http://www.corvuscorax.de
Gostei especialmente a oportunidade de poder ouvir o som de alguns instrumentos utilizados. Vão a “Music”=>”instruments”.


Saturday, March 10, 2007

Ribeira

Tenho o peito ao vento quente que me atiça a suavidade. As folhas começam a sair, as flores das camélias estão com as cores na direcção dos raios, o crescimento ocorre. O sol entra forte no fim do Inverno, e tudo gira em torno dos sons épicos. O movimento do nu fascina o olhar. Tenho que encontrar uma ribeira para me banhar e colocar a melodia a fervilhar…Uma ferida selvagem num espaço desconhecido…É isso que vou procurar…

Friday, March 09, 2007

Dark Clown

A todas as pessoas que adoram
sentido de humor,
um fim de semana
no circo humano
cheio de palhaçadas
LOL

Thursday, March 08, 2007

Vendaval

A caixa escondida atrás do vendaval percorre o pó dos vitrais, na neblina, no trânsito de pés, nos altares das virgens, por vezes na miragem dos chapéus-de-chuva.


Fixo o gelo das folhas;
O gemido terno sai profundo
Em escolha de folhas geladas...
Sacrifico o som, tom, dom...
Abro a sepultura da inocência.
Varro o céu da clemência.
Navego num caixão aberto,
Acompanhado por um fio de pedras;
Subo ao patamar das portas fechadas
A plantar flores somente para mim.
Nas escarpas enroladas
A maré decora o manto da chuva...

Monday, March 05, 2007

Pequenas Maravilhas

  • Adormecer no colo da Lua.
  • Chuva miudinha a resvalar no rosto.
  • Escorrer os pés nas ruas silenciosas.
  • Incendiar as brasas.
  • Ouvir os ramos despidos num cemitério.
  • Tocar a fogueira com o olhar.
  • Vento a orvalhar o cabelo.

Saturday, March 03, 2007

S I L Ê N C IO

Friday, March 02, 2007

Moon Tear

Olhei o reflexo do meu fantasma...
A transparência toca o céu;
Partilho o odor comigo...
Escuto as ondas do mar
A borbulhar no ouvido
Colocando a Lua
A baloiçar no colo...
As lágrimas caem no meu rosto...
É sempre inevitável...

Thursday, March 01, 2007

Doce Demónio

Agora és livre doce Demónio. As correntes da sensibilidade estão cheias de ferrugem e os sentimentos encontram-se afundados em poços sem fundos. Assim não tens que te preocupar em embelezar pérolas de melodias. Soa que isso te sufoca, não é?!­Deixa essa tua realidade de lado, não é isso que as pessoas querem encontrar, muito menos aquilo que poderão fantasiar num mundo de ilusões. As metáforas são difíceis de descodificar, o labirinto sem entroncamentos, o perfume com essências que deambulam com o vento onde encontram ruelas demasiado afuniladas. Os inexplicáveis contornos sentimentais que flúem na rapidez dos segundos são o massacre da memória, por isso és livre neste mundo “civilizado”. Vai dilacerar a tua Alma...

Wednesday, February 28, 2007

Olvidar

Abro-te as portas do inferno
Na letra dum devaneio...

Impregnado na escravatura
Ignoro os gemidos.
Somente devoro tua Alma.

Pinto o caixão num medalhão
A fervilhar o sangue do veneno
Irradiado na escuridão...

Rasgo o nevoeiro do licor
Onde o ostracismo mergulha...
Vês a face do vazio;
Não sentes nenhuma metamorfose,
Nem profundidade, nem fuga...

Encontro-me dilacerado
A olvidar a navalha.
Ela não perguntará por ti...

Tuesday, February 27, 2007

Amor de Filho

Atrevi-me a suplantar a miragem do sol poente no rasto do corredor das brasas, abandonando à sombra a fechadura de labirintos. Toquei os passos nessa ilusão a apavorar a lenha, saltando muros de vitrais para encontrar a melancolia dos salpicos na mão. O Amor de filho cria esses parâmetros que aliciam novas tentativas até que tudo volta à estaca negativa por muito o atrevimento seja regado. A perspectiva longínqua dum sonho...

Sunday, February 25, 2007

Verter

Accionam os dias em cada semáforo.
Cantam... Pisgam...
Alternam as faces nos olhos do corredor
Como se a pluviosidade vertesse do canto da sereia.
E verte...

Saturday, February 24, 2007

Chapinhar

Trago o olhar de mim
Enrolado na beira das falésias.

Paletes de ciclones
Alertam a intuição:
A muralha enfeita a cortina
Junto ao bosque
Onde os predadores aglomerados
Ouvem a ausência da letra...

A noite nasceu dentro da madrugada;
Estremecida força,
Túnel profundo.
A lamparina esqueceu o mergulho;
Perco a vista,
Ganho a voz...

Chapinhar na escuridão...
A sobrevivência...

Friday, February 23, 2007

Contido Estrondo

Tudo se recolhe e acolhe...
Calor frio em gelo quente
Vazio despido vestido consentido
Sentimento contido

Imensidão transparente
Ausente sensação
Transbordar num reflexo
Aperto sufocante que chove na palma da mão

Gemido ouvido corrido
Corpo perfumado esfumado
Caixa de musica
Melodia unica...

Duende



















Sinto falta das pétalas a caírem em simultâneo.

Wednesday, February 21, 2007

Troncos de Fogo

Campas de marionetas
Inflamam os troncos espalhados;
Mascarados pelos fogos desesperados
Ouço a dor dos cometas.

Da serpentina cravada
Sobra o coração prisioneiro;
Atarracar o pé à calçada
O corrimão sai pioneiro.

A luz da noite nasce na sombra...


Friday, February 16, 2007

Teias de Saudade

O transparente lago molha o cabelo
Saudade...Mistura...Licor...

A esperança das estrelas
Nas camadas das teias,
Cai a lágrima...

Arranho a sombra das fragas
A deixar os relâmpagos arderem
No ventre das folhas secas...

O percurso das vibrações
Estica o robusto olhar...
Sobe o tom, bate o coração...

O medo treme,
Impotente, estrela cadente...
“Ninguém está aí...”... Aqui...



....
I am the mistress of loneliness,
my court is deserted but I do not care.
The presence of people is ugly and cold
and something I can neither watch nor bear.


So, I prefer to lie in darkness silence alone,
listening to the lack of light, or sound,
or someone to talk to, for something to share ...-
but there is no hope and no-one is there.



Sopor Aerternus - No-One is there
(Música em baixo)




Último olhar pousado nas mãos...

Thursday, February 15, 2007

Vitrais Coloridos

As manhãs sopram a viajar pelo destino
A rabiscar nas chaves dos céus
Contornos que os sonhos pintam...

As nuvens pingam pés floreados;
Uma onda de saltos distantes...
Um caminho entrelaçado nos jardins...
Uma viagem pela beira do carrinho...

Cada ano transpira os vitrais
Numa cidade de transparências.
O momento é feito para brilhar
Para tocar notas de pétalas.
O segmento perfeito da profundidade colorida...


Um feliz dia de anos prima:)


Tuesday, February 13, 2007

Matraquilhos

As mãos doces tocam páginas abertas durante a guerra civil espanhola. Sons de silêncio pingam nas portas do hospital, onde na mistura de batalhas humanas o corpo repousa. A explosão tinha feito estrago na ossada mas o sonho existe sempre, nem que seja para fazer com que o esboço dum sorriso se espalhe na Alma do ser humano. Criar corpos feitos de madeira, enlaçados, fazem uma formação de estátuas vivas terem troncos de sangue, e que as mãos dão reviravoltas pondo os pés onde a cabeça está, a viagem pelos odores da exaltação. Gira em torno da imaginação, rodopia nos lábios da satisfação, a segurar singelos desejos de fintas loucas. Ouve-se o espalhar de feitiços nos momentos da essência.






Alejandro Finisterre faleceu no dia 9 de Fevereiro. Não sei se foi num dia de chuva miudinha
(Os verdes e brancos ganhavam quase sempre, e quando não venciam o sorriso dos lábios era maior.)

Monday, February 12, 2007

Perfume

Hoje é 12 de Fevereiro de 2006.

De madrugada caíram pingos de chuva fresca onde molharam o meu corpo despido. Os dedos de fraqueza rasgaram a pele deixando seu odor perfumar as veias desejosas de poderem serem orvalhadas. O canto perfurou o que é o sismo fez tremer...
Lacrimosa - Der Morgen Danach

Sunday, February 11, 2007

Riso do Rio

Vento graceja no cabelo
Num rasto das notas pingadas

Um som silencioso de relâmpagos;
Uma serenidade de prisioneiros libertos;
Um violento sopro para solidificar geadas;

Sinal da ausência pendurado nos soluços…

Rio do riso pergunta pela onda…
Riso do rio pergunta pela dona…


Friday, February 09, 2007

Alçapão Latente

Pés Erguidos
Ardente
Poente
Latente

Mãos Esculpidas
Sótão
Escuridão
Alçapão

As correntes escapam ao esquecimento; mãos ou pés têm sempre um dom de enriquecer o espírito. Ouvir o som da ave a sobrevoar outros mares, os toques do silêncio a chilrear as harmonias em momentos únicos, são banhos húmidos de prazer. Livres voam os anjos por não saberem tocar... Porventura não valerá a questão?...

Wednesday, February 07, 2007

7Unhas Negras7


Quando se sente o corpo a gelar

A Alma entra em combustão

Agreste sem cessar no meio dos trovões

À espera de ir num sopro do vento árido

De ir num olhar

De correr nas luzes espalhadas

Longe...


Abre-se por dentro os cabos esticados

Uns atrás dos outros

A tentar falar por entre linhas esquecidas


...Fogo de água cai no esboço...

...Uma tela...

...Unhas pintadas de negro...

Monday, February 05, 2007

Eutanásia

Pensei e repensei no assunto para chegar que a conclusão que porventura poderia chegar iria ser demasiada confusa dando cabo da minha mente. Esticaria minhas células até ao limiar da insatisfação, nunca mais poderia sentir o eco do alimento a retalhar o escondido som, esmagando os restos da minha insanidade. Estas linhas não me estão a ajudar nada e fico somente com uma certeza suspenso no elemento retido da Alma. “Who am my to disagree?” Abuse me...Crio a semente rasgada do olhar, não pergunto a cor do inferno nem em que ponto a brasa começou a existir e se no meu coração correm veias feitas de pó. Sim ou Não...A resposta está toda na pergunta não formulada, onde só ocorre a questão fundamental: legalizem que o feto tenha a oportunidade de poder praticar a eutanásia. Aí poderei votar com consciência tranquila porque o meu voto seria inútil.


P.S: O texto não é para ser levado a sério.

Sunday, February 04, 2007

Brutal Cal

Capítulo brutal.
Inacabado ao suspiro.

Por dentro do silêncio
A massacrar os lábios da nudez
Desfilo nos húmidos pedaços.
Num rasgo do desfiladeiro
Ofusco o som cercado…

Na cela da solidão
Ergo a invisibilidade
Da transparência de fogo
Até ao portão de grades vendadas…

Subo nos pés da geada
A gemer de prazer…
Estremeço com espinhos cravados.
Do mal fatal dou uma foda aos sentidos…

Escorrego no meu cabelo estendido na mão
Onde cresço ao sabor da Bruma.

Friday, February 02, 2007

Cristalizar o Voo

Um ano de Luas
Onde a sensação mergulha
Embrulhada nos feitiços...

Restolho permanece nas geadas
Dobrado em silhuetas
Para criar ventanias vazias

Mão enrola a Alma
Inconsciente pé
O Paciente desassossego

Coração de bolhas
Acarinha a montanha...
A neve, a fantasia...
Escamas de folhas
Rasgam o que a mão amanha...
Leve, a magia...

Asas do Dragão...
Cristalizo o Demónio...
Voar...

Orgulho III

Não há tempo...Parabéns ao tempo!

Os caracóis enrolados saltam na pele dos segundos, árduos e secos a contemplar o horizonte. Dum fresco toque descai a manhã nas lagoas da metamorfose, um sopro, uma miragem de sentimentos, uma viagem contida. Percorro o altar do sentimento na criança do canto melódico, a encontrar as beiras do vento ao som do luar. Saem fogos pelos longos cabelos, começo a devorar as faíscas das translações das campas, um estrondo monumental de trovões rabiscam a porcelana partida. Roer texturas dos pedaços de sangue da moldura; caio no esboço do meu rosto a revirar páginas antigas, a morder apontamentos de notas. De longe para perto a magia entra em mim, contemplando um lugar, só. A noite pingada por uma gota onde o coração explode no medo reflectido, sobrevivo a rasgar escavações percorridas pelas ruas da memória. Uma beleza de profundezas a tocar a embriaguez do paladar, o veneno da corrente que perfuma a minha pele, navegando num ruído estreito. A Lua aninha-se nas fissuras da minha carne, atiro a liberdade da lareira e espreito a palma da mão...

Não há tempo. Parabéns ao tempo!